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E que tal apresentarem alternativas

por Rui Rocha, em 30.03.11

O discurso oficial e oficioso do PS passa pela descredibilização de Passos Coelho e por exigir que este apresente alternativas. É verdade que o PSD e o seu líder devem ganhar em consistência se quiserem aparecer aos olhos dos eleitores como solução para a situação a que o governo do PS nos conduziu. Todavia, esta linha de argumentação parece muito pobre quando analisada pelo seu valor intrínseco. O interessante (diria mesmo, o imperativo democrático) seria que o PS esclarecesse se o que tem para oferecer ao país é mais do mesmo (líder, discurso, prática, PEC) ou se a sua proposta inclui, para além de um indispensável acto de contrição, uma mudança (de política, de programa, de atitude). No fundo, antes de interpelar a oposição, os socialistas deveriam clarificar se pretendem, ou não, apresentar-se como alternativa ao desastre da sua própria governação. Caso contrário, para o eleitor típico do bloco central, a questão fundamental nas próximas eleições consistirá em correr o risco de comprar gato por lebre (Passos Coelho) ou optar pela certeza de receber gato por gato (José Sócrates). Posta a questão nestes termos, escolher não parece, apesar de tudo, muito difícil.

Convidado: MIGUEL NORONHA

por Pedro Correia, em 30.03.11

 

O "culto da carga"

  

Chama-se "culto da carga" à tentativa de sociedades tecnologicamente atrasadas adoptarem, de forma ritualista, os sinais exteriores de progresso das mais desenvolvidas. Ainda que não consigam discernir de forma correcta a relação de causalidade, esperam com isso obter as mesmas comodidades das últimas.

O exemplo clássico ocorreu nas ilhas do Pacífico praticamente isoladas de contactos exteriores até à chegada de americanos e japoneses durante a II Guerra Mundial. Após a partida das forças ocupantes, os ilhéus tentaram garantir a continuação do maná que literalmente lhes caía do céu, trazido pelos aviões de abastecimento, construindo réplicas exactas dos aeródromos. Mas há outros. No livro "Mao's Great Famine", de Frank Dikötter (aqui recordado por Bryan Caplan) explica-se o comunismo como um "culto da carga" massificado em que as consequências foram amplificadas pela planificação central. No Grande Salto em Frente Mao Zedong pretendeu transformar a China num dos maiores produtores de aço a nível mundial. Afinal, todos os países desenvolvidos o eram também. O resultado deste maciço desvio de recursos foi a fome generalizada e toneladas de aço de fraca qualidade e sem utilidade para a economia chinesa.

No plano nacional penso que o "culto da carga" é a forma correcta de entender as "paixões", "apostas" e "prioridades" dos governos socialistas que prometiam tornar-nos numa referência de desenvolvimento a nível mundial. O maciço desperdício de recursos em que toda a despesa era por artes mágicas transformada em "investimento" levou-nos à ruína. As supostas "tecnologias do futuro" só se tornaram rentáveis graças a generosos subsídios estatais. O sobre-investimento em infraesturas revelou-se incomportável para a economia nacional.

Os nossos sumo-sacerdotes garantiam um futuro radioso se lhes obedecêssemos cegamente. Dir-se-ia que, em vez disso, despertam a fúria dos deuses.

 

Miguel Noronha

Pequenos prazeres

por Pedro Correia, em 30.03.11

 

Ver as cerejeiras, que já começam a estar em flor.

Pequenas irritações

por Pedro Correia, em 30.03.11

 

 

A multiplicação de gravatinhas azul-bebé. Deixou de ser uma moda para se tornar uma praga.

Mais uma do Passos Coelho?

por Rui Rocha, em 30.03.11

Curso de magistrados não abriu por carências financeiras.

O apreço tem um preço

por Rui Rocha, em 30.03.11

O futuro ex-Ministro da Economia entende que os portugueses devem manifestar apreço pela Galp. Pela minha parte, estou disponível para isso. Desde que a Galp decida mostrar preço por mim.

Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 30.03.11

Hoje fuma-se cachimbo no DELITO. Vem aí o Miguel Noronha, do blogue O Cachimbo de Magritte.

Leituras

por Pedro Correia, em 30.03.11

 

«O desejo de que determinada coisa seja verdadeira - que não deve ser confundido com o desejo da própria verdade - pode bem ser a raiz de todos os males. É indubitavelmente a raiz de todas as ideologias, e as ideologias foram uma fonte de grandes males no século que passou.»

Benjamin Wiker, Dez Livros que Estragaram o Mundo

(Alêtheia, 2011)

As canções do século (454)

por Pedro Correia, em 30.03.11

Alcatrão e azeite misturam-se

por João Campos, em 29.03.11

Ou seja, a ideia é que o olival que deu origem ao melhor azeite maduro frutado do mundo vá dar origem ao melhor alcatrão do mundo. Parafraseando uma tira antiga de Calvin & Hobbes, onde é que estavam as almas que planeiam estas coisas quando se deu a distribuição de miolos?

A maçã

por João Campos, em 29.03.11

Há dois tipos de pessoas que perdem a noção da realidade perante os produtos da Apple: os fanboys e, passe a generalização, os jornalistas. Não houve jornal cá no rectângulo que não publicasse pelo menos meia página sobre o iPad 2 - perspectivas de vendas, hype avulso, especificações técnicas, enfim, o diabo a quatro. Claro que, a bem do equilíbrio, não faltaram as comparações com a concorrência, e outros tablets são também mencionados. Diz que é o chamado "contraditório". Mesmo que esse contraditório seja feito, como num diário generalista que li na semana passada, numa curiosa ilustração com os quatro aparelhos concorrentes... dentro do écrã do iPad. Ou em estreitas colunas para cada, após uma página inteira dedicada ao aparelho da Apple, com título aparatoso e "gordas" bem cheias. Não admira que a Apple não precise de investir muito em publicidade. Não precisa. Aos fanboys habituais, que defendem a marca da maçã com um fervor digno de um cruzado medieval, juntam-se os media e o seu turbilhão de euforia mediática. Compreendo muito bem a importância dos temas de tecnologia na agenda mediática, assim como percebo a relevância da Apple: goste-se ou não (e não é isso que está em causa), os seus produtos são incontornáveis. Só me incomoda ver o jornalismo virar evangelista.

A cassete do pirata

por Rui Rocha, em 29.03.11

O Primeiro-Ministro convocou hoje os jornalistas para entoar o canto do cisne. Sócrates sabe que a situação actual é insustentável. Acredito que chegou a convencer-se, ao longo destes anos, que a sua governação reluzia. E que ele próprio era de ouro. Perdido o brilho ilusório, sobra-lhe a lata. Hoje, mais uma vez, ensaiou o seu número favorito. Vitimizou-se e atribuiu a responsabilidade da situação actual à oposição. Por isso, é preciso recordar-lhe que em  Novembro de 2004, Jorge Sampaio deu início a um processo de dissolução da Assembleia da República. Foram convocadas eleições antecipadas. Nessa ocasião, os juros não dispararam para níveis socratosféricos e as notações das agências de rating não se precipitaram para o abismo. A diferença de efeito das crises políticas tem seis anos de governação de Sócrates pelo meio, com a evolução de rating que aqui se recorda. Governação essa em que nunca um erro foi admitido. A mesma que levou a uma situação tão desafogada (viu-se!)que permitiu aprovar medidas eleitoralistas em 2009. Assim, Sócrates é o último a poder arvorar-se em cobrador de responsabilidades à oposição. Antes de mais, é o próprio Sócrates que deve prestar contas aos portugueses pela bancarrota a que conduziu o país. E é também aos portugueses que cabe exigir à oposição que apresente alternativas. Tivesse Sócrates um pingo de dignidade e este seria um julgamento democrático a que assistiria em contrito silêncio. Até porque, como Mário Soares oportunamente salientou, a própria crise política foi desencadeada pelo seu comportamento inqualificável. Igual a si próprio, porém, Sócrates optará até ao fim por utilizar os portugueses como alvo da sua arma preferida. A mistificação apresentada em suporte de cassete. Aliás, não fosse o caso de o país estar na situação desesperada a que Sócrates o conduziu e a melhor resposta à sua exigência de alternativas seria a apresentação de duas singelas promessas na campanha eleitoral: o aumento dos funcionários públicos e a descida do IVA.

De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 29.03.11

1. Ortodoxia: um novo blogue, a seguir com atenção.

 

2. Reapareceu a Sinusite Crónica. Mais uma oportunidade para lermos bons textos do Alexandre Borges, do João Bonifácio e do Nuno Costa Santos, entre outros.

 

3. Um abraço aos nossos amigos do Aventar. Pelo segundo aniversário do blogue.

 

4. Também a festejar o aniversário está um blogue-revelação de 2010: Adeus Lenine. Parabéns aos seus autores.

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Frases de 2011 (21)

por Pedro Correia, em 29.03.11

«Nós estamos no limiar da bancarrota.»

Manuel Maria Carrilho, na TVI 24

Convidado: ALEXANDRE BORGES

por Pedro Correia, em 29.03.11

 

o atEstado

 

Foi a nossa fraqueza que nos trouxe aqui.

Já lá vão quase 200 anos da última vez que o sangue correu abundante de Vilar Formoso para cá. E mesmo essa revolução deu no que deu. No desapontamento geral, no fim do romance. Em Alexandre Herculano, o escritor-soldado consciência da Nação (não sei se o acordo obriga a escrever com minúscula. Aguardo notificação para pagamento de multa), a retirar-se para o campo e produzir azeite. Em Garrett feliz com o título nobiliárquico, a morrer pensando na decoração da casa.

A Monarquia de 767 anos caiu em 36 horas, de podre, quase sem vítimas a contabilizar além das árvores da Avenida. A República passou educamente o poder a quem lho pediu. Nem a ditadura ofereceu grande luta, depois de lhe facultarem um bilhete para o Brasil.

Essa mesma fraqueza explica o amor que temos a quem fala alto, quem parece ter força para – note-se a terminologia – “pegar nisto”. “Isto” somos nós e não deveríamos gostar que alguém nos “pegasse”. Mas gostamos. Gostamos da dureza de Cavaco, da de Cunhal, da de Sócrates. Não importa a ideologia, nem importam grandemente as acções. Entregamo-nos nos braços do primeiro que parecer saber para onde vai.

Somos órfãos de nós mesmos. Não procuramos líderes políticos; ansiamos por um pai. A admiração que temos por quem fala alto é a confissão embaraçosa da nossa menoridade enquanto sociedade; o apreço pelas maiorias absolutas a revelação da nossa falta de talento para a democracia.

Somos agressivos quando protegidos pela carroçaria do carro ou pelo anonimato da net. Vilipendiamos em mau português até o visado nos olhar nos olhos.

Não precisamos de um governo. Precisamos de tomates.

 

Alexandre Borges

E só não chora quem não tem coração!

por Rui Rocha, em 29.03.11

Parabéns!

por João Carvalho, em 29.03.11

Há mais vida para lá do trabalho. Feliz aniversário, André Couto!

Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 29.03.11

Daqui vai desde já um abraço de boas-vindas ao Alexandre Borges, dos blogues 31 da Armada e Sinusite Crónica. Ele vem hoje escrever connosco.

As canções do século (453)

por Pedro Correia, em 29.03.11



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