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O amor não tem tempo

por Patrícia Reis, em 01.07.12

Com todos os cuidados morriam de amor as moças, muito translúcidas e veias de fora, algumas trigueiras, outras morenas, suspirando por amados com quem não chegavam a trocar uma caricia, às vezes apenas um bilhete escondido, um favor de uma alma portadora. O amor era, então, um jogo, uma sedução e tinha a dose de perigo suficiente para que nada mais tivesse qualquer importância.

Os cientistas dizem que o amor dura cinco anos, na verdade dois, os últimos são uma espécie de exercício de "aguentar" ou de "ser crescido". Posto isto, chegados aos seis anos de casamento e quase dez de relação, a pergunta que se podia fazer seria de índole indiscreta e, porventura, pouco simpática, temerosa, em sobressalto. É bom quando não se fazem perguntas, conclui há muito. Assim como conclui que quando duas pessoas falam muito sobre a relação que têm, a dita cuja já era. Pode ser uma ideia minha, é certo, e cada um vive com as suas ideias e anda para trás e para a frente, diz e contradiz num exercício de condição humana que garante que ser-se coerente uma vida inteira é um enorme acto de desinteligência.

Hoje um adolescente disse-me, com desdém, que não acredita no casamento. Ri-me e respondi:

 

Eu também não acreditava.

 

E o que é isso de acreditar num casamento nos dias que correm? É um risco e uma exigência, é como ter fé e assumir que se tem. Ser cristão é difícil, ser católico, com todas as dúvidas, é uma eterno compilar de questões. Mas ficamos tão sozinhos sem Deus e é tão exigente viver sem esse consolo.

Ficamos também sozinhos por não acreditarmos que o plural composto com outra pessoa possa ser um caminho que precisa de ser tratado com os mesmos preceitos do século XIX. Como sempre, o amor é um problema, uma questão, um mistério, passem os séculos que passarem, leia-se a literatura que se ler. Brindar está em desuso e, a esta hora, é impossível, não tenho como. Seis anos depois de tudo a casa está vazia e não faz mal. Daqui a pouco será distinto. Será, como na vida, uma possibilidade e um mistério.

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As canções do século (913)

por Pedro Correia, em 01.07.12

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