Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




As canções do século (1304)

por Pedro Correia, em 27.07.13

O cancro

por Helena Sacadura Cabral, em 26.07.13


O cancro, na minha família, matou as duas pessoas que mais amei: a minha mãe e o meu filho. Ambos passaram pelo IPO. 

O Miguel fez do Instituto a sua casa. Recebia o partido, os amigos e a família como se todo aquele cenário fosse normal e o convívio destas três categorias de pessoas tornou-se na coisa mais natural do mundo. A mim, esse condição retirava-me a intimidade com ele e, por isso, confesso, em certas alturas custou-me imenso. Beijar ou acariciar um filho na presença de pessoas que apenas conhecia da televisão, foi muito complicado. Mas teve o condão de me fazer estima-las.

A minha mãe, no início, sofreu bastante porque os tratamentos eram muito duros. Mas encontrou em Inglaterra, onde o meu irmão mais velho então estava colocado, o médico que a salvou, pelo que o IPO lhe foi menos familiar.

Falo disto porque sei o que representa, numa família, ter um dos seus membros com tal doença. E sei que é preciso falar dela, para que o medo não se torne silencioso. O que todos mais tememos não é a morte, porque essa é segura e garantida. O que todos mais tememos é o sofrimento. E é esse que faz a grande diferença entre o que era esta doença há trinta anos, quando a minha mãe a teve, e aquilo que ela é agora, quando o meu filho a viveu.

Ambos morreram com extrema dignidade. A minha mãe, entregando-se a Deus. O Miguel, entregando-se a nós. É capaz, afinal, de não ser muito diferente!

por aí

por Patrícia Reis, em 26.07.13

Leio que há trinta anos que não se consumia tão pouco.

Leio que a crise política não terminou e que a ministra das Finanças não devia aquecer o lugar.

Leio as regras da universidade para onde vai o meu filho mais velho, mil euros mais tarde.

Leio Amos Oz, por ter a graça de ter uma editora generosa.

Leio o livro de Vanda Anástacio, Antologia improvável, sobre a escrita das mulheres desde o século XVI até ao XVIII (edições Relógio de Água). Não mudou nada. Por muito que façamos um esforço, as mudanças são poucas e tudo é risco enorme.

Eu continuo a tentar. Seja lá isso o que for. Acho que aprendo às vezes. Outras tenho vontade de berrar com tanta estupidez junta.

Ao jantar, o meu filho mais novo não abre a boca, o mais velho age como os crescidos e eu tenho uma coisa no cabelo que não condiz com a minha idade, mas who cares?

Podia estar a escrever, a escrever um livro, a fazer tournees e a dizer coisas inteligentes, mas estou aqui por opção, por saber que sou um bicho do mato. Um bicho é uma criatura com algumas fragilidades e ataca antes de ser atacado.

Acho que é muito simples de entender. Para alguns, é impossível.

Eu sou impossível. E pior ainda por dizer que, tal como o Lobo Antunes, pois não escrevo como ninguém. Ninguém escreve ou se escreve é um copista, prefiro o original.

A falta de frontalidade e verdade perturbam-me.

A minha cabeça já só aguenta algumas coisas e ainda bem. Não tenho a menor paciência para a minha imagem no espelho e tão-pouco para os ditos amigos que me cobram as horas - sim, as horas - que não lhes posso dar.

O meu marido, muito calmo, sabendo que vive com alguém que é perigoso, que é desbocado, que precisa de dizer palavrões, não se incomoda. Creio que nada o incomoda. A morte, talvez. Temos tido muitas mortes. E muitas traições. Tentamos todos os dias falhar melhor, como escreveu o poeta, e até esta ideia está gasta.

O mundo é muito maior do que qualquer coisa que se possa deixar no rasto das redes sociais.

Nada disto tem qualquer importância. Está na minha cabeça e é para mim, nem sequer é para vocês. É um exercício de egoísmo. A escrita.

Como aquelas pessoas que abrem as janelas dos automóveis e colocam a mão para sentir o vento. O ritmo muda, a vida muda, o vento muda, o automóvel até pode parar. O pior é o pensamento.

Ler

por Pedro Correia, em 26.07.13

Haverá um homem forte no governo? De José Medeiros Ferreira, no Córtex Frontal.

A posição do PS. Do Mr. Brown, n' Os Comediantes.

"Desassa!" De Francisco Seixas da Costa, no Duas ou Três Coisas.

Ânsia epistolar. Da Carla Quevedo, na Bomba Inteligente.

A Nação não carece de salvação. Do Luís Novaes Tito, n' A Barbearia do Sr. Luís.

Um mês. Do João Caetano Dias, no Blasfémias.

Do cabaré para a revolução. Da Joana Stichini Vilela, no Carrossel.

Vígaros em lá menor. Do Luís Naves, no Fragmentário.

Os mensageiros de Buzzati. De Diogo Leote, no Escrever é Triste.

Crónica I - Esplendor na Relva. No Buzzlit.

 

- As empresas fabricantes de calçado são isentadas do pagamento de IRC.

- É criada nova taxa de IVA de 50%, a aplicar a bilhetes de futebol, de touradas, de combates de boxe e de bilhetes de cinema para filmes com mais de três explosões ou duas perseguições de automóvel. Em contrapartida, os bilhetes de cinema para comédias românticas baixam para a taxa reduzida.

- Com excepção dos de culinária, dos de auto-ajuda e dos escritos por Nicholas Sparks ou Nora Roberts, os livros transitam para a taxa normal de IVA.

- A percentagem do valor do IVA respeitante a refeições dedutível no IRS quadruplica se as refeições forem constituídas apenas por saladas e águas sem gás (ou sumos naturais). No caso de cabeleireiros, o valor da dedução pode atingir seis vezes o actual mas introduz-se uma avaliação de necessidade e mérito, a qual exige o envio de prova fotográfica das operações realizadas para a Autoridade Tributária e Aduaneira (de modo a evitar problemas com a comissão de protecção de dados, ficam de fora da necessidade de prova fotográfica as depilações a partes íntimas).

-  Gastos com cosméticos, perfumes, shampoos, amaciadores, produtos de higiene feminina e produtos de decoração de interiores passam a poder ser deduzidos no IRS.

- Os escalões do imposto automóvel passam a ser definidos pela cor do veículo.

A ministra propõe ainda que as negociações com a Troika sejam marcadas para dias com conjugação astral favorável e que seja criada legislação obrigando os fornecedores do serviço de correio electrónico a bloquear cópias das mensagens para fora dos seus servidores e a apagá-las automaticamente noventa dias após a data do seu envio.

 

 

 

 

(Adeus. Volto quando toda a gente tiver dado várias voltas ao aquário.)

Teme-se o pior

por Rui Rocha, em 26.07.13

Em todas as fotografias do bebé real que já foram divulgadas as orelhas estão tapadas.

Aforismos políticos (17)

por Pedro Correia, em 26.07.13

 

Escuta com atenção, sobretudo aqueles que não pensam como tu.

 

Franquelim Alves foi nomeado Secretário de Estado da Inovação e mais não sei bem o quê em Fevereiro de 2013. O feliz contemplado tinha um percurso profissional em que sobressaíam funções de gestão e responsabilidade no BPN. Pelo visto, em dez milhões de residentes em Portugal e mais uns quantos espalhados por esse mundo fora, e também em Vancouver, não havia mais ninguém qualificado para a função. Tinha de ser ele. Só Franquelim era inovador, brilhante, criativo e um par de botas com os respectivos cordões. Tinha, aliás, cara disso. Do alto da incompreensão da situação portuguesa que Passos Coelho foi demonstrando em diversas ocasiões (a referência aos piegas, à emigração dos professores e outras passitudes de que não me quero lembrar) e com a proverbial e exacerbada teimosia que se diz ser frequentemente sinal de um razoável e incrustado défice de inteligência, o então primeiro-ministro pregava com tal nomeação mais um valente sopapo na carranca dos portugueses. A mensagem era clara: os portugueses deviam pagar o BPN; e deviam ainda tolerar como governante alguém que, com dolo, negligência ou por simples acaso esteve ligado a um dos mais vergonhosos casos de delapidação de património público e privado. Chama-se a isto dobrar a espinha. Pois bem. Pouco mais de 6 meses passados, Franquelim Alves, o único, o inigualável, o extraordinário, o inimitável, sai do governo na remodelação em curso sem que se lhe conheça qualquer façanha ou facto meritório. Ficará para a história, todavia e apenas, mais um episódio de profunda falta de respeito do então e ainda primeiro-ministro. É como se diz. Portugal está tão cheio de imbecis que, se tivermos o azar de entrar mais um, caímos todos ao mar. Com Passos Coelho à frente.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.07.13

  

E onde é que está o amor?, de Ana Zanatti

Novela

(edição Guerra & Paz, 2013)

Tags:

Belles toujours

por Pedro Correia, em 26.07.13

 

 Zooey Deschanel

Tags:

tributo a Michael Caine

por Patrícia Reis, em 26.07.13

https://www.facebook.com/photo.php?v=648169098528554

Tags:

As canções do século (1303)

por Pedro Correia, em 26.07.13

Cenas favoritas de filmes (14)

por José Gomes André, em 25.07.13

A Laranja Mecânica (A Clockwork Orange), de Stanley Kubrick (1971)

Pensamento de final de dia

por José António Abreu, em 25.07.13

O chefe típico insiste em corrigir o acessório ainda que o essencial também esteja errado.

Aforismos políticos (16)

por Pedro Correia, em 25.07.13

 

Os ataques mais letais surgem dos flancos, nunca de frente.

 

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.07.13

 

O Cavaleiro da Águia, de Fernando Campos

Romance histórico

(reedição Divina Comédia, 2013)

Tags:

Falar claro... ou talvez não

por Pedro Correia, em 25.07.13

«A demissão de Paulo Portas vem acabar de uma vez por todas com a possibilidade de este Governo prosseguir.»

«Pedro Passos Coelho deve demitir-se de presidente do PSD pois não tem condições de liderar o partido nas próximas legislativas [que devem ser marcadas para o dia das autárquicas].»

António Capucho, TVI 24, 2 de Julho

 

«O Governo já estava moribundo. A demissão de Paulo Portas é a estocada final. O Presidente da República deve convocar eleições para a mesma data das autárquicas.»

António Capucho, SIC Notícias, 2 de Julho

 

«O Governo já estava moribundo. Agora está ferido de morte, com a estocada final. Ou o primeiro-ministro é completamente irresponsável ou não percebe, de facto, que não tem condições para governar.»

«Passos Coelho não pode permanecer na liderança do PSD: deve demitir-se e convocar um congresso eleitoral.»

António Capucho, RTP i, 2 de Julho

 

«O Governo está neste momento muito coeso e unido, e a respirar fundo com esta nova dinâmica, porque o PSD tem no Parlamento um conjunto de deputados escolhidos a dedo por Passos Coelho e que se comportam muito bem e disciplinadamente.»

António Capucho, SIC Notícias, 24 de Julho

As canções do século (1302)

por Pedro Correia, em 25.07.13

nuno júdice

por Patrícia Reis, em 24.07.13
Mas é assim o poema: construído devagar,
palavra a palavra, e mesmo verso a verso,
até ao fim. O que não sei é
como acabá-lo; ou, até, se
o poema quer acabar. Então, peço-te ajuda:
puxo o teu corpo
para o meio dele, deito-o na cama
da estrofe, dispo-o de frases
e de adjectivos até te ver,
tu,
o mais nu dos pronomes. Ficamos
assim. Para trás, palavras e versos,
e tudo o que
não é preciso dizer:
eu e tu, chamando o amor
para que o poema acabe.

Tags:

Notícia de última hora

por Rui Rocha, em 24.07.13

Mulher deu à luz um rapaz.



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D