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O regresso da idade das trevas (3)

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.06.14

Foto: Scholar Éric Sautedé was sacked from the University of Saint Joseph (USJ) due to his regular commentary on public affairs in local mediaMacau Daily Times © 27.06.2014

(cartoon de Rodrigo no Macau Daily Times)

 

"(...)

Na minha solidão, as minhas lágrimas
Hão de ter o gosto dos horizontes sonhados na adolescência,
E eu serei o senhor da minha própria liberdade.
Nada ficará no lugar que eu ocupei.
O último adeus virá daquelas mãos abertas
Que hão de abençoar um mundo renegado
No silêncio de uma noite em que um navio
Me levará para sempre.
Mas ali
Hei de habitar no coração de certos que me amaram;
Ali hei de ser eu como eles próprios me sonharam;
Irremediavelmente...
Para sempre." - Ruy Cinnati

 

Por cada dia que passa vão-se sabendo mais pormenores e as águas, tal como pretendia o reitor da Universidade de S. José, Peter Stilwell, vão sendo separadas. Para já, alguns factos novos ontem conhecidos vão compondo o puzzle.

Um comunicado do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura do Governo de Macau, entidade que tutela as universidades, veio esclarecer que dali nunca partiu qualquer indicação no sentido do afastamento de Eric Sautedé e recordou o princípio da autonomia das universidades.

O segundo facto é um comunicado da Universidade de Macau (UM) lamentando a expulsão do seu auditório, durante a cerimónia anual de graduação, de uma estudante, que exibira um cartaz exigindo que cessassem as perseguições de académicos, e de um fotógrafo, que concluiu com um pedido de desculpas a todos os que se sentiram afectados com a situação.

Depois, a juntar aos anteriores, foi divulgado pelo Ponto Final que Eric Sautedé já fora afastado do cargo de responsável pela organização de eventos académicos na Universidade de S. José, depois de uma palestra do historiador holandês Frank Dikötter sobre a revolução chinesa. De acordo com o referido matutino, a palestra fora sugerida por Sautedé e aprovada pela instituição, tendo ocorrido no dia 3 de Abril pp.. Poucos dias antes de ter lugar esteve para ser abortada, devido a pressões externas, mas os convites já tinham sido enviados. O tema da palestra centrou-se no último livro de Dikötter com o título “A tragédia da libertação” que versa sobre os primeiros anos do comunismo chinês e que de acordo com o historiador holandês foram marcados pela violência sistemática. Nessa palestra, Dikötter afirmou que “Mao quebrou todas as suas promessas” e “o investigador defendeu que a reforma agrária foi um acto de violência em que a maioria das pessoas foi incitada a denunciar um pequeno grupo”, afirmando na ocasião que “a fundação da República Popular da China está escrita em sangue”.

Por fim, para que tudo seja ainda mais estranho, o mesmo jornal dá conta de existir uma instrução com cerca de vinte anos do ex-cônsul dos EUA em Hong Kong, James B. Cunningham, emitida aquando da criação do Instituto Inter-Universitário de Macau (IIUM), que daria lugar à actual Universidade de S. José, informando que havia dois temas intocáveis: o princípio “um país, dois sistemas” e o “Politburo do Partido Comunista Chinês”. Esse documento publicado pela Wikileaks terá sido enviado em 2008 ao Vaticano, à Autoridade Nacional de Segurança de Portugal e às embaixadas americanas em Luanda, Maputo e Brasília. De acordo com a diplomacia norte-americana, a Universidade “não contestou a instrução”. O Ponto Final refere ter o consulado norte-americano sido contactado em 1996 por Ivo Carneiro de Sousa, que então apresentou o IIUM como um exemplo da máxima “Pequim fala e Macau escuta”, mas o jornal não conseguiu obter um comentário do visado sobre as declarações que lhe são imputadas.

Um dos leitores do Delito de Opinião sugeriu num comentário que aqui deixou estar a haver uma "perseguição" à Igreja católica em Macau. Nada de mais falso. Não há, nem nunca houve, qualquer problema com a Igreja católica na RAEM. Em Macau todas as religiões vivem em harmonia, têm o seu espaço, continua a haver feriados religiosos, mesmo feriados que foram suprimidos em Portugal pelo Governo de Passos Coelho. Há missas em português, chinês, inglês e até filipino e continuam a ser realizadas procissões em Macau pelas ruas do centro da cidade, sendo as mesmas religiosamente respeitadas por todos. A comunidade cristã de Macau continua forte e sólida, sobre isso não há a mínima dúvida, tendo até a Igreja um jornal, o semanário O Clarim, que já leva 58 anos e vai agora passar a ser publicado em três línguas.

Refira-se, aliás, que a primeira página da edição desta semana do semanário da diocese de Macau contraria de forma flagrante as justificações dadas por Peter Stilwell para o despedimento sumário de Eric Sautedé, à boa maneira salazarista, e a despromoção da mulher, a investigadora Emily Tran. Recorde-se que Stilwell afirmou que a Igreja católica não se pronunciava sobre a política interna dos locais onde está instalada. Pois bem, O Clarim, na primeira página, anunciava que os padres João Lau e Francisco Hun foram escolhidos por D. José Lai para integrarem a Comissão Eleitoral que irá escolher o futuro Chefe do Executivo e clamava por mais habitação e combate à inflação que são necessidades e preocupações recorrentes da população nos últimos anos. Penso que para quem disse que a Igreja devia ficar à margem, mais político do que participar na escolha do mais alto dirigente político da RAEM, deixando de fora dessa escolha mais de 600.000 pessoas, era impossível. A não ser que para Peter Stilwell a única intervenção aceitável da Igreja católica deva ser para apoiar o poder político.   

Quanto a um eventual aumento de influência da comunidade judaica, que também foi sugerido, é facto que desconheço por completo já que não possuo dados que me permitam tirar essa conclusão. Sabe-se, isso sim, que a própria Universidade de S. José tem recebido, como é de esperar de uma universidade, investigadores de áreas temáticas relacionadas com o judaísmo e, curiosamente, ou talvez não, no mesmo dia em que se confirmava publicamente o despedimento de Eric Sautedé, a Universidade de S. José enviava convites a promover uma palestra com o seguinte tema: "The rethoric of concealed Judaism: the Inquisition and the New Christians of Macao in the late-sixteenth century". O Clarim, que há pouco referi, publica um texto do investigador Miguel Rodrigues Lourenço sobre o tema.  

Os factos estão aí. Quem quiser que julgue a atitude do reitor Peter Stilwell. Por mim estou esclarecido. Seguramente que o seu amigo Ruy Cinatti estará atento, lá em cima e sabendo o que passou em vida, com o que por cá se passa. Espero que amanhã, quando envergar as vestes para celebrar a missa de Domingo, na Sé, tenha cara para enfrentar o Senhor. E que Ele na sua infinita bondade lhe perdoe o que fez a um homem bom e a uma família. Porque quanto à comunidade de Macau, duvido que enquanto se lembrar do que sucedeu o faça.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.06.14

 

 

Pai, Tiveste Medo?, de Catarina Gomes

Testemunhos da guerra em África

(edição Matéria-Prima, 2014)

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Blogue da semana

por Teresa Ribeiro, em 28.06.14
"Há alturas em que me sinto à beira de fraquejar, tal a injustiça que me rodeia (não me refiro a mim em particular), mas sei que não posso, por mim e por aqueles de quem gosto (e que gostam de mim). Nunca tendo defendido as ideologias que defendem que os fracos têm que ficar para trás, ideologias essas que abomino, sei bem que é precisamente isso que sucede na maioria dos casos. É por isso que devemos lutar até ao limite, ou até para além disso. Nas tais alturas, penso sempre: não fui educado para ser fraco e não o serei. Tem resultado." - este é um dos posts da autoria de Carlos Azevedo, português recém-emigrado em Londres, que podemos ler no The Cat Scats, um blogue de partilha de tudo quanto é bom.

As canções do século (1640)

por Pedro Correia, em 28.06.14

Leituras

por Pedro Correia, em 27.06.14

 

«O homem, na escala dos seres, representa um degrau não muito elevado; do verbo até ao homem existem, suponhamos oito, suponhamos sete, suponhamos cinco degrauzinhos. Mas, caramba, a Natureza trabalhou com afã durante milhares e milhares de séculos para subir estes cinco degrauzinhos, desde o verme até ao homem. Esta matéria teve de evoluir, não é verdade, para atingir como forma e como substância este quinto degrauzinho, para se tornar este animal que rouba, este animal que mata, este animal aldrabão, este animal que também é capaz de escrever a Divina Commedia

Luigi Pirandello, O Falecido Mattia Pascal (1904), p. 140

Ed. Cavalo de Ferro, 2010. Tradução de José J. C. Serra

Profetas da nossa terra (42)

por Pedro Correia, em 27.06.14

«Até ao final do ano o PS vai apresentar uma proposta de alteração da lei eleitoral para a Assembleia da República [para reduzir o número de deputados].»

António José Seguro, 2 de Outubro de 2012

Penso rápido (10)

por Pedro Correia, em 27.06.14

Há cinco décadas, numa tertúlia parisiense, dois escritores que viriam a ser galardoados com o Prémio Nobel dialogavam animadamente. Um deles era Albert Camus, o outro Czeslaw Milosz. Falavam de livros e dos seus confrades das letras. Assunto dominante, nesse ano de 1954, eram os ataques que Simone de Beauvoir dirigira a Camus na sua obra Os Mandarins, então acabada de lançar nos escaparates. Milosz perguntou ao autor de A Peste por que motivo não replicava aos ataques. Camus respondeu: "Não vale a pena discutir com o esgoto."

Esta é uma regra que devemos seguir na vida: não discutir com o esgoto. Agora e sempre.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.06.14

 

 

Café Negro, de Agatha Christie

Peça dramática adaptada a policial por Charles Osborne

Tradução de John Almeida

(edição Asa, 2ª ed, 2013)

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Eli Wallach (1915-2014)

por João André, em 27.06.14

 

Foi um Misfit (imagem acima), mexicano, americano-siciliano-mafioso, super-rico e simplesmente homem comum. Era um actor extraordinário que iluminava na mesma medida filmes fantásticos ou simplesmente medíocres. No teatro fará mais falta, já que no cinema temos os seus filmes. Deixa saudades. Muitas.

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 27.06.14

 

Stefanía Fernández

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As canções do século (1639)

por Pedro Correia, em 27.06.14

Mundial 2014: estatísticas

por Rui Rocha, em 26.06.14

Messi: 3 jogos, 4 golos.

Ronaldo: 3 jogos, 3 cortes de cabelo.

Im Büro*

por João André, em 26.06.14

18' - duas oportunidades falhadas. A primeira apenas meia. O Ronaldo não é de invenções no remate e por isso julgo que queria cruzar. A segunda num cabeceamento que deveria ter dado golo. Ao menos esforçam-se.

23' - duas oportunidades para o Gana. Aqueles centrais já deveriam ter sido recambiados para Portugal. William Carvalho parece o Busquets quando tem a bola. É daqueles que tem mais tempo que os outros.

30' - 1-0. sorte, é verdade, mas é um começo. A equipa está a atacar bem, Veloso está a subir como tem que subir e Amorim tenta compensar. A táctica não está má. Considerando o resultado necessário, é isto que a equipa precisa de fazer. mesmo sabendo dos riscos. (no jogo da Alemanha, um jogador americano mergulhou depois de acertar com a cabeça no ombro do árbitro).

38' - olha, o Nani está em campo. Pensei que estivéssemos a jogar com 10, que os outros estavam lesionados.

41' - de tão anjinho, o Éder deve ser solteiro e bom rapaz.

43' - os ganeses decidiram que a melhor forma de parar Portugal é à cacetada no Moutinho. Não estarão errados.

 

Intervalo - o Éder não salta, mas corre. O Boye (defesa que fez o auto-golo) deve estar comprado (ainda não foi pago). O comentador alemão acabou de dizer que Portugal faria melhor em colocar a bola na sua direcção que na do Ronaldo. Se o Nani não sai depois desta miséria o resto da equipa vai acabar de rastos.

 

50' - sempre que o Bruno Alves faz um passe a mais de 80 cm, a bola é perdida.

54' - as decisões do Nani são tão más que se ele pegasse agora nuns óculos escuros eu sacaria do guarda-chuva. (só para me chatear ainda marca um).

55' - os alemães macaram. Já só nos faltam 3.

56' - agora só nos faltam 4. Ao Gana 1. Tchauzinho cara.

60' - a sério que o Veloso era central nas camadas jovens?

69' - Éder sai, correcto. Mas que está o Nani a fazer em campo? O Varela fez mais em 5 minutos. E deveria era entrar o Rafa.

72' - Nani a ponta de lança? A sério? Se é para evitar que faça estragos, metam-no no banco.

73' - Já quase estou pelo Gana, só para que sigam para os oitavos de final.

79' - o Boye mereceu mesmo o bónus. O português, claro.

86' - a coisa não corre mal. No jogo de palpites apostei numa vitória por 2-1 de Portugal e num 1-1 dos boches com os americanos. Força Dempsey.

88' - Eduardo? Ainda bem que o mundial acaba para nós, só levámos 3 guarda-redes.

92' - Ronaldo está a golear em oportunidades falhadas. O Nani só precisou de 90' para aquecer. Agora é que vai resolver o jogo para Portugal.

Fim - a Alemanha fez a sua obrigação. Portugal despede-se pelo menos com uma vitória. A equipa médica de Portugal deve estar feliz com a eliminação, já não tinham espaço na enfermaria.

 

Obrigado a quem quer que tenha tido paciência para estes comentários. Amanhã logo analiso a coisa.

 

* - No escritório. Hoje tive de aqui ficar para ver Portugal. Os bares estão todos com a Alemanha.

Profetas da nossa terra (41)

por Pedro Correia, em 26.06.14

«O Tribunal Constitucional torna claro que [a obrigação de fazer o pagamento de salários e subsídios] só se aplica realmente a partir de 31 de Maio. E, portanto, relativamente àqueles que já receberam subsídios de férias com cortes, não há qualquer alteração a fazer.»

Miguel Poiares Maduro, 18 de Junho de 2014

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.06.14

 

 

Hoje Sonhei que Voava, de J. M. Debord

Tradução de Jorge Lima

Manual de interpretação de sonhos

(edição Bizâncio, 2014)

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Mundial no sofá (7)

por João André, em 26.06.14

Este tem sido um mundial atípico para mim. Pelo que parece, será o mais interessante em termos de futebol jogado desde o EUA/94 ou mesmo Espanha/82. Por outro lado, não tendo televisão em casa, estando há já umas semanas sem internet (é conspiração dos alemães, eu bem digo) e sendo os jogos tão tarde (o que complica ir para um bar ver os jogos quando se tem que trabalhar no dia seguinte), a quantidade de jogos que tenho visto é relativamente reduzida. Por isso mesmo, as minhas observações têm que estar limitadas ao que vi e ao que vou conseguindo perceber. Vamos a elas.

 

Portugal: entre uma vitória portuguesa e uma derrota americana, a soma tem que dar 5 golos de diferença. Para o Gana a coisa tem que ser completamente ao contrário. O seleccionador americano é alemão e foi o chefe do seleccionador alemão que é um dos seus melhores amigos. Quando o alemão seleccionador americano era o seleccionador alemão, muitos dos actuais jogadores alemães tiveram a sua estreia. O empate serve aoe alemães e americanos (que, para complicar as coisas, têm uns três ou quatro jogadores nascidos na Alemanha). Não fora o Klose andar atrás do recorde de golos do Ronaldo fenómeno gordo fenomenal, a coisa acabaria num churrasco em pleno campo. Assim imagino o Klose a marcar um golo ao fim de 1 minuto de jogo, os americanos a marcarem um 1 minuto mais tarde e o resto da tarde a ser passada em clima de Biergarten.

 

Grécia: tem que se gostar destes tipos. Continuo sem conseguir chatear-me com eles por nos terem levado o título do Euro 2004. Sei que vão ser postos a andar pela Costa Rica (olha outros adoráveis patifes), mas adorava vê-los a vencer o mundial. A festa seria de arromba. E a seguir provavelmente saíam do Euro...

 

França: a única selecção que, para mim, demonstrou ser sólida. Deschamps era um médio fabuloso e a peça fundamental da França de 98 e 2000. Como treinador continua a ser excelente. O meio campo atropela jogadores sem dar por ela e o ataque tem um poder de fogo impressionante. Se não implodirem são para já a melhor equipa no torneio.

 

Robben: a Holanda não me tem impressionado assim tanto quanto isso. A defesa é suspeita, o meio campo anda a repetir as tácticas de 2010 a 75% (sem van Bommel não chegam aos 100) e Sneijder (nota para os comentadores portugueses: lê-se "Snèidér" e não "Chnáider") anda a pouco mais que passear. Mas têm van Persie (golos do nada) e Robben (melhor jogador até agora) em forma. Num mundial atacante isso pode chegar.

 

Brasil: Chile! Chile! Chile! (quero o Sampaoli no Benfica).

 

Suárez: não o suspendam. Sem Zlatan, o mundial precisa de um vilão de pantomina e adoro ver os ingleses a gastarem rios de tinta com ele. O tipo é irritante e desportivismo é palavra desconhecida no vocabulário. Por outro lado ainda não lesionou ninguém e não é verdadeiramente maldoso. Se a FIFA punisse as faltas duras (Holanda, Honduras...) como quer punir Suárez, o futebol talvez fosse mais interessante. Coitadinho do Chiellini, tem um dói-dói, é?

 

Bélgica: repito, sem laterais ofensivos (são centrais convertidos) o estilo não funciona. Precisam de jogar com Mertens.

 

Pirlo e Xavi: fim de uma era.

O regresso da idade das trevas (2)

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.06.14

Esta manhã ficámos a saber que Émily Tran, a directora da Faculdade de Administração e Liderança da Universidade de S. José, mulher de Eric Sautedé, não será reconduzida no cargo. Ao mesmo tempo, foram-nos dadas a conhecer um pouco melhor as razões do reitor Peter Stilwell para o despedimento de Eric Sautedé.

O reitor, em carta dirigida ao Macau Daily Times, assume a responsabilidade pelo despedimento sem processo disciplinar. E vai mais longe, esclarece que as razões para o termo do contrato residem precisamente no seu respeito pelas convicções do despedido, confirmando o que já todos sabiam: "Did financial issues figure in all this process? I will not deny that I was aware such concerns existed, whether real or imagined".

A carta, como bem assinala Carlos Morais José no Hoje Macau, é uma prova da incapacidade do reitor para perceber onde está e de qual a importância da Igreja católica em Macau e na China, pois que desconhece o que seja o segundo sistema e está, no mesmo dia em que se deu um histórico encontro a nível ministerial entre Pequim e Taipé, a colocar no centro da discussão uma questão - a liberdade de expressão - que nunca se colocou desde a transferência de administração para a China. Depois compara a sua acção à do Cardeal Tournon, "o grande responsável pela má situação dos jesuítas na China durante o século XVII", porque "Stilwell está a fazer mais ou menos a mesma coisa. As suas atitudes e palavras implicam que não tem confiança no segundo sistema (...) e julga que está em Chonqing ou Ningbo, onde vigora o primeiro sistema. Isto é grave. Era preciso cair aqui um português de pára-quedas para estragar o trabalho que andamos a fazer há décadas. Um trabalho que implica confiança mútua, diálogo e a amizade entre portugueses e chineses e nunca a desconfiança e o insulto", para concluir dizendo que "não perceber que a China pretende que Macau seja uma terra de liberdade é não perceber o que é hoje a RPC".

Em resposta a Stilwell, que perguntou na sua carta como se deveria posicionar a universidade católica em Macau, de modo a manter-se fiel a uma tradição de 400 anos de valores humanistas, escreve Inês Santinhos Gonçalves no Ponto Final que a melhor resposta talvez seja "não abdicando desses mesmos valores humanistas". Também me parece.

Como escreve o director do Macau Daily Times, não se compreende como é que alguém que não foi sujeito a qualquer acção disciplinar, que é respeitado pelo próprio reitor, segundo este afirma, e por muitos outros dentro da Universidade de S. José, deva ser afastado da docência.

Stilwell refere ainda, enigmaticamente, a existência de "interesses estrangeiros" mas não esclarece quais sejam.

Entretanto, um grupo de estudantes da universidade escreveu à Prof.ª Maria da Glória Garcia (UCP) pedindo a sua intervenção, e um grupo de docentes católicos da S. José escreveu no mesmo sentido ao Bispo de Macau.

Stilwell, como se lê na carta que escreveu, considera que o despedimento de Sautedé faz parte do "job", mas, pergunta Paulo Coutinho no Macau Daily Times, de que trabalho, a que trabalho se refere ele? De facto, não se percebe que estranha missão foi essa que lhe encomendaram que envolve o desprezo pelos valores cultivados pelo humanismo cristão, o desprezo das mais elementares regras de justiça e a comissão de actos ofensivos do direito à liberdade de expressão e de opinião dentro de uma universidade?

Gostaria de sublinhar que durante muitas semanas li as crónicas de Eric Sautedé desconhecendo por completo a sua condição de professor da Universidade de S. José, o que só muito mais tarde vim a descobrir em conversa com um amigo comum, pelo que posso testemunhar que foi sempre feita uma separação claríssima de águas entre a sua intervenção e a instituição onde se acolhia, cujo nome jamais apareceu nas páginas dos jornais. 

Rocha Dinis, na Tribuna de Macau, ao comentar a justificação de Stilwell de que a Igreja "não intervém no debate político dos locais onde está implementada" diz que não sabe de que Igreja fala Stilwell, e recorda o papel de João Paulo II na viragem da Polónia e no desgaste do império soviético.

A situação da academia em Macau é neste momento de tal forma grave que Choi Chi U, professor universitário e antigo presidente da Associação de Escolas de Macau, em entrevista ao Hoje Macau, foi ao ponto de afirmar que a situação é pior do que a que se vive no interior da China ou em Taiwan.

Não creio que seja normal o que por aqui está a acontecer. Menos ainda a atitude do reitor da Universidade de S. José. E o que mais me incomoda e mais incompreensível se torna, como aos olhos de muitos outros portugueses e chineses que aqui vivem, é saber como é possível que atitudes desta natureza e com o efeito multiplicador que comportam sejam desencadeadas e assumidas por parte de quem chegou vindo de onde veio, com indiscutível capacidade intelectual, preparação académica e teológica, tendo todas as condições para fazer um trabalho que não deslustrasse a acção da Igreja católica em Macau e contribuísse para o aprofundamento dos valores do humanismo cristão neste pequeno e pacífico recanto do Sul da China.

Um episódio lamentável cujas ondas de choque ainda estão por avaliar, recordando os piores dias e todos os vícios de alguns ex-governadores e dirigentes do tempo colonial.

As canções do século (1638)

por Pedro Correia, em 26.06.14

Ligação directa

por Pedro Correia, em 26.06.14

Ao Se a Alma não é Pequena.

HUNOS

por Joana Nave, em 25.06.14

 

Hunos é uma marca que simboliza a força de vontade, a confiança e a determinação que une os elementos de uma equipa em prol de um objectivo comum. Conheci os Hunos em 2005, quando me juntei à equipa da BP Portugal. Desde logo me fascinaram pela forma altiva, e até um pouco arrogante, com que corriam pelos trilhos desconhecidos e deixavam um rasto de pó aos que, confusos, iam caminhando um pouco à toa e a medo. Os Hunos não têm receio de perder, partilham uma sede de conquista que não lhes permite fraquezas, apenas agilidade nas pernas, destreza nas façanhas e a inteligência que completa o círculo. O primeiro grupo chamava-se simplesmente "Retalho" e era composto por: Abel Pina, Francisco Cardoso, José Callé e José Romão. Participaram no 1º Mini Challenger em 1993 em Sintra/Cabo da Roca e ficaram em 3º lugar. Pedro Oliveira entrou para a BP Portugal em 1996 e integrou a equipa de Santa Iria no 4º Mini Challenger em Loures. Este foi o ano em que os Hunos, que na altura se chamavam "Sem Bússola", ficaram em 1º lugar. Em 1997 Pedro Oliveira integra a equipa dos Hunos no 5º Mini Challenger. A partir desta data os Hunos entraram numa espiral de sucesso com vários triunfos. Os Hunos contam ainda com a presença de António Rosa e Rui Resende.

Mas afinal o que é esta história do Mini Challenger da BP Portugal? A BP Portugal tinha uma equipa que participava na competição Challengers Trophy, que consistia essencialmente numa prova de orientação. Com o dinheiro gasto nesta participação optou-se por fazer uma prova idêntica, mas onde pudessem participar todos os coloboradores da BP Portugal. O espírito do Mini Challenger nasce de uma vontade de dinamizar o grupo de colaboradores da BP Portugal. É certo e sabido que equipas motivadas são mais competitivas e esta é a chave do sucesso da BP Portugal, motivar os seus colaboradores para fazerem parte de uma equipa, para trabalharem em conjunto, para enfrentarem obstáculos e irem mais longe.

Os Hunos são o símbolo desta equipa. Amados e odiados, inspiraram muitos outros a seguir-lhes os passos. Todos eles homens bens sucedidos e profissionais de excelência. Pedro Oliveira, por exemplo, ocupa actualmente a presidência da BP Portugal e é um líder carismático.

Em breve vou deixar de seguir de perto esta equipa, pois também eu tenho novos desafios pela frente, mas levo comigo 9 anos de aprendizagem fantástica junto destes colegas de equipa que me ensinaram valores fundamentais, tanto a nível profissional como pessoal, e essencialmente uma mão cheia, para não dizer duas, de experiências inesquecíveis do espírito que move uma equipa líder e vencedora. Obrigada à BP Portugal, e em particular aos Hunos!



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