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Frases de 2011 (62)

por Rui Rocha, em 02.10.11

"O meu lema é pôr as pessoas felizes".

Alberto João Jardim

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Se não beber... (27)

por João Carvalho, em 02.10.11

... tente conduzir.

Aforismos nocturnos

por José Gomes André, em 02.10.11

Se há coisa de que tenho pena é o cinismo que traz a idade. Tenho saudades do tempo em que acreditava que tudo era possível, que podia mudar o mundo, que não havia limites para o meu engenho e perseverança. Ganha-se em maturidade o que se perde em sonho.

Hoje no CCB, depois na Casa da Música no Porto

por Patrícia Reis, em 02.10.11

As canções do século (640)

por Pedro Correia, em 02.10.11

Manual de sobrevivência

por Ivone Mendes da Silva, em 01.10.11

Por razões que não vêm agora ao caso, estive, durante a tarde, a braços com a tragédia Alceste de Eurípides. Apresentada nas nas Dionísias Urbanas de 438 a.C., o seu plot é conhecido: por determinação dos deuses, o rei Admeto só poderá evitar a morte iminente se alguém se sacrificar em seu nome. Os pais, conquanto sejam idosos, recusam-se a abreviar o tempo de vida que lhes resta e só a mulher, Alceste, se dispõe a substituí-lo na morte. Héracles, a caminho do seu 8º trabalho, é recebido por Admeto apesar do luto em que o palácio mergulhara. Para recompensar o rei pela obediência às leis da hospitalidade num momento tão difícil, traz Alceste da morte para o amor.

Este  happy end talvez não seja o mais comum na tragédia, mas as outras características estão lá todas. Platão olhou para a figura de Alceste apenas de uma perspectiva que confere ao sentimento amoroso a força motriz do gesto da rainha: “Os numes honraram nela a virtude máxima do amor.” Não é só o amor mas o carácter que impulsiona Alceste para a abnegação total. Uma capacidade de sacrifício que persiste sem assentar a mira num qualquer retorno. Quando lhe dizem que, por tal gesto, será sempre recordada e honrada, Alceste  responde :  οί θάνοντες τεθνήκασι  “Os mortos, mortos estão.”

Uma frase lapidar que é um manancial para os estudantes de Clássicas aprenderem as subtis diferenças entre o aoristo o pretérito perfeito gregos e que nos traz a pétrea serenidade determinada de que sabe o que quer e o quer fazer.

Shakespeare esteve mais próximo da ideia de sacrifício, quando colocou na voz do velho rei Lear estes versos, sem dúvida inspirados na rainha de Feras: “Upon such sacrifices, my Cordelia, / The Gods themselves trown incense.”

Para além de um binómio caro aos antigos, Amor/Morte, parece-me clara a lição euripidiana de que todo sacrifício ou abnegado gesto tem um efeito boomerang, ainda que não seja imediato, ainda que não seja da esfera do claramente visível.

Os gregos, os antigos, sabiam muito. Como muito sabiam os poetas, os pintores, os escritores, os cineastas, os artistas que os seguiram. Na sua crónica de hoje n’ O Expresso, o Manuel S. Fonseca diz-nos que “ quando (…) nada for como dantes (…) há-de acordar-nos na boca o sabor de um filme antigo. Vai saber bem. Será que nos salva?”

Creio que sim: o filme antigo, o livro muito lido, o poema repetido, a tragédia grega ou o quadro na parede do museu hão-de ser também, como diz o Pedro Correia num post aí abaixo “uma chave para decifrar o mundo”.

A nossa Patrícia, no seu livro Por este mundo acima, coloca, como único sobrevivente no cenário de uma Lisboa pós-apocalíptica, um editor de livros. Se entre os antigos se sabia como atravessar o coração das trevas, é bom que nunca se esqueça onde é que isso se escreveu e se voltou a escrever, qualquer que seja a linguagem utilizada.

Hoje, fartei-me de fazer citações. Ainda bem: eu também acho que são os outros que nos salvam.

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Lisboa antiga (19)

por Pedro Correia, em 01.10.11

 

JARDIM DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA

 «Tinham entrado em S. Pedro de Alcântara; um ar doce circulava entre as árvores mais verdes; o chão compacto, sem pó, tinha ainda uma ligeira humidade; e apesar do sol vivo, o céu azul parecia leve e muito remoto.»

Eça de Queiroz, O Primo Basílio

 Foto: blogue Prosimetron 

Matar terroristas.

YESSS!!! My Woody is back (2)

por Ana Vidal, em 01.10.11

Midnight in Paris - a origem

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Fotografias tiradas por aí (9)

por José António Abreu, em 01.10.11

Porto.

 

A polémica instalou-se no Brasil. Gisele Bündchen deu o corpo a uma campanha em que promove os novos modelos de roupa interior da Hope. O anúncio televisivo despertou a atenção de Iriny Lopes, Ministra das políticas públicas do governo de Dilma Rousseff. Ao que parece, o que irrita a brigada do politicamente correcto é a mensagem que acompanha o anúncio: quando uma mulher quer dar uma má notícia ao marido ou companheiro, deve fazê-lo vestindo lingerie para alcançar mais facilmente a absolvição. Iriny alega ter recebido muitas queixas que consideram o anúncio ofensivo para as mulheres e que o problema é o machismo implícito nos anúncios: a mulher seria ali retratada como um instrumento. Ora, parece-me tal visão uma acabada tontice. A campanha televisiva é de facto profundamente ofensiva e discriminatória. Mas, para os homens. Vejamos. Na hipótese de uma companheira destemperada rebentar o cartão de crédito na compra de produtos supérfluos, qual será o homem que desculpará a delapidação do património comum pelo simples facto de esta lho dizer em lingerie? Um parvalhão acabado, está bom de ver. Na verdade, o que a campanha retrata é o estereótipo do homem infantilizado, atoleimado e instrumentalizável, incapaz de agir racionalmente na presença de uma companheira em cuecas e soutien. E isso é uma agressão para os do meu género que não posso aceitar calado. Muitos outros se juntarão ao meu protesto. I Hope.

Leituras

por Ana Vidal, em 01.10.11

O MACACO QUE QUIS SER ESCRITOR SATÍRICO

 

Na Selva vivia uma vez um Macaco que quis ser escritor satírico.
Estudou muito, mas logo se deu conta de que para ser escritor satírico lhe faltava conhecer as pessoas e se aplicou em visitar todo mundo e ir a todos os coquetéis e observá-las com o rabo do olho enquanto estavam distraídas com o copo na mão.
Como era verdadeiramente muito gracioso e as suas piruetas ágeis divertiam os outros animais, era bem recebido em toda parte e aperfeiçoou a arte de ser ainda mais bem recebido.
Não havia quem não se encantasse com sua conversa, e quando chegava era recebido com alegria tanto pelas Macacas como pelos esposos das Macacas e pelos outros habitantes da Selva, diante dos quais, por mais contrários que fossem a ele em política internacional, nacional ou municipal, se mostrava invariavelmente compreensivo; sempre, claro, com o intuito de investigar a fundo a natureza humana e poder retratá-la em suas sátiras.
E assim chegou o momento em que entre os animais ele era o mais profundo conhecedor da natureza humana, da qual não lhe escapava nada.
Então, um dia disse vou escrever contra os ladrões, e se fixou na Gralha, e começou a escrever com entusiasmo e gozava e ria e se encarapitava de prazer nas árvores pelas coisas que lhe ocorriam a respeito da Gralha; porém de repente refletiu que entre os animais de sociedade que o recebiam havia muitas Gralhas e especialmente uma, e que iam se ver retratadas na sua sátira, por mais delicada que a escrevesse, e desistiu de fazê-lo.
Depois quis escrever sobre os oportunistas, e pôs o olho na Serpente, a qual por diferentes meios — auxiliares na verdade de sua arte adulatória — conseguia sempre conservar, ou substituir, por melhores, os cargos que ocupava; mas várias Serpentes amigas suas, e especialmente uma, se sentiriam aludidas, e desistiu de fazê-lo.
Depois resolveu satirizar os trabalhadores compulsivos e se deteve na Abelha, que trabalhava estupidamente sem saber para que nem para quem; porém com medo de que suas amigas dessa espécie, e especialmente uma, se ofendessem, terminou comparando-a favoravelmente com a Cigarra, que egoísta não fazia mais do que cantar bancando a poeta, e desistiu de fazê-lo.
Finalmente elaborou uma lista completa das debilidades e defeitos humanos e não encontrou contra quem dirigir suas baterias, pois tudo estava nos amigos que sentavam à sua mesa e nele próprio.
Nesse momento renunciou a ser escritor satírico e começou a se inclinar pela Mística e pelo Amor e coisas assim; porém a partir daí, e já se sabe como são as pessoas, todos disseram que ele tinha ficado maluco e já não o recebiam tão bem nem com tanto prazer.

 

Augusto Monterroso, in “A ovelha negra e outras fábulas” - Tradução de Millôr Fernandes

 

(Roubado à minha amiga Meg)

Passado presente (CCCXXXV)

por Pedro Correia, em 01.10.11

 

Cerveja Skol

Livro Agualusa, apresentação de ontem

por Patrícia Reis, em 01.10.11
A educação sentimental dos pássaros, contos sobre anjos, demónios e outras pessoas quase normais.
Já li e reli estes onze contos. Na minha opinião há uma ligação entre eles, ténue, como um fio invisível e quase divino. As personagens são de uma construção forte e nada próxima do banal. Não há banalidade na literatura de Agualusa.
Estes contos reflectem interrogações, efabulações e cenários onde ......se coloca e nos coloca de forma admirável. Dirão que um livro de contos não é um romance. É certo. Um conto é uma bênção e extremamente complexo de redigir e levar a bom porto. José Eduardo Agualusa podia ser um escritor de um fôlego imenso, focado nos romances, mas não é: as suas histórias, estes contos e outros são também uma parte significativa da sua obra. Revelam a sua força enquanto escritor, o seu trabalho de linguagem e preocupação na eficácia do que quer transmitir. Sei que escreve e reescreve e nunca fica satisfeito. Geralmente, digo-lhe que é bom sinal, porque se acha que consegue fazer melhor, que alegria para um leitor que o acompanha.
José Eduardo Agualusa não é apenas de um colega de editora, mas sim de um amigo. E um amigo é também um anjo que no salva, alguém que pode atiçar os nossos demónios e que certamente nos coloca no sítio certo se considerarmos uma potencial normalidade de comportamento. Somos todos múltiplos, como Pessoa cristalizou nos seus heterónimos, ele que também escreveu, no Livro do Desassossego, uma educação sentimental. Uma educação sentimental, essa, inspirada porventura em Flaubert. Não se podem comparar, são educações distintas e, para mais, esta é a educação sentimental dos pássaros. Seres frágeis que nos tomam nas suas asas e percorrem os sonhos.
Não é a primeira vez que oiço José Eduardo Agualusa dizer que um livro lhe chegou num sonho. Há anos que o oiço dizer isso. Personagens que o invadem, personagens da História da Humanidade, africana, americana, brasileira, portuguesa, personagens que trazem o seu cunho e uma certa ideia que não pode ser simplificada através do rótulo: realismo mágico.
Em Agualusa a dimensão do sonho e da magia é grande, reconheço, mas é igualmente verdade que mantém um pé na realidade que vive, no mundo que o rodeia. É um observador, um larápio da realidade, um curioso constante, capaz do riso e da compreensão como poucos.
Digo – talvez em demasia – que somos um povo que não é educado para festejar o sucesso do outro. O José Eduardo festeja. Tem orgulho nos amigos escritores, artistas, realizadores, escultores, qualquer alma que se lhe atravesse e cujo trabalho o toque, mexa com as suas ideias e fragilidades. Ao contrário da maioria, este autor busca anjos em todos e considera os demónios uma parte da condição humana. O resto? A normalidade? Para Agualusa a normalidade é um gesto diário que pode ser ou não coerente. Não somos as mesmas pessoas todos os dias.
O seu percurso literário está repleto de críticas, prémios, nomeações de alto louvor. Devo dizer que se festejo tudo isso, esse carinho do público ou da critica, o que me importa é o momento em que Agualusa partilha o seu original e pede uma opinião sem punhos de renda. E, nesse momento, os anjos param, os demónios desaparecem e a normalidade cinge-se a verificar como a escrita pode evoluir, salvar, modificar ou ficar debaixo da nossa pele. Como neste conto: o quarto anjo, da página 83 (comprem o livro e leiam, sff)

Retratos de um país angustiado...

por João Carvalho, em 01.10.11

 

 

 

... que não pode deitar fora o seu lixo e nem sabe dizer que não pode.

Não têm pão, bebam café

por Rui Rocha, em 01.10.11

 

Os sucessivos buracos nas contas públicas, o apertão orçamental que aí vem e o contexto internacional pouco favorável, traçam um quadro negro para os próximos anos. Há tempos, António José Seguro perguntava, a propósito da situação da Madeira, quem paga a irresponsabilidade? É uma pergunta pertinente que, todavia, deve ser feita com âmbito mais geral: quem paga anos e anos de gestão vergonhosa do país e das contas públicas? Na verdade, trata-se de uma questão retórica. Já sabemos que quem paga somos nós. Os do costume. Se tivermos em conta que a partir de hoje a electricidade passa a ter IVA a 23%, penso que é razoável dizer que estamos a apagão e água. Para pão, já não deve haver. Enfim, com um bocado de sorte, há-de sobrar qualquer coisa para um ou outro café.

As canções do século (639)

por Pedro Correia, em 01.10.11

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