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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 02.12.09

1. Golpe de Estado é um excelente nome para um blogue. Fica a novidade: esse blogue já existe. E recomenda-se.

2. O próximo ano será fértil em efemérides. Uma é já antecipada em blogue: Manuel Tito de Morais - homenagem ao antigo fundador do PS e ex-presidente da Assembleia da República, nascido em 1910 e falecido em 1999. Entre os animadores, está o incansável Luís Novaes Tito. Gostei de ler os textos evocativos, incluindo o da minha amiga Isabel, neta de Tito de Morais.

3. Os nossos amigos do 31 da Armada entraram no quarto ano de existência. Aqui vai, embora com indesculpável atraso, um grande abraço de parabéns.

4. Também de parabéns está o Filipe Tourais. Pelo quarto aniversário do seu blogue, O País do Burro.

5. O nosso Paulo Gorjão decidiu silenciar a sua apreciada Vox Pop. Mas os projectos continuam. E o DELITO também.

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 02.12.09

Ao Fórum Lisboa.

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E fala em pé da tribuna sem assento

por João Carvalho, em 01.12.09

«A primeira ideia é que, sendo belga... francófono... fala em inglês... sem acento.»

(Repórter sobre o primeiro presidente do Conselho Europeu, no Telejornal, RTP)

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Podem brindar

por João Carvalho, em 01.12.09

A propósito do que Vital Moreira diz aqui sobre o que chama "democracia referendária" e ao qual o Paulo Gorjão se refere aqui mais abaixo, lembrei-me do que o eurodeputado para-socialista achava e deixava de achar sobre o referendo ao tratado europeu prometido e não-cumprido por José Sócrates. Hoje há champanhe.

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1º de Dezembro de 2009

por Pedro Correia, em 01.12.09

  

 

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

 

(...)

 

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

 

Poema 'Pátria Minha', de Vinicius de Moraes (excerto)

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Mais vinte rios de Portugal (1)

por Pedro Correia, em 01.12.09

 

RIO ALMONDA

 

Nascente: Serra de Aire, 5km a noroeste de Torres Novas

Foz: Rio Tejo, no síto da Igreja Grande, concelho da Golegã

Extensão: cerca de 30km

 

"Dizem que o rio chora toda a noite / Nas lágrimas tombadas dos salgueiros. / (...) E as pedras nuas da distância? / Almonda! Almonda! Almonda! / Um eco... // São as rãs da memória que chamam as cigarras / Quando o Verão se chega mais à terra / E a cidade amanhece ao som do rio que canta. // Dizem que o rio canta / Nos olhos molhados dos salgueiros!"

Maria Sarmento, Almondinas

(o meu agradecimento ao leitor José Catarino, que aqui trouxe estes versos)

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Pratos do dia (18)

por Paulo Gorjão, em 01.12.09

 

1. Citação

"Life is not fair; get used to it", Bill Gates.

2. Uma posta

"Chocante", por Vital Moreira (Causa Nossa, 30.11.2009).

3. O referendo suíço

O resultado do referendo é de tal forma preocupante e errado que a própria Conferência Episcopal suíça fez questão de o criticar.

4. Mais uma ronda negocial

Sejamos muito claros: se o Governo ceder na questão das quotas na carreira dos professores, o triunfo dos sindicatos é a nossa derrota colectiva. É claro que há margem de manobra para acordar diferentes patamares de quotas no acesso aos escalões superiores. Porém, o Governo não pode -- não deve -- ceder quanto ao princípio. Seria um enorme desperdício capitular agora, depois de tanto esforço, quando já se chegou à costa...

5. Em 140 caracteres

"Vieira da Silva veio dizer ontem que a regionalização não é uma prioridade para a legislatura. Pergunta: não havia um programa de Governo?", Luís Menezes.

6. Um consenso improvável...

Quem diria que Luís Filipe Menezes poderia estar ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa? Por vezes Manuela Ferreira Leite consegue o impossível...

7. Googled (vídeo)

Ken Auletta.

8. Questões de gamela

O PCP parece que está muito chateado porque o PS não o consultou na recente escolha para o Tribunal Constitucional (ver Público de hoje). Ou seja, não é propriamente a qualidade da escolha em abstracto que preocupa o PCP, mas sim a sua marginalização no processo. Não sei se é verdade que o PS ignorou uma prática seguida desde a transição para a democracia, mas em todo o caso não faz mais do que reconhecer a crescente irrelevância eleitoral do PCP. Ultrapassado pelo Bloco de Esquerda nas últimas eleições legislativas, cada vez mais periférico no sistema político português, o PCP resiste à mudança, mas exige a manutenção dos privilégios com base numa representatividade passada...

9. EUA, NATO e Afeganistão: Quo Vadis?

"Soviets' Afghan ordeal vexed Gates on troop-surge plan", por Yaroslav Trofimov (WSJ, 30.11.2009).

10. Um livro

 

Joshua Cohen, Philosophy, Politics, Democracy: Selected Essays (Harvard University Press, 2009).

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Com dedicatória

por Teresa Ribeiro, em 01.12.09

Por instinto conduziu-o pelo braço. Olhos em frente, a furar médicos e enfermeiros naquele vaivém por entre aflitos, o que ela queria era segurá-lo pelo braço, porque a mão, aquela mão dele, estava ao contrário.  Se ele imaginasse como lhe era insuportável segurá-lo pela mão, teria percebido porque teve ela de ser tão desembaraçada em tudo, para poder negar àqueles espectros de bata branca o espectáculo banal do seu pavor.

Depois, quando o chamaram e começaram a fazer-lhe perguntas ela recuou ao tempo em que era ele que as fazia. O que diz o teorema do valor intermédio de Bolzano? Ao tempo em que a sua preguiça o exasperava: Burra! E ela, rancorosa, a amaldiçoar aqueles jogos florais, o desafiava: Detesto matemática! (Se calhar o Freud - claro que o Freud - somaria dois mais dois).

Quando os espectros de bata branca, indiferentes ao passado que os fundia, lhe perguntaram: Quantos são 16 + 3? e ele respondeu 18, ela só por pudor não fez o pino, a ver se a realidade a seguia nesse movimento rotativo e se repunha. Para poderem os dois escapar dali incólumes. Ela de franja e de soquetes e ele, grande e forte, a levá-la dali pra fora. Pela mão.

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Passado presente (CXCV)

por Pedro Correia, em 01.12.09

Dempsey e Makepeace

(série da ITV britanica, 1984-86)

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(recebido via email, autor desconhecido)

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Pós-1640 (1) — Os conjurados

por João Carvalho, em 01.12.09
1640. Está a chegar ao fim uma das primeiras experiências de governação autónoma à escala mundial. Uma experiência precoce, ainda incipiente, mas bem sucedida.
Em Madrid, Filipe II não impusera medidas drásticas: um governo autónomo em Lisboa, Portugal governado por portugueses nos quais Castela confiava, uma capacidade legislativa ampla e respeito pela cultura e tradições.
Filipe III dera continuidade ao modo de gerir a região autónoma de Portugal que recebera. Sem muitos sobressaltos, o segundo monarca da União Ibérica mantivera a autonomia portuguesa em diversas áreas da governação e conservara o direito aos usos e costumes lusitanos.
Até que subira ao trono Filipe IV. Depressa se tinham percebido os seus excessos. Autoritário a reinar, começara a reformar as leis no sentido da integração pura e dura de Portugal. Em pouco tempo, já se sentia a perda sucessiva da autonomia, o governo de Lisboa tinha cada vez menos peso, muitos espanhóis passaram a integrar as instituições portuguesas, a obediência a Madrid era total e o passado cultural da antiga nacionalidade tendia a esfumar-se.
A revolta já vinha de trás e ganhara novo fôlego no encontro de Évora, com a adesão de figuras de topo da nobreza, do clero, de várias manchas da população insatisfeita e do quadro de militares.
 
1 de Dezembro. A iniciativa de um punhado de homens arrojados surpreende Lisboa. Em poucas horas, o golpe vitorioso abre caminho à recuperação da independência. Por trás dos revoltosos, o herdeiro da Casa de Bragança já se manifestara disponível para encabeçar os destinos da Nação.
D. João IV precisa de muita coragem: Portugal não tem orçamento e não tem exército, não tem relações externas e não tem escoamento do que produz, quase não tem frota marítima e quase não tem contactos comerciais com outros países. A única coisa que tem é inimigos entre os países que mantêm relações com Espanha, restando um ou outro amigo entre os inimigos (nem sempre poderosos e muitas vezes receosos) dos castelhanos.
O Rei vai enfrentar tempos muito difíceis e tem o bom-senso de se apoiar em duas figuras que hão-de ser determinantes perante a complexidade da situação: o seu secretário de Estado e conselheiro Francisco de Lucena (homem de grande verticalidade que acabará condenado à morte, vítima da intriga) e o seu eloquente inspirador e mentor espiritual, o padre António Vieira, SJ. Com eles, há-de ser consolidada a restauração da independência de Portugal.
Fora do processo ficam os portugueses que se opõem à independência: uns por receio de que a vitória não esteja assegurada, outros para não perderem benefícios, outros ainda por medo, evitando associar-se a qualquer das partes antes de saber de que lado poderiam chegar-lhes represálias.
Fora do processo está também um visionário fadado para ser líder...

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Pós-1640 (2) — O líder visionário

por João Carvalho, em 01.12.09
1 de Dezembro, ainda. Miguel de Vasconcelos – secretário de Estado da regente de Portugal, Margarida de Saboia, duquesa de Mântua – é alertado pelo tumulto e decide ir à varanda do Paço para ver o que se passa. Levanta-se em passo rápido, tira um agasalho do armário, abre a portada da varanda e tropeça na soleira. A queda é inevitável: desamparado, não consegue agarrar-se ao balcão, precipita-se no vazio e estatela-se lá em baixo no terreiro, com o corpo em posição estranha e inerte.
A queda brutal deixa-o em mau estado e já não ouve D. Miguel de Almada proclamar da varanda a independência de Portugal e a realeza do duque de Bragança. As fracturas ósseas, traumatismos profundos e escoriações várias vão levar meses de tratamento e de cuidados hospitalares.
Passa muito tempo internado, até ser transportado para as reais instalações de repouso nas Caldas, onde acaba de recuperar.
 
1641. De regresso a Lisboa, rapidamente reúne os homens que lhe são mais chegados, entre os que se opõem à independência. A Nação está um caos e já ninguém se opõe a quem estiver determinado a repor a ordem e o bem-estar.
Miguel de Vasconcelos, o visionário, passara muito tempo a estudar o mapa da Península Ibérica até ter a certeza de que estava ali um só país natural. Com efeito, a Natureza encarregara-se de dar forma ao território ibérico, como que a dizer: fiz isto para ser um só reino e um só reino será.
Figura central de antanho, foi o seu estudo atento e aprofundado que evitou o colapso e que a região autónoma de Portugal se desenvolveu definitivamente. De cada vez que ele olha o mapa e medita na unidade territorial, vai vendo o futuro mais e mais claro.
Salvei o problema da desertificação na minha terra – diz em voz baixa Miguel de Vasconcelos, com o olhar perdido nas brumas do porvir. Portugal é a costa marítima de Espanha, pelo que jamais sofrerá o martírio da interioridade desoladora.
Verdadeiro visionário, o futuro sonhado surge-lhe imparável com todos os contornos.
O TGV de Madrid e da Galiza serão simples extensões da rede ferroviária ibérica – cogita ele, premonitório. As urgências hospitalares, os centros de saúde, as maternidades e as clínicas de IVG estarão aqui bem perto de nós.
E assim prossegue, o grande líder pós-1640, desfolhando cada tema.
A Zara no Vale do Ave, a Seat na AutoEuropa. Produtos alimentares,  têxteis, bancos, comércio e serviços, tudo circulará livremente até nós. Mesmo o calçado. Zapatero incluído. Nem Platão e Aristóteles seriam capazes de conceber tamanha obra. Nem o grande Sócrates. Grande? Grande sou eu.
 
(Publicado no PPTO há um ano – adaptação)

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 01.12.09

Ao Blogs sobre José Pacheco Pereira.

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