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Lisboa antiga (18)

por Pedro Correia, em 30.09.11

 

ATERRO DA BOAVISTA (actual Avenida 24 de Julho)

«E então por esse longo Aterro, triste no ar escuro, com as luzes do gás dormente luzindo em fila de enterro, Alencar foi falando desses "grandes tempos" da sua mocidade e da mocidade de Pedro; e, através das suas frases de lírico, Carlos sentia vir como um aroma antiquado desse mundo defunto...»

Eça de Queiroz, Os Maias

Foto: blogue Ruas de Lisboa com Alguma História

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Isto sim, é importante

por Ana Margarida Craveiro, em 30.09.11

 

Idris Elba wants licence to thrill as cinema's next James Bond 

 

Por cá, estamos plenamente a favor. 

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George também quer isaltinar?

por João Carvalho, em 30.09.11

Chama-se George Wright, costumava aparecer pela Praia das Maçãs e já toda a gente sabe quem é. Preso ao fim de 40 anos de buscas, não quer ser extraditado para os EUA: prefere ser julgado, condenado e preso em Portugal. Porquê? Vá lá saber-se. Cá para mim, ele tem esperança de poder isaltinar. Ou vale-azevedar, ou algo do género.

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Piano Bar

por Laura Ramos, em 30.09.11

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Liga dos Impunes (resultados ao intervalo)

por Rui Rocha, em 30.09.11

 

Isaltino Morais 1 x Armando Vara 0.

Armando Vara 0 x Dias Loureiro 0.

Dias Loureiro 0 x Fátima Felgueiras 0.

Fátima Felgueiras 0 x Isaltino Morais 1.

Armando Vara 0 x  Fátima Felgueiras 0.

Isaltino Morais 1 x Dias Loureiro 0.

 

Isaltino Morais segue isolado na liderança com 1 dia de choldra já cumprido.

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O desacordo ortográfico

por Luís Menezes Leitão, em 30.09.11

 

Não resisto a entrar nesta polémica. Quando o acordo ortográfico foi assinado, estava previsto que só deveria entrar em vigor quando fosse ratificado por todos os Estados de língua oficial portuguesa. Quando se percebeu que isso não iria acontecer, decidiram os Estados que o ratificaram passar a aplicá-lo após três ratificações: as de Portugal, do Brasil e de Cabo Verde. Em consequência os outros países que falam português continuarão a escrever à moda antiga e a ortografia da língua portuguesa variará totalmente de país para país. Era difícil conceber disparate maior, que conseguisse causar mais dano ao papel da língua portuguesa no mundo.

 

Ao pretender erigir a pronúncia das palavras em critério decisivo, o acordo ortográfico esquece as raízes das palavras e as conexões entre elas, contribuindo para um enorme empobrecimento da nossa língua, para além de estimular a confusão entre palavras distintas. Para além disso, pretendendo seguir a pronúncia, adopta muitas vezes uma ortografia que com ela nada tem a ver.

 

Vejamos em primeiro lugar, a confusão entre palavras distintas. Assim, se "concepção" passar a "conceção", como a distinguimos de "concessão", acto de conceder? Se "recepção" passar a "receção", como distingui-la de "recessão", como a que atravessamos? E há casos de completa indistinção entre palavras diferentes. Um exemplo é "retractar" que, se passar a "retratar", passa a confundir-se com "tirar o retrato". Também "espectador", se passar a "espetador" pode confundir-se com "aquele que espeta".

 

Falemos, em segundo lugar, da perda de ligações entre as palavras: os habitantes do novo "Egito" continuam a ser os "egípcios", não tendo passado a ser os "egitenses".

 

Aponte-se, em terceiro lugar, o esquecimento das raízes das palavras. Muitas vezes na língua portuguesa existem versões erudita e popular da mesma expressão, como "ruptura", a partir do latim "ruptus", e "rotura", a partir do português "roto". Agora inventou-se uma terceira variante: a "rutura". Mas "ruto" não existe em português.

 

E finalmente, estabelece-se por vezes uma ortografia totalmente deslocada da pronúncia: "vêem" passa a "veem", "crêem" a "creem". Esta ortografia terá alguma coisa a ver com a pronúncia destas palavras em português?

 

Claro que os defensores do acordo ortográfico virão argumentar que também deixámos de escrever "pharmácia" e "philosophia". A meu ver, mal. O "ph" permitia descobrir imediatamente a origem grega dessas palavras. Cabe perguntar como é que o inglês conseguiu triunfar no mundo se continua a escrever "pharmacy" e "philosophy"?

 

Se Portugal quer de facto unificar a sua ortografia com o Brasil, diferenciando-se da escrita dos outros países de língua portuguesa, tem uma boa solução: adopte integralmente a norma brasileira. Este disparate é que não faz sentido nenhum.

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Placas giratórias centrais

por Rui Rocha, em 30.09.11

 

A forma como os portugueses conduzem em rotundas é a prova evidente de que alguns problemas do país são insolúveis. E não é por falta de oportunidades. O que mais há por aí  são rotundas para podermos treinar.

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O genocida que gostava de ler

por Pedro Correia, em 30.09.11

É mais apaziguador pensarmos em Adolf Hitler como um demente, virtualmente iletrado: duas doses de extremo fanatismo misturadas com uma dose de loucura produziram o mais repugnante ditador de todos os tempos. Mas alguns estudos históricos rigorosos e muito bem documentados têm desfeito aquela imagem demasiado esquemática do líder nazi -- o que acaba por ser ainda mais arrepiante. Hitler era um leitor compulsivo, possuía uma enorme biblioteca privada, com cerca de seis mil obras espalhadas por três residências (Berlim, Munique e Obersalzberg), segundo revelava já em 1935 uma reportagem assinada por Janet Flanner na New Yorker. Anos depois, o correspondente da United Press International na capital alemã, Frederick Oechsner, avaliava em 16.300 o número de volumes da colecção particular do Führer.

São inúmeros os testemunhos sobre os hábitos de leitura do líder nacional-socialista -- desde os tempos em que combatia como cabo nas trincheiras da I Guerra Mundial até aos dias finais de Abril de 1945, no bunker da chancelaria de Berlim, com a cidade já invadida pelos blindados soviéticos. Costumava ler com um lápis na mão e fazia frequentes anotações nas margens. Quase como se dialogasse com o autor.

Nenhum investigador foi tão longe nesta matéria como Timothy W. Ryback, colaborador habitual da Atlantic Monthly, da New Yorker, do Wall Street Journal e do New York Times, que analisou minuciosamente os 1224 livros remanescentes do ditador -- "que constituem, no máximo, 10% da sua colecção particular" -- hoje depositados na secção de livros raros da Biblioteca do Congresso, em Washington, e na Universidade de Brown, Providence (estado de Rhode Island). Perdidos talvez para sempre, no saque que se seguiu à tomada do bunker hitleriano em 2 de Maio de 1945, estão os cerca de 80 volumes que acompanharam o tirano até ao fim. Um deles -- presume-se -- seria a versão alemã, condensada, da vasta biografia de Frederico o Grande escrita pelo historiador britânico Thomas Carlyle que lhe fora oferecida semanas antes por Joseph Goebbels.

 

Hitler devorava biografias: Júlio César e Napoleão eram duas das personalidades que o fascinavam. E tinha também especial predilecção por obras relacionadas com arte, sobretudo arquitectura. Mas era igualmente um leitor voraz dos dramas de William Shakespeare, conhecia o Quixote e não escondia o fascínio por pensadores germânicos como Kant, Fichte, Schopenhauer e Nietzsche. O "triunfo da vontade" foi um dos conceitos nietzschianos que incorporava sistematicamente nos seus discursos.

Nada mais perturbante do que um genocida que gostava de livros -- embora tivesse também mandado queimar muitos na praça pública, incluindo obras de Freud, Brecht, Erich Maria Remarque, Thomas Mann e Stefan Zweig. Na sua biblioteca caseira havia de tudo um pouco -- exoterismo, religião, astrologia, volumes inócuos de auto-ajuda, As Viagens de Gulliver, livros sobre campanhas militares, panfletos de promoção da cozinha vegetariana e a mais execrável propaganda nazi. Também lá figuravam, em destaque, títulos como Peer Gynt, de Ibsen, e Feuer und Blut, de Ernst Jünger, e muitos policiais, incluindo a obra completa de Edgar Wallace. Além, naturalmente, do eterno Príncipe, de Maquiavel, e Da Guerra, de Clausewitz. "Era a biblioteca de um diletante", assinala Ryback. Mas uma biblioteca praticamente apenas omissa em poesia.

 

"Tiro o que preciso dos livros", gostava de afirmar Hitler. Uma das secretárias que o acompanharam até ao fim, Traudl Junge, conservava em 2001 a memória dos dias crepusculares no bunker, com o autor de Mein Kampf "sentado na sua poltrona, munidos dos seus óculos, a ler um livro" enquanto o regime totalitário se fragmentava em escombros.

O arrebatado leitor de Fichte e Nietzsche prometera que o III Reich duraria mil anos: bastaram 12 para este reino de terror chegar ao fim. Ignoramos se o Führer alguma vez chegou a ler Ricardo III. Mas entre as ruínas do seu regime poderia dizer como este rei imortalizado por Shakespeare: "Lançar-me-ei com negro desespero contra a minha alma e acabarei convertido em inimigo de mim mesmo."

 
A Biblioteca Privada de Hitler. Autor: Timothy W. Ryback. Civilização Editora, Porto, 2011.
Classificação: ****

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O Ministro Nuno Crato tem uma paixão pela matemática. Pois bem, vou dar-lhe alguns números: 349712xxxx; 743578xxxx; 161263xxxx; 408926xxxx. Números são, como quaisquer outros. A diferença é que estes têm dramas lá dentro. O primeiro designa o Ricardo, o segundo a Laura, o terceiro a Joana e o quarto o Paulo. Os números são os que lhe foram atribuídos nos concursos de contratação de professores para necessidades temporárias. O Ricardo deu aulas durante mais de dez anos com contratos precários. Se trabalhasse no sector privado, a empresa que o mantivesse nessa situação já teria sido obrigada a integrá-lo nos quadros. No Estado não é assim. Agora, está desempregado. A Laura deu aulas até 31 de Agosto. Não ficou ainda colocada porque alguns horários anuais foram classificados como temporários. Por isso, colegas com graduação inferior passaram-lhe à frente. Agora está desempregada. A Joana também deu aulas até 31 de Agosto. Ainda não ficou colocada porque a sua graduação não é grande coisa. A lei diz que tem direito a uma indemnização pela caducidade do contrato anterior. O Estado recusa-se a pagar-lhe as importâncias devidas. Agora está desempregada. E faz-lhe falta esse dinheiro. O Paulo concorreu a uma oferta de escola. Poderia ter sido em Almancil, mas foi um pouco mais ao lado. O problema, todavia, foi o mesmo. Critério de concurso martelado para favorecer alguém que, por acaso, era a única pessoa que poderia cumprir as condições exigidas. O Paulo, entretanto, continua desempregado. O Ricardo, a Laura, a Joana e o Ricardo têm famílias, sonhos, defeitos, depressões, angústias, amores, amigos, alegrias e solidão. Podia dar a Nuno Crato mais trinta e tal mil números com pessoas lá dentro que se encontram em situação idêntica. Dir-me-ão que nada do que refiro é novo. Que já acontecia em anos anteriores. E é provável que seja verdade. Todavia, alguma coisa mudou. Os horários disponíveis foram objecto de uma redução significativa. Nos últimos anos, todas as disfunções do sistema estavam esbatidas. Se o Paulo não conseguisse um horário em Quarteira, havia de ter mais sorte em Albufeira, uns dias depois. Agora não é assim. Quem não fica hoje, pode nunca mais ficar colocado. E a falta de esperança é a véspera da revolta. Não se pede a Nuno Crato que contrate um único professor que não se revele necessário. Mas, exige-se-lhe que, nas actuais circunstâncias, seja implacável no combate às perversões do sistema. As que referi ali mais acima e as outras que por aí andam. Que veja os números e as pessoas lá dentro. Que assegure aos números o rigor.  E às pessoas o tratamento digno e justo que merecem.

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A Game of Thrones

por João Campos, em 30.09.11

Quem ainda não ouviu falar de A Game of Thrones, do norte-americano George R.R. Martin, irá certamente ouvir em breve, quando a adaptação do romance para série televisiva da HBO estrear por cá em Outubro, no Sy-Fy. Uma excelente adaptação, aliás, como a HBO já nos habituou. Mas deixemos a adaptação para outro dia, e falemos dos livros hoje.

 

A Game of Thrones (na tradução portuguesa, A Guerra dos Tronos), publicado em 1996, é a primeira parte da série A Song of Ice and Fire, que já conta com cinco livros publicados: A Clash of Kings (1998), A Storm of Swords (2000), A Feast For Crows (2005) e A Dance With Dragons (2011). Mais dois estão previstos, The Winds of Winter e A Dream of Spring, apesar de ser impossível fazer qualquer previsão sobre a conclusão e publicação das duas últimas sequelas. Dentro da literatura de fantasia, há muito quem considere A Song of Ice and Fire a melhor série do género desde que Bilbo encontrou o Anel e Frodo teve de resolver o problema. Talvez não seja a melhor série literária do género deste Tolkien - o britânico Philip Pullman, com a trilogia His Dark Materials, é sempre um sério candidato ao segundo lugar -, mas não fica longe, e conseguiu refrescar um género que, ao longo dos anos, usou e abusou das ideias do velho professor inglês. 

 

A verdade é que A Game of Thrones aproxima-se muito mais da nossa História medieval do que das narrativas de fantasia convencionais. George Martin assume ter retirado bastantes ideias de episódios históricos como a Guerra das Rosas, entre outros. Os elementos do fantástico estão presentes, e tornam-se cada vez mais relevantes à medida que a série avança, mas a intriga e os conflitos entre as várias casas nobres e facções políticas e militares do mundo ficcional dos Sete Reinos de Westeros constituem o verdadeiro motor de toda a história, à medida que os apoiantes das grandes casas Stark, Baratheon, Arryn, Tully, Lannister, Tyrell e Martell (e outros, tantos outros), sem esquecer os despojados herdeiros dos Targaryens, se embrenham nas malhas da intriga da capital do reino. E, acrescente-se de passagem, que intriga!

 

A estrutura narrativa é outro dos pontos fortes de A Game of Thrones, com a estrutura por capítulos a abdicar dos narradores de primeira ou terceira pessoa convencionais. Cada capítulo do livro tem como título o nome de uma personagem, e é narrado de acordo com o ponto de vista dessa personagem. Esta estrutura pode parecer estranha ao início, mas revela-se surpreendentemente dinâmica à medida que a história progride, dando protagonismo a vários personagens em localizações distantes. Sem esquecer, claro, que diferentes personagens encaram as situações de formas distintas, e também isso é visível ao longo da narrativa. 

 

Em resumo, A Game of Thrones (e o resto da série) é uma leitura cativante, que certamente não decepcionará quem gostar de uma boa história muito bem contada. Deixo contudo o aviso: George Martin parece retirar particular satisfação de quebrar convenções, e a noção de "plot armor" é praticamente inexistente na sua obra. Dito de outra forma, e em jeito de advertência a potenciais leitores: não se afeiçoem demasiado às personagens, mesmo que (aparentemente) elas sejam protagonistas. É bastante provável que venham a ter alguns dissabores (que, na minha opinião, só melhoram a leitura). 

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Como é difícil isaltinar

por João Carvalho, em 30.09.11

Oito anos depois, o homem foi dentro. Mas não quer dizer que tenha ido mesmo dentro. Ultrapassada mais esta fase de incidentes processuais levantados e eventuais irregularidades a conferir, o homem pode ter ido dentro apenas para uma charutada e já volta.

Um companheiro de lides do homem já declarou a Oeiras, à Nação e à Justiça qualquer coisa a que a RTP deu voz e que se resume assim: o homem foi dentro, mas não tinha de ir; afinal, há tanta gente por aí que devia ir dentro e nunca foi; basta ver o caso da Madeira, por exemplo. Ou seja (dito de outro modo): antes de serem multados todos os outros condutores mal estacionados, ninguém tem de ser multado por estacionar mal o carro.

Enfim: a nossa Justiça não tem apenas de começar a ser mais justa, a evitar ter dois pesos e duas medidas, a ser mais célere e a aprender a funcionar sem gerar muitos incidentes. Não. A nossa Justiça também tem de saber que, depois de um certo tempo, é preciso e urgente deixar uma pessoa isaltinar sem mais delongas.

Ao fim de oito anos, vá lá, é justo permitir que um homem isaltine de vez, sem continuar ainda sujeito à instabilidade de ser posto dentro e voltar a sair. Alimentar tamanha intranquilidade num homem que anda há oito anos a dizer que está de consciência tranquila só prova como é difícil isaltinar em Portugal.

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Cinquenta bordoadas na língua de Camões (24)

por Leonor Barros, em 30.09.11

Esatamente

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 30.09.11

 

Catherine Deneuve

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Monotonia? Qual monotonia?

por Ana Vidal, em 30.09.11

 

Quem disse que Portugal é um país onde nada acontece? Na mesma semana, fico a saber estas duas notícias emocionantes:

 

1. Que tem sido praticamente meu vizinho, há anos, um perigoso assassino evadido de uma cadeia americana, que matou um homem e até desviou um avião. Um rapazinho pacato, como se vê, que por cá casou e teve filhos, sendo considerado por todos os vizinhos como "uma boa pessoa".

 

2. Que uma das minhas personagens preferidas da deliciosa série Alô, Alô - o polícia inglês - foi inspirada no jardineiro algarvio de David Croft, o argumentista e produtor inglês que morreu ontem em Tavira e que por cá viveu durante muitos e felizes anos.

 

A monotonia é uma cena que não nos assiste, como diria o mais recente herói das estradas portuguesas.

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As canções do século (638)

por Pedro Correia, em 30.09.11

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Mariduo e mulheur conjugados

por João Carvalho, em 29.09.11

«(...) no caso do cônjugue estar isento (...)»

Ministro Paulo Macedo sobre novas taxas moderadoras na Saúde, Telejornal, RTP

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Lisboa antiga (17)

por Pedro Correia, em 29.09.11

 

CAIS DO SODRÉ

«Voltou ainda três vezes ao Aterro, não a tornou a ver; e então envergonhou-se, sentiu-se humilhado com este interesse romanesco que o trazia assim, numa inquietação de rafeiro perdido, farejando o Aterro, da Rampa de Santos ao Cais do Sodré, à espera de uns olhos negros e de uns cabelos louros de passagem por Lisboa, e que um paquete da Royal Mail levaria uma dessas manhãs...»

Eça de Queiroz, Os Maias

Foto: blogue Ruas de Lisboa com Alguma História

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lançamento amanhã na Barata/Leya pelas 18h30

por Patrícia Reis, em 29.09.11
«O senhor Mesquita tinha a certeza de que à noite se transformava num tubarão‑martelo. Tirando tal convicção, que a família acatava com serena bonomia, o senhor Mesquita passava por ser uma pessoa quase normal. É verdade que acordava asfixiado todas as manhãs, e que levava alguns segundos até conseguir adaptar‑se ao novo ambiente. A seguir barbeava‑se, vestia‑se, lia o jornal enquanto bebia café e... trincava torradas, e quando saía de casa, a pé, em direção ao emprego, a uns duzentos metros, se tanto, na esquina mais próxima, já era inteiramente um homem.
Um homem comum.»
José Eduardo Agualusa, “Uma Pessoa quase Normal” in A EDUCAÇÃO SENTIMENTAL DOS PÁSSAROS – onze contos sobre anjos, demónios e outras pessoas quase normais, Dom Quixote

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A irlandesa Lisa Hannigan foi uma das duas descobertas que fiz através do filme Ondine, de Neil Jordan (sendo a outra, evidentemente, a polaca Alicja Bachleda). Isto não deixa de ser estranho, considerando que Lisa participou no álbum O, de Damien Rice, a que há uns anos dediquei muitas horas de atenção. Sou mais uma vez forçado a reconhecer que a minha capacidade de retenção de informações importantes já teve melhores dias mas, enfim, antes tarde do que nunca. Dois vídeos: o melhor livro pop-up de sempre (do álbum Sea Sew, de 2009) e como levar ao extremo a tendência para o colour blocking (do novo álbum, Passenger, com lançamento previsto para o mês que vem).
 

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Tenho as minhas embirrações. Por definição, estas existem mesmo que os destinatários não tenham culpa nenhuma. Caso contrário, não seriam embirrações, mas acusações objectivas fundamentadas com factos. No futebol, por exemplo, tinha uma grande embirração com o Postigó, etiqueta  colectiva que utilizava para designar a soma nula do contributo futebolístico do Postiga e do Djaló. E seria sempre assim mesmo que, por alinhamentos improváveis dos astros, um dia viessem a transfigurar-se em utilizadores da bola com aceitável proficiência. O mesmo se passa, na música, com o Sérgio Godinho. Não adianta. Não é tanto o facto de eu não gostar das músicas dele. É que fico sempre com a impressão de que as músicas dele não gostam de mim. E ninguém me tira isto da cabeça. Aliás, devo confessar que um dos meus piores pesadelos foi aquele em que me vi a assistir a um concerto do Sérgio Godinho com a primeira parte assegurada por Vítor Gaspar. Em versão acústica. Para mim, as baladas do Sérgio assumem sempre forma verbal. No modo, fico abalado. No tempo, sinto que chegou a hora de abalar. Ora, este mesmo sentimento me desperta o Albino Almeida, o Presidente da CONFAP (na imagem, com óculos à John Lennon). Fez-me o homem algum mal? Que eu saiba, não (nunca fiando). Defende coisas que abomino? Pois, em rigor não sei porque nunca vejo o Prós & Contras, programa para o qual é convidado pelo menos quatro vezes por ano. Terá uma voz irritante? Enfim, é possível. Mas, o certo é que quando dá entrevistas na rádio aproveito para sintonizar a Emissora Foz do Neiva que tem sempre programas geniais em que é possível, com um bocado de sorte, escutar o grupo de cantares de Manhouce, quando não o agrupamento folclórico de Perre. Este último de uma bela localidade mesmo ali ao lado de Viana do Castelo. Não posso, em consciência, afirmar que use peúgos brancos de lã. Mas, se me perguntassem, responderia convictamente que sim. Embirro com ele e pronto. Não conheço os estatutos da CONFAP, mas admito que só possa ser seu presidente quem tiver filhos a estudar. Por isso, quase me envergonho de o reconhecer em público, dou comigo a desejar, não poucas vezes, que os filhos do Albino nunca reprovem. Eu sei, eu sei, a coisa assume uma certa gravidade. Mas, com franqueza! Querem agora os caríssimos convencer-me de que nunca pensaram no mesmo?

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