Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Coincidências e tragédias

por João Carvalho, em 01.09.09

Mais uma tragédia numa passagem de nível sem guarda. No fim do mundo? Não: na Linha do Douro, entre o Porto e a Régua, perto de Baião. Quatro mortos, três feridos graves.

Longe de mim saber que ainda existem passagens de nível sem guarda em Portugal. Menos ainda que isso fosse possível em regiões populosas e movimentadas. Tenho a certeza de que, após uma tragédia idêntica há tempos, as autoridades garantiram que todos os casos iam ser resolvidos e nunca mais haveria acidentes do género. Tenho a certeza absoluta disso.

Afinal, só naquela região, a Refer tem «um plano que foi acordado com a autarquia há um ano para supressão de cinco passagens de nível sem guarda», bem como (já cá faltava mais um naco de prosa contra a clareza) «garantia de condições de segurança em mais seis». Ou seja: se bem entendo, só por aquelas bandas ainda há onze ou doze passagens de nível sem guarda. Além de uma outra encerrada há apenas seis meses.

O que revolta, nestes casos, é ouvir das entidades que (lá vem mais um naco de prosa contra a clareza) «a passagem de nível do acidente estava a ser objecto de um projecto de execução». O que é que isto quer exactamente dizer, não se adivinha. Porém, uma coisa é certa: em Portugal, quando há desastre, já estava para ser feito, já há um projecto, já ia ser executado, já está em vias de ser planeado, já tinha sido pensado, já foi lançado. Nem sempre com a prosa simples que aqui estou a usar, mas sempre neste sentido da coincidência.

Infelizmente, tornou-se comum a tragédia andar adiantada. Porque as autoridades, essas, têm sempre tudo previsto. Portugal é um país onde as coincidências não há meio de aprenderem a respeitar o calendário de quem manda.

 

ADENDA – A responsabilidade destes casos é da Refer. Por isso é que me lembrei de, há poucos anos, quando a Refer nasceu, a sua administração ter descurado o trabalho durante não-sei-quanto tempo e ter andado ocupada a atribuir-se vencimentos e carrões, com tal pressa e ligeireza que até o fizeram em situação altamente irregular, segundo então foi noticiado. Alguém sabe como é que isso ficou?

Expressões que detesto (35)

por Pedro Correia, em 01.09.09

"À SÉRIA"

Tags:

Os sinais da História

por Pedro Correia, em 01.09.09

 

Os polacos protestam contra a anunciada visita do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, a Gdansk, no Mar Báltico, para assinalar o aniversário do início da II Guerra Mundial nesta terça-feira. Húngaros e eslovacos esgrimem tensos argumentos dos dois lados da fronteira. A minoria húngara na Roménia reclama direitos que, segundo garante, não lhe são reconhecidos. O mesmo se passa com a minoria russa na Letónia. O exército turco desfila em parada para lembrar o dia em que esmagou os invasores gregos. Bascos continuam a lançar bombas para cortar os elos políticos com Madrid. Na Finlândia e na Lituânia, as recordações dos massacres soviéticos ainda ferem muitas sensibilidades. A Bélgica ameaça implodir a todo o momento, fragmentada por conflitos étnicos e linguísticos. Os Balcãs são um barril de pólvora temporariamente neutralizado. Na antiga Alemanha de Leste crescem os sentimentos xenófobos: os movimentos de extrema-direita atingem já mais de 20 por cento das simpatias dos eleitores jovens em certas cidades. Convém anotar, de passagem: Gdansk é o nome actual da velha Danzig, onde começou a II Guerra Mundial. Há precisamente 70 anos.

A Europa é uma construção política demasiado frágil para podermos adormecer confiados em sonhos de paz perpétua. Não nos iludamos: este continente em que vivemos mantém feridas mal cicatrizadas, fronteiras mal definidas, conflitos de toda a natureza que poderão reacender-se a qualquer pretexto. Quem se gaba de a Europa ser a parcela mais 'civilizada' do globo terrestre esquece que foi precisamente aqui que começaram as duas guerras mais sangrentas e devastadoras de todos os tempos. Saibamos interpretar os sinais da História.

Ligação directa

por Pedro Correia, em 01.09.09

Ao PNETcrónicas.

Pág. 25/25



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D