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É no que dá a megalomania

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 29.12.09

Estádio de Leiria: eis um bom exemplo de como tão mal se gere os dinheiros públicos em Portugal, este país de megalómanos. Ainda por cima, e tanto quanto sei, a obra nunca foi acabada.

Vox pop

por Pedro Correia, em 29.12.09

"Não vou telefonar para o gajo. Podia pensar que estava atrás dele e não estou para isso."

Mulher de cerca de 40 anos, falando sozinha, ao princípio da tarde, enquanto descia a Avenida da Liberdade (Lisboa)

Espelho do país

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.12.09

A EDP - Electricidade de Portugal de Portugal S.A. é uma empresa que afirma ter "por missão produzir bem estar e aumentar a qualidade de vida e do ambiente, promovendo o optimismo e o dinamismo social" e cujos "princípios e políticas definidos para o Grupo são o reflexo da aplicação da Visão, dos Compromissos e da estratégia a determinados temas corporativos transversais a todos os negócios em que a EDP pretende posicionar-se de forma distintiva".

A linguagem pode parecer esotérica, mas talvez por isso mesmo é que a empresa tenha uma multiplicidade de órgãos, de conselhos e de departamentos, e milhares de colaboradores, prosseguindo, diz ela, princípios e políticas de "ética e de conduta", de "desenvolvimento sustentável", de "protecção pelo ambiente", de "biodiversidade", de "segurança", de "formação", de "comunicação", de "respeito pelos direitos humanos", de "combate às alterações climáticas" e de "combate à corrupção, suborno e financiamento de partidos políticos". Para além disso, afirma ter um código de ética, um provedor e está presente em vários continentes.

Em suma, à escala empresarial, a EDP é como que uma espécie de Estado, só que bem mais rico. E, como de repente se percebeu, com a vantagem de ter poucas ou nenhumas responsabilidades.

No meio desta babilónia, tal como o Estado ignora os seus contribuintes, a EDP despreza os seus consumidores nos momentos de aflição, limitando-se a fazer o básico, como seja o restabelecimento do serviço interrompido. 

São de há muito as queixas dos consumidores, obrigados a contratarem com a EDP para terem electricidade nas suas casas, de que a qualidade do serviço prestado é má, que as falhas de energia são mais frequentes do que o admissível, mesmo quando não há chuva nem vento, que a factura é normalmente elevada e que quando há problemas a empresa é a primeira a enjeitar responsabilidades. A culpa pelo mau serviço que presta ou é do frio, ou do calor, ou do vento, ou de uma cegonha irresponsável que pousa onde não deve e dá cabo da rede.

Depois do temporal que assolou a região do Oeste, que deixou milhares às escuras e ao frio durante o Natal, ontem fomos de novo confrontados, à hora do jantar, invariavelmente, com as queixas, justíssimas, dos consumidores do Prior Velho (Lisboa), sendo certo que tanto quanto se sabe por aqueles lados não houve nenhum furacão.

Eu até posso aceitar como explicação que as falhas na região do Oeste tenham origem nas más condições climatéricas, mas custa-me bem mais compreender por que razão a luz falta constantemente em Cascais e as quebras de serviço são rotineiras em Lisboa ou em Faro, incluindo em dias de bom tempo.

Não são poucas as vezes em que no escritório fico sem computador. No Verão dizem-me que é porque o quadro não aguenta os aparelhos de ar condicionado. No Inverno o problema é do frio, porque a EDP não pensou que seria desconfortável trabalhar gelado a uma secretária. E não são poucas as vezes, no final do dia, quando chego a casa e dou com os vídeos e os despertadores a piscarem, com o gelo semi-derretido e os congelados com vestígios de terem iniciado um processo de descongelação à minha revelia. E, pior do que isso, houve uma ocasião em que fiquei com o Arcam Alpha sem dar sinal de vida. A culpa, disseram-me depois da reparação, foi, de novo, de uma quebra de corrente.

Para a EDP tudo isto é normal. Para os portugueses também deve ser. Quem não pode passar sem a EDP e aceita o serviço prestado sem reclamar; quem todos os meses paga sem tugir nem mugir a conta da electricidade, não considera anormal o preço leonino das tarifas e das taxas cobradas, e aceita os aumentos como uma inevitabilidade, também não deve merecer mais nem melhor.

A EDP é, desgraçadamente, a imagem deste país: uma estrutura pesada e altamente burocratizada que está sempre a queixar-se dos investimentos que faz, paga por dez milhões e que derrete muitos outros em publicidade e marketing, enquanto meia dúzia se vai governando com os resultados e os dividendos, sem grandes trabalhos nem complicações de maior, mas que é incapaz de prestar um serviço à altura da cultura empresarial que promove e da imagem que quer dar de si.

Silêncio, mata-se

por Pedro Correia, em 29.12.09

 

O título, infelizmente, não podia ter sido mais bem escolhido. Silêncio, mata-se. Foi desta maneira que a mais prestigiada organização internacional de jornalistas, Repórteres sem Fronteiras, salientou a dramática situação que se vive no Irão, onde nos últimos dois dias foram mortas pelo menos oito pessoas e 300 acabaram encarceradas - incluindo destacados membros da oposição, jornalistas e activistas de direitos humanos. Prisão e censura são dois termos de grande actualidade em Teerão nos dias que correm: "A violência das forças da ordem tem vindo a ser acompanhada de uma nova vaga de ciberataques" que tolhe a actividade dos correspondentes estrangeiros e a própria comunicação dos iranianos através da Internet. Na sua página na Rede, os RSF mencionam casos concretos. Emadoldin Baghi, jornalista e figura emblemática da defesa dos direitos do homem no Irão e fervoroso militante contra a pena de morte, "detido no seu domicílio em Teerão, a 28 de Dezembro, por indivíduos trajando à civil e levado para local desconhecido". Alireza Behshtipour Shirazi, director do sítio oficial do principal candidato da oposição nas presidenciais de 12 de Junho, Mir Hussein Moussavi, "detido no seu domicílio em Teerão e levado para local desconhecido". Shiva Nazar Ahari, conhecida bloguista e activista dos direitos humanos, "encarcerada desde 20 de Dezembro na secção 209 da prisão de Evin".

Este é o Irão de Ahmadinejad, recentemente recebido no Palácio de Miraflores, em Caracas, por um Hugo Chávez em êxtase. "Exemplo de firmeza e constância pela liberdade de seu povo, pela grandeza da pátria persa, a pátria iraniana", chamou-lhe o Presidente venezuelano, um dos raros dirigentes internacionais capazes de dizer frases destas sem corar de vergonha. Este é um regime que chama aos membros da oposição "agitadores ao serviço de potências estrangeiras", com eco imediato no deslumbrado Avante!, porventura vislumbrando algum resquício de comunismo na ditadura xiita de Teerão. Salazar dizia o mesmo dos opositores - alguns dos quais comunistas. Mas nem isso confere hoje algum decoro ao jornal dos mais ortodoxos membros do PCP, cego e surdo à repressão quando se pratica nos países 'amigos' - por acaso alguns dos menos recomendáveis do planeta.

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Indignações

por José Gomes André, em 29.12.09

O Presidente promulgou um diploma aprovado por uma maioria dos deputados da Assembleia da República, perfeitamente legítimo e sem inconstitucionalidades conhecidas. Este gesto vulgar numa democracia emancipada mereceu críticas de vários quadrantes e até reacções indignadas. Parece-me natural que se denuncie eventualmente o valor do diploma, mas já me deixa estupefacto que se critique a referida promulgação presidencial de um acto tão básico e natural do processo democrático. A menos que se considere que somente o Governo pode aprovar leis e/ou que o Presidente deve vetar leis meramente por discordar das mesmas. Querem mesmo abrir essa caixa de Pandora?

Leituras

por Pedro Correia, em 29.12.09

 

 

"Não há muitas pessoas que saibam das maravilhas que aguardam para serem reveladas através do recordar das histórias e das visões das suas próprias infâncias. Enquanto crianças nós escutamos, sonhamos e guardamos pensamentos incompletos que, quando mais tarde queremos recordar, já nos achamos prosaicos e murchos sob o efeito do veneno da vida. Mas alguns de nós acordamos durante a noite com estranhas aparições de colinas e jardins encantados, de fontes cantando ao sol, de penhascos dourados sobre mares murmurantes, de planícies que se estendem até às cidades adormecidas de bronze e pedra e de fantásticas companhias de heróis envoltos em neblina, galopando em adornados cavalos brancos ao longo das orlas de densas florestas, e nesse momento apercebemo-nos de que olhávamos através de portões de marfim para aquele mundo de encantamento que era nosso antes de sermos sábios e infelizes."

H. P. Lovecraft, Herbert West: Reanimador

Ligação directa

por Pedro Correia, em 29.12.09

Ao Manuel Tito de Morais.

Meio século de magia no ecrã

por Pedro Correia, em 28.12.09

 

Há precisamente meio século, o cinema registou um dos seus mais memoráveis anos de sempre, culminando aquela que foi provavelmente a melhor década da Sétima Arte, com quase todos os cineastas pioneiros ainda em actividade – Charles Chaplin, John Ford, Fritz Lang, Alfred Hitchcok – enquanto uma geração de jovens realizadores, vários dos quais oriundos da televisão, como Sidney Lumet e John Frankenheimer, começava a mostrar o seu talento. Foi também a década que assistiu à verdadeira universalização do cinema como forma de expressão artística, com obras de Ingmar Bergman, Federico Fellini, Andrzej Wajda, Louis Malle, Alain Resnais, Tony Richardson, Akira Kurosawa, Michelangelo Antonioni e tantos outros.
Esse fabuloso ano de 1959 assinalou o arranque de um dos mais originais movimentos de sempre do cinema – a Nouvelle Vague, com as longas-metragens seminais de François Truffaut (Os 400 Golpes) e Jean-Luc Godard (O Acossado). Depois delas nada ficaria como dantes. O olhar errante de Jean-Pierre Léaud na película de Truffaut permanecerá para sempre impresso na memória do espectador, tal como Jean-Paul Belmondo parodiando Bogart no filme de Godard, que reinventou a linguagem cinematográfica.
Foi também o ano do apogeu de todos os géneros. O thriller, com a inimitável Intriga Internacional, de Hitchcock. O western, com o assombroso Rio Bravo, de Howard Hawks. A comédia, com o genial Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder. O épico, com o monumental Ben-Hur, de William Wyler. O filme de guerra, com essa lapidar película que é A Balada do Soldado, do soviético Grigori Chukhrai. E até o musical, recriado com todo o prodígio melódico e rítmico de que só os brasileiros são capazes em Orfeu Negro, rodado pelo francês Marcel Camus nas favelas do Rio de Janeiro – o filme que revelou ao mundo o talento de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes.
E houve ainda, nessa década, o mais feliz cruzamento de várias gerações de actores. Desde os que vinham quase dos primórdios do cinema, como Gary Cooper, Joan Crawford, John Wayne e Marlene Dietrich, até à primeira geração formada na escola do Método, que incluiu Marlon Brando e Paul Newman. Foi a década das figuras trágicas, como Marilyn Monroe,  James Dean e Montgomery Clift. E também de novas divas, verdadeiramente intemporais – Audrey Hepburn, Grace Kelly, Elizabeth Taylor. Foi ainda um tempo em que se provou ser possível o estrelato muito para além das fronteiras de Hollywood, com a projecção internacional de actores italianos como Marcello Mastroianni e Sophia Loren, japoneses como Toshiro Mifune, franceses como Jeanne Moreau e Gérard Philipe, suecos como Ingrid Thulin e Max von Sydow.
Uma década que começou bem e terminou ainda melhor. Quando a vida era inseparável do cinema e este era a melhor expressão da vida.

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Olha o Magalhães fresquinho!

por Ana Vidal, em 28.12.09

 

Premissa 1: Como toda a gente sabe, trocar é um prazer igual ao de fazer compras, com a enorme vantagem de não se gastar dinheiro. E em tempos de crise...

 

Premissa 2: A avaliar pelo inferno em que se transformaram os centros comerciais nestes dias pós-Natal, nunca a época de trocas foi tão delirante.

 

Sendo assim, porque haveriam as crianças dos Açores de ser diferentes de toda a gente?

 

Não há volta a dar-lhe...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 28.12.09

Todos os anos , em plena época natalícia, a comunicação social faz questão em brindar-nos com notícias destas. Já era tempo de perceberem que nos estão a vender "gato por lebre", porque as contas que fazem não são verdadeiras e só enganam alguns incautos.

Este ano, porém, introduziram um dado novo. Falam-nos de pontes, como se de verdadeiros feriados se tratassem, e fazem coro com estes propagandistas.

Um país de tanga

por José Gomes André, em 28.12.09

O que está a dar são debates sobre o casamento homossexual, ameaças veladas pelos abrantes do costume e sentidos apelos a mais uma vigília por um activista qualquer. Entretanto, Daniel Bessa publicou esta breve peça

 

"Dez mil milhões de euros/ano. É quanto, entre aumento de receitas e diminuição de despesas, o Estado Português tem de reduzir o seu défice anual. Não para o anular mas para o trazer para os 3% do PIB. [...] Pode fazê-lo de vários modos: subir a taxa máxima do IVA para 35% (e as outras proporcionalmente); subir a taxa máxima de IRS para 87% (e as outras proporcionalmente); reduzir em 47% os salários da função pública; privatizar 35% dos serviços públicos. Pode também proceder a qualquer combinação destas e de outras medidas, em doses variáveis: por exemplo, reduzir para metade o investimento público, fixar a taxa máxima de IVA em 23%, fixar a taxa máxima de IRS em 52%, privatizar ou encerrar 7,5% dos serviços, reduzir em 10% os salários dos restantes funcionários públicos."

 

Num país que não tivesse as suas prioridades completamente baralhadas, este texto assustador justificaria um alarme generalizado. Por cá, no pasa nada.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 28.12.09

 

"Aqui há dias sucedeu-me em Coimbra B: ia cheia de pressa trocar um bilhete comprado via internet e ia stressando quando vi uma fila descomunal na bilheteira. Meti-me nela a espumar e enquanto olhava para os dísticos (sempre a mudar), vejo noutro guichet um tranquilo funcionário a apanhar moscas. "Alfa, IC", rezava a tabuleta. Li uma vez, duas, três, duvidando se era eu a maluquinha do sítio, ou antes todos os outros. Mas como para grandes males, grandes remédios, saí temerariamente da fila e plantei-me à frente do ocioso, disparando o pedido à espera do pior (uma daquelas respostas abstrusas que podem acontecer em Portugal, tipo "pois, mas falta o amanhã no dístico. Sim, é alfa- intercidades, mas só para o dia seguinte. Hoje é ali naquela fila..." Mas qual quê, receios infundados. Era ali, sim, dizia candidamente o homem. Também podia trocar, sim senhora.
E pronto! Troca feita em três tempos, e eu a sair diligente porta fora, sentindo dois ou três olhares inquietos cravados nas minhas costas.
Tipicamente portuguesa, esta atracção fatal pelo sofrimento."

 

Da nossa leitora Chloé. A propósito deste meu texto.

Incoerências por incoerências

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 28.12.09

Há dias, dizia-me uma amiga que se o casamento entre pessoas do mesmo sexo fosse aprovado, teria de ir a um casamento não tarda muito. E que, provavelmente, até teria de ser madrinha. Não sei se da noiva, se do noivo, se. Encolhi os ombros - já estou por tudo. Pedi-lhe, apenas, que não se lembrasse de me convidar para a acompanhar no eventual evento. Do mesmo modo que já garanti que, como advogado, recusaria patrocinar qualquer parte num divórcio homossexual, também não me sinto preparado para entrar numa festa dessas. Tal como o Papa, acho que o casamento que é casamento, é entre pessoas de sexos diferentes. Tudo isto não invalida que respeite a orientação sexual de quem quer que seja. Ou que ostracize os homossexuais, desde que não sejam daqueles que, virilmente, impõem o seu incomodativo «orgulho». Ou que não respeitem a minha diferença.

Tenho visto, curiosamente, que os mais acérrimos defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo são aqueles que mais estremecem quando se lhes pergunta: «Como reagiria se o seu filho chegasse a casa e lhe apresentasse o namorado?».

Pois bem. Incoerência por incoerência, o único casamento homossexual em que admitiria participar seria o de um filho meu. Ou de um amigo muito próximo. Não iria muito feliz. Mas iria compassivo. E talvez até conseguisse esboçar um sorriso. Quanto ao mais, que o diabo seja cego, surdo e mudo. E paralítico.

 

Ligação directa

por Pedro Correia, em 28.12.09

Ao Blogs sobre SIC Notícias.

Livros

por Ana Sofia Couto, em 27.12.09

 

The Scarlet Letter, pintura de T. H. Matteson

 

No prefácio que escreveu para a sua tradução de The Scarlet Letter, romance de Nathaniel Hawthorne publicado em 1850, Fernando Pessoa cita vários críticos e conclui que, para a generalidade da opinião crítica inglesa, o romance é uma obra-prima. Não sabemos se Pessoa estaria de acordo com esta opinião geral; como nota George Monteiro na introdução ao texto traduzido pelo autor de Mensagem, «é possível especular sobre o fascínio que o romance deve ter exercido sobre o poeta» (Dom Quixote, 2009, Biblioteca António Lobo Antunes, p. XV).
O texto que li, A Letra Encarnada, é uma tradução – a de Fernando Pessoa –, mas as considerações filosóficas e as analogias, que singularizam a prosa genial de Hawthorne, escapam à traição do tradutor, e mostram um autor empenhado em criar «qualquer coisa de novo em literatura» (p. 35). O «novo em literatura» significará a capacidade de contar uma história a partir da qual possamos aperfeiçoar as nossas teorias sobre a natureza humana («Escolha o leitor entre estas teorias a que lhe parecer melhor», p. 270). E o que diz acerca da ‘natureza humana’ a história de Hester Prynne, a mulher que, no meio de uma comunidade onde reinava a «tristeza puritana» (p. 241), usava um sinal – uma letra encarnada – como marca da ignomínia? Optando por uma «teoria», seria possível incluir na resposta a palavra “sinceridade”. De facto, a ‘loucura’ do padre Arthur Dimmesdale tem a ver com a incapacidade de viver na verdade, com as consequências que essa vida implica. É neste sentido que o discurso de autocrítica proferido a meio de um sermão tem um significado que os ouvintes nunca poderão entender (o padre «tinha falado verdade, transformando-a em mentira», p. 148). Por outro lado, a contrastar com um modo de vida em que o segredo e a lei moral governam as relações humanas, ganha relevo a alegria de Pearl, a ‘criança com movimentos de ave’. Pearl, na sua pureza infantil, tem uma percepção mais nítida, mais próxima da verdade das coisas, e é isso que a torna tão especial no romance de Hawthorne.

Blogue da semana

por Teresa Ribeiro, em 27.12.09

No rescaldo de Copenhaga e do stress natalício parece-me apropriado convidá-los a passear por aqui.

Heróis da BD (35)

por Pedro Correia, em 27.12.09

 

 

 

 

Jean Valhardi, de Jijé, Jean Doisy e Eddy Paape

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O estado da Nação

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 27.12.09

Lida a imprensa do fim-de-semana, concluo: o supra-sumo Cavaco anda tão fraquinho, que até o fraquinho Sócrates é capaz de chegar para ele. E, por falar nisso, por onde anda a oposição? O PSD, por exemplo? (Cheguei ao ponto - fraquinho - de precisar de apenas três linhas para dizer o que penso sobre o estado da Nação). E, por falar nisso: como está a Nação?

Ligação directa

por Pedro Correia, em 27.12.09

Ao Do Baixo ao Alto.

Causas para 2010.

por Luís M. Jorge, em 26.12.09

Temo que a consagração do casamento entre pessoas do mesmo sexo provoque uma sensação de orfandade aos meus leitores da esquerda moderna. Agora que o Rubem e o Martim podem juntar os trapinhos, haverá nesse roupeiro cheio de Versaces, Cavallis e Gallianos alguma coisa por que ainda valha a pena lutar? Será a blogosfera de Sócrates forçada a deter-se em temas áridos, como o desemprego, a corrupção ou o défice? Numa palavra: nunca.

 

O mundo continua repleto de apelos galantes, que bramam pelo activismo das senhoras preparadas para cometerem o singular pecado de pensar. Inspirado pelos bons sentimentos desta quadra festiva, apresento-vos o meu conjunto de ideias para 2010.

 

Janeiro: legalização da eutanásia, adopção gay e casamento transgender, corte de relações diplomáticas com o Vaticano, referendo contra a Fox News, proibição dos rodeos e criação de cinco regiões administrativas. A parte das regiões é chata, mas trata-se de um dever patriótico. Em alternativa: acabar com o patriotismo.

 

Fevereiro: educação sexual no primeiro ciclo, com distribuição gratuita de preservativos, lubrificantes, masturbadores, coleiras, anéis vibratórios, lingerie comestível, algemas, correntes para mamilos, arneses e godemichets. As nossas crianças têm direito a uma sexualidade plena, vivida em profundo respeito pelas diferenças. Lançamento do Projecto Vasco da Gama, que levará às escolas o primeiro dildo totalmente fabricado em Portugal.

 

Em Fevereiro, nas mochilinhas deles.

 

 

 

Março: o Grande Festival da Primavera celebrará o naturismo, o vegetarianismo e o swinging num vasto conjunto de eventos que animarão a última semana do mês. Os titulares de cargos políticos, as magistraturas judiciais e os funcionários públicos serão encorajados a despir preconceitos e a estreitarem laços com colegas de ambos os sexos. Também os utentes poderão frequentar as instituições do Estado em pelota, tal como deus (um deus metafórico e tolerante) os trouxe ao mundo.

 

Abril: em Abril lutaremos por uma imprensa verdadeiramente livre, capaz de romper a canga infame do neoliberalismo. Será tempo de exigirmos que se reconheçam os esforços de uma esquerda actuante, progressista, e de denunciarmos quem se serve ilegitimamente da sua liberdade para promover campanhas de ataques pessoais, calúnias torpes e insinuações vis. A Fogueira das Vaidades, que brilhará no largo do Rato durante três dias, vai ser o ponto alto de uma iniciativa patrocinada pela PT, a que se associam desde já o Diário de Notícias, a TSF, a RTP e o Pedro Marques Lopes.

 

 

Brevemente no Correio da Manhã.

 

 

Maio: em Maio há eleições antecipadas.



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