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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.01.14

 

A Cura, de Pedro Eiras

Romance

(edição Quidnovi, 2013)

"Por vontade expressa do autor, o texto respeita a grafia estabelecida pelo Acordo Ortográfico de 1945"

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Ler

por Pedro Correia, em 30.01.14

A realidade que era impossível. Do Luís Naves, no Fragmentário.

Do que não existe mas existiu sempre. Do Filipe Nunes Vicente, no Declínio e Queda.

Da vida. Do Luís Novaes Tito, n' A Barbearia do Sr. Luís.

A amnésia da praxe. De João Taborda da Gama, no Malomil.

Praxes positivas. Do João Ferreira Dias, n' A Morada dos Dias.

Cinco mitos em torno das praxes. Do Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

A praxe está morta. De Jorge Lopes de Carvalho, no Manual de Maus Costumes.

O medo do isolamento. De José Carlos Alexandre, n' A Destreza das Dúvidas.

A neve, esse fenómeno. De José Mário Ferreira de Almeida, na Quarta República.

A saudade. Do Luís de Aguiar Fernandes, n' A Mentira.

Balada da Emigração: para o meu pai. Da Helena Ferro de Gouveia, na Domadora de Camaleões.

Eu hoje acordei assim... Da Carla Hilário Quevedo, na Bomba Inteligente.

Ditadura etária. Do Pedro Rolo Duarte.

Erros de palmatória. De Maria do Rosário Pedreira, no Horas Extraordinárias.

A França num capacete. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.

Luís Gaspar da Silva. De Francisco Seixas da Costa, no Duas ou Três Coisas.

Teófilo Braga, outro bluff. De Bruno Oliveira Santos, na Biblioteca.

O efeito perverso no culto a Eusébio. Do João Tunes, na Água Lisa.

À "tia" Argentina Santos. De Mafalda Arnauth, n' Onde Mora a Vida.

As canções do século (1491)

por Pedro Correia, em 30.01.14

Fotografias tiradas por aí (186)

por José António Abreu, em 29.01.14

Porto, 2010. O que está no chão merecia figurar neste site.

Uma questão de carácter

por Helena Sacadura Cabral, em 29.01.14
Julgo que sobre o caso Hollande  - sentimental, claro, porque o outro ainda está longe do fim - já tudo se disse. Mas com o assentar da poeira e com alguma frieza, julgo importante que sem personalizarmos muito, façamos algumas considerações sobre o que certas posições revelam do carácter de uma pessoa. 
O divórcio seja ele de um casamento ou de uma união de facto é sempre uma ruptura e esta é, por norma, fonte de dor. Por isso se espera que os seus intervenientes se comportem com a maior dignidade, quer haja ou não filhos. É um problema de respeito mútuo e um tributo aos anos passados em conjunto.
Apesar de Valerie Trierweiller não me ser pessoalmente simpática - confesso que me pareceram sempre de algum exibicionismo os beijos glamourosos dados publicamente a Hollande, em várias ocasiões -, a verdade é que esta mulher foi sujeita a uma humilhação pública tremenda. E um homem que sujeita uma mulher com quem vive há oito anos a esta humilhação terá tudo menos respeito por ela.
Ao que consta em França, deixou-a voltar ao apartamento que ambos haviam alugado em Paris, mas deu-lhe prazo de saída para arranjar casa própria. E parece que terá dado instruções para que, na vinda da Índia, Valerie já não gozasse das prerrogativas de segurança com que para lá foi. A ser verdade, mostra que, ao contrário do que diz, Hollande não é um homem normal. A maioria dos homens normais não se comportam assim, felizmente.
O Presidente francês arrogou-se ser o rei Sol e fazer o que muito bem entendeu. Saíram-lhe algumas contas furadas. Nem ele é rei, nem os franceses são parvos. Esta história, num tempo em que a sua popularidade é baixíssima, vai custar-lhe caro no eleitorado feminino. E eu compreendo, porque se fosse francesa consideraria, depois disto, que o carácter deste homem deixa muito a desejar...

Para onde foram todas as flores?

por Pedro Correia, em 29.01.14

 

Leio os obituários -- em regra demasiado sucintos ou previsíveis -- na imprensa portuguesa de hoje sobre Pete Seeger, talvez o nome mais emblemático daquilo a que se convencionou chamar canção de protesto. Há homens cuja vida dava um filme: Seeger, agora falecido com quase 95 anos, é um desses homens. Mário Lopes presta-lhe justiça numa extensa peça que escapa aos lugares-comuns da circunstância, honrando por sua vez as melhores tradições do jornalismo cultural do Público. Um texto complementado por uma saborosa crónica de Nuno Pacheco, lembrando a actuação única do bardo da folk norte-americana em Lisboa, a 2 de Dezembro de 1983.

 

Há quem torça o nariz mal se escutam os primeiros acordes daquilo a que se convencionou chamar música de intervenção. Esquecendo que o nosso próprio Hino Nacional, tão vibrantemente entoado nos estádios de futebol, começou por ser um tema de protesto contra o Ultimato britânico de 1890. A Marselhesa tem origem semelhante. Exemplo de outro hino de protesto que resiste a todos os ventos e a todas as modas: Le Chant des Partisans, imortalizado por Yves Montand -- o mesmo que depois filmou em Hollywood uma fita fútil com Marilyn Monroe.

Grande parte da música popular dos nossos dias tem a sua raiz na "canção de protesto" -- de We Shall Overcome, popularizado precisamente por Pete Seeger, a The Times They Are A-Changing, de Bob Dylan, de Léo Ferré a Jacques Brel, sem esquecer os Beatles e os Pink Floyd.

Conheço poucas canções tão belas como Construção, de Chico Buarque -- sem dúvida um tema de protesto. Ou Cálice, da dupla Chico-Gilberto Gil. José Afonso, Sérgio Godinho, Fausto e Jorge Palma -- todos se celebrizaram por "músicas de intervenção". Mas nenhum parou aí. Cada um deles compôs também alguns dos temas de maior lirismo, maior sensibilidade e maior elevação artística que desde sempre se produziram na nossa língua. Para além de todos os rótulos, sempre redutores.

Como classificar, por exemplo, Endechas a Bárbara Escrava (José Afonso cantando Camões) ou Mesa (Sérgio Godinho cantando O'Neill)?
E haverá mais vibrante tema "de protesto", sem deixar de ser superlativo em lirismo, do que o sublime Fado de Peniche (Abandono, na versão oficial) gravado por Amália, com letra de David Mourão-Ferreira? A mesma Amália que também gravou Grândola, Vila Morena e a Trova do Vento que Passa...

 

A voz de Pete Seeger calou-se, mas continuará a haver sempre quem questione, a cantar, para onde foram todas as flores. Mesmo na mais triste de todas as noites, mesmo em tempo de servidão.

Isto anda sempre tudo muito mais ligado do que parece.

Políticos no divã - 5

por Teresa Ribeiro, em 29.01.14

- Bem sei, eu era um colérico, mas isso foi no passado. Agora estou muito zen.

- Paris fez-lhe bem.

- Ah, foi porreiro, pá. Paris, como disse Audrey Hepburn, "é sempre uma boa ideia" ou, como escreveu Hemingway, "é uma festa". Se os portugueses fizessem uma temporada lá, passava-lhes logo a depressão.

- Os portugueses infelizmente não têm dinheiro para esses luxos.

- Não têm dinheiro, não têm dinheiro. Acha que essa narrativa põe alguém para cima? Se não têm dinheiro não pagam. Toda a gente sabe que há dívidas que não é preciso pagar.

(tosse seca) - Por falar nisso, não me leve a mal mas já me deve umas quantas sessões.

- Ah, mas já nos estamos a desviar do assunto. Falava-lhe de Paris, não era?

- Pois e eu do dinheiro que me está a dever.

- Ahahah! Diga-me lá isso em inglês técnico que é para eu treinar.

- Para quem tirou o curso a um domingo quer-me parecer que está muito fluente é a engenharia financeira.

- (a irritar-se) O que é que quer dizer com isso? Não é lá muito ético estar a recordar-me algumas das campanhas negras que me levaram a ter que fazer psicanálise! Veja lá se não quer também mandar-me uma piadinha sobre o Freeport.

- Pelos vistos ainda temos que nos ocupar dessa sua mania da perseguição.

- (a crescer para ele) Mania da perseguição o caraças!

- Não cresça para mim. Lembre-se que eu conheço todos os seus pontos fracos.

- Eu sou um animal feroz, não tenho pontos fracos!!

- Ai não? (aproxima-se do ouvido e sussurra-lhe) És o comentador político com menor audiência na televisão!

- Nãaoooooooo!!!! 

Nós o povo

por João André, em 29.01.14

Eis um exemplo que deveríamos importar. Assim de repente consigo pensar logo numa série de nomes que adicionaria a uma petição semelhante, arriscava-me era que depois se tornassem juízes em causa própria.

 

Por outro lado, num mundo dos avatares inventados também é possível imaginar o governo a criar a petição para a expulsão de todos os reformados e desempregados do país.

Impacto do aborto na economia?

por Teresa Ribeiro, em 29.01.14

E eis como em duas penadas se reduz as mulheres à categoria de parideiras. Além de tolo, pois quando uma mulher quer abortar, aborta mesmo, este argumento não podia ser mais insultuoso.

Ainda 2013 nuns quantos discos. 22: Woman, de Rhye.

por José António Abreu, em 29.01.14

Portanto o álbum chama-se Woman. Escutem um pouco, antes de prosseguirem a leitura. Já está? Não façam batota, cliquem no triangulozinho e aguardem – com o som ligado – cerca de um minuto antes de continuarem a ler. 1, 2, 3, ..., 30, ...,59, 60. OK, vamos lá. Não, não é a Sade. É – aqui vai – um gajo. Pois, já estavam à espera, depois de tanto suspense de má qualidade. Ah, já conheciam. Cambada de... pessoas bem informadas. Então para os três distraídos que passam pelo Delito nos dias em que não se esquecem de o fazer: os Rhye são um duo baseado em Los Angeles composto por um canadiano (o vocalista) e um dinamarquês. (Quem disse que a globalização não é uma coisa bonita?) Woman é o álbum de estreia e inclui algumas canções que soam um bocadinho menos a Sade do que esta. Numa ou noutra até se nota que o vocalista é um homem. Especialmente depois de já se saber.

Livros Que Deixei a Meio

por Francisca Prieto, em 29.01.14

 

 

Pelo-me por uma história em que não sei quem resolveu abrir uma livraria numa pequena aldeia de não sei onde.

Ora, tendo lido que esta "é uma obra-prima acerca do mundo dos livros, dos sonhos e das vicissitudes da vida, sob a forma de uma história envolvente e original", me atirei ao touro com toda a confiança. Aguentei-me à bronca até meio, mas quando a história, para além de mortalmente enfadonha, foi ensombrada por um fantasma, achei que era demais.

Dizem que autora ganhou o Booker. Deve ter sido no ano em que disputou a shortlist com a Danielle Steel.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.01.14

 

 

Pretérito Perfeito, de Raquel Serejo Martins

Romance

(edição Estampa, 2013)

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Berlindes, mortos e diplomas

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.01.14

Confirma-se, pelo que se vê e ouve nesta curta entrevista, que o grau de exigência, rigor e responsabilidade do cavalheiro em matéria de "praxes" é idêntico à "liberdade" com que a universidade que dirige passou alguns diplomas. Ele só lá está mesmo por acaso. Foi um "acidente".

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Não me comprometam

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.01.14

 

Das decisões possíveis sobre a borrada que o PSD aprovou relativamente à co-adopção e à adopção por casais homossexuais, o Presidente da República optou pela mais cómoda: enviar o assunto para o Tribunal Constitucional. Ao fazê-lo, em vez de pura e simplesmente rejeitar o que lhe foi enviado, Cavaco Silva dá o sinal de que admite contemporizar com tal borrada, matando de vez o instituto do referendo. Não podendo despachar para "consideração superior" a apreciação política do que lhe foi proposto, atirou para os senhores juízes o ónus da apreciação jurídica, como se esta se pudesse sobrepor àquela e aliviar as suas dores. Ainda que lhe desse jeito confundir o seu papel com o do órgão de fiscalização da constitucionalidade, isso jamais acontecerá. A opinião pública não é tão estúpida quanto normalmente a pintam. No fim, o espírito de funcionário voltou a impor-se. E, com este, o Presidente da República assumiu definitivamente o estatuto de Américo Thomaz da democracia.

Incentivos

por José Maria Gui Pimentel, em 29.01.14

Costumo comentar que a economia, mais do que a ciência que estuda a "alocação eficiente dos recursos escassos", é a ciência que estuda os impacto dos incentivos. É esse o seu maior contributo para o conhecimento. E o texto abaixo ilustra não só um belo exemplo disso mesmo, como um que vemos aplicado inúmeras vezes no dia-a-dia:

 

Adam Smith's celebrated theory of the invisible hand is the idea that individual pursuit of self-interest promotes the greatest good for all. When reward depends primarily on absolute performance - the standard presumption in economics - individual choice does indeed turn out to be remarkably efficient. But when reward depends primarily on relative performance, as in hockey, the invisible hand breaks down.

 

Because a "good" school is an inescapably relative concept, each family's quest to provide a better education for its children has much in common with the athlete's quest for advantage. Families try to buy houses in the best school districts they can afford, yet when all families spend more, the result is merely to bid up the prices of those houses. Half of all children will still attend bottom-half schools.

 

(...) individuals can often increase the odds of promotion by working longer hours, but when others follow suit, everyone's promotion prospects remain roughly as before. The result is often a rat race in which all must work until 8 o'clock each evening merely to avoid falling behind.

 

 

As canções do século (1490)

por Pedro Correia, em 29.01.14

Eleições presidenciais.

por Luís Menezes Leitão, em 28.01.14

 

O falecimento hoje de Soares Carneiro, que os jornais apenas recordaram como o candidato presidencial de Sá Carneiro, constitui motivo para recordar os erros políticos que se pode ter na escolha dos candidatos às eleições presidenciais. Sá Carneiro era um político talentoso, mas cometeu um erro monumental quando escolheu Soares Carneiro como candidato, que nunca teria a mínima possibilidade de ser eleito. Consta que, depois de escolhido, o mesmo decidiu ir visitar Ramalho Eanes ao palácio de Belém para o avisar de que se iria candidatar contra ele. À saída cruza-se com Sousa e Castro, que também ia visitar Eanes. Eanes pergunta então a Sousa e Castro se já sabia quem era o candidato presidencial da AD. Sousa e Castro responde: "Não faço a mínima ideia, meu General". Eanes diz-lhe então: "Pois olhe que acabou de sair daqui agora". Sousa e Castro, perplexo, responde: "Então o meu General já está reeleito, como é por de mais evidente!". Era de facto evidente para todos excepto para Sá Carneiro, que respondia a quem o criticava pela sua escolha que de um mau candidato iria fazer um bom Presidente. O problema é que numa eleição presidencial por sufrágio universal não se vota por recomendação partidária. E só pode ser um bom Presidente aquele que conseguir ser eleito para o cargo.

 

Passos Coelho ignorou esta verdade elementar e resolveu fazer aprovar uma moção no PSD contra a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, num claro intuito de lançar Durão Barroso. A razão era a de temer a imprevisibilidade dos jogos políticos de Marcelo em Belém enquanto que Durão Barroso lhe daria a mesma tranquilidade que hoje lhe dá Cavaco Silva, que até foi capaz de dar seguimento ao mais disparatado referendo alguma vez proposto. A estratégia só peca por um pequeno pormenor não despiciendo: É que depois da sua saída precipitada para Bruxelas e dos desastrosos mandatos à frente da Comissão Europeia, Durão Barroso não tem qualquer hipótese de ganhar uma eleição presidencial nos tempos mais próximos.

 

Perante o ataque de Passos Coelho, Marcelo decidiu imediatamente pôr as cartas na mesa, anunciando a sua retirada da corrida e denunciando o óbvio: que Passos Coelho queria apoiar Durão Barroso. Lançado para o olho do furacão antes da altura que esperava, Durão percebeu que ia ser transformado no Soares Carneiro de Passos Coelho, pelo que fugiu a sete pés desse destino. Pelo contrário, Santana Lopes multiplicou ataques a Marcelo demonstrando que ainda não desistiu do seu velho sonho de ser candidato presidencial. Só que, depois do seu desastrado governo, as hipóteses de Santana ganhar ainda são menores do que as de Durão Barroso, para além de em Belém Santana Lopes ainda ser provavelmente mais imprevisível do que Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Passos Coelho ficou assim de um momento para o outro sem candidato presidencial para o PSD, e com uma ridícula moção que no Congresso vai cair no vazio. Não admira por isso que tenha vindo a correr dar o dito por não dito, dizendo para quem quiser acreditar que nunca pensou em Marcelo Rebelo de Sousa quando falou num candidato "catavento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político". Já Marcelo assumiu a divergência, anunciando que nem sequer vai ao Congresso, deixando Passos lá a falar sozinho. Marcelo colocou-se assim claramente ao lado da oposição interna a Passos Coelho, e tudo fará para o derrubar, contando que uma nova liderança do PSD lhe dê o apoio que exigiu para as presidenciais.

 

Temos então o seguinte resultado prático desta brilhante manobra de Passos Coelho: enquanto o PSD tritura sucessivos candidatos, António Costa iniciou já a campanha. Ou não foi isso o Prós & Contras de ontem?

"Manchetes" sem notícias

por Pedro Correia, em 28.01.14

    

 

    

 

Um dos maiores grupos empresariais portugueses desencadeou hoje uma mega-operação publicitária na imprensa. Não com anúncios nas páginas interiores nem num destacável, mas ocupando grande parte de todas as primeiras páginas dos jornais -- incluindo os desportivos e os gratuitos. Esta campanha ocupa cerca de metade da mancha gráfica de todas as capas, tornando praticamente irrelevantes as manchetes noticiosas: a verdadeira "manchete" acaba por ser o anúncio de uma operadora de telefones móveis.

Dir-se-á que é uma boa notícia para as empresas jornalísticas, que andam carentes de receitas publicitárias. Sem dúvida. Mas é também mais um passo, subtil mas preocupante, nos constrangimentos à liberdade de imprensa -- na linha de outro que já aqui assinalei, em data muito recente.

Porque, no limite, basta um poderoso conglomerado empresarial reservar espaço publicitário em todas as primeiras páginas para suavizar ou anular o impacto das notícias, por mais acutilante que seja o seu conteúdo. O que acabará por constituir uma grave ameaça à liberdade editorial.

Eis um tema que justifica uma reflexão séria em todos os órgãos de informação. E também no conjunto da sociedade portuguesa. Antes que "arrastões" como o de hoje se banalizem e nos habituemos a ver anúncios de telemóveis, gasolineiras, bancos ou marcas de veículos onde só deviam vir notícias. Incomodem quem incomodarem, doam a quem doerem.

Punição e prevenção

por João André, em 28.01.14

Li estes textos do Paulo Pinto e concordo especialmente com um aspecto fundamental: aumentar as coimas de pouco serve. Como ele escreve, torna-se tudo um jogo de roleta: se as probabilidades de não se ser apanhado forem baixas, o aumento das coimas é pouco útil. Se forem elevadas, então até um valor baixo já serve.

 

Perante isto olho para o exemplo holandês. Os holandeses são dos condutores mais enervantes que conheço. Fazer sinal com o "pisca" é contra a religião de metade deles. Nas autoestradas têm como noção de distância de segurança em relação ao condutor da frente, o espaço onde caiba, no máximo, uma bicicleta (qualquer distância de segurança normal é apenas um espaço para se meterem). Em cruzamentos gostam de cortar curvas; etc, etc, etc.

 

Há um aspecto curioso, no entanto: há relativamente poucos acidentes. As razões para isso (a meu ver) prendem-se com 4 aspectos:

 

1. Velocidade. Os holandeses não ultrapassam os limites de velocidade. Quando vão na autoestrada e compressa talvez sigam a 10 km/h mais que o limite. São raros os aceleras.

2. Álcool. Não conduzem embriagados. Se estiverem sozinhos, não bebem. Se em grupo, seleccionam o BoB (aquele que não bebe) e esse fica abstémio.

3. Estradas. Os impostos de circulação são pesados (um Opel Corsa 1.3 a diesel custa cerca de 220 €/trimestre em imposto) e são usados para ter estradas impecáveis.

4. Automóveis. A inspecção é implacável e quando chega o período dela começam a chegar os e-mails e as cartas da garagem onde a fazemos e da DGV cá do sítio. Carros em mau estado são despachados.

 

E, voltando ao início, a probabilidade de se ser apanhado é relativamente elevada. Os radares são conhecidos, mas há tantos que se torna difícil escapar. Além disso, quando toda a gente conduz dentro dos limites e com a densidade automobilística do país, torna-se muito difícil ultrapassar os limites. Assim sendo, bastam coimas que começam nos 10 € (sim, dez euros) para excessos de velocidade relativamente baixos (até 10 km/h a mais, creio).

 

Claro que nada disto é simples. Exige investimento (não só em equipamento) e exige educação (as crianças são bombardeadas desde cedo). Portugal, apesar de tudo, tem vindo a melhorar dramaticamente desde há décadas. O caminho que falta fazer, no ntanto, não deveria ser pela via da punição. Antes pela da prevenção.

Desaforismo

por Francisca Prieto, em 28.01.14

O problema de se estar gorda é que tem de se ser muito mais porreira.



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