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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 31.12.11

Sporting - És a nossa fé. Não há melhor maneira de iniciar o ano.

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Delito breaking news

por Rui Rocha, em 31.12.11

 

Em declarações proferidas algumas horas antes de tomar posse, o ano 2012 afirmou que as medidas serão suas mas as dívidas são dos anos anteriores.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 31.12.11

«Como os pessimistas, hoje vou estar acordado até à meia-noite -- eles para terem a certeza que o ano velho foi mesmo embora, eu para ver o novo ano chegar. A 2011 arrumo-o com uma frase: foi um ano ímpar (comprove, faça o teste do algodão aritmético). Mais logo, vou brindar. Aí, uns dirão que o copo está meio vazio, outros, meio cheio -- e eu, optimista prático, com a esperança que os produtores de copos passem a fazer meios copos, dando plenitude à vida. Não vou brindar com Coca Cola mas aplaudo-lhe o espírito do seu anúncio natalício 'Razões para Acreditar'. Os pessimistas dizem que o anúncio é oportunista e eu digo que é só anúncio. Com este acrescento, lembra boas razões para acreditarmos.»

Ferreira Fernandes, no Diário de Notícias

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So I thought I'd learned my lesson
But I secretly expected
A choir at the shore
And confetti through the fall night air

I'll make a living telling people what they want to hear
It's not a killing, but it's enough to keep the cobwebs clear

Cause it's not a perfect plan
It's not a perfect plan
But it's the one we've got

It's not a perfect plan
But it's the one we've got

Cause I make a living telling people what they want to hear
But I tell ya, it's gonna be a champagne year

 

Letra de St. Vincent (Annie Erin Clark)

 

A sério: vai ser um ano fantástico! Bom 2012.

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2012

por José António Abreu, em 31.12.11
 
I've got a bad feeling and it's not going away
I've got a baaaaaad feeling (baad feeling)
I've got a baaaaaad feeling and it's not going awaaaaaaay!

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Fotografias tiradas por aí (22)

por José António Abreu, em 31.12.11

Porto.

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Apesar dos pesares

por Ana Vidal, em 31.12.11

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Mãos à obra

por Teresa Ribeiro, em 31.12.11

O melhor é ser pragmático, tirar as pedras do sapato, escolher uma nuvem e deitar mãos à obra. O Pessoa percebia disto. Sigamo-lo em 2012.

 

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo,
e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…"

Fernando Pessoa

Feliz Ano Novo

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Blogue da semana

por Pedro Correia, em 31.12.11

A Rita escreve bem, tem uma voz própria que não se confunde com qualquer outra e acaba de se transferir da Alemanha para Portugal, regressando com a inspiração de sempre. Merece destaque, como autora do nosso blogue da semana. Mesmo que de Boas Intenções esteja o inferno cheio.

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Tenham todos um ano jeitoso

por João Carvalho, em 31.12.11

 

De acordo com um velho calendário Maya de previsões, o ano que vai entrar não augura nada de bom. Porém, para mim, a civilização Maya é um logro. Maya é só uma cartomante e palpita-me que nem sequer adivinhou como garantir o seu próprio futuro sem ser a deitar cartas. Por isso, esqueçam as previsões e façam o seguinte: tentem que 2012 seja um ano mais ou menos jeitoso para todos. São os votos de felicidade que vos dirijo. A vossa sorte será a minha.

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Receita de Ano Novo

por Laura Ramos, em 31.12.11



Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
                                                                                           Carlos Drummond de Andrade
                                                                                    
"Jornal do Brasil", Dezembro/1997.

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 31.12.11

Parabéns ao Luís Melo. Pelas 50 mil visitas.

 

Tiago Barbosa Ribeiro, que já foi uma das vozes mais estimulantes da blogosfera, regressa com O Portugal Futuro.

 

Agradeço ao João Severino o imerecido destaque no Pau para toda a Obra.

 

(em actualização)

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As canções do século (730)

por Pedro Correia, em 31.12.11

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Dois pesos, duas medidas

por Pedro Correia, em 30.12.11

 

Concebo que um jornal tenha uma agenda política. Concebo que um jornal transforme as palavras em arma de arremesso ideológica. Concebo até que um jornal abdique esporadicamente do rigor da escrita em função de simpatias declaradas ou aversões indisfarçáveis. Mas entendo muito mal que o faça de forma tão ostensiva que possa levar alguns leitores a confundir esse preconceito com pura incompetência. Confesso: foi nesta hipótese que cheguei a pensar ao ler hoje as páginas 28 e 30 do Público, ambas pertencentes à secção Mundo, ambas redigidas sob critérios jornalísticos antagónicos.

Título da página 26: «Kim Jong-un, o 'Grande Sucessor', já é o líder supremo da Coreia do Norte». Destaque de entrada da peça: «No último dia de luto nacional por Kim Jong-il, o 'número dois' da hierarquia veio discursar perante milhares de pessoas para dizer que o país vai 'transformar o pesar em força'». Reparem nos vocábulos utilizados, todos com conotação positiva ou neutra: «líder»; «supremo»; «grande», «hierarquia»; «sucessor». A notícia refere-se à Coreia do Norte, a mais feroz tirania do planeta, onde segundo informações veiculadas por organismos internacionais credíveis pelo menos um quinto da população passa fome e cerca de 200 mil pessoas estão internadas em "campos de reeducação", privadas dos direitos fundamentais. A liberdade de expressão é inexistente neste país submetido desde a década de 40 ao totalitarismo comunista. De liberdade de imprensa nem vale a pena falar.

Ditadura? Claro que sim. Mas o termo é cuidadosamente evitado nesta página. Fica reservado para outra notícia, a que surge duas páginas adiante: «Mais 15 anos de prisão para o último ditador argentino». É uma peça curta, de apenas quatro parágrafos. Mas onde surgem três vezes as palavras «ditadura» ou «ditador». Nem faltam nela referências concretas a «crimes contra a humanidade», «tortura», «detenções» e «assassinatos» cometidos entre 1976 e 1983 na Argentina. Palavras que, por assinalável contraste, estão omitidas nos 12 parágrafos sobre a Coreia do Norte. Dois pesos, duas medidas: quem leia o longo texto sobre o "Grande Sucessor" fica apenas a saber que a Coreia do Norte "atravessa uma grave crise alimentar", eufemismo para evitar a palavra fome.

Um ditador devia ser sempre apelidado de ditador. Mas se for um ditador de esquerda é legítimo que receba um indulto jornalístico? Deixo a pergunta à consideração de quem quiser pronunciar-se. A resposta, para mim, é óbvia.

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A palavra paixão atravessou repentinamente o espírito de Jed, e viu-se de súbito dez anos antes, no seu último fim-de-semana com Olga. Estavam no terraço do château de Vault-de-Lugny, no domingo de Pentecostes. O terraço dava para o imenso parque cujas árvores eram agitadas por uma leve brisa. Caía a noite, a temperatura era de uma amenidade ideal. Olga parecia mergulhada na contemplação da sua mousse de lavagante, havia pelo menos um minuto que não dizia nada, quando ergueu a cabeça, o olhou de frente nos olhos e lhe perguntou:

– Saberás tu, no fundo, porque é que agradas às mulheres?

Ele mastigou uma resposta indistinta.

– Porque tu agradas às mulheres – insistiu Olga. – Suponho que já tiveste ocasião de o verificar. És o que se pode dizer bonito mas não é isso, a beleza é quase um pormenor. Não, é outra coisa…

– Diz-me qual.

– É muito simples: é porque tens um olhar intenso. Um olhar apaixonado. E é isso, acima de tudo, que as mulheres procuram. Se conseguem ler uma energia, uma paixão, no olhar de um homem, então acham-no sedutor.

Deixando-o a meditar sobre esta conclusão, bebeu um gole de Mersault, saboreou a sua entrada.

– Como é evidente… – disse um pouco mais tarde com uma leve tristeza –, quando essa paixão não se dirige a elas, mas a uma obra artística, elas são incapazes de dar por isso… enfim, ao princípio.

Dez anos mais tarde, ao encarar Houellebecq, Jed tomava consciência de que havia no olhar dele, também no dele, uma paixão, algo de alucinado até. Ele devia ter suscitado paixões amorosas, porventura violentas. Sim, considerando tudo o que sabia acerca das mulheres, parecia provável que algumas delas se tivessem tomado de amores por aquele destroço torturado que agora balançava à sua frente enquanto devorava fatias de pâté caseiro, que se tornara manifestamente indiferente a tudo o que podia parecer-se com uma relação amorosa, e provavelmente também a qualquer relação humana.

Michel Houellebecq, O Mapa e o Território.

Edição Objectiva (chancela Alfaguara), tradução de Pedro Tamen.

 

Jed Martin é artista plástico. Tem uma relação complicada com a caldeira do seu apartamento, janta uma vez por ano com o pai, um arquitecto que ganha muito dinheiro a fazer projectos de estâncias turísticas, ama uma mulher deslumbrante que também o ama mas, de forma quase passiva, evita o compromisso. Fica conhecido com uma série de trabalhos em que, segundo o crítico do Le Monde, adopta o ponto de vista de um Deus comparticipante, ao lado do homem, na (re)construção do mundo. Mais prosaicamente, trata-se de fotografias de mapas Michelin. Atinge a fama e a fortuna com duas séries de pinturas mostrando «profissões-tipo». Na «série dos ofícios simples», vêem-se artesãos, na das «composições de empresa», vultos como Bill Gates e Steve Jobs conversando em casa deste, ou Ferdinand Piëch visitando a fábrica da Bugatti. Para o catálogo da exposição sobre as profissões-tipo, Jed pede um texto ao famoso mas recluso escritor Michel Houellebecq. Depois ainda há um crime violento, um detective envelhecido e uma Europa que definha nas primeiras décadas do século XXI (Houellebecq é capaz de ser melhor a prever o futuro do que muitos economistas).

 

O Mapa e o Território é um Houellebecq com o desencanto de sempre, com referências à decadência do corpo, à incapacidade de manter relações afectivas prolongadas, à vacuidade que tomou de assalto a vida diária, ao primado do dinheiro e do show-off, mas mais suave, mais irónico do que obras anteriores. É um livro em que Houellebecq tira um prazer evidente de se inserir na trama e de se descrever com todos as idiossincrasias de que é acusado. É também um livro que não inclui uma única cena de sexo (sacrilégio, em especial quando Houellebecq tem livros em que pareceu defender ser o sexo o único acto que ainda tem significado) e em que a única menção explícita a sexo, remetendo para a Tailândia de Plataforma, é feita em registo nostálgico: No entanto, elas chupam sem preservativo, bem bom… – resmungou ainda vagamente, como se recordasse um sonho defunto, o autor de As Partículas Elementares. Poderia ser a confirmação de que a idade não perdoa (um tema tão caro a Houellebecq) mas é antes uma partida, uma maneira de fintar as expectativas do leitor. Sim, por incrível que pareça sou mesmo eu, o gajo que metia sexo em cada página, parece dizer-nos o francês, nesta passagem como de cada vez que, referindo-se a si mesmo, usa a formulação o autor de (disse o autor de As Partículas Elementares; perguntou o autor de La Poursuite du Bonheur; concordou o autor de Plataforma). É verdade: podíamos duvidar.

 

Mas talvez mais surpreendente do que a inexistência de sexo seja o facto de as personagens, ainda que por vezes ridículas, exsudarem calor humano. A mulher por quem Jed se apaixona, o pai com quem janta todos os Natais, num ritual parte obrigação parte prazer, o galerista que lhe expõe as obras, a especialista em marketing que lhas promove, o polícia que adia tanto quanto lhe é possível o momento de enfrentar o cadáver do assassinado, até a fauna que rodeia o mundo da arte e da comunicação social – todos são apresentados com uma ironia benigna substituindo o cinismo e a acidez frequentes no passado. De uma forma ou de outra, parece admitir Houellebecq, por tentarmos de mais ou por tentarmos de menos, somos todos ridículos – mas talvez não execráveis.

 

Como seria de esperar (nenhum bom escritor se apresentaria num livro sem garantir um mínimo de distanciamento irónico), ninguém surge mais ridículo do que Michel Houellebecq. Mas também ninguém suscita tanta empatia. (Já era tempo.) Até as raras passagens em que Houellebecq não resiste a usar os olhos de Jed Martin para nos dizer que existe – ou existiu – um ser de rara argúcia e sexualmente atraente por baixo do Houellebecq que nos apresenta, como a transcrita acima, confundindo ainda mais os planos entre Houellebecq-escritor e Houellebecq-personagem, acabam por ajudar a aproximá-lo do leitor. Percebemos a necessidade. É humana – e muito masculina, pormenor não despiciendo quando falamos do autor de obras como As Partículas Elementares e Plataforma.

 

Ao contrário do que sucede noutros livros, aqui também não existem grandes considerações sobre o ser humano, sobre as suas falhas e incapacidades, sobre o seu declínio biológico. Tudo isto está no livro, claro, que as obsessões de Houellebecq não desapareceram nem desaparecerão, mas encontram-se abordadas de um modo mais leve, mais resignado, como se Houellebecq tivesse decidido encolher os ombros, parar de pensar tanto (o verdadeiro problema do ser humano é, evidentemente, pensar) e dizer: se não me percebem quando sou directo e brutal, vão-se lixar; já me estou nas tintas e até aprendi a rir-me às vossas custas.

 

A verdade é que este novo distanciamento resulta. O livro é bom. Porém, causou um problema aos intelectuais franceses. Sem tiradas polémicas sobre o papel do sexo, a decadência humana ou a estupidez de certas religiões para criticar, tiveram de contentar-se em acusar Houellebecq de plagiar a página da Wikipedia sobre a mosca doméstica. Houellebecq admitiu imediatamente que sim senhor, retirara a informação da Wikipedia e passou a incluir no fim do livro um agradecimento a essa enciclopédia online (a edição portuguesa inclui-o). A intelligentsia gaulesa permaneceu tão perplexa que, na dúvida, depois de anos a zurzi-lo, lhe atribuiu o Goncourt.

 

(Adenda: Este post teve ontem uma espécie de primeira parte. Mas devo avisar que vale ainda menos o esforço – excepto para aqueles de vós que a sexo oral preferirem carneiros e porcos.)

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Réveillon 2011/2012

por Ana Vidal, em 30.12.11

 

Lá porque estamos em crise, não deixe de festejar a passagem de ano com todos os matadores. Aqui está a minha sugestão: uma receita de lagosta a la troika para o seu réveillon. À sua!

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Piano Bar

por Laura Ramos, em 30.12.11

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As estradas, as estradas.

por Luís M. Jorge, em 30.12.11

Ana, entendamo-nos. Para alguém que — como eu — nem sequer tem carta de condução, o que se passa nas estradas portuguesas é um genocídio. Pior que isso, é uma orgia de parolos montados em altas cilindradas, psicopatas do tuning e espectadores da TVI.  

 

Só que não é isso que estou a discutir. O que estou a discutir é se um responsável de uma força policial pode invocar a falta de cooperação dos mortos para sacudir a água do capote quando o confrontam com os resultados de uma acção que é e deve ser avaliada por nós. Na minha opinião, não pode. E já devia estar no olho da rua. 

 

Repito, aliás, o que escrevi no post anterior: muitas das vítimas não são os maus condutores. Muitas das vítimas são apenas isso: vítimas, que tiveram o azar de levar com um bêbado em cima. Sugerir que a culpa é delas talvez não seja a melhor maneira de respeitarmos os mortos ou de resolvermos os problemas da sinistralidade. 

 

Mas permitir que um incompetente qualquer de uma instituição pública encarregada de manter a ordem se safe com esta aisance de nos explicar onde falhou é um convite para que nunca mais alguém seja responsável pelo que quer que seja neste país. 

 

O Estado tenta? Pelos vistos tenta pouco.

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Em conversa directa

por Ana Margarida Craveiro, em 30.12.11

Luís, o Estado faz dezenas (centenas?) de operações de sensibilização. Construiu estradas novas, mais seguras, para minimizar os efeitos que não resultam das acções individuais. Gasta dinheiro dos contribuintes em campanhas de prevenção, para que esses mesmos contribuintes aprendam a ser responsáveis. Em cada fim-de-semana, desloca centenas ou milhares de agentes para as estradas, a patrulhar, a fazer a tal "caça à multa", para que os inocentes como tu e eu não sofram as consequências das acções dos outros. Se podia fazer mais? Não sei. Se cada condutor podia fazer mais? Com toda a certeza. É só isso. E não me parece assim tão descabido. Nas primeiras aulas de condução que tive, o instrutor disse-me que tinha uma bomba nas mãos. Uma bomba que me matava a mim, e aos outros. Infelizmente, raramente vejo essa consciência à minha volta.

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O que ando a ler (18)

por Ana Sofia Couto, em 30.12.11

 

Cruzámo-nos muitas vezes nas livrarias antes de eu o levar comigo. Houve razões para tanta hesitação. Não sei se foi uma embirração com o título, a influência de um professor que eu admiro e que não tinha grande simpatia pelo livro ou, simplesmente, por causa das minhas dúvidas a respeito de um medicamento filosófico (uma expressão que é toda uma teoria). Mesmo assim, decidi dar-lhe uma oportunidade e comecei a ler, há poucos dias, Mais Platão, Menos Prozac!, de Lou Marinoff. O livro tem como ponto de partida a ideia de que é possível encontrar nos filósofos (e em alguns romancistas) um conjunto de preceitos que nos orientem e nos ajudem a tomar decisões. Nas primeiras páginas, percebemos que o método proposto pretende roubar clientes à psicologia e à psiquiatria. Os problemas de realização pessoal podem ser – é uma ideia reiterada – resolvidos com a ajuda dos grandes filósofos. Assim, no capítulo “Utilidade dos Estudos de Filosofia”, encontramos uma síntese das principais teses de filosofia moral que surgiram no pensamento ocidental, apesar de o “Oriente” também merecer uns parágrafos. Depois desta síntese, o autor passa à demonstração da aplicação do método. Nos dois primeiros casos (foi o que li até agora), o aconselhamento visa o autoconhecimento e a formulação de soluções através da leitura, mais ou menos orientada, de frases dos grandes pensadores. Fica, no entanto, e para desilusão de quem criou algumas expectativas na primeira parte, a ideia de que a resolução dos problemas depende da utilização de uma espécie de fórmula encontrada nas leituras sugeridas. Ou seja, apesar de afirmar a importância da meditação e sublinhar que a abordagem filosófica dos problemas traz consigo a responsabilidade pessoal, o autor explica a evolução dos vários casos de estudo descrevendo de forma muito pobre o modo como cada pessoa foi capaz de relacionar o pensamento de outros com a sua vida. Ler e perceber que não é assim tão fácil.     

 

E tu, Ana Vidal, o que tens andado a ler?

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