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Chumbo grosso

por Pedro Correia, em 03.12.09

O Tribunal de Contas já chumbou cinco dos seis contratos de subconcessão lançados este ano pela empresa pública Estradas de Portugal. A pergunta que se impõe é esta: estará o presidente da EP, Almerindo Marques, à espera do sexto chumbo para apresentar finalmente o pedido de demissão?

Haja ânimo

por João Carvalho, em 03.12.09

«Temos de sair deste impasse, sob pena de caminharmos para um suicídio colectivo.» Estas palavras de Pinto Balsemão sobre o PSD actual traduzem a situação preocupante a que chegou um dos partidos de primeiro plano. Preocupante, mas previsível. Porém, a realidade nacional revela hoje em dia um aspecto que pode deixar os sociais-democratas menos angustiados: o próprio país caminha para um suicídio colectivo e o PSD apenas cumpre o dever de o acompanhar neste percurso doloroso. Não é mais animador?

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A proposta.

por Luís M. Jorge, em 03.12.09

Leiam este artigo do Pedro Lomba, por favor. Suponho que o país ainda suporta alguma decência.

Suspenda-se o Estado de direito

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.12.09

O problema que está em causa não tem a ver com o acesso às escutas - tem exactamente a ver com o facto de o povo português não conhecer o conteúdo das escutas"

 

Esta frase não devia ter sido dita. Esta frase não podia ter sido proferida. Mas tendo-o sido é natural que exija a nossa reflexão. O facto do povo português não conhecer o conteúdo das escutas a que a líder do PSD se refere é exactamente o mesmo que legítima a sua intervenção pública.

O que define a democracia, entre outras coisas, é a aceitação pelos seus actores e forças políticas de um conjunto de regras e são estas regras que a fazem funcionar. Até no caso das escutas.

Mesmo admitindo que todos nós, povo, temos um pouco de bisbilhoteiros e de voyeurs, é evidente que a democracia também tem de acautelar esse voyeurismo. Não sei se onde vive Manuela Ferreira Leite tem vizinhos, nem se tem por hábito espiolhar o que os seus vizinhos fazem ou dizem, e se depois corre a apregoar o que ouviu, mesmo que não tenha ouvido nada e tudo não passe de um rumor lançado pelo homem do café da esquina ou pelo padeiro que um dia viu a vizinha divorciada em trajes menores a estender uma toalha de banho durante a visita de um meio-irmão que tinha vindo do Brasil e cuja existência era desconhecida da gente do bairro.

Tivesse Manuela Ferreira Leite escutado o que disse a sua companheira de partido e ex-juíza do Tribunal Constitucional, Assunção Esteves, e teria compreendido o porquê de não se poder contornar as regras à medida das conveniências. O interesse que algumas pessoas revelam por conhecer o conteúdo das conversas do primeiro-ministro não será muito diferente do interesse que algumas pessoas têm por conhecerem os hábitos dos seus vizinhos. Mas não é por haver quem tenha esse interesse - gostos não se discutem - que se vai permitir a devassa, fomentar a bisbilhotice e a coscuvilhice.

Francisco Pinto Balsemão, que há muito mandou a política às urtigas, preocupado com o futuro do PSD, alertou para a existência de coveiros dentro do próprio partido. Ninguém ficou a saber a quem ele se referia, embora todos também saibam que no PSD haja o estranho hábito de se rezarem missas de sétimo dia por tudo e por nada. A questão é que o coveiro não é o problema. Pinto Balsemão sabe que o coveiro se limita a enterrar o defunto cujo óbito foi previamente confirmado.

Relendo as palavras de Ferreira Leite fiquei convencido de que Balsemão teve pudor em ser mais claro. Quando à custa da quebra do segredo de justiça se fomenta a intriga, a coscuvilhice e a delação para satisfazer os instintos voyeuristas da populaça (convém não confundir com o povo português) mais não se está a fazer do que a apontar o dedo à vizinha. 

O povo português não quer saber do que não tem que saber. O "povo" gostava é que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite olhasse para dentro de sua casa, limpasse o pó acumulado debaixo da sua cama, abrisse os roupeiros, matasse as traças e se livrasse dos monos que atravancam o passeio e o hall de entrada do seu prédio e que ela prometera tirar de lá antes do próximo Natal. O seu partido tresanda a mofo. E por via disso também o resto do prédio.  Um dia a Dr.ª Manuela poderá mudar de casa. O cheiro permanecerá no prédio. Quando não for o do mofo será o da naftalina. Ficou entranhado. Ela devia saber isto. A democracia também tem a suas fragilidades. Como os homens. O Dr. Pinto Balsemão vai ter de ser mais claro. 

Vendedor de ilusões

por Pedro Correia, em 03.12.09

Tem toda a razão, o Ferreira Fernandes: só um parolo não percebia que aquilo no Dubai ainda acabava por dar buraco. E apenas um vendedor de ilusões podia vislumbrar ali um paraíso de negócios. Em suma, alguém como o ex-ministro Manuel Pinho.

Da condição feminina

por Ana Vidal, em 03.12.09

 

«E ainda há idiotas que pretendem que a nossa época é falha de poesia, como se não tivesse os seus surrealistas, os seus profetas, as suas estrelas de cinema e os seus ditadores. Pode crer, Philip, que aquilo de que somos falhos é de realidades. A seda é artificial, os alimentos, detestavelmente sintéticos, assemelham-se àqueles sucedâneos de comida com que empanturram as múmias, e as mulheres, esterilizadas contra a infelicidade e a velhice, deixaram de existir. Só nas lendas dos países semibárbaros encontramos ainda dessas criaturas ricas em leite e em lágrimas das quais nos orgulharíamos de ser filhos... Onde foi que me falaram de um poeta que não conseguia amar mulher alguma porque tinha encontrado Antígona numa outra vida? Era um tipo do meu género... Umas tantas dúzias de mães e de amorosas, de Andrómaca a Griselda, tornaram-me exigente em relação a essas bonecas inquebráveis que passam pela realidade.»


  "A salvação de Wang-Fô e outros contos orientais"

 

Este magnífico trecho de um dos magníficos contos da magnífica Marguerite Yourcenar (perdoem-me a insistência, mas nunca resisto à hipérbole quando me refiro a ela) bem pode fazer-nos reflectir sobre o artificialismo em que nos fomos deixando cair, nós, "criaturas ricas em leite e lágrimas" encurraladas na armadilha da eterna juventude e da felicidade permanente, como se só esses estados fossem admissíveis. Na recusa patética do envelhecimento e na incapacidade de aceitarmos o sofrimento que nos cabe, como coisas naturais, será que nos transformámos em "bonecas inquebráveis"  que passam pela realidade sem se deixar marcar nem deixar marca?  Como nos vêem os homens exigentes, após o prazer imediato e  óbvio de uma aparência agradável? Como nos vemos nós, quando o espelho não nos mente? Ou será que é melhor não pensarmos muito no que pode trazer-nos cabelos brancos e rugas?

 

 

PS: A propósito (mas sem ter sido planeado), esta notícia que acabei de ouvir e me arrepiou. E mais esta, que alarga o universo aos homens também.

Ligação directa

por Pedro Correia, em 03.12.09

Ao Live Journal.

Brave new world

por Pedro Correia, em 02.12.09

Barack Obama decidiu mandar mais 30 mil soldados para travarem a guerra no Afeganistão. A poucos dias de receber em Oslo o Prémio Nobel da Paz.

Lapidar

por Pedro Correia, em 02.12.09

Vamos ter um decréscimo muito inferior à média europeia. Isso deve-se às políticas que seguimos."

José Sócrates, hoje, aos jornalistas

Livros

por Ana Sofia Couto, em 02.12.09

«Há poucos traços mais antipáticos da natureza humana que esta tendência - que tenho observado em homens que não são piores que os outros - de se tornarem cruéis pela simples razão de que têm o poder para o ser.»

 

Nathaniel Hawthorne. A Letra Encarnada. Lisboa: Dom Quixote, 2009, p. 39. Tradução de Fernando Pessoa.

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Sabia que... (9)

por João Carvalho, em 02.12.09

... a Austrália é o país em que as casas de família têm a maior área média? Segundo um estudo apresentado recentemente e referente a Setembro passado, as habitações australianas têm 214,6 metros quadrados, em média, e vão pela primeira vez à frente dos EUA, onde a recessão fez baixar a média para os 201,5 metros quadrados por agregado.

Na Europa, é a Dinamarca que tem as habitações – apartamentos ou moradias independentes – maiores (137 metros quadrados), seguida da Grécia (126 metros quadrados) e da Holanda (115,5 metros quadrados). Entre os nossos parceiros, as casas mais pequenas são as dos britânicos, cuja área, em média, se fica pelos 76 metros quadrados.

Retratos da pobreza e exclusão (1)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 02.12.09


 

Cerca de dois milhões de portugueses vivem com rendimentos inferiores a 60 por cento da média nacional, o que faz de Portugal o país da União Europeia com maior desigualdade na distribuição de riqueza e um dos que tem mais elevada percentagem de população em risco de pobreza.
A pobreza manifesta-se de diversas formas, mas é muito diferente da que se vivia em Portugal até aos anos 70. Normalmente, nas cidades, não passa sequer pela fome, pois existe uma rede social, de iniciativa pública e privada, que permite suprir as carências essenciais. Hoje em dia, as situações de pobreza aparentemente mais problemáticas e de mais difícil solução, ocorrem em zonas de populações envelhecidas e isoladas. É uma pobreza estrutural, difícil de ultrapassar,   que resulta em grande parte do subdesenvolvimento de alguma zonas do país e que podemos constatar quando viajamos pelo interior. De acordo com dados do Eurostat, Portugal é o país onde é mais difícil ultrapassar a situação de pobreza, estimando em cerca de 15% a percentagem da população que é pobre há pelo menos dois anos. A mesma fonte estima em 10,9% os empregados por conta de outrem que vivem em situação de pobreza. 
 Convém no entanto referir que, no conceito actual, ser pobre não significa apenas  escassez de recursos económicos , existindo mesmo uma tendência generalizada, a nível mundial, para não  incluir os rendimentos em termos quantitativos ou de poupança, nos estudos sobre a pobreza.
A definição de pobreza actualmente utilizada quer pela ONU, quer por instituições nacionais- cuja reformulação está a ser estudada- contempla um espectro mais vasto de situações para caracterizar a pobreza:
“É uma situação de privação, persistente e grave, relativamente à satisfação de uma ou mais necessidades básicas tal como estas se exprimem numa dada sociedade, destacando-se entre elas a alimentação, o vestuário, a habitação e respectivas condições de utilização, os consumos essenciais, o apoio social, a saúde  e até determinados consumos de carácter extraordinário.”
Às portas de Lisboa, paredes meias com Vila Franca de Xira,  o casal Sousa é um exemplo ilustrativo dessa situação.
 

Mais vinte rios de Portugal (2)

por Pedro Correia, em 02.12.09

  

 

RIO ALVIELA

 

Nascente: Gruta do Alviela, freguesia da Louriceira, concelho de Alcanena

Foz: Rio Tejo, perto de Vale de Figueira, concelho de Santarém

Afluentes: Ribeiras de Carvalhos, Gouxaria, Amiais

Extensão: cerca de 100km

 

"Em 1886, já tinham sido introduzidas em Lisboa algumas das inovações que facilitavam a vida urbana: em 1848, tinham aparecido os primeiros candeeiros a gás e, em 1878, haviam sido instalados, no Chiado, seis candeeiros eléctricos. (...) Apesar de a recente captação do Rio Alviela ter permitido instalar uma rede de distribuição de água ao domicilio, o benefício chegava a poucas casas."

Maria Filomena Mónica, revista Prelo (1986)

Lá e cá: o preço das fantasias

por João Carvalho, em 02.12.09

A dívida do Dubai tem o tamanho da sua megalomania. É quanto custa construir uma fantasia sem estratégia nem planeamento.

Um Estado tem a dívida que a sua megalomania merece. É sempre o custo da construção de fantasias sem estratégia nem planeamento.

Frequente, intensa, deplorável

por Pedro Correia, em 02.12.09

Ouço o ministro da Economia, Vieira da Silva, em directo da Assembleia da República, onde depõe na comissão de Assuntos Constitucionais. Não fala da crise económica, nem do desemprego galopante, nem das empresas que vinham salvar a pátria e afinal só fecharam as portas. Fala sobre o caso Face Oculta, lamentando a "frequente, intensa e deplorável fuga ao segredo de justiça". Aplaudo esta declaração do ministro. Só podia aplaudir, depois de ter sabido que os suspeitos da investigação mudaram de telemóveis depois de terem sido avisados das escutas.

 

Apenas duas considerações

por Teresa Ribeiro, em 02.12.09

1 - Como pode Sarkozy, perante este descalabro, manter o responsável número 1 da France Telecom no cargo?

 

2 - Este racio de suicídios sem paralelo é consequência de um modelo de gestão que se banalizou também em Portugal.

Pratos do dia (19)

por Paulo Gorjão, em 02.12.09

Viktor Koen (New York Times).

 

1. Citação

"There must be, not a balance of power, but a community of power; not organized rivalries, but an organized peace", Woodrow Wilson.

2. Insinuações muito graves

Enfim, não há muito a dizer sobre as acusações, ou insinuações proferidas pelo PS. A gravidade é enorme. Porém, os socialistas não apresentam factos que sustentem as suas afirmações. Profundamente lamentável e nada mais há a dizer.

 

As velhas carquejas da intratável livraria Buchholz planearam há anos a estratégia de marketing perfeita. Sempre que se aproxima um solstício, abrem as goelas e ameaçam desaparecer. Agora recebi um press release em que me confiam a próxima Liquidação Total:

(...) uma oportunidade única para encontrar livros que são verdadeiras raridades, a preços imbatíveis. (...)

Sem dúvida. E uma oportunidade única para o leitor afastar teias de aranha enquanto é enxovalhado por Helgas de napa preta e godemichet. O documento assegura-nos que os livros estarão à venda a partir de 1 €. Quanto à masmorra, é gratuita.

Giros e talentosos (11)

por Leonor Barros, em 02.12.09

Colin Farrell

Errar nem sempre é humano

por Ana Vidal, em 02.12.09

 

Por estes dias, o assunto número um em Espanha é o terrível erro que condenou injustamente um homem inocente a uma vida manchada pela nódoa indelével dos piores crimes que alguém possa imaginar: violação, tortura e assassinato de uma criança. Sem margem para dúvidas, médicos e juízes recuaram nas conclusões precipitadas e deram o dito por não dito. Mas o mal estava feito. Diego, de 24 anos, foi linchado em praça pública por um crime que não cometeu, e nunca mais se livrará deste estigma. Por mais que se repitam os pedidos de desculpa, por maior que seja a indemnização que o seu advogado lhe consiga, subsistirá para sempre a dúvida nos olhos de um qualquer vizinho que tenha crianças em casa e saiba da história. É irreparável o mal que lhe fizeram, porque os seus direitos fundamentais foram liminarmente arrasados em nome do "sagrado" direito à informação. O jornal ABC chegou a fazer uma primeira página inteiramente ocupada com a fotografia do "monstro", cuja legenda era «O olhar do assassino de uma criança de três anos». No mínimo, deveria agora repetir a capa com a legenda «O olhar de um inocente injustiçado", mas não o faz porque isso não vende jornais. Nem sequer o El País, habitualmente mais discreto e prudente, resistiu à condenação prévia. E o que dizer das televisões, expondo à exaustão as imagens da detenção e alimentando a fúria e o ódio do público? Que ao menos este triste exemplo sirva para se repensar o poder irresponsável e voraz da comunicação social. Se errar é humano, há que limitar a dimensão e os efeitos do erro. Esta é uma das razões (não a única, nem sequer a mais importante) pelas quais eu não admito - em nenhuma circunstância, para nenhum caso - a existência da pena de morte.

 



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