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2011: breve cronologia da crise

por Pedro Correia, em 16.09.15

1. «O cenário de ajuda externa é um cenário de último recurso. Farei tudo para evitar que isso aconteça.»

José Sócrates em entrevista à RTP (segunda-feira, 4 de Abril de 2011)

 

2. «É urgente pedir um empréstimo intercalar já.»

Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo, em entrevista à TVI (terça-feira, 5 de Abril)

 

3. «A notícia é falsa. Não passam de rumores sem fundamento.»

Gabinete do primeiro-ministro, reagindo à notícia do Financial Times sobre um pedido de ajuda de Portugal à União Europeia (manhã de quarta-feira, 6 de Abril)

 

4. «É necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu.»

Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos (quarta-feira, 7 de Abril, 18 horas)

 

5. «O Governo decidiu hoje dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira, por forma a garantir condições de financiamento a Portugal.»

José Sócrates em comunicação ao País (quarta-feira, 7 de Abril, 20.30)

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20 comentários

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De William Wallace a 16.09.2015 às 20:34

O spin da carta a render .....


Mais uma "brilhante" manobra de diversão da coligação PaF , voltar a acenar com o passado para branquear o presente e esconder o futuro.

Num dia em que todos devíamos interrogarmo-nos o porque de mais uma opção falhada (venda do NB ) que resulta de um dogmatismo irresponsável e doloso que atirou o défice das de 2014 para mais de 7% estamos aqui a falar novamente de 2011 como tanto jeito dá ao Paf .

O Público fez o que tinha a fazer, lançou a caxa e a coligação contente antes o Público que o Expresso na sexta á noite que está mais colado ao Paf e o impacto pretendido já não seria o mesmo.
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De Vento a 16.09.2015 às 21:43

William, olhe que Catroga parece que veio pedir a prisão de Passos:
https://www.youtube.com/watch?v=Y_kNKYLk-fM

Eu já não sei se o que escuto é fruto de alguma alucinação, uma vez que tantos insistem em coisas que eu não vejo nem escuto.
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De queima beatas a 16.09.2015 às 22:05

Espero que no debate de amanhã possam ficar todas as contas bem afinadas. Entretanto e já agora O Publico a berreiro já.
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De Pedro Correia a 18.09.2015 às 13:10

O debate valeu a pena. Foi o melhor até agora.
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De Vento a 16.09.2015 às 21:26

Pois com certeza, meu caro Pedro, vamos ficar atentos:
https://www.youtube.com/watch?v=1y8uNhZzjvo
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De lucklucky a 16.09.2015 às 21:29

Lembram-se do mais idiota título do Expresso, o jornal do regime a demonstrar a "qualidade" da imprensa de "referência" e a qualidade do regime...?

O FMI já não vem.

O FMI veio porque já não havia mais dinheiro. Com mais de 12% de défice no último ano de Sócrates quer dizer que o Estado pede emprestado 25% do que gasta(o orçamento é cerca de 50% do PIB)

E se os mercados não emprestam... só resta o FMI, Troika etc, ou então não pagar mais de 3 meses de ordenados de FP's e gastos dos ministérios.
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De Vento a 16.09.2015 às 21:34

Parece-me que esqueci de incluir este, que Passos parece ter esquecido afirmando que havia números desconhecidos e ocultados por Sócrates:
https://www.youtube.com/watch?v=V4UaXkJV0IY
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De queima beatas a 16.09.2015 às 22:00

Deixando de lado o festival de tiro ao boneco com que o PS nos tem brindado levanto a alça e afino a mira para os pontos 1 e 3 aqui referidos. Conviria perguntar a Costas, Galambas e associados como é que a míseros 2 ou 3 dias do pedido não confessaram que nem o chumbo do pec 4 os levaria á falência.
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De ptc63 a 16.09.2015 às 22:36

Caro Pedro,
Creio que as datas correctas serão no mês de Abril de 2011. De facto, na Páscoa desse ano (em 24/4) os MIB da Troika já cá estavam, escandalizados com 5 dias de folga dum país falido...
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De Pedro Correia a 16.09.2015 às 22:46

Tem razão. Obrigado pelo reparo. Já emendado.
Aliás o original (de 7 de Abril de 2011) está aqui:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/2887040.html
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De jo a 16.09.2015 às 23:10

Estou confuso.

É evidente que o pedido de resgate tinha que vir do governo, portanto formalmente foi o governo do PS, de Sócrates, que o pediu. Estão a discutir quem forçou o pedido.

Não sei se a vinda da troika foi bom ou mau. Vamos analisar as hipóteses.

A vinda da troika foi uma coisa boa. Então, o nosso 1º anda a tentar passar os créditos de uma coisa boa para a oposição. É um bocado estúpido.

A vinda da troika foi uma coisa má. O nosso atual 1º deu todo o apoio ao anterior 1º para ele fazer uma coisa má, e congratulou-se por isso. É estúpido.

O nosso primeiro é mesmo assim. A verdade acima de tudo.
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De Pedro Correia a 16.09.2015 às 23:23

Depois do que ficou aqui escrito, com inteira base factual, qual é a dúvida que lhe resta?

Quer elementos adicionais?
Aqui tem a insuspeita versão de Mário Soares, que tomou parte activa nos bastidores:
http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2310552

E recordo-lhe ainda estas dramáticas declarações do ministro das Finanças Teixeira dos Santos, anunciando que o Estado português não tinha condições de assegurar os compromissos orçamentais a partir de 31 de Maio de 2011:
http://www.tsf.pt/economia/interior/financiamento_so_chega_ate_maio_diz_teixeira_dos_santos_1828896.html

Debater se a troika era "boa" ou "má" tornou-se uma questão ociosa: Portugal não tinha alternativa. Porque não tinha dinheiro.

Ao menos Soares sempre assumiu as responsabilidades enquanto chefe do Governo. Quando chamou o FMI a Portugal, em 1977 e em 1983, ninguém o viu em lamentáveis jogos de passa-culpas.
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De Vento a 17.09.2015 às 00:18

"Debater se a troika era "boa" ou "má" tornou-se uma questão ociosa: Portugal não tinha alternativa. Porque não tinha dinheiro".

E depois acrescenta:

"Aqui tem a insuspeita versão de Mário Soares, que tomou parte activa nos bastidores:".
O meu caro Pedro faz uns malabarismos literários para parecer que o conteúdo de seus posts são inocentes e isentos de qualquer alinhamento. Já me faz lembrar os seus conteúdos sobre a Grécia.

Portugal tinha dinheiro, mas não tinha tesouraria. E a banca foi injectando dinheiro enquanto o recebia do BCE com juros entre 0,2 e 1% e adquiria dívida com contrapartidas até os 8%, e o BCE exigia os mesmos títulos como caução.
Como o negócio da banca estava um caco, pois o sector mais lucrativo e mais especulativo que era o Imobiliário tinha ardido, o refúgio era a dívida soberana. Depois de uns bons mil milhões em carteira tinha de se fechar a torneira para que começasse a existir o retorno.

Isto mesmo confirma as primeiras linhas da carta de Passos:
“Recebi hoje informação, da parte do senhor Governador do Banco de Portugal, de que o nosso sistema financeiro não se encontra, por si só, em condições de garantir o apoio necessário para que o Estado português assegure as suas responsabilidades externas em matéria de pagamentos durante os meses mais imediatos".
Faço notar este "por si só". Como se a banca estivesse a fazer um favor e não um negócio.
Eles não tinham acesso aos mercados mas acediam ao BCE. Para compreender melhor esta situação deixo aqui um pequeno resumo:
http://resistir.info/e_rosa/bce_financia_especulacao.html

Mas mais, a informação anterior é oculta ao conhecimento das pessoas e não admira que esta ocultação ajudasse Passos ao golpe de mão que acabou por levar a efeito.

E se não quiser incorrer em grave erro de informação vai ter de escrever que o governo cai por chumbo do PEC IV e não por falta de dinheiro para assumir seus compromissos. É o chumbo do PEC que desencadeia a necessidade.

O PEC IV é chumbado em 23-03-2011:
http://economico.sapo.pt/noticias/parlamento-chumba-pec-e-precipita-demissao-de-socrates_114145.html

e a carta de Passos vai datada de 31-03-2011:
http://www.publico.pt/politica/noticia/a-carta-de-passos-a-socrates-na-integra-1707899
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De Marco a 17.09.2015 às 02:39

Eu acho incrível a quantidade de pessoas que ignora que os PEC não têm que ir à Assembleia, são - ou podem ser - da exclusiva responsabilidade do Governo.

Sócrates estava nitidamente à espera que um PEC falhasse para ir a eleições e ganhá-las novamente. Contava que fosse o III - que Passos teimosamente deixou passar e pediu desculpa. Correu mal a estratégia a Sócrates: quando finalmente resultou e o PSD votou ao lado dos restantes, o caos já era tal que o seu próprio ministro das finanças lhe puxou o tapete. Foi nesse momento que Sócrates perdeu as eleições - e daí a teimosia em não querer chamar o FMI, já demissionário.

Basicamente, o mesmo truque usado por Jardim aqui há tempos na Madeira e, de certa forma, o mesmo truque de Cavaco no seu primeiro governo (mas aí foi sede de ir ao pote de outros, só que - lá está - também lhes correu mal).
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De Vento a 17.09.2015 às 15:15

Meu caro, os sucessivos PEC´s foram a demonstração do caos. O país não era capaz de encontrar soluções e a Europa muito menos. Aliás, para a Europa de Sarkozy/Merkel a saída para Portugal consistia nos TGV´s (que quer alemães quer franceses fabricam) e pontes e pontezinhas. Tirando isto tudo o mais residia na asfixia da economia pelo ataque feito quer a disponibilidades financeiras dos cidadãos quer através da desconcertação do mercado laboral que originou ondas de despedimento também para que se pudesse fazer o acerto de ordenados, isto é, despedia-se quem ganhava por ex. 400 e contrata-se por 200.

Eu gostaria que fizessem estudos sobre o dito crescimento em comparação salarial.

Desengane-se quem pensa que isto foi corrigido por Passos/Portas. Não foi. Eles adoptaram todos estes modelos de PEC´s e asfixiaram ainda mais.

O aspecto substantivo a referir é que o PEC IV foi o pretexto para o golpe de mão. Sem soluções não podia existir financiamento. E é com base nisto que importa chamar as datas do chumbo (23-03) e da carta (31-03) para entender a jogada.

Passos/Portas nesse período, tal como hoje, revelavam, e revelam, que projectos, ideias e soluções não abundam em si e nos seus partidos. Eles limitaram-se a ir na banguela (a colocar a viatura em ponto morto na descida) à conta do memorando e dos geniais e falhados pensamentos de Gaspar sobre a economia. E espalharam-se levando um multidão atrás deles.

Passos pretende fazer crer que tem uma visão económica (economicista) da política, sem entender os mecanismos da economia e sem perceber o que é a política. É o típico arrumador de cadeiras em congressos de jotinhas que pensa que por se envolver no meio já é peixe. Mas isto aplica-se a todos os demais.

Hoje mesmo, no debate com Costa voltou a fugirlhe a perna para o seu disco riscado, colocando a questão a seu oponente sobre as poupanças em prestações sociais, sem referir que ele mesmo fez poupanças através das prestações que retira e que não paga.
A questão das prestações sociais coloca-se a um outro nível: Será que um indivíduo que nada tem ou que pouco tem para subsistir é capaz de contribuir para a melhoria da economia através de uma prestação mais generosa?
Sim, são estes os que verdadeiramente fazem parte da melhoria da economia, porque aos que têm e sobeja se lhes aliviar a dita pressão eles acumulam e/ou poupam e em nada contribuirão para estas necessidades.

Há opções a fazer. Passos e Portas simplesmente mostraram não as saber fazer e a não ter projectos. E como não têm limitam-se a pretender debater o projecto do PS para desviarem as atenções de um programa que não têm.

http://www.tsf.pt/politica/interior/o_debate_passos_coelhoantonio_costa__4781070.html
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De lucklucky a 17.09.2015 às 03:32

"Faço notar este "por si só". Como se a banca estivesse a fazer um favor e não um negócio."

Patetice.
A banca comprava bastante dívida portuguesa enquanto tinha um rating alto.
Quando fazia um "pior" negócio. Pois era menos arriscado.
Mas ao contrário das mentiras de boa parte dos jornais que são meras correias de transmissão da Esquerda nós tivemos rating demasiado alto.
Quando os sucessivos e crescentes défices cresceram, a dívida em consequência aumentou, os ratings baixaram e os bancos não tinham mais as garantias AA para se arriscarem a comprar dívida.
O castelo de cartas onde tudo assentava ruiu, não existia mais dinheiro para continuar a financiar o Estado.
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De jo a 17.09.2015 às 11:42

A base factual neste caso não tem muito valor, porque é sustentada apenas nas declarações de mentirosos compulsivos.

Agora o que eu sei de ter visto é que Passos Coelho & companhia se gabaram de ter provocado a vinda da troika, de ter negociado pelo menos parte das condições e de o programa da troika ser o seu programa.

Se agora dizem que não foram eles só significa que pelo menos numa dessas ocasiões estão a mentir. Se é agora ou foi no passado é irrelevante, não quero um primeiro ministro mentiroso.
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De Pedro Correia a 17.09.2015 às 12:17

"A base factual não tem valor"?!
O que é que você não percebeu?

Quando Soares era PM e chamou o FMI em 1977 e 1983 isso não é rigoroso? Não tem base factual? Ou devemos dizer, em alternativa, que quem chamou o FMI foi a oposição? Terá sido o Cunhal?!

Da mesma forma, em 2011 foi Sócrates quem chamou o FMI (e a UE e o BCE) por iminente ruptura das contas públicas (Teixeira dos Santos 'dixit'). Porque o PM era ele, não era outro.

Apontar essa responsabilidade à oposição - PSD, CDS, PCP e BE - por ter chumbado em bloco o chamado PEC4 é tudo menos sério.
Soares, ao menos, nunca fugiu às suas responsabilidades históricas. Era um dirigente de outro calibre.
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De jo a 18.09.2015 às 13:25

Exprimi-me mal.
Os factos têm importância, são é relatados por gente que não diz a verdade nem quando diz as horas, logo lhes posso atribuir valor, porque não sei qual é.

O que é que Mário Soares tem a ver com o facto de Catroga e Passos terem andado a apregoar que a troika foi o melhor que aconteceu para Portugal e agora virem dizer que não tiveram nada com isso?
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De Pedro Correia a 18.09.2015 às 14:21

Mário Soares e Teixeira dos Santos não dizem a verdade? Já chegámos a esse nível de "argumentação"? É preciso topete, como diria o doutor Freitas do Amaral.

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