Comissão de Serviço XVI
A ALTA
Contra o stress de guerra tínhamos as nossas receitas.
Uma madrugada desviámos um jipe do parque auto militar, passámos pela manutenção, pedimos ao sentinela para assobiar para o lado, levámos a comida que pudemos e rumámos para a Ilha de Moçambique. A ideia inicial era irmos caçar felinos, mas alguém com mais bom senso aconselhou esta.
Já no destino, depois de uns banhos de mar, uma visita à mesquita e outra ao forte, pôs-se a questão onde dormir. Um dos nossos sugeriu o hospital militar.
[Não tínhamos dinheiro ou tínhamos 20 anos, qualquer das desculpas serve.]
Entrámos, de noite e num respeitoso silêncio, escolhemos a enfermaria com mais camas disponíveis e dispersámo-nos por elas, entre camaradas operados e outros à espera. Mas o calor e a fome traíram-nos.
Estávamos nós, na cozinha, às três da manhã, a assar um belo chouriço e a abrir umas cervejas, quando um major médico entrou inesperadamente, e, depois de uma curta entrevista a cada um, deu-nos alta:
- “Todos fora do hospital, JÁ!”
(Notinhas de uma guerra engolida)










