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Grande Dicionário do Delito

por Rui Rocha, em 01.12.11

Temos o prazer de anunciar 2 (duas) novas entradas:

 

Faxínora: estudante do ensino superior privado que envia trabalhos por fax.

 

Faxineiro: estudante do ensino superior privado que envia fax domingueiro.

Afinal o melhor ataque é a defesa

por José António Abreu, em 01.12.11

José Alberto Carvalho, há minutos, no Jornal da TVI: «Nas últimas horas, os mercados voltaram a atacar. Os juros da dívida pública portuguesa bateram novos máximos e Espanha e França também foram atingidas. Espanha foi ao mercado financiar-se e pagou os juros mais altos desde a entrada do país na moeda única.»

Portanto: os países «vão aos mercados» mas estes é que «atacam»? Devo estar a ver mal a mecânica da coisa porque, assim de repente, parece-me que «os mercados» se defendem. Ou, no limite, que contra-atacam.

Pátria

por Ana Vidal, em 01.12.11

Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

 

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável

 

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento

 

E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

 

- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
ó minha pátria e meu centro
Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo.

 

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Ainda o (des)acordo ortográfico

por Ana Vidal, em 01.12.11

Para além da perturbação estética causada pelas palavras mutiladas, que partilho com Gonçalo M. Tavares, há um erro grosseiro de avaliação por detrás do Acordo Ortográfico: ao contrário do que supõem os iluminados da "normalização" - o próprio conceito já assusta, se nos referimos à língua - as novas regras não eliminam, e ainda bem, as variantes semânticas que existem no uso das mesmas palavras, quer sejam escritas de forma idêntica ou não. As expressões idiomáticas locais traduzem e sublinham as diferenças entre países que partilham a mesma matriz linguística, e de uma língua falada em cinco continentes só pode esperar-se que seja, desejável e saudavelmente, diversa.

 

Dou um exemplo simples: estive recentemente no Brasil e passei duas semanas a tentar evitar usar a palavra "sítio" - recorrente no meu léxico habitual - porque causava a maior estranheza a quem me ouvia. Graças ao "Sítio do picapau amarelo", acabei por lembrar-me de que a palavra significa, para os brasileiros, "quinta" ou "chácara". E eu estive sempre em ambientes urbanos.

Index blogorum prohibitorum.

por Luís M. Jorge, em 01.12.11

Não lerás posts que incluam as palavras ou expressões neoliberalimperialismocabala, ataque pessoalacima das possibilidadesespeculadores internacionais, despesismo, politicamente correcto, eduquês, contenção, novas formas de luta, corporações, populista, indignados, pacote de ajuda, sacrifícios e competitividade.

vitimasdestalking.blogs.sapo.pt

De pôr os olhos em bico

por José Maria Gui Pimentel, em 01.12.11
Só para os mais fortes.

1640 e 1641: sim ou não?

por João Carvalho, em 01.12.11

Feriado porquê? Por causa das memórias sobre os conjurados? Ou por causa da grandeza daquele que foi o líder visionário? É bom decidir, para se saber se deve continuar a ser feriado ou não.

A publicação do livro de Rui Verde trouxe de novo para o debate a questão da licenciatura de José Sócrates. Não faltarão vozes a repescar a tese do assassinato de carácter. Percebo o ponto e parece-me que merece ser debatido. É claro que a discussão pressupõe que admitamos que o percurso de Sócrates na Independente foi tão imaculado como o seu amor pelo Estado Social (recordo que este nunca foi consumado). Admito que esse ponto de partida possa exigir algum esforço a certos leitores. A esses peço que o considerem, tal como à própria licenciatura de Sócrates, uma mera hipótese académica. Esclarecida a questão prévia, vamos ao que interessa.  Ora, impõe a imparcialidade a que me obrigarei ao longo deste texto que afirme, desde já, que a tese do assassinato de carácter dá o flanco a várias objecções. Em primeiro lugar, a viabilidade da condenação na praça pública (é aí que estamos) pela prática do crime de assassinato de carácter depende da exibição do corpo do delito. Ora, há muito quem defenda que jamais será possível a José Sócrates apresentar o cadáver do carácter assassinado. Pela simples razão de que não tinha um (carácter, entenda-se). Na mesma linha, situam-se os que, admitindo embora  que José Sócrates possa ter tido um carácter, afirmam a pés juntos que este teria morrido num grave acidente. Em surdina, sugere-se mesmo a possibilidade de suicídio. Ora, como bem se compreenderá, não é possível assassinar o que já tinha morrido. Estaria em causa não o assassinato de carácter, mas o assassinato de cadáver, situação que, sendo contraditória nos seus próprios termos, não é punível nos termos do Código Social. Confesso que me inclino para esta versão dos factos. Ela é a que permite salvaguardar a abordagem do bom selvagem de que sou muito cioso. Não há rapazes maus e o inferno são os outros. E, cá para nós, aquele Teixeira dos Santos sempre me pareceu um tipo muito inquietante. Em todo o caso, e mesmo que não fosse assim, seria sempre necessário apurar se não existem, no caso concreto, causas de exclusão da ilicitude. E aqui parece-me que se poderá argumentar que a prática em causa, condenável em geral, deve ser tolerada sempre que se prove que as acções do carácter assassinado teriam como consequência a aniquilação do país. Isto é, a ilicitude deve ter-se por afastada num assassinato cometido contra um carácter que se comporta como um serial killer dos fundamentos económicos e políticos de uma sociedade. Estaríamos, nesse caso, a falar de legítima defesa. 

O Carocha da Alice...

por João Carvalho, em 01.12.11

 

... no País das Maravilhas.

1º de Dezembro de 2011

por Pedro Correia, em 01.12.11

  

 

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

 

(...)

 

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

 

Poema 'Pátria Minha', de Vinicius de Moraes (excerto)

Ou vai ou racha

por José Maria Gui Pimentel, em 01.12.11

A actual crise da dívida soberana é um infeliz exemplo da mentalidade “meias tintas” da burocracia europeia. Mais de ano e meio depois, os políticos europeus continuam presos na armadilha de temerem o fim do euro e de recusarem ao mesmo tempo tomar as medidas necessárias para o evitar. Embora a considere muito arriscada, vejo com simpatia a ideia de que um sistema capitalista tem forçosamente de deixar falir as empresas/bancos que falham. A ser aceite, este princípio teria sido aplicado logo no início, quando os elevados custos de protecção da banca ainda eram inexistentes. Não tendo tal sucedido, é evidente (embora os políticos europeus o queiram encobrir) a aceitação implícita do princípio oposto: salvar a banca, para salvar o euro. Procrastinar, neste caso, tem custos crescentes, e insuportavelmente elevados.

Delito breaking news

por Rui Rocha, em 01.12.11

 

Cidadãos anónimos mobilizam-se e estão dispostos a pagar o subsídio de Natal por inteiro a Mário Soares se este se comprometer a só dar entrevistas em anos olímpicos.

Vale a pena ouvir

por Cláudia Köver, em 01.12.11
A única coisa triste acerca deste testemunho é o facto de vir a originar dezenas de respostas que refilam incessantemente: "isto é apenas um bom exemplo". Enquanto que, se o relato aqui apresentado exibisse um resultado desastroso, tomavam-no pelo todo.
 

As ilhas que eu vejo (1)

por João Carvalho, em 01.12.11

 

Com sotaque para ouvir...

 

 

... e muita bruma para sentir.

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A árvore e a floresta

por José Gomes André, em 01.12.11

A crise chama o populismo, que com ele traz a vertigem pelo acessório, pelo trivial, pelo mesquinho. Nos últimos dias, os jornais, os blogs e as redes sociais encheram-se de indignados comentários sobre o ministro que trocou a Vespa pelo Audi, o deslize freudiano de um deputado e uma pretensa "gaffe" da Presidente da AR. No entretanto, a União Europeia vive a maior crise da sua história e o euro está em colapso. Vamos empobrecer drasticamente, recuar ao PIB dos anos 80, ter taxas de juro brutais, um desemprego galopante e um clima económico irrespirável. Esqueçam as "imposições" da troika ou o "plano de austeridade" de Passos Coelho. O que aí vem, se vier, será pouco menos que um desastre épico.

 

Mas que importa tudo isso, se há ministros a usar carros de alta cilindrada e deputados a gozar de um fim-de-semana antecipado?

As canções do século (700)

por Pedro Correia, em 01.12.11

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