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30% dos eleitores italianos votaram no partido do palhaço rico, 25% escolheram o do palhaço pobre. Ou, vá, menos rico.

 

A economia europeia pode estar em queda mas o mercado das ilusões continua em alta. 30% dos italianos escolheram Berlusconi, sem dúvida na esperança de poderem voltar ao regabofe a que ele os habituou. E dos 35% que, compreensivelmente, optaram por um voto de protesto em relação aos partidos tradicionais (ou tão tradicionais quanto é possível hoje encontrar na política italiana), 7 em cada 10 preferiram um humorista que, garantindo falar a sério, se propôs criar um rendimento mínimo garantido de 1000 euros mensais e reduzir a semana de trabalho para 20 horas a um tecnocrata honesto com provas dadas. A Itália fica à beira da ingovernabilidade e, por essa Europa fora, o último a rir que pague a conta.

Lisboa no seu pior (1)

por Pedro Correia, em 26.02.13

 

Rua da Caridade (14 de Fevereiro)

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(Um texto para o ma-schamba que aqui reproduzo, a minha contribuição para o actual momento eleitoral do Sporting Clube de Portugal)

 


 

 

Como abaixo anunciei desloquei-me a Nampula para cumprir uma já antiga promessa, a de cortar cabelo e aparar barba nesta barbearia "Alvalade XXI", sita no bairro Namutequeliwa, se o Sporting eliminasse - como veio a eliminar - o arábico Manchester City. Algo que me pareceu urgentemente necessário, ainda que sendo eu um incréu, dado o aziago percurso que o amado clube tem tido desde este meu incumprimento de ajuramentado.

 

Acontece que desconsegui vislumbrar o prestigiado estabelecimento. Percorri o bairro, acima e abaixo, primeiro de carro, depois calcorreando ruas e ruelas, sem que encontrasse quem me pudesse aconselhar, pois nem transeuntes, nem polícias, nem comerciantes, nem mesmo os inúmeros colegas barbeiros (e salões de cabeleireiros, os quais são, como se sabe, uma "indústria de serviços" florescente) me souberam ajudar, alguns dos quais até me olhando com condoído ar, nisso aparentando suspeitar da minha saúde.

 

Cabisbaixei-me. Que fazer?, como diria o russo. Ir até ao afamado clube "Sporting" de Nampula não seria opção, bem central edifício que é, assim sem exigir relevante esforço para ser frequentado, e como tal não me eximindo da condição de "pagador de promessas". Para mais um "Sporting" hoje em dia mero menos-que-sofrível restaurante -  e onde os gerentes mandam acumular o lixo no interior do recinto comensal, exactamente na porta de entrada, qual comité de boas-vindas aos clientes, uma particularidade única que nunca encontrara em quase 17 anos de frequência de restaurantes moçambicanos. "Peculiares patrícios", terei eu resmungado, enquanto mastigava os catastróficos nacos de nervos pomposamente intitulados "bife importado" ... Por estas e por outras, concluí, é que o Godinho Lopes quase atirou o clube para a segunda divisão.

 

Bem, regresso à minha via de peregrino. Cruzado e recruzado Namutequeliwa sem atingir a "Alvalade XXI" aceitei a hipótese da barbearia ter encerrado, mudado de ramo, ter o "nosso" barbeiro partido para outras paragens. Ou ter sido trespassada, e logo repintada, como é usual no ramo, com as garridas cores encarnadas da VODACOM ou canarinhas da MCEL. Ou, mesmo, naquele recente alaranjado pouco-mecânico da vietnamita MOVITEL, bem crescente a Norte.

 

 

 

Mas vozes amigas (e contento-me por ter bons amigos naquele Norte) ajudaram-me. Que peregrinasse eu a Angoche, recomendaram. Que seria um árduo caminho, algumas vias intransitáveis, outras quase assim mesmo, que as chuvas têm devastado a terra (pouco) batida. Mas que por lá encontraria um resistente e persistente "Sporting", onde poderia eu, à falta da opção inicial, ressarcir-me do meu incumprimento, libertar-me da desonra vigente.

 

Assim fiz. E meti-me ao longo caminho, em prolongada agressão à espondilose. Horas passadas alcancei a belíssima Angoche, terra mais-do-que-recomendável, e tão esquecida está ela. E logo, no seu centro, encontrei este aprazível recinto, condignamente pintado.

 

 

Este mesmo, o "bar restaurante residencial Sporting", ali herdeiro, talvez avatar, de um antigo clube Sporting de Angoche (ou de António Enes, ou de Parapato, não tenho a certeza sobre o nome do velho clube desportivo). Logo entrei, feliz, dessedentando-me. Depois de algumas "Impalas", acompanhadas de resumos de futebol europeu na pequena TV sobre o balcão, um luxo para os parcos clientes, visitei as instalações.

 

Para aqui, tão longe dos centros mediáticos, encontrar a solução para os problemas do Sporting. Não deixei de compreender que todo este longo percurso me foi imposto, talvez pelo acaso, talvez pelo desígnio, para desvendar a situação, para poder anunciar à nossa "nação sportinguista" esta solução, a simbiose perfeita para nos alegrar o futuro e sossegar o presente, o elixir que a secular sabedoria angochiana (coti?) nos apresenta:

 

 

 

(para melhor compreensão)

 

 

Bastará seguir o paradigma de Angoche. Que o milagre (a ressuscitação?) acontecerá. Inevitavelmente!

As canções do século (1553)

por Pedro Correia, em 26.02.13

Leituras

por Pedro Correia, em 25.02.13

 

«Negar é ainda afirmar.»

Machado de Assis, Contos

Alma Azul, Coimbra, 2005

A desgraça de ser puta

por Patrícia Reis, em 25.02.13

Para que fique claro a palavra "puta" não tem, neste texto, qualquer género, até porque puta era o homem que se descartava às suas responsabilidades e a sua mãezinha não era tida ou achada para o assunto.

Portanto, a puta, no sentido masculino, se quisermos, olhou para os potenciais comensais com algum desdém.

Partilhavam o mesmo espaço, era preciso trabalhar e comer e a puta sabia, há meses, que tudo se transformaria em pouco tempo.

Ele era, digamos, o mestre, o autor dessa mudança drástica que, além de puta, lhe daria outros nomes menos apropriados. Estava decidido a avançar. Era um homem que demorava tempo, mas decidia. A seu tempo. Tinha até uma ideia vaga que podia acumular informações que lhe dessem, no futuro, qualquer poder.

Era uma ilusão. Qualquer um dos comensais lhe podia dizer que os emails podem ser alterados e que os sms também não são fiáveis. Ele não se ralava com esses pormenores, tinha levado o seu tempo de puta, decidira e, convicto da sua inteligência, preparava o fim do mundo.

Fez tudo conforme planeado, desenhando no palco uma cena de malabarismo digna de qualquer prémio de representação. O mundo não caiu como previsto e, dois meses depois, já ninguém proferia o seu nome. Ou das duas açafatas que com ele congeminaram o plano, o golpe, com base em informações que, sabe Deus, só o Diabo podia ter tecido.

A mulher que tinha estado ao lado da puta durante muito tempo não se sentiu atropelada ou magoada. Sentiu-se aliviada e depois triste. Afinal, as açafatas eram piores que a puta e este, sendo homem, até podia ser descartado, mas mulheres capazes de traição e bradando aos céus a sua potencial amizade com palavras e gestos? Não, tudo isso era demasiado triste. Com a puta no seu carril, as açafatas correram atrás e o cenário transformou-se para melhor.

De repente, a mulher começou a ver o azul do céu e, longe de muitas coisas estranhas que lhe acontecem por norma em dias que outros tendem a compreender como vulgares, ela soube que o destino estava traçado há muito.

Lembrou-se de casamentos, exposições de pintura, brincadeiras, gravidez, crianças, seguros e férias, consolos e terapia, consultas pagas e, feita a lista do deve e haver, mandou a puta para o raio. E ele, que já tinha ido, sentiu o raio mesmo no centro da cabeça, o corpo dividiu-se e tudo terminou em beleza. Era uma puta, podia dar a volta às coisas.

As outras duas? Pouco importam, já ninguém se lembra dos nomes, dos gestos, das brincadeiras, do potencial talento, apenas do roubo, da deslealdade, da cobardia de não darem a cara.

A mulher pensou em tudo isto, meses depois do terramoto emocional, da descarga de dinamite que seria suposto tê-la atingido de forma mortal.

Encolheu os ombros e enviou um email aceitando mais um trabalho.

Sim, a vida é tramada. E não é para as putas. Porque a sorte dá muito trabalho.

Tão simples, afinal.

 

«A vida é como uma peça teatral, mas com diálogos muito piores.»

Jean Anouilh (1910-1987)

A caminho de outro parque jurássico.

por Luís Menezes Leitão, em 25.02.13

 

A Constituição da República Portuguesa consagra no seu art. 118º o princípio da renovação sucessiva dos titulares de cargos políticos executivos. Precisamente por esse motivo a Lei 46/2005, de 29 de Agosto, limitou a permanência do cargo de Presidente de Câmara a três mandatos consecutivos, obrigando os titulares desse cargo a um período de quatro anos durante o qual "não podem assumir aquelas funções". É por isso manifesto, em termos legais, que a limitação é para a função de Presidente de Câmara, uma vez que, como foi referido na altura, o que a lei visava era precisamente terminar com os dinossauros nas autarquias e não fazê-los transitar para outro parque jurássico. Deve dizer-se, aliás, que a lei até foi muito generosa para os autarcas em funções, já que lhes permitiu ainda um último mandato em 2009, tendo assim inúmeros candidatos ultrapassado já em muito o limite legal.

 

Nada impede legalmente os autarcas, após os quatro anos de interrupção, de voltar a candidatar-se a qualquer município. O que não parece minimanente aceitável é que durante esse período transitem para um município vizinho. No limite, os autarcas até poderiam trocar de município entre si por quatro anos, reeditando em Portugal a solução Putin/Medvedev. Estou por isso convencido que os tribunais não vão permitir este tipo de operação, a meu ver claramente ilegal. E basta uma decisão judicial a declarar a ilegalidade de uma candidatura para que estas candidaturas fiquem feridas de morte aos olhos do eleitorado, mesmo que o Tribunal Constitucional viesse no fim a admiti-las.

 

Não percebo por isso qual o sentido político de o PSD, numa espúria aliança com o PCP, insistir em candidaturas nestas condições, dando uma imagem ao eleitorado de incapacidade de renovação. Fernando Costa está há 28 anos nas Caldas da Rainha, pretendendo agora passar para Loures. Luís Filipe Menezes anda há 16 anos em Gaia, pretendendo agora passar para o Porto. Só Fernando Seara é que tem apenas 12 anos de exercício do cargo. Mas, se a lei fosse respeitada, nenhum deles se deveria candidatar. 

 

Insistir numa solução legalmente inviável só contribui para o descrédito das instituições, a que infelizmente se prestou o Presidente da República, ao vir a público dizer que tinha sido alterado o projecto inicial na Imprensa Nacional, como se uma mera alteração gramatical mudasse o que quer que fosse na lei. Mas a solução, antes de ser jurídica, é política. Não serão com certeza dinossauros autárquicos que conseguirão trazer o sangue novo de que o país precisa nesta fase crítica. E deixar enredar as eleições autárquicas numa polémica jurídica sobre a elegibilidade dos candidatos é uma garantia de derrota antecipada.

Cabelos curtos na noite mais longa

por Pedro Correia, em 25.02.13

 

Não é todas as vezes que surge uma figura quase lendária do cinema ao vivo no televisor. Aconteceu-me esta noite, ao ver Emmanuelle Riva na longa festa dos Óscares: estava nomeada pelo principal papel feminino em Amor, de Michael Haneke - um dos melhores filmes que vi nos últimos anos. Gostaria que a inesquecível intérprete de Hiroxima, Meu Amor levasse o prémio na viagem de regresso a Paris, sobretudo no dia em que fez 86 anos, mas a estatueta acabou por ficar bem entregue: a melhor actriz do ano, na opinião dos jurados da Academia de Hollywood, é Jennifer Lawrence - pura explosão de talento num filme que me cativou, Guia para um Final Feliz, de David O. Russell.

O melhor actor, sem surpresa, foi Daniel Day-Lewis, com um inexcedível desempenho em Lincoln que o torna campeão no seu género: nenhum outro intérprete havia conquistado até hoje três estatuetas (proeza que ele conseguiu com O Meu Pé Esquerdo, de Jim Sheridan, e Haverá Sangue, de Paul Thomas Anderson, além deste, sob a competente direcção de Steven Spielberg).

Mas o momento da noite foi a surpreendente aparição da primeira dama norte-americana para anunciar o Óscar de melhor filme entre as nove longas-metragens nomeadas. Em directo da Casa Branca, com pompa e circunstância, Michelle Obama abriu o envelope para pronunciar a palavra de quatro letras que fez vibrar Ben Affleck de satisfação: Argo, realizado com mão segura, foi proclamado grande vencedor nesta despudorada intromissão da propaganda governamental na festa dos Óscares. Se algo semelhante tivesse sucedido por bandas cá da velha Europa, não faltariam almas indignadas bradando justamente contra a ligação promíscua do espectáculo ao poder político.

Ang Lee, que dirigiu A Vida de Pi, foi considerado o melhor realizador de 2012, como já fora em 2005, com O Segredo de Brokeback Mountain. O cineasta de Taiwan dirigiu uma palavra de carinho à mulher com quem está casado há 30 anos, gesto repetido pouco depois com Daniel Day-Lewis em relação à mulher, Rebecca Miller, com quem deu o nó em 1996. Hollywood, em matéria de separações, já não é o que era...

 

E que mais?

Barbra Streisand pisou pela primeira vez o palco em cerimónias do género desde 1977, para homenagear o falecido Melvin Hamlisch, cantando The Way We Were, uma das canções da minha vida. Jack Nicholson, o mestre-de-cerimónias final, está consideravelmente mais velho e mais gordo. Catherine Zeta-Jones e Jane Fonda, pelo contrário, estão bastante mais esbeltas e muito mais novas. Quase tão jovens como Anne Hathaway, que levou para casa a estatueta destinada a premiar o desempenho de melhor actriz secundária pela sua interpretação cantada em Os Miseráveis. Nada esbelta está Adele, vencedora do Óscar da melhor canção (em parceria com Paul Epworth), mas parece que ela não se rala nada com isso.

E eu também não, desde que ela continue a cantar desta maneira.

 

O meu filme favorito, 00.30 Hora Negra, levou apenas o Óscar de melhor montagem de som - a meias com Skyfall, num dos raríssimos empates até hoje registados em noites de distribuição de estatuetas. Amor, realizado pelo austríaco Michael Haneke, recebeu justamente o prémio para melhor filme de língua não-inglesa. Christoph Waltz é melhor actor secundário por Django Libertado, película que também valeu ao seu realizador, Quentin Tarantino, o Óscar de melhor argumento original - repetindo assim a proeza alcançada em 1994 com Pulp Fiction.

Seth MacFarlane, como anfitrião estreante, esteve em grande nível, sobretudo ao cantar We Saw Your Boobs - uma das melhores surpresas da noite. E Charlize Theron, coadjuvada por Anne Hathaway, relançou a moda do cabelo curto, que não tardará a pegar como fogo na pradaria.

E agora, se me dão licença, vou dormir.

As canções do século (1152)

por Pedro Correia, em 25.02.13

A noite não vem sem sinais

por Pedro Correia, em 24.02.13

Protestar contra o Governo cantando a Grândola é uma originalíssima forma de manifestação política que tem merecido até admiração internacional. Como admitiu o primeiro-ministro na Assembleia da República, "de todas as formas que uma sessão possa ser interrompida, esta parece-me a de mais bom gosto". Passos Coelho, que é barítono, reagia com fair play à versão mais afinada da senha da Revolução dos Cravos que temos escutado ao longo destes dias - mérito de Carlos Mendes e do cantigueiro Samuel, entre outros cantores que compareceram naquele dia na galeria do Parlamento.

Sei de cor a letra da Grândola e de muitas outras canções de José Afonso - e garanto que sou capaz de cantá-las sem desafinar. Até por isso, tenho-me espantado de ver tanta gente eleger como forma de protesto este tema enquanto ignora os versos e desfigura a música até ao limiar da caricatura, como os telediários têm registado.

Mais surpreendido ainda fiquei ao tomar conhecimento, pela reportagem do Público, da fraca adesão que teve ontem - dia do 26º aniversário da morte do autor de Menino do Bairro Negro - a romagem ao cemitério de Setúbal, onde o cantor está sepultado numa campa humilde. Sem pedra tumular, como era seu desejo.

A obra de José Afonso, cujo talento ultrapassava fronteiras partidárias, trincheiras ideológicas e barreiras geracionais, merece ser assinalada como inestimável património musical português. Aqui fica a minha singela homenagem ao talento de um músico prematuramente desaparecido, com um dos seus temas de que mais gosto.

"No lago do Breu, / Sem luzes no céu nem bom Deus / Que venha abrasar os ateus, / No lago do Breu. // No lago do Breu, / A noite não vem sem sinais / Que fazem tremer os mortais, / No lago do Breu."

 

Usura

por Teresa Ribeiro, em 24.02.13

Antes, quando ficava feliz na expectativa de algo que depois não acontecia, recriminava-se pela sua precipitada euforia. Agora já não lamenta esse género de equívocos. Prefere pensar que apesar dos enganos ninguém lhe tira a alegria que sentiu, mesmo sem motivos.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.02.13

«Quando S. Jerónimo introduz a designação "Lucifer", transforma a expressão "portador da luz", que antes se aplicara a Cristo, no pior inimigo dos homens e de uma concepção de Deus.
O povo irá aprender a temer o "Demo", que é afinal o próprio povo, e ainda "Lucifer" que era designação de Cristo - ou seja iria ter como principal inimigo aquele que traria a luz, que libertaria o povo das trevas.

(... quem quiser, pode continuar a ler aqui:
http://alvor-silves.blogspot.pt/2012/05/mayday.html)

É claro que etimologicamente se dirá que "demónio" vem de "daimon", e nesse caso será de procurar aí a raiz "democrática", que iludindo dar voto a todos, coloca todos os votos empilhados numa pirâmide zarolha.

Também etimologicamente não se dirá que "diabo" significaria "rico"... mas já se disse em tempos idos.
Por isso, o povo teme a ira dos diabos (ricos, mafarricos), e para isso confia que os "ricos" o protejam do "demónio", ou seja, de si próprio. Algo em que estão implicitamente de acordo, porque os "ricos" também não querem ser vítimas do "demónio"-povo.

A ideia é que para que o povo seja ordeiro, cordeiro, há um sacrifício "cabrão", que Abraão fez, e que veneramos em nome da Paz-coa (coar é filtrar, digamos, uma paz filtrada).
Acrescenta-se que "venerar" virá de Vénus que, enquanto estrela da manhã, é Lucifer, pois anuncia a alvorada.

Uns são ovelhas, e os pastores temem ser bodes expiatórios, porque se os pés-de-cabra abrem portas, também os denunciam na figura de "cabrões". Isso e os chifres, cifras que se traduzem em cifrões.

Mas, como diria o outro, são tudo trocadilhos... e por isso, se não há pressão, qual é a pressa?
Não se passa nada!»

 

Do nosso leitor Da Maia. A propósito deste texto da Ana Vidal.

O blogue da semana

por Helena Sacadura Cabral, em 24.02.13

A minha escolha do "blogue da semana" vai, hoje, para HOMO VIATOR. A razão desta preferência tem a ver com os temas tratados e a forma como são abordados. Religião, fé, espiritualidade, não são, por norma, matérias atractivas na Blogosfera. Aqui eles são encarados de uma forma que merece atenção a quem se interesse por estes assuntos.

 

Notícia de última hora

por Rui Rocha, em 24.02.13

Os últimos acontecimentos demonstram que o legislador teve clara intenção de estabelecer uma restrição ao território e não à função na lei de limitação de mandatos autárquicos. E que, para isso, teve a genial precaução de utilizar um "da" em lugar de um "de". Há, todavia, indicações seguras de que pretendeu ir mais longe, incorporando no artigo 1º uma orientação concreta sobre a intenção legislativa através da utilização de um código secreto. Se não acreditam, tenham em conta as letras coloriadas. Leiam da direita para a esquerda e de baixo para cima. E tenham presente  que a alteração de cor das letras indica mudança de palavra. Depois digam-me se não estava lá tudo.

a mala

por Patrícia Reis, em 24.02.13

A mulher desfez a mala com gestos de cansaço que, à partida, por serem de cansaço, a irritam ainda mais. O corpo mantém o nível de doer, mas ela insiste: é apanhar a roupa, dobrar o corpo, voltar ao cesto da roupa suja. Na memória tem ainda as palavras trocadas antes, a inutilidade das palavras quando se quer fazer o melhor e se faz o pior. Um ser humano deveria ser um jogo de computador e passar apenas de nível de acordo com as suas competências. As dela não servem sequer para fazer roupas de máquina. Acresce que odeia a mala. Tudo o que a mala pode significar, passado ou futuro e, lembrando Yeats, diz o poema para dentro como uma oração, the years to come, the years behind..., qualquer coisa assim e tenta sorrir quando se sabe incapaz de um sorriso. Não é momento. O momento chegará. A mala vazia, a máquina a rodar, o detergente a limpar e tudo arrumado. Depois será a vez do cão. Da água do cão. A seguir o despotismo esclarecido do filho mais novo, a história da música do afilhado e ainda o piano do mais velho. Tudo junto podia ser um filme. É apenas a vidinha.

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«Não há dinheiro na poesia nem poesia no dinheiro.»

Robert Graves (1895-1985)

As canções do século (1151)

por Pedro Correia, em 24.02.13

Coup de foudre

por Helena Sacadura Cabral, em 23.02.13
 
 
Por uma estranha contradição, gosto de ler biografias, pese embora a vida dos outros, enquanto rendilhado de factos, me interesse muito pouco. O que, sim, me estimula, é perceber quem é que se esconde por detrás do personagem, já que todos somos um pouco actores.
Já aqui falei, por mais de uma vez, de DSK, ou seja de Dominique Strauss-Kahn, o ex Presidente do Fundo Monetário Internacional, que tem estado no centro de um furacão de escândalos sexuais. Embora o tema atinja hoje até as instituições religiosas, a verdade é que, neste caso, houve um lado quase rocambolesco - não encontro outra expressão - a envolver todos os acontecimentos. Os quais, ainda não esclarecidos nem julgados, acabaram não só por dar origem à dissolução de um dos casais mais mediáticos da França, como serviram de tema de literatura.
Com efeito, acaba de sair em França, na editora Stock, um livro explosivo, intitulado "Belle et Bête", de autoria de Marcela Iacub, que conta o seu relacionamento com DSK, durante sete meses, de Janeiro a Agosto de 2012.

 

A autora não é uma qualquer arrivista, mas é uma figura controversa. Nascida na Argentina em 1964, chegou a França em 1989, estudou filosofia e direito, entrou para o CNRS - Centre National de la Recherche Scientifique – do qual se veio a tornar directora de investigação, em 2010. É também cronista do jornal Liberation.
Convenhamos, pois, que decerto terá medido bem as consequências da publicação da obra, dado que o envolvimento de ambos data de um período em que já eram públicas as potenciais acusações.
No último Nouvel Observateur são dados a conhecer excertos do livro em questão. O que li deixou-me algo surpreendida. Não pelas revelações, mas pela interpretação que Marcela – uma bela mulher – dá aos seus sentimentos e, sobretudo, à forma como “vê” o homem a quem se entregou. Parece-me uma história de paixão fulminante, mas em que um dos intervenientes foi capaz de, em simultâneo, actuar e se analisar, quase como se de um desdobramento de personalidade se tratasse.
Confesso que fiquei curiosa, porque ainda hoje continuo a pensar que a história da França e, muito possivelmente a da Europa, seria outra se DSK tivesse chegado, como queria, a Presidente da República.

 

Fotografias tiradas por aí (119)

por José António Abreu, em 23.02.13

Burano, 2008.



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