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Banda sonora

por Ana Margarida Craveiro, em 29.06.10

A banda sonora para o país, quando descobrimos que metade da população é pobre, ou quase pobre.

 

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«Em cima da mesa» do governo

por João Carvalho, em 29.06.10

Portugal tem mais de dois milhões de pobres, como se sabe. Sabe-se agora também que tem mais de três milhões de pessoas que vivem ligeiramente acima da pobreza formal — agregados familiares em que os adultos muitas vezes são licenciados, trabalham precariamente, são mal pagos — e com dificuldades sérias (impossibilidade até) para fazer face às despesas fixas.

Sobre este quadro desolador, a ministra do Trabalho apareceu a explicar dois pontos:

— que esta realidade é um problema a que o governo está atento (o que tanto pode ser estar à janela de olhos arregalados como outra coisa qualquer);

— que o governo tem o problema «em cima da mesa» (o que permite desconfiar de que já não deve sobrar muito espaço no tampo da imensa mesa em que o governo pousa tudo e mais alguma coisa).

Em suma: Portugal tem mais de cinco milhões de pobres declarados e pobres envergonhados, o que corresponde a mais de metade da escassa população. Ora, como o primeiro-ministro anda há cinco anos a afirmar a pés juntos que a pobreza está a diminuir, haja quem tenha paciência para o fazer ver que os portugueses viviam melhor há cinco anos.

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Uma lição de vida

por Pedro Correia, em 29.06.10

Por vezes, no mais inesperado dos lugares despertam inimagináveis vocações. Aconteceu com José Saramago, o que é um - entre tantos outros - aspecto memorável da sua biografia. Impossibilitado de prosseguir os estudos para além do curso profissional de serralharia mecânica na escola industrial Afonso Domngues o jovem Saramago passava os tempos livres recolhido na biblioteca municipal de Lisboa, no Palácio Galveias, ao Campo Pequeno. Enquanto os seus parceiros de geração optavam por folguedos, bailaricos e comezainas, ele cultivava-se com esmero, persistência e determinação naquelas salas austeras que lhe propiciaram o equivalente à formação universitária que formalmente nunca chegou a ter.

O Nobel de 1998 recorda esse período da sua vida num admirável prefácio escrito para o livro De Volcanas Llena: Biblioteca y Compromiso Social (Gijón, Trea, 2007). "Era um lugar em que o tempo parecia ter parado, com estantes que cobriam as paredes do chão até quase ao tecto, as mesas à espera dos leitores, que nunca eram muitos (...). Não posso recordar com exactidão quanto durou esta aventura, mas o que sei, sem sombra de dúvida, é que se não fosse aquela biblioteca antiga, escura, quase triste, eu não seria o escritor que sou. Ali começaram a escrever-se os meus livros", escreveu Saramago, lembrando os dias, meses e anos ali passados.

Uma lição de vida.

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As canções do século (180)

por Pedro Correia, em 29.06.10

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Os filmes da minha vida (4)

por Pedro Correia, em 28.06.10

A DESAPARECIDA:

JURAR PARA SEMPRE, NA GUERRA E NO AMOR

 
Não existe melhor interpretação em cinema do que a de John Wayne como protagonista deste filme. É verdadeiramente insuperável o que o actor favorito de John Ford faz aqui com um olhar fixo, um gesto tenso, um simples esgar ou um silêncio que parece eternizar-se. A Desaparecida é um filme cheio de silêncios prolongados e magoados: Ethan Edwards (Wayne) arrasta consigo um segredo por desvendar. "A guerra já acabou há três anos. Porque não voltaste antes?", pergunta-lhe o irmão, Aaron, ao vê-lo chegar com tanto atraso. A pergunta fica sem resposta. Há imensas perguntas sem resposta neste filme.
Estamos no Texas, em 1868. Wayne combatera na guerra civil (1861-65), pelos confederados. A derrota marcou-o: jamais voltará a ser o mesmo. "Um homem só pode ser fiel a um juramento", diz ele, num discurso feito de entrelinhas. A Desaparecida é não só um filme de admiráveis silêncios, mas também de meias-palavras e de eloquentes subentendidos. É neste plano, apenas pressentido, que se desenrola a paixão de Ethan pela cunhada, Martha (Dorothy Jordan). Terá sido este sentimento proibido que o manteve à distância? Nunca saberemos. Mas quando a casa do irmão é destruída pelos comanches, Ethan chama desvairadamente por Martha: adquirimos então a certeza de que este western encerra também uma profunda e trágica história de amor.

 

São ainda os ecos secretos da paixão por Martha que levam Wayne a deambular durante cinco anos um pouco por toda a parte, procurando obsessivamente resgatar a sobrinha Debbie, raptada pelos índios. É o único laço de família que lhe resta - a última amarra que o prende ao mundo e à memória da mulher que amou. Com ele, seguindo-o como uma sombra, galopa Martin Pawley (o malogrado Jeffrey Hunter), órfão de pai e mãe, filho adoptivo de Martha e Aaron. Este mestiço de índio, espécie de consciência moral de Ethan, é uma das grandes personagens de toda a obra de Ford: o seu humanismo congénito contrasta com a figura desencantada do confederado. Numa das mais belas cenas deste filme semeado de elipses, Wayne sugere-lhe o motivo por que jamais desistirá da busca por Debbie, a mais nova das suas sobrinhas: "Eles [os comanches] vão criá-la durante tempo suficiente para..." Não diz mais, mas a neve que cai, incessante, completa-lhe o discurso.

É assim o grande cinema.
E quando enfim encontram Debbie as piores expectativas do homem que só fez um juramento haviam-se concretizado. Cruzam-se aqui diversas noções de honra que Ford sabiamente põe em confronto sem nunca assumir a pose de vendedor ambulante de "mensagens". As imagens dizem tudo - da arrepiante sequência em que Ethan descobre o escalpe de Martha à cena culminante, em que o duro confederado resolve enfim o dilema moral que há muito o perseguia no momento em que pega na sobrinha ao colo - a filha do amor da sua vida, sangue do seu sangue - e lhe diz, com toda a ternura que nele sobrevive: "Let's go home, Debbie." Momento mágico numa longa-metragem que está repleta deles.


A Desaparecida é o melhor western de todos os tempos - obra-prima absoluta. Um filme sobre um amor impossível, um filme sobre o inapelável peso da solidão. Começa com uma porta aberta, rasgada para a beleza em estado bruto de Monument Valley, quando Martha vê Ethan a cavalgar no horizonte, e termina com o mesmo enquadramento. Só que Martha já não existe. Wayne, que chegara com atraso, parte agora, rumo ao desconhecido. Missão cumprida, é tempo de levantar âncora. Nunca saberemos de onde veio, nunca saberemos para onde vai. Sabemos apenas que, na guerra como no amor, ele se manteve fiel ao que jurou. Quantos poderão dizer o mesmo nas várias vidas que uma vida tem?

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A Desaparecida (The Searchers, 1956). Realizador: John Ford. Principais intérpretes: John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles, Ward Bond, Natalie Wood, John Qualen, Harry Carey Jr.

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Blogue da Semana

por André Couto, em 28.06.10

"A blogosfera é boa é para discutir a bola!", dizem uns.

"Blogues de futebol? Nem sabia que isso existia!", dizem outros.

"O que é o futebol?", dizem outros para além dos outros da última sentença.

Esta semana trago ao Delito de Opinião a ponte entre estes dois mundos da blogosfera. Destaco assim o "Tertúlia Benfiquista", o maior blogue português de futebol que conheço, como o blogue da semana. São a prova viva que se pode escrever sobre futebol com elevação de espírito, rigor linguístico e extremo bom gosto.

Parabéns à malta do "Tertúlia" pelos conteúdos que nos fornecem e pelos bons valor que incutem diariamente às nossas crianças.

Boas leituras!

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Cabeçada no poste

por João Campos, em 28.06.10

Há na blogosfera algumas pessoas, porventura mais adeptas do "aportuguesamento" de tudo o que é expressão estrangeira, que não escrevem posts, mas sim postes. Já tinha reparado nisto há algum tempo, mas nunca tinha falado sobre o tema. Falo agora: ó meus amigos, um poste é isto:

Aquilo que escrevem não é um poste (que diabo, um poste não se escreve!), mas sim um post (em inglês), ou, se quiserem uma tradução gratuita, um artigo. Podem chamar-lhe crónica, também - dá à coisa um ar mais importante. Eu sei que estas coisas são tramadas, que as terminologias vêm todas em inglês, que raramente há traduções directas. Mas se blog passou a blogue de forma mais ou menos pacífica, não será por isso que post passará a poste. Em caso de dúvida, há sempre o itálico.

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A ver o Mundial (10)

por Pedro Correia, em 28.06.10

O confronto com Espanha, já amanhã, era o mais temido pela selecção portuguesa, que preferia defrontar o Chile nos oitavos de final. Tanto mais que a equipa de Villa, Torres, Xaví, Iniesta e Ramos, após o susto inicial com a Suíça, voltou a mostrar-se em grande forma contra hondurenhos (2-0) e chilenos (2-1). "Todos menos os espanhóis", chegou a dizer o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, com a argúcia e o sentido de oportunidade que todos lhe reconhecemos. Pois aí vem a fúria espanhola, certamente ainda mais animada após a manifestação pública de temor expressa pelo inamovível Gilberto Madaíl. Por mim, acho óptimo. Será um verdadeiro jogo de tira-teimas. Que permitirá confirmar se a solidez de que a nossa selecção tem dado provas é menos aparente do que real e se persiste entre os portugueses aquele antiquíssimo complexo de inferioridade perante os castelhanos que as palavras de Madaíl parecem confirmar.

 

Para já, ficam três dados relevantes:

1 - Portugal foi a equipa mais goleadora da primeira fase do Mundial da África do Sul (sete golos, a par da super-favorita Argentina).

2 - O jogo Portugal-Coreia do Norte - que nos ficará para sempre na memória - foi o que registou mais remates às balizas: 41. A par dos ocorridos no desafio EUA-Argélia.

3 - Cristiano Ronaldo é até agora o segundo jogador deste Mundial com melhor relação de remates por minutos jogados: 17, em 270 minutos. melhor que ele só Messi (Argentina), com 20 também em 270 minutos.

 

É muito? É pouco? Parece-me o suficiente para nos permitir alguma satisfação. E para considerar disparatadas as palavras medrosas do presidente da Federação.

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Passado presente (CCXLVIII)

por João Carvalho, em 28.06.10
 
 

 

Peugeot 402 Eclipse* (França, 1935/42)

 

* — Com a versão Eclipse do 402, a marca lançou o primeiro coupé cabriolet do mundo, isto é, um coupé cuja capota rígida pode ser recolhida na mala.

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Rasgos (20)

por Ana Vidal, em 28.06.10

Ainda hesitei entre incluí-lo nesta série ou enviá-lo para a série dos mal-amados do João Carvalho, mas, independentemente da megalomania e do exibicionismo reinantes, é inegável o rasgo arquitectónico de Moshe Safdie, o criador do novíssimo  Hotel Marina Bay Sands, em Singapura. A inauguração, inicialmente prevista para 2009, foi adiada até agora por motivos que se prendem com a crise económica que assola até o mundo dos bilionários que frequentarão este hotel ultra-luxuoso de 2.500 quartos, parque de diversões, casino, spa e uma assombrosa piscina com 150 metros de comprimento, por razões óvias a estrela da companhia. Não deixe de visitar o site, se quiser saber mais pormenores. Todos os números são impressionantes. Aqui ficam algumas imagens, bem sugestivas:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Cem palavras que odeio (75)

por Pedro Correia, em 28.06.10

"SEQUENCIALIDADE"

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A ver o Mundial (9)

por Pedro Correia, em 28.06.10

Árbitros empurram Alemanha e Argentina para os quartos-de-final. Tudo dito num título que resume exemplarmente a vergonhosa actuação das equipas de arbitragem do Alemanha-Inglaterra e do Argentina-México. Antes tivessem sido arbitrados pelo Olegário Benquerença.

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Ler

por Pedro Correia, em 28.06.10

Entre a confiança e a insustentabilidade. De Bruno Faria Lopes, no Elevador da Bica.

Progressão na carreira. De José Simões, no Der Terrorist.

A odiosidade do progresso. De Jorge Lopes de Carvalho, no Manual de Maus Costumes.

A escola da Capinha. De Joana Amaral Dias, no Córtex Frontal.

Trambique? De Nelson Reprezas, no Espumadamente.

Diálogos no inferno entre o contribuinte e o estado. Do Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada.

Ainda falam em incentivos para jovens. Do João Severino, no Pau para toda a obra.

Deixem-se de tretas. Da Helena Matos, no Blasfémias.

Pobre homem. Do Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.

Histórias da Literatura. De Luís Januário, n'A Natureza do Mal.

Encalhados no silêncio. Do Daniel Oliveira, no Arrastão.

Olhar os olhos dos outros. De Ana Lima, no Dias Imperfeitos.

Problemática albanesa. Do Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

Rádio Blogue: James Bulger. Da Carla Quevedo, na Bomba Inteligente.

 

(em actualização)

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As canções do século (179)

por Pedro Correia, em 28.06.10

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 28.06.10

Ao Um Tempo Novo.

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O comentário da semana

por João Carvalho, em 27.06.10

 

«A gravidade das situações denunciadas na notícia é muito desigual, mete-se tudo no mesmo saco e isso parece-me muito mal. Desde logo o chamariz da notícia com a foto de Manuel Pinho. É, de entre todos e na minha opinião, o caso mais irrelevante. A foto devia ser de Castro Guerra, é a situação dele que motiva a notícia, mas como ninguém o conhece, colocam a foto do outro. Estas coisas irritam-me, até porque ao misturarem tudo no mesmo saco, acabam por retirar importância àquilo que realmente tem.

Não estou com esta posição a branquear as outras situações. O que estou a dizer é que, para acabar com este péssimo hábito enraizado em todos os partidos do arco governamental, as denúncias têm de ser feitas de forma criteriosa para que as pessoas percebam bem o que está em causa. Só assim se contribui para criar e formar a consciência crítica das pessoas e não alimentar aquele velho ditado do "eles lá se entendem, comem todos da mesma panela" e quejandos, que só serve para libertar frustrações mas não mobiliza ninguém para a acção.

Não se pode misturar o lugar de um presidente do conselho de administração de uma empresa como a Cimpor e um lugar não remunerado na Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva. Eu também sei que, infelizmente, não compete hoje aos jornais formarem a consciência crítica das pessoas, mas tenho pena.

Dito isto, claro que estou de acordo, Teresa: como é que ninguém tinha reparado nisto?»

 

Da nossa leitora Ariel. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

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Antes Wittengstein que tal sorte

por Pedro Correia, em 27.06.10

 

Fernando Henrique Cardoso foi um excelente presidente do Brasil. Mas é um dos mais entediantes sociólogos da língua portuguesa, como está bem patente no seu livro Perspectivas para uma Análise Integrada do Desenvolvimento – um título que já diz quase tudo sobre a capacidade de atracção da sua escrita.

Millôr Fernandes pegou nesta obra de 323 páginas e de lá extraiu este excerto tão esclarecedor (aviso desde já que convém tomar balanço antes de começar a ler): “Em síntese, reconhecendo a especificidade das distintas formas de comportamento, a análise sociológica trata de explicar os aparentes ‘desvios’, através da determinação das características estruturais das sociedades subdesenvolvidas e mediante um trabalho de interpretação. Não é exagerado afirmar que é necessário todo um esforço novo de análise a fim de redefinir o sentido e as funções que as classes sociais têm no contexto estrutural da situação de subdesenvolvimento e as alianças que elas estabelecem para sustentar uma estrutura de poder e gerar a dinâmica social e económica.”
De fazer perder o fôlego a qualquer um.
Millôr, humorista consumado, compara a prosa de Fernando Henrique Cardoso com a de Ludwig Wittgenstein, autor do Tractatus Logico-Philosophicus, de que Bertrand Russell certa vez disse: “Não entendi nada. Mas é genial.” Pois Millôr, na sua coluna da revista Veja, chega à conclusão que o austríaco que revolucionou a filosofia do século XX – “a que FHC chama de século vindouro” – produziu textos bem mais acessíveis do que o do ex-presidente brasileiro. E fornece um exemplo, extraído precisamente do Tractatus Logico-Philosophicus: “O sentido total do livro pode ser sintetizado nas seguintes palavras. O que pode ser dito pode ser dito claramente e aquilo sobre o que não podemos falar devemos passar por cima, silenciar.”
De regresso à prosa de Fernando Henrique Cardoso, segue nova peça de artilharia apta a fulminar qualquer leitor: “As duas dimensões do sistema económico, nos países em processo de desenvolvimento, a interna e a externa, expressam-se no plano social, onde adoptam uma estrutura que se organiza e funciona em termos de uma dupla conexão: segundo as pressões e vinculações externas e segundo o condicionamento dos factores internos que incidam sobre a estratificação social.”
Mais excertos de Perspectivas para uma Análise Integrada do Desenvolvimento? Antes Wittgenstein que tal sorte.
 
Imagem: Ludwig Wittgenstein (1889-1951)

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Sugestões úteis e construtivas

por Paulo Gorjão, em 27.06.10

 

Mário Soares é único. O mesmo Soares que critica Cavaco por não dar "sugestões úteis e construtivas", estaria na primeira linha a acusar Cavaco Silva de interferir na esfera executiva se este desse "sugestões úteis e construtivas".

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Arraiais e arraialitos

por Ana Vidal, em 27.06.10

 

"Não se vai celebrar qualquer matrimónio no recinto, mas haverá um concurso chamado Noivas do Arraial. Quem fizer o pedido de casamento mais original recebe duas viagens de oito dias em lua-de-mel à Grécia (Mikonos para eles, Lesbos para elas), copo-de-água para vinte pessoas e despesas com a conservatória."

 

Estas são declarações de Paulo Côrte Real, presidente da ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero), que organizou ontem mais um Arraial Pride em parceria com a Câmara de Lisboa, desta vez no Terreiro do Paço. Este ano com uma especial comemoração a fazer: a legalização do casamento homossexual. No evento não faltou sequer um "arraialito" - um espaço dedicado às crianças - numa clara alusão ao direito à adopção para os novos casais. "O arraialito existe porque queremos celebrar as famílias que já somos, as crianças que já existem em que só uma figura parental é reconhecida pelo Estado".

 

Fico sempre arrepiada com estas manifestações espalhafatosas, sobretudo porque dizem ter a intenção de dignificar a causa dos homossexuais. Continuo a não entender, sequer, a razão de ser de um sentimento de "orgulho gay" (da mesma forma que não veria qualquer razão para a defesa de um "orgulho straight", para usar uma expressão equivalente).  A afirmação de pertença orgulhosa a um determinado grupo  identificado pela sua orientação sexual tem exactamente o efeito contrário ao que se pretende: acentua a clivagem e define barricadas, em vez de fazer com que as diferenças se diluam. E fazê-lo com recurso a um folclore de gosto mais do que duvidoso só piora as coisas. Acho particularmente criminoso meter crianças ao barulho, obrigando-as a uma exposição mediática brutal que não pediram, não lhes dá segurança nem lhes faz qualquer bem. Tenho a certeza de que a maioria dos homossexuais não aprova este circo exibicionista, como se torna evidente pelo reduzido número de participantes nestes eventos. Como querem ser respeitados e levados a sério, com atitudes deste calibre?

 


Nota: Numa reportagem de ontem, em directo, um casal de lésbicas aceitou ser entrevistado mas recusou-se a "dar a cara" para as câmaras. É estranho: estas duas mulheres estavam presentes numa manifestação cuja regra é a visibilidade máxima, em plena rua, sabendo que os media não resistem a este tipo de eventos. Mais: defendem (ou não estariam ali), o tal "orgulho gay" a ponto de terem corrido ao Terreiro do Paço de mãos dadas e empunhando cartazes sugestivos. E depois, no momento da verdade... não deram a cara. Alguém me explica um comportamento destes?

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Sabia que... (extra)

por João Carvalho, em 27.06.10

... o mau cheiro já chega à Madeira? Este instantâneo de Adriano Miranda (Público) confirma-o: Alberto João Jardim tapa o nariz e esconde o ar enjoado que por lá se espalhou desde que fez as pazes com José Sócrates. Os ambientalistas madeirenses andam preocupados com a atmosfera, embora não se atrevam a dizê-lo.

Ainda assim, no nosso território continental é pior: Sócrates e Jardim, cada qual do seu jeito, sempre contribuíram para o mau ambiente nacional.

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