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Dois secos e podiam ter sido mais

por Rui Rocha, em 02.10.12

Resultado indiscutível e escasso. A equipa visitante deu um banho de bola ao adversário e este nunca pareceu ter condições para contrariar a sua superioridade. Há, evidentemente, uma diferença de classe gritante entre as equipas. A segurança no passe, a capacidade de acelerar o jogo no momento certo, a solidez defensiva, o sentido colectivo, a inspiração dos elementos fundamentais, a sua genialidade em alguns momentos, desequilibraram o jogo sempre para o mesmo lado. Em resumo, de um lado a corriqueira vulgaridade. A incapacidade para contrariar o rame-rame. A insuficiência táctica. A escassez de ideias do treinador. A desinpiração dos melhores jogadores que parecem esconder-se nos momentos mais importantes. A intranquilidade em campo que poderá ser o reflexo do momento conturbado que o clube estará a atravessar e de uma eventual crise directiva. Do outro, a excelência. A coisa só não foi pior devido à actuação do único jogador dos derrotados que fugiu à mediocridade: o guarda-redes. A certa altura, os adeptos da equipa da casa temeram mesmo a vergonha de um resultado extremamente desnivelado. Os locais evitaram-no com mais sorte do que mérito. Mas não conseguiram impedir que se fizesse alguma justiça já no final da partida.

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O mundo é de quem o reinventa (13)

por Ana Vidal, em 02.10.12

Sair do Euro? Jamé...

por Rui Rocha, em 02.10.12

É bem possível que o Jaa tenha razão. Mas tem-na antes de tempo. E ter razão antes de tempo é não ter razão. A solução final pode, de facto, vir a ser a saída do Euro. Mas não é indiferente o momento e a forma como isso se faz.

 

Vejamos então. Portugal tem hoje uma dívida externa bruta de mais de 250% do PIB e uma dívida externa líquida que se prepara para ultrapassar os 120%. Entretanto, com essa dívida predominantemente denominada em Euro, uma desvalorização do novo Escudo (a propósito, proponho que a nova moeda se chame Sócrates, porque a memória é curta e convém não esquecer) que seria sempre na ordem dos 30% (ou dos 40%), teria como consequência imediata que esta disparasse para valores astronómicos e absolutamente insustentáveis.

 

Por outro lado, na perspectiva das famílias e das empresas o tempo não é um factor indiferente. Os últimos indicadores demontram que o consumo privado diminuiu mais do que proporcionalmente à queda do rendimento e que a poupança aumentou de forma significativa. Isto é, os portugueses estão a fazer um esforço de ajustamento sério. A actual situação representa pois uma oportunidade de adaptação a uma realidade dura. Prolongá-la na medida do possível é comprar tempo para que as pessoas se ajustem a um novo perfil de consumo muito mais austero de uma forma, apesar de tudo, gradual. Entretanto, pode acontecer que consigam pagar as prestações do automóvel. E do frigorífico, e do LCD e das férias de sonho em Cancun. Ou que encontrem emprego lá fora. E quando o céu lhes cair definitivamente em cima da cabeça o impacto será severo, mas poderá já não ser mortal.

 

Da mesma maneira, as empresas, com todas as dificuldades, estão a dar respostas positivas no contexto extremamente exigente e competitivo da moeda única. Conscientes de que o mercado interno trará péssimas notícias nos próximos anos, é fundamental comprar-lhes tempo para acentuarem o seu perfil exportador, procurarem novos mercados, reflectirem e colocarem em prática novas estratégias que não poderão passar por vender em Portugal. Sair agora do Euro seria sair cedo de mais, impedindo empresas e particulares de aprofundarem um esforço de ajustamento que já iniciaram.

 

E se o tempo em que se faz a saída é importante, o modo não é menos. Portugal não pode voltar ao Escudo com o nível actual de dívida. O endividamento nacional tem de ser diminuído. Para isso, para além do esforço de particulares e empresas, era necessário o contributo do Estado. Através de um programa sério de racionalização da sua estrutura e da sua actividade. É por isso que nos últimos tempos me tenho manifestado de forma dura e impaciente com o governo de Passos Coelho. Porque o governo não está a fazer a sua parte. O problema fundamental das contas públicas relativas ao 1º semestre de 2012 não é a diminuição da receita e a parte da despesa que diz respeito a juros, pois isso era razoavelmente previsível. A questão está no facto, por exemplo, de os consumos intermédios continuarem a aumentar. Entretanto, era fundamental que o Governo fizesse a sua parte antes da saída do Euro e não depois. Porquê? Pois porque o esforço de redução da dívida, por si só, dará escasso resultado. Mas trará uma credibilidade que permitirá negociar um haircut de dimensão bem razoável que tornará viável uma saída controlada do Euro.

 

Por isso, a melhor posição é a de comprar tempo. Permitindo ao sector público e ao sector privado que se ajustem de forma decidida, mas faseada, exigindo naturalmente que todos façam a sua parte de forma séria e empenhada. Devemos dizer, portanto, tal como Mário Lino fez em relação ao aeroporto, que sair do Euro, jamé, sabendo de antemão que essa é uma possibilidade séria e que todo o nosso esforço deve ser orientado para que, se não houver alternativa, não aconteça de forma desordenada.  É claro que tempo é dinheiro e que o dinheiro paga juros. E que os juros aumentam a dívida. Mas, relativamente a esse ponto, creio que já vos referi a necessidade de um belo corte de cabelo... No fundo, e concluindo, o caminho que ainda nos pode levar a permanecer no Euro é, em boa medida, também aquele que melhor nos prepara para sair dele.

 

«Podemos tornar-nos obreiros do nosso destino assim que deixarmos de posar como profetas.»

Karl Popper (1902-1994)

Quem arrisca uma legenda? (17)

por Ana Vidal, em 02.10.12


Legenda vencedora da semana passada: "... e tenho pecado a imaginar que dou abraços a polícias altos e musculosos, senhor padre..." (Anónimo)

Ponto de situação e desistência

por José António Abreu, em 02.10.12

1. Defendi alterações na TSU desde o início do programa de ajustamento. Gostaria que tivessem sido anunciadas após o Verão de 2011 e implementadas em 2012. Agora, parece que a TSU ficará como está e que o esforço de correcção orçamental será assegurado apenas através dos impostos. Ou seja: perdem-se o factor de estímulo das exportações e o corte da despesa pública correspondente aos 5,75% do valor dos salários dos funcionários públicos e volta-se a um trajecto sem imaginação que, como sucedeu nos últimos anos, também fará retrair a economia. Vitória? De Pirro, quase certamente.

 

2. Defendi que o esforço de correcção orçamental devia incidir mais sobre o sector público do que o privado, por razões de – pasme-se – equidade (quando as suas empresas se encontram em dificuldades, os funcionários do sector privado não vão buscar salário aos do sector público) e, acima de tudo, porque é o sector privado que nos pode tirar da crise (o sector público desempenha muitas funções importantes mas não exporta). Graças à Constituição que temos, também este ponto parece prestes a cair. Ainda bem? Lamento mas não. Ponto a ponto, estamos a tornar a recuperação mais difícil.

 

3. Qualquer país que, tendo um nível de vida abaixo da média de uma dada zona, pretenda ganhar terreno aos mais ricos tem de apresentar condições atractivas em tantos ramos quantos lhe for possível, em vez de se limitar a queixar-se da injustiça do desnível. No último debate entre Sarkozy e Hollande, este repetia que na última década a França apresentou níveis de crescimento inferiores à Alemanha; a certa altura, Sarkozy atirou-lhe que a Alemanha fez há dez anos aquilo que os socialistas franceses ainda recusam hoje. O pequeno francês hiperactivo tinha toda a razão. E a situação torna-se mais grave quando, em vez de França, estamos perante Portugal, Espanha, Grécia ou Itália. Repare-se no que sucede por cá: exigimos salários e pensões similares aos da Europa do Norte mas recusamos a legislação laboral dinamarquesa, a idade de reforma alemã, o sistema de segurança social sueco. Em contrapartida, temos um Estado quase tão grande e um nível de impostos quase tão alto como os desses países. E somos muito piores no nível de corrupção, na burocracia, no sistema de Justiça. Nestas condições, só é possível recuperar ou, até, manter o nível de vida se os cidadãos dos países mais ricos aceitarem subsidiar-nos. Para sempre.

 

4. Evidentemente, não aceitarão. Nem seria lógico que o fizessem. Na situação deles, nós também não o faríamos. Atente-se no modo como os portugueses do continente reagiram ao buraco orçamental madeirense. Ou na forma como na Catalunha se exige que todos os impostos cobrados na região lá sejam aplicados. Ou até na maneira como os italianos do norte olham para os seus conterrâneos do sul. A que propósito hão-de finlandeses e alemães aceitar enviar-nos dinheiro? Obviamente, só o farão enquanto ganharem com isso (por exemplo, através de captação de fluxos de capitais – os quais, acrescente-se, só vieram para cá devido ao euro) ou, pelo menos, não perderem. Mas, do lado deles e do nosso, durante quanto tempo poderá a situação prolongar-se?

  

5. E isto traz-me ao ponto mais duro. Suspeito há muito que não existem condições para o euro resistir. Cheguei a ser taxativo sobre o assunto mas, talvez ingenuamente, mantive uma ligeira esperança de que fosse possível fazer os povos do Sul perceberem que não há riqueza com moeda fraca e desvalorizações constantes. De que fosse possível fazê-los perceber a inevitabilidade dos cortes e das reformas como via para uma economia de crescimento sustentado. Não é. Nem em Portugal nem nos outros países em dificuldades. Aos governos falta coragem para implementarem verdadeiras reformas, aos cidadãos sobram ilusões de que é possível manter o nível de vida atingido com dinheiro emprestado. Mais: prolongar a agonia afigura-se cada vez mais um erro: o castelo tem demasiadas cartas e há demasiadas mãos a mexer-lhe. Cairá.

 

6. Saiamos do euro. Suportemos dois ou três anos duríssimos e depois, porque não sabemos fazer de outro modo, voltemos ao nosso ritmo tradicional de desvalorização e inflação. Continuaremos pobres mas de uma forma a que já estamos habituados. E nas ocasiões em que tivermos de chamar o FMI (como em 1978, como em 1983), não perderemos tempo apontando o dedo a outros.

Resistência activa ao aborto ortográfico (6)

por Pedro Correia, em 02.10.12

 

 

Revista Activa

 

As canções do século (1006)

por Pedro Correia, em 02.10.12

Um aniversário

por José António Abreu, em 01.10.12

A indústria da electrónica está cheia de guerras de formatos. No final da década de 70, o nascimento do CD pareceu ir dar origem a mais uma. Em 1974, com base num projecto ainda mais antigo, a Philips começara a desenvolver um disco de leitura óptica a que planeava chamar compact disc, para seguir a lógica de outra invenção sua, a compact cassette. Em 1976, a Sony anunciou um projecto similar. Após um período em que a guerra pareceu iminente, em 1980 as duas empresas chegaram a acordo, tendo-o anunciado num evento apadrinhado por Herbert Von Karajan. A presença do maestro tem alguma piada porque se conta que o diâmetro do CD está relacionado com a música clássica. A Sony, cujo projecto original previa um disco com 10 cm de diâmetro, menos 1,5 que o diâmetro proposto pela Philips, terá exigido que a Nona Sinfonia de Beethoven coubesse num único disco. Na altura, a gravação mais longa existente era de Furtwängler, em Bayreuth, 1951, pertencente ao catálogo da Polygram, então propriedade da Philips, a qual tinha 74 minutos, demasiado para o disco de 11,5 cm. Claro que esta é a versão benigna. Na versão menos romântica, a Sony insistiu na mudança porque a Philips já estava preparada para fabricar os discos de 11,5 cm enquanto a Sony ainda não tinha capacidade para produzir quaisquer discos. Isto é, a mudança só atrasava a Philips. Seja a verdade qual for, foi a Sony que acabou por ter a honra de apresentar o primeiro leitor de CDs. Aconteceu no Japão, no dia 1 de Outubro de 1982. Fez hoje trinta anos.

Frases de 2012 (39)

por Pedro Correia, em 01.10.12

«Proteja-se do caos financeiro!»

António Sala, num anúncio incessantemente repetido

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TED

por Patrícia Reis, em 01.10.12

Behind the TEDTalk 2010 from m ss ng p eces on Vimeo.

 

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O mundo é de quem o reinventa (12)

por Ana Vidal, em 01.10.12

Mais desemprego, novas oportunidades

por Rui Rocha, em 01.10.12

O primeiro-ministro tem razão. O desemprego é uma oportunidade. E a boa notícia é que há cada vez mais oportunidades. Com tantas e novas perspectivas, assistiremos em breve a uma alteração profunda do mercado de trabalho e das próprias designações das actividades profissionais. Na verdade, muitas profissões cairão em desuso e serão substituídas por novas e desafiantes ocupações. Os Solicitadores, por exemplo, serão substituídos pelos Imploradores. O Médico do Trabalho, por seu lado, dará lugar ao Terapeuta Desocupacional. Também muito solicitado será o Técnico de Higiene e Insegurança (angustiados mas asseados). Nas tarefas administrativas, os novos tempos trarão profissionais altamente qualificados: os Desempregados de Escritório. Igualmente na primeira linha do mercado de trabalho do futuro encontraremos os Terapeutas da Falta, os Mestres de Sobras e os Técnicos Oficiais de Pontas. No domínio da saúde, os Dietistas continuarão em alta. Todavia, as estrelas nesta área serão, sem dúvida, os Anestesistas. Na construção, o mercado proporcionará excelentes oportunidades para os Semtectos Paisagistas e para os Engenheiros de Infra Estruturas, estes últimos especialistas em pequenas obras como a reabilitação de vãos de escada e o recondicionamento da parte de baixo das pontes. As preocupações com a ocupação do espaço darão lugar a tudo o que diz respeito ao preenchimento do tempo, com oportunidades desafiantes para a Engenharia de Batalha Naval. Os Engenheiros Magrários e, em geral, todos os que trabalham nos diversos ramos da Magricultura e da Engenharia Magro-Industrial têm boas razões para encarar os próximos tempos com confiança. Na área comercial, o novo mundo será dos Tácticos de Vendas. Encontrar um cliente será tão difícil que vender deixará de ser uma técnica e passará a pressupor vastos conhecimentos de perseguição e emboscada. Nas ciências, destacar-se-ão os Físicos Teóricos. Embora sem a mesma garantia de sucesso, haverá também lugar para os Químicos Inorgânicos. Com boas perspectivas, surgem também as áreas da Matemática Discreta, da Nicklesbiologia (evolução da Microbiologia e da Nanobiologia) e da Citologia (o estudo das citações será fundamental para entreter o tempo). Na educação, serão criadas as novas profissões de Professor do Ensino Básico (o ensino será mesmo muito básico), de Professor do Ensino Secundário (assumindo definitivamente que o ensino é tudo menos prioritário) e, naturalmente, de Professor do Ensino Inferior. No que diz respeito às profissões ligadas à História, apesar de, em geral, as coisas não se apresentarem risonhas, aparecerão novas ocupações como a de Engenheiro Alimentar (o estudo dos alimentos integrará o ramo da arqueologia) e de Especialista em Parasitologia (persistirá, apesar de tudo, alguma curiosidade em perceber como chegámos até aqui).

 

«A mediocridade não conhece nada acima de si própria, mas o talento detecta instantaneamente o génio.»

Arthur Conan Doyle (1859-1930)

Resistência activa ao aborto ortográfico (5)

por Pedro Correia, em 01.10.12

Lisboa, Rua Sampaio Bruno

Tempus fugit

por Ana Vidal, em 01.10.12


Ouço um amigo dizer - filosofando sem dramatismos nem pieguices - que está pronto para morrer, e fico a pensar como estou a anos-luz dessa serenidade resignada. A vida é como a democracia: está muito longe de ser perfeita, mas ainda não inventaram nada melhor.

 

Separados à nascença?

por Rui Rocha, em 01.10.12

As canções do século (1005)

por Pedro Correia, em 01.10.12

Pág. 18/18



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