Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Taralhoco

por João Carvalho, em 31.07.10

Deve ser do calor. Imaginem que sonhei que a ministra da Educação quer acabar com os chumbos no ensino. O sol a mais fez-me tanto mal à cabeça que até fiquei taralhoco.


24 comentários

Imagem de perfil

De Pedro Correia a 31.07.2010 às 19:03

Senti ao mesmo ao ver hoje a capa do 'Expresso'. É isso: deve ser do calor. Ou da estação pateta, que este ano chegou em força.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.08.2010 às 01:50

Deve ser isso, compadre, deve ser.
Imagem de perfil

De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 31.07.2010 às 19:07

Não, João, não está taralhoco, é do calor...
Ana
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.08.2010 às 01:50

Oxalá, Ana.
Sem imagem de perfil

De MAT a 31.07.2010 às 19:58

A maneira como a ministra colocou este assunto não foi sábia e revela uma enorme falta de “jeito” para a comunicação política.

Quando se fala em “acabar com os chumbos” é invariável a confusão que se gera. Obviamente que o que está em cima da mesa não é o fim das retenções por via legislativa (pelo menos no sentido em que todos “passam” independentemente do que souberem). Confundir isso com o que se pretende é distorcer tudo.

Por isso, escrevo alguns pontos, para que se saiba do que estamos a falar e para que se recentre o debate naquilo que interessa:

1. A defesa da não repetência não é equivalente à defesa do facilitismo e do “passar sem saber”.

2. A repetência por si só não resolve, na maior parte das vezes, os problemas que estão por detrás das aprendizagens não concretizadas.

3. A existência da repetência, muitas vezes, acaba por desresponsabilizar os professores na procura e concretização das estratégias mais adequadas a cada aluno com dificuldades.

4. A alternativa a não reter um aluno passa, caso assim se queira, por um trabalho árduo, de maior exigência para todos (escola, professores e aluno).

5. A escola não deve ser, como era no tempo dos meus pais, apenas para os alunos com facilidade de aprendizagem e com “jeito” para os estudos. A escola pública não deve apenas garantir o acesso a todos mas também garantir a qualidade das aprendizagens a todos.

Ou seja,

a retenção de um aluno acontece porque um aluno não consegue adquirir as aprendizagens necessárias, mas deriva de um conjunto diverso de razões. Ora se há alguma lógica em reter um aluno por falta de assiduidade ou indisciplina, já não há muita lógica em reter um aluno, assíduo e “bem comportado” por dificuldades de aprendizagem. Não quer isto dizer que se deva “passar” este aluno sem ele saber o que deveria saber. Não, não é isso que se pretende. O que se defende é que, para estes alunos, a repetência não é solução e que o mais lógico seria aplicar todas as medidas e estratégias possíveis de forma a que estes alunos possam ultrapassar as dificuldades e que aprendam o que têm de aprender.

Será isto assim tão obtuso e tão anti-crato assim?

Por exemplo, há muito que os professores já perceberam que as medidas de recuperação que utilizamos nas nossas escolas não funcionam. Ora bem, aqui está um bom exemplo, do que devia estar em discussão. Por que, a bem da verdade, há muito que toda a gente percebeu que tais medidas só existem nos papéis (resultado de copy-paste de ano para ano) e que são poucos a aplicá-las com sucesso. São ineficientes, burocráticas e contraproducentes, no sentido em que depois de, supostamente, aplicadas são poucos os professores que reconhecem a seu reduzido efeito, “vendendo” assim a não retenção pelo seu bom nome.

É ou não tempo de alterar isto? Ou o que está serve?

Tenho passado por muitas escolas e constato que, na maior parte dos casos, as medidas colocadas nos PEI, PCT e não sei que mais, são um “pro forma” feito por cruzes ou em resultado de copy-past de outros anos ou turmas. Poucos são os que levam a sério tais medidas e que as concretizam em verdadeiro benefício dos alunos. E porquê?

A resposta não é assim tão simples, e envolve vários factores (burocracia, falta de meios, medidas “chapa 5″, falta de rigor, displicência,…). O pior é que já há uma cultura de “descrença” dos professores em quaisquer destas medidas e são poucos os que acreditam na sua eficácia.

Pela minha parte, não estou satisfeito com o que temos. Acho que estes planos não funcionam e que se exige uma mudança radical destas práticas (especialmente na minha disciplina de matemática). Porém estou certo que não chega que se mudem as metodologias. É necessário também mudar as mentalidades, a cultura de escola, e fazer ver a todos que é possível levar um aluno com dificuldades ao sucesso e à aprendizagem efectiva do que lhe é exigido. Haverá melhor coisa do essa?
Imagem de perfil

De João Carvalho a 31.07.2010 às 23:57

Ando com pouca paciência para rebater o nonsense com desconhecidos. Estou disposto a perdoar-lhe a expressão «em cima da mesa», que me fere profundamente os ouvidos (e olhos), mas fico perplexo com a sua frase: «escrevo alguns pontos, para que se saiba do que estamos a falar». Estamos... quem? Só me lembro do assunto focado por Isabel Alçada. Não ouvi nem li que houvesse qualquer MAT envolvido.
Imagem de perfil

De João Severino a 30.04.2011 às 17:06

É que debaixo da mesa está a Elisabeth Calçada...
Sem imagem de perfil

De Carlos Pimentel a 31.07.2010 às 20:42

Convenhamos que, para início de silly season ", até que não está mal apanhado de todo, conquanto não augure nada de bom para Setembro, mas isso são outros quinhentos. Seja como for, hoje até que esteve um tempo mais ameno, mais clemente e, como passei o dia indoors , resguardado, não posso dizer que partilho de similar "assombro".

Boas férias :)
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.08.2010 às 00:00

Pois, pois... Boas férias.
Sem imagem de perfil

De Amêijoa fresca a 31.07.2010 às 22:28

Talvez, efeitos do vento suão...

Do deserto educacional,
da política governativa,
brota a marca irracional
de uma solução defectiva.

Tantas asneiras repetidas
sem a mínima piedade,
de aberrações incontidas
de frívola inanidade.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.08.2010 às 00:01

Deve ser do suão, deve...
Sem imagem de perfil

De ariel a 31.07.2010 às 22:58

Então João, não tem um panamasinho que o proteja do sol?
:)))
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.08.2010 às 00:01

Que coisa, não é? Para o que me havia de dar...
Sem imagem de perfil

De Levy a 31.07.2010 às 23:11

O comentador MAT já colou esse texto em vários blogues. Ele é o Abrantes de serviço.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.08.2010 às 00:02

Cheira a 'abrantices' à légua...
Imagem de perfil

De jose-catarino a 31.07.2010 às 23:30

Também eu fiquei apanhado do calor. Taralhouco, já sou há muito. E é o que me vale.
http://jose-catarino.blogspot.com/2010/07/silly-season.html
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.08.2010 às 00:03

Vejo que não estou só...
Imagem de perfil

De Paulo Sousa a 01.08.2010 às 00:25

No segundo aniversário do agora extinto blogue Vila Forte, organizamos em 2008 uma palestra sobre a educação que contou com a presença do Prof. Doutor Júlio Pedrosa. Este ex-Ministro da Educação do governo de António Guterres, desempenhava na altura as funções de Presidente do Conselho Nacional da Educação.


Durante a palestra perguntei-lhe que mensagem se passava aos alunos quando se dizia que o objectivo do Ministério era os 100% de aprovação. Respondeu explicando a base teórica da política educativa que regula o ensino há mais de uma década e que agora culmina com as medidas agora anunciadas pela Ministra Alçada.


Já em Abril passado postei sobre isso e de facto o país avança a todo o vapor rumo ao paraíso socialista. Estamos quase lá.

Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.08.2010 às 01:34

Olho para o seu comentário e vejo tudo muito negro.
Imagem de perfil

De Paulo Sousa a 01.08.2010 às 19:04

É do script html... os links estão a vermelho

Abç
Imagem de perfil

De Ana Cláudia Vicente a 01.08.2010 às 01:56

O português técnico do(a) comentador (a) MAT ter-me-ia impressionado se eu não tivesse feito as cadeiras de Didáctica, Teoria Curricular, etc., e depois tivesse sido professora no ensino público.
Sugerir a supressão do chumbo (retenção, repetição, o que lhe queiram chamar) num país onde a realidade socio-cultural apresenta muito escassas semelhanças com aqueles nos quais medidas educativas dessa natureza se encontram em vigor parece-me tão razoável quão razoável seria equacionar a desactivação dos radares nas nossas estradas. Quantos dos cidadãos deste país, sabendo perfeitamente que as regras de condução devem ser respeitadas para seu bem e dos demais, as tomam diariamente como uma mera sugestão ou as ignoram de todo, simplesmente porque estão com pressa?
Retirar (ou limitar) um forma de sinalização de problemas, um instrumento que recorda o indivíduo o que se espera dele e que consequências uma conduta negativa pode ter no seu presente e futuro, só porque este não resolve magicamente esses problemas e nos lembra a todos que as coisas não correm como deviam, serviria a quem?
Não seria melhor planearmos, legislarmos e executarmos à medida do país que realmente somos, e não de uma suécia do sul, enfiando-nos à força num fatinho pedagógico pronto-a-vestir?
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.08.2010 às 02:18

Precisamente. A tua reflexão só peca por não dares a devida atenção ao MAT: «repetência» é a palavra-chave!
Grande e iluminado MAT, o homem que põe a repetência «em cima da mesa». É ele o grande parceiro da ministra: «Escrevo alguns pontos, para que se saiba do que estamos a falar e para que se recentre o debate naquilo que interessa.»
Sem imagem de perfil

De Ricardo B a 01.08.2010 às 15:29

Cara Ana,
permita que este leigo submeta isto à sua consideração.

Se bem compreendo, neste momento no ensino básico e secundário, podem acontecer duas coisas a um aluno com baixo aproveitamente:
a) não é retido e progride normalmente com os colegas
b) é retido e repete todo o ano. E pelo que percebo, "reter" um aluno é o cabo dos trabalhos..

Já no ensino superior, o modelo é outro. Um aluno que não tenha aproveitamente a uma disciplina terá que a repetir até ter para poder acabar o curso. Mas não é obrigado a repetir um ano, só as disciplinas às quais não teve aproveitamente. E, na maior parte das vezes, é-lhe permitido inscrever-se a novas cadeiras.

Não estou a sugerir aplicar o modelo do ensino superior ao básico e secundário.

Mas e se "ajustássemos" o modelo para ter uma 3ª opção "intermédia":
a) não é retido e progride normalmente com os colegas
c) não é retido mas no ano seguinte é *obrigado* a ter aulas extras nas disciplicas a que não teve aproveitamento
b) é retido e repete todo o ano. A decisão de reter ou não poderia voltar a ser automática em função da carga horária
Imagem de perfil

De Ana Cláudia Vicente a 03.08.2010 às 03:15

Caro Ricardo,

não sou nenhuma especialista, e mesmo que fosse, acredito que esta discussão não se deve circunscrever a pedagogos. A troca de ideias só pode ser positiva quando há boa vontade.

Dito isto, penso que - da minha limitada experiência - o mais chocante para quem inicia ou exerce actualmente a actividade docente é a insistência num discurso (pedagógico, didáctico) e política (com cerca de três décadas) que concebem o aluno de forma condescendente, menorizante. A ideia de que não se deve esperar grande coisa de uma criança, de que ela é uma espécie de pré-sujeito, e não um indivíduo imputável que só beneficia em tomar consciência de si o mais cedo possível, predomina.
O próprio jargão educativo a que hoje um aluno é exposto reflecte essa condescendência: por um lado, é omisso quanto à mecânica do processo de aprendizagem no que ele tem de difícil (não se expressa o valor da repetição, da memorização, da importância dos primeiros erros no que eles têm de bom), apresentando-o como 'natural'; por outro, expressa o não-aproveitamento como uma 'anomalia', um recurso último, um mal a erradicar. Assim, como é que um aluno não há-de encarar o esforço como um castigo? Não se facilita a aprendizagem facilitando, mas exigindo mais; qualquer miúdo que jogue futebol num pequeno clube ou toque um instrumento numa academia de música aprende isso à custa dessas actividades extra-curriculares, mais do que na escola.

Claro que nada existe fora de um contexto social, onde muitos encarregados de educação não estão disponíveis para fazer a sua parte, quanto mais para reforçar a acção orientadora dos professores; nesse sentido, penso que medidas dissuasoras (forçosamente transitórias) da desresponsabilização daqueles, bem como a revisão do número de disciplinas (e reintrodução de diferentes graus de dificuldade em cada uma), da carga horária, e do próprio conceito de turma (porque não pode o aluno ter um currículo anual de dificuldade progressiva?), seriam importantes.

Não vejo actualmente uma boa alternativa à 'retenção', enquanto sinalização de um desempenho globalmente deficiente pelo aluno; penso apenas que poderia ser criado, como meio de lhe dar uma melhor preparação para o ano seguinte, no período estival (1-15 de Julho/1-15 de Setembro) um curso que incluísse método de estudo, revisão das temáticas em que tivesse pior prestação, e um trabalho final livre, com valor global a ser tido em conta no aproveitamento do ano seguinte.

Tudo isto exigiria um planeamento longo, em ambiente de "pacto de regime", para que o momento da efectivação de alterações não resultasse no mesmo cenário baralhante de reforma-após-reforma vivido desde 1986. Não penso, porém, que seja impossível.

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D