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O golpe mau e o golpe bom

por Pedro Correia, em 28.02.14

O PCP, em sintonia com a Rússia de Putin, condena firmemente aquilo a que chama "autêntico golpe de Estado" na Ucrânia. Mas houve um tempo em que os comunistas portugueses apoiavam golpes de Estado. O de 19 de Agosto de 1991, por exemplo -- tentativa desesperada da velha guarda soviética de travar o passo às reformas de Mikhail Gorbatchov, resistindo a todo o preço ao desmoronamento da ditadura. Três dias depois, a golpada malogrou-se. E a obsoleta União Soviética recebeu aí o seu dobre a finados.

"Quando um dos meus colegas da rádio me comunicou que o Partido Comunista Português tinha anunciado o seu apoio ao golpe, não senti espanto, mas alívio, porque eu já não fazia parte dessa organização. Caso contrário, talvez tivesse morrido de vergonha ao confirmar que a miopia política dos dirigentes comunistas portugueses era bem maior do que eu imaginava. Depois caiu a noite trágica de 19 para 20 de Agosto, quando os tanques esmagaram mortalmente três jovens que lhes tentaram cortar o caminho para a Casa Branca, lugar onde se encontrava Boris Ieltsin", lembrou José Milhazes no seu blogue, Da Rússia.

Vinte anos depois, o PCP ainda chorava a "desagregação da URSS", confirmando nada ter aprendido. Nem com os próprios erros nem com as lições da História. Não admira por isso que os comunistas portugueses sejam os últimos defensores do indefensável: a Coreia do Norte, governada há sete décadas com punho de ferro pela dinastia Kim, monarquia vermelha que continua a merecer um indecoroso aplauso do "partido irmão".

De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 28.02.14

Há dez anos, com este texto de apresentação, nascia o Blasfémias. Um caso raro de popularidade e persistência na blogosfera portuguesa. Parabéns aos seus autores.

 

Também de parabéns está O Insurgente, que ontem festejou o nono aniversário. Mantendo-se em excelente forma.

 

Um abraço agradecido ao Fernando Lopes. Pelas palavras tão simpáticas que nos dirige no seu Diário do Purgatório.

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Há festa em Hollywood

por José Navarro de Andrade, em 28.02.14

 

Durantes as próximas horas metade da comunicação social vai perguntar à outra metade quais são as suas previsões para os Óscares.

Personalidades-de-reconhecido-valor serão interrogadas por microfones ansiosos e debitarão opinativamente acerca da “celebração do cinema”, as “virtualidades de Hollywood”, ou o “apogeu da narrativa ficcionada”. Haverá quem esteja contra (“repensar o imaginário veiculado pela cultura [imperialista] americana”) ou a favor (“o potencial eufórico da cultura cinematográfica”). Lá mais para o fim, caso seja necessário encher o ar televisivo, serão recolectadas as pungentes opiniões de Carlos Mané, Paula Bobone, ou Marcelo Rebelo de Sousa. Certo será que ninguém desperdiçará a oportunidade de se elevar à posição de oráculo, prevendo os resultados dos Óscares, com pose de meteorologista a explicar a evolução do anticiclone dos Açores.

Por mim, só tenho pena de já fazer uns anitos que não ponho os pés no Ivy’s, na Robertson (“Get shorty” – “Jogos quase perigosos”), onde o pessoal da indústria bisbilhota e conspira durante o brunch; nem tenho frequentado o Dan Tana’s, em West Hollywood, observando os produtores serrarem bifes e roerem charutos, e cujos empregados são todos potenciais figurantes de um filme de wise guys. E sobretudo deploro nunca ter recebido um convite para a imprescindível festa da Vanity Fair, que  anda com tenda às costas desde que o Morton’s fechou.

Mas quem quiser espreitar como funcionam os sindicatos de voto nos Óscares, visione ou revisite, o 7º episódio da 6º temporada de “Sopranos”, intitulado “Luxury Lounge”, no qual o instável Imperioli/Moltisanti de visita a Hollywood, percebe que as vedetas de Los Angeles têm mais borlas com menos esforço do que os pobres mobsters de New Jersey. Certificam esta informação os sarcásticos cameos de Ben Kingsley e Laureen Bacall nesse episódio.

Conheci um jornalista português que foi à cerimónia dos Óscares. E o que aconteceu foi terem arrebanhado a malta de jornalistas, e depois de lhes oferecerem o biscoito de uns minutos passados na orla da passadeira vermelha – na qual os repórteres são parte fundamental do cenário e da festa, acrescentando-lhe excitação, barulho e flashes – conduziram-nos pressurosamente para uma sala nas catacumbas do Kodak Theater (hoje rebaptizado com o naming de Dolby Theater) onde puderam ver o show… pela televisão. Na verdade o meu amigo esteve lá, pode dizer que respirou o ar elétrico de Hollywood, mas viu exatamente o mesmo que eu vi, sentado num sofá a 8 fusos horários de distância.

Aliás, nem a maior parte dos convidados e participantes para a gala assistem ao espectáculo, pois, como é sabido, passam a maior parte do tempo a tagarelar, a conviver e, sobretudo, a beber dry martinis nos bares do cinema, enquanto as suas cadeiras são preenchidas por um batalhão de figurantes de smoking, que asseguram o aspeto da sala cheia durante a transmissão. As vedetas, mais que os restantes (noblesse oblige…), só estão realmente sentadas no anfiteatro os curtos momentos em que as vemos presentes.

Lamentavelmente não sei quem vai ganhar os Óscares, mas vou-me divertir imenso este fim de semana à custa deles.  

As versões da discussão...

por Helena Sacadura Cabral, em 28.02.14
 
Em Portugal, quando se quer adiar uma discussão, cria-se um grupo de trabalho. Ou sugere-se um referendo.
Quando chega a hora da decisão, ela não existe. Na Assembleia vão estar, hoje, quatro propostas de resolução.
Uma, que invoca razões legais e outras, parte de uma petição de cidadãos e propõe a desvinculação do AO ou, no mínimo, a retirada do conversor Lince, que considera violar as bases do próprio AO.
A segunda, dos deputados Ribeiro e Castro, Michael Seufert e Mota Amaral propõe um grupo de trabalho que “faça o ponto da situação” e apresente num prazo de quatro meses “um relatório objectivo e factual” da aplicação do AO.
A terceira, do PCP, propõe o prolongamento do prazo até 31 de Dezembro de 2016 e que Portugal se desvincule do AO nessa data, se não for aceite por “todos os países” de Língua Portuguesa.
Finalmente o BE propõe a “revisão técnica” do AO e conclui que, “se não houver uma aplicação plena da parte brasileira, Portugal não pode ficar preso a uma grafia singular e individual.”


Ora aqui reside o nó górdio da questão. É que mesmo que no Brasil venha a haver aplicação plena, já hoje, Portugal fica para sempre preso a uma grafia de que muitos frontalmente discordam. Se a ortografia era diferente nos dois países, continua a sê-lo. Mas agora com imensas opções e erros de palmatória. 
O AO é, desde o seu início, uma enorme ilusão e um tremendo erro. À falta de coragem para lhe pôr cobro, estaremos condenados a ver arrastar, penosamente, o seu cadáver adiado.
 
Veremos se não iremos continuar a velar o cadáver...

Exilado até na morte

por Pedro Correia, em 28.02.14

 Huber Matos, com Fidel Castro e Camilo Cienfuegos em 1959

 

Huber Matos, um dos heróis da revolução cubana, morreu ontem, aos 95 anos. No exílio, em Miami, onde se encontrava desde 1979, após uma longa detenção nos cárceres castristas. Manteve-se fiel ao ideário por que lutou na Sierra Maestra contra a ditadura de Fulgencio Batista -- ideário logo atraiçoado pela nova ditadura imposta aos cubanos por Fidel Castro.

A 19 de Outubro de 1959 -- apenas dois dias antes de ser encarcerado e a nove dias do desaparecimento de outro herói da revolução, Camilo Cienfuegos, cuja morte permaneceu sempre envolta em mistério -- este antigo professor que comandou a chamada Coluna 9 do Exército Rebelde na quase mítica investida contra Santiago escreveu uma corajosa e premonitória carta a Fidel Castro em que renunciou a todos os cargos e honrarias do novo regime. Uma carta que lhe valeu duas décadas de privação da liberdade.

Vale a pena lê-la: é um documento extraordinário. Escrito por um lutador contra a opressão que soube detectar os primeiros indícios da deriva autocrática do novo regime e que recusava ver uma ditadura substituída por outra: "Es bueno recordar que los grandes hombres comienzan a declinar cuando dejan de ser justos."

 

Pagou um preço duríssimo pela coerência. E por ter ousado dizer em voz alta aquilo que o ditador não tolerava escutar. Foi o primeiro de muitos, condenados à morte cívica pela tirania de Castro -- antes de Cabrera Infante, Carlos Franqui, Heberto Padilla, Virgilio Piñera, Néstor Almendros, Reinaldo Arenas, Norberto Fuentes, Jesús Díaz, Eliseo Alberto, Carlos Alberto Montaner, Raúl Rivero, Zoe Valdés e tantos outros. Nos círculos do regime passaram a chamar-lhe "terrorista anticubano", com a linguagem típica das ditaduras, sempre prontas a instrumentalizar o vocabulário ao serviço da oligarquia dominante.

Os restos mortais de Huber Matos -- exilado até na morte -- só serão depositados em Cuba, por sua vontade expressa, quando a liberdade por que ele tanto lutou ali enfim chegar. Pode ser a passo de tartaruga, como ironiza Yoani Sánchez no seu blogue, mas chegará. Como escreveu Padilla, um dos poetas banidos pela ditadura, "protege-te dos vacilantes / porque um dia saberão o que não querem".

Cá por Casa

por Francisca Prieto, em 28.02.14

Mãe no mimo "ó Rodrigo, tu és tão giro. Quem me dera ser uma miúda de 2003. Olha que não me escapavas". E ele todo derretido "ó mãe eu é que gostava de ser, eu é que gostava de ser de... de... mil novecentos e tal".
E é assim que uma pessoa se fica a sentir do século passado.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.02.14

 

 

O Estranho Caso de Sebastião Moncada, de João Pedro Marques

Romance histórico

(edição Porto Editora, 2014)

"Por vontade expressa do autor, a presente obra não segue as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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O PSD não se prostitui

por Teresa Ribeiro, em 28.02.14

Nisto como em tudo, o que é preciso é deixar o mercado funcionar. Ainda que na clandestinidade.

Belles toujours

por Pedro Correia, em 28.02.14

 

Carla Quevedo

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Reflexões (1)

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.02.14

 

All the men of the Machine may be divided into three categories representing tree distinct grades: the ´boys´, the ´henchmen´ and the ´bosses´. The boys are the simple men who do the rough work, very often the dirty work of politics. (…) The ´henchmen´ are the lieutenants and helps of the bosses.(…) The henchman is a sort of prefect or vicar who “works” for the boss, who manages the subordinate politicians and the electorate on his behalf.” - Moisei Ostrogorski, Democracy and the Party System in the United States, A Study in extra-constitutional government, The MacMillan Company, New York, 1910, pp. 230-234

Hasta la vista, hermano

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.02.14

 

Hoy las nubes me trajeron,
volando, el mapa de España.
¡Qué pequeño sobre el río,
y qué grande sobre el pasto
la sombra que proyectaba!

Se le llenó de caballos
la sombra que proyectaba.
Yo, a caballo, por su sombra
busqué mi pueblo y mi casa.

Entré en el patio que un día
fuera una fuente con agua.
Aunque no estaba la fuente,
la fuente siempre sonaba.
Y el agua que no corría
volvió para darme agua.

autógrafo

As canções do século (1520)

por Pedro Correia, em 28.02.14

Boas maneiras

por Teresa Ribeiro, em 27.02.14

"Ignorar é a forma mais elegante de maldade" - postou ela no Facebook

Pequenas irritações

por Pedro Correia, em 27.02.14

O telemóvel a tocar.

Pequenos prazeres

por Pedro Correia, em 27.02.14

O telemóvel sem som.

Foram três meses e manhãs seguidas.

por Gui Abreu de Lima, em 27.02.14

Todo o Outubro, todo o Novembro e o Dezembro até ao último cacho, ao derradeiro bago, murcho. Não lhes sei o nome, vinha cada um de sua vez, numa acrobacia sem rede, sem poiso, e zás, está no bico, e na corda da roupa chega ao papo. Não lhes sei o nome, nunca os vira aqui, só comem uvas de vinha virgem, parecem piscos de peito claro. Agora, moem-me as saudades. Também sou de hábitos. E Aquilino, te-los-á visto? Espero que sim, que agora moem-me as saudades.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.02.14

 

 

Tempo de Combate, de Baptista-Bastos

Crónicas

(edição Parsifal, 2014)

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Mais um tema para a Universidade de Verão

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.02.14

"O vice-presidente da bancada do PSD, Miguel Frasquilho, defendeu esta quarta-feira, perante representantes da troika que Portugal deveria ter um programa cautelar, depois de terminar o resgate. Horas mais tarde corrigiu as declarações."

Para ler e pensar

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.02.14

Este artigo do circunspecto The Guardian pode não contribuir para a regeneração da terceira via ou da imagem de Tony Blair. Mas pelo menos deixa-nos a pensar sobre o perfil dos governantes que queremos. O que vale para os britânicos também vale para nós, portugueses.

As canções do século (1519)

por Pedro Correia, em 27.02.14

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