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Delito de Opinião

Convenção Nacional Republicana

José Gomes André, 28.08.12

Começa hoje a Convenção Nacional Republicana, que oficializará a escolha de Mitt Romney e Paul Ryan como candidatos à Casa Branca. Encontro de debate político e grande mediatismo, as Convenções partidárias marcam o início "a sério" das campanhas presidenciais americanas. O meu amigo Nuno Gouveia está na Florida, em reportagem especial para o 31 da Armada e o Era uma vez na América. Em jeito de prognóstico, deixo a minha leitura sobre as "forças" e "fraquezas" do evento:


Forças

- o "timing" não podia ser melhor: os dados da economia e desemprego são desanimadores para os Democratas; as sondagens mostram uma subida de Romney; e a nomeação de Paul Ryan animou a base conservadora. A Convenção pode ser a cereja no topo do bolo numa campanha em crescendo.

- foi uma boa ideia focar a Convenção nos temas económicos e fiscais, a principal preocupação dos americanos e o campo onde os Republicanos mais podem capitalizar com as fragilidades da Administração Obama.

- apesar das renitências iniciais do "establishment" em relação a Romney, a "máquina Republicana" conseguiu reunir as maiores figuras do Partido na Convenção, que terá como oradores Condoleezza Rice, John McCain, Marco Rubio, Rand Paul, Mike Huckabee, Jeb Bush, Christ Christie e Tim Pawlenty, entre outros. 

 

Fraquezas

- um azar chamado "Isaac": não é uma novidade, mas a coincidência entre a chegada do furacão ao Sudeste dos EUA e a realização da Convenção Republicana traz problemas organizacionais e também riscos mediáticos, uma vez que a "mensagem política" poderá ser parcialmente abafada pelas notícias sobre o furacão.

- a Convenção serve também para definir a "plataforma ideológica" do Partido, e neste caso os Republicanos vivem uma autêntica crise de identidade, presos entre facções que pouco têm em comum: libertários, "conservadores sociais", apoiantes do "Tea Party", neoconservadores, "conservadores fiscais" e elites financeiras. Não vai ser fácil transformar esta manta de retalhos num partido coeso.

- apesar do esforço para combater a imagem de partido "WASP" (white anglo-saxon protestant), os Republicanos continuam a prestar pouca atenção aos grupos minoritários; se exceptuarmos Condoleezza Rice e os casos peculiares de Rubio (um latino da linha dura) e Fortuño (Governador...de Porto Rico), não há praticamente na Convenção representantes significativos de grupos sócio-políticos cruciais, como negros, hispânicos e mulheres.

Todos os políticos têm sorte

Leonor Barros, 28.08.12

Os nossos políticos têm muita sorte. Somos tão mansos que aturamos tudo. Enquanto o povo é esmifrado até ao tutano por impostos, taxas, cortes, há quem ainda veja o seu rendimento aumentado. Poupem-nos a balelas inúteis sobre a culpa e o termos de pagar agora e façam-nos um favor: sigam o conselho que nos deram e emigrem. Este país está irrespirável e não é por causa dos portugueses.

Estás com medo? Ou estás com medo?

André Couto, 28.08.12

Afinado coro, o das últimas horas, a pedir a demissão da Conselho de Administração da RTP, por este ter opinado contra a concessão da empresa a privados. Surgiram-me, entretanto, uma dúvida e uma certeza. A dúvida é a de não perceber se o anúncio do Mr. Goldman Sachs é, afinal, uma medida oficial, debatida e aprovada em Conselho de Ministros. Opinar sobre cenários durante um debate não me parece motivo de demissão, a menos que se lide mal com a liberdade de opinião. A certeza foi ter percebido o medo que está por trás das sugestões de demissão: gestores públicos, sérios e honestos, que fazem empresas públicas entregarem lucro ao Estado e não aos privados com os quais pouco tem a ver? "Eh lá! É melhor correr com eles não vão as pessoas perceber que a gestão pública, se séria e honesta, como se supõe, reverte o lucro a favor do Estado e não dos interesses da malta...".

O jornalismo-alforreca

João Campos, 27.08.12

 

A propósito de recentes incidentes em praias na costa portuguesa, alguém pode mandar para as redacções uma nota a explicar que a caravela portuguesa não é uma alforreca?

 

Eu sei que hoje em dia há pouco tempo para investigar os assuntos sobre os quais se escreve, e que é muito mais fácil pegar nos textos (frequentemente mal escritos) da Lusa, mas neste caso bastam dois minutos no Google - não é preciso ir ao terreno ver esta criatura, que, muito curiosamente, é designada em todo o mundo por "Caravela Portuguesa" (ou Portuguese Man O'War). O rigor no jornalismo científico português partiu para parte incerta, o que é uma pena.

Igualdade de oportunidades. Até para as Bestas.

André Couto, 27.08.12

 

Paul Ryan, a escolha de Mitt Romney para candidato a vice-presidente dos Estados Unidos, é um ideólogo como muitos em Portugal. É contra a Segurança Social nas suas várias vertentes, como saúde, educação e apoios sociais, querendo assumidamente terminar com ela. O curioso é que Ryan, quando mais novo e perante a morte do seu pai, foi salvo pela Segurança Social que hoje quer destruir. Doutra forma, sem apoio do Estado, não teria tido a possibilidade de estudar e hoje ser candidato a tamanha responsabilidade.

É por isto que defendo o Estado Social com unhas e dentes, porque garante igualdade de oportunidades ao longo da vida. Até a bestas ingratas, como é o caso.