Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




A hora de Marcelo

por Pedro Correia, em 29.09.09

 

Faltam 16 meses para as próximas presidenciais. À direita, só conheço uma personalidade que tem bons motivos para revelar satisfação com esta desastrada recta final do mandato de Cavaco Silva em Belém: Marcelo Rebelo de Sousa. Não tardaremos a saber porquê.

Nebulosas

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.09.09

As palavras do Presidente da República, que acabei de ouvir, mantêm a nebulosidade. É evidente que há ali uma visão complexada e uma ideia distorcida do papel que deve ser desempenhado pelos membros da sua Casa Civil. E mesmo uma leitura enviesada das funções presidenciais. A boa fé não é posta em causa, mas isso não esconde a infelicidade da escolha e o papel que a comunicação social teve nisto tudo.

Rescaldo (2ª parte)

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.09.09

Vencidos:

 

1. José Sócrates: Será o futuro primeiro-ministro e é o líder que conduziu o PS à vitória, o que pode parecer contraditório com esta inclusão no grupo dos vencidos estando o PS no dos vencedores. É fácil perceber porquê: a perda de 500 mil votos deve-se inteiramente à sua liderança e aos erros que cometeu ao longo de 4 anos e meio. Escolheu quem quis e como quis, desvalorizou o apoio interno, ignorou as críticas que vinham de dentro do partido, cortou a direito mesmo quando não tinha razão, permitiu que fossem dados numerosos tiros nos pés e só a união do PS, o esforço e a raça dos seus militantes permitiu a recuperação em relação às europeias. Isso não permite esconder que desbaratou a maior maioria de sempre do PS no  confronto com a pior liderança que o PSD encontrou. Proferiu declarações assustadoras numa reportagem televisiva que passou na antevéspera das eleições, deixando fugir um doloroso autoconvencimento. Na noite eleitoral escolheu ficar nesta lista quando perdeu completamente a compostura para dizer, depois de perder 500 mil votos, que tinha obtido uma vitória "extraordinária". Extraordinário era ter reeditado a maioria absoluta. De qualquer modo, não será por não o ter conseguido que perderá o meu apoio nos combates que se avizinham.

 

2. PSD e a direcção de Manuela Ferreira Leite: Há pouco a dizer. O seu peso eleitoral ficou na mesma. Limitou-se a reeditar o resultado de Santana Lopes. Mais 7 mil votos não representam nada no final de 4 anos e meio de oposição ao Governo do PS. Uma direcção sem estratégia, sem ideias, sem carisma, vivendo de soundbytes e de "inventonas" não poderia ir mais longe. No naufrágio  dão boleia a Alberto João Jardim e aos caciques que os apoiaram.

 

3. Presidente da República: Esteve mal no tempo e no modo. Tudo o que hoje vier dizer não apaga o mal que esteve nem as confusões que a sua Casa Civil criou.

 

4. Manuela Moura Guedes, Pacheco Pereira, Fernando Lima e seus acólitos: Para estes, a grande lição destas eleições é a de que em democracia mandam os eleitores.

Rescaldo (1ª parte)

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.09.09

Vencedores:

 

1. Partido Socialista: Recuperou do desastre das eleições europeias, reconquistando um milhão dos votos que lhe haviam fugido e mostrando que com unidade, bom senso e algum esforço é possível remediar os erros dos seus dirigentes e apresentar aos portugueses propostas aceitáveis de governação. Tem agora um longo caminho a percorrer. Neste momento a sua principal missão é formar um governo credível e sólido e apresentar um programa que não comprometa as escolhas dos eleitores. Governando bem recuperará facilmente os eleitores que agora lhe fugiram para o Bloco de Esquerda e para o CDS. Se nas próximas eleições parte destes 500 mil votos regressar, então será sinal de que esteve bem.

 

2. Paulo Portas e o CDS/PP: Fizeram com poucos meios uma campanha de grande nível. Concentraram a mensagem, apostaram num discurso directo e sem subterfúgios, ainda que com os habituais laivos populistas. Ainda assim, levaram a carta ao destino, ultrapassando os dois dígitos e humilhando as sondagens. Resta saber o que irão fazer com os dois dígitos e se o seu grupo parlamentar estará à altura do resultado obtido ou se vai continuar a ser o eco do líder.

 

3. Bloco de Esquerda: Apesar dos múltiplos deslizes de Louçã e da vacuidade do discurso, o Bloco de Esquerda voltou a crescer. Resta saber até onde irá e se quererá usar a sua influência para benefício do país ou apenas para a galvanização dos protestos sociais.

 

4.  Oposição interna do PSD: Nos outros partidos na hora da vitória todos se apressam a reclamar os louros respectivos, a sua quota-parte no resultado. No PSD, estranhamente, é na hora da derrota que todas as suas facções aparecem a reclamar méritos nos maus resultados e a pedirem a decapitação dos chefes. Quando as figuras nacionais do partido aparecem nas televisões a mostrar a sua preocupação pelos resultados, estão subtilmente a dizer aos descontentes do partido que o mau resultado também se deveu a eles e que chegou a hora de substituir quem lá está. No PSD a vingança serve-se a quente e de preferência ainda com as urnas a fumegar. De nada lhe servirá esta vitória se não conseguir dar um rumo ao partido.  

Cavaco não fala das escutas

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 29.09.09

Em 31 de Julho de 2008, fiz esta previsão sobre a declaração de Cavaco ao país, em véspera de partir para férias. Acertei em cheio, apesar de poucos acreditarem.

Hoje, volto a fazer a minha previsão. O PR irá falar sobre os resultados das legislativas e fazer um apelo velado ao Bloco Central.

Sobre as escutas ficaremos a saber o mesmo. A única surpresa seria o PR anunciar que, terminada a campanha para as legislativas, Fernando Lima voltará a ocupar o seu lugar. Como não me parece, acredito que sobre um puxão de orelhas para alguns jornalistas. Lembrem-se que a nota do PR diz que vai falar à comunicação social.

Queres alianças, Paulinho?

por Luís M. Jorge, em 29.09.09

paulo portas

 

Dois dias após as legislativas, o Departamento Central de Investigação e Acção Central fez buscas em quatro escritórios dos advogados presumivelmente envolvidos na compra de submarinos quando Paulo Portas era ministro da Defesa.

 

Eis uma infeliz coincidência que, com alguma sorte, talvez se transforme num auspicioso incentivo ao diálogo com o partido da maioria.

Entretanto, nas Honduras...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 29.09.09

Continua  a hipocrisia internacional. Perante o silêncio da UE e dos EUA, Micheletti  faz o que lhe apetece. Embora não passe de um golpista, ameaça o Brasil e lança um ultimato: se até dia 6 de Outubro não esclarecer qual o estatuto de Zelaya - o presidente eleito pelos hondurenhos que se encontra na embaixada brasileira - retira o direito do Brasil à sua missão diplomática. Não informou com que direito o faz, mas todo o mundo sabe – embora a comunicação social portuguesa finja não saber - que o faz respaldado nos milhões de dólares que os EUA estão a enviar para as Honduras, através do FMI, apoiando assim os golpistas.

É verdade que, hoje mesmo, Micheletti  recuou nas suas intenções e afirmou que não atacará a embaixada brasileira, mas isso aconteceu porque Zelaya  falou à Assembleia Geral da ONU, através de telemóvel, pedindo  “o fim da ditadura fascista de Micheletti” , o que causou algum embaraço
Perante o silêncio da comunidade internacional, alguns pensarão que Zelaya é mais um daqueles  “perigosos comunistas” democraticamente eleitos, que pretendem  defender o seu povo, libertá-lo do jugo americano e restituir-lhe a dignidade a que tem direito. Mas não. Como escreve Maurice Lemoine no  “Le Monde Diplomathique” , Zelaya  é um fazendeiro eleito pelo centro-direita que cometeu dois pecados: aumentou o salário mínimo e fez algumas reformas com o objectivo de retirar da miséria as classes mais desfavorecidas. Bem, é verdade que cometeu um terceiro pecado, mais relevante. Aliou-se aos países sul-americanos que pretendem libertar-se do jugo político e militar dos EUA. Ora Obama, tal como Bush, não admite que lhe estraguem o recreio onde gosta de brincar às guerras.
Entretanto, Micheletti declarou o recolher obrigatório, suspendeu as liberdades cívicas e políticas e autorizou a prisão de qualquer pessoa que seja considerada “suspeita”. Não satisfeito, encerrou uma estação de rádio e um canal de televisão, supostamente apoiantes de Zelaya, ou seja, da legalidade democrática.  Como não é Chavez, nem Morales, tudo bem cá pela urbe de idiotas encartados. Desde que apoie os EUA, permita a instalação de bases militares americanas, coarcte as liberdades cívicas em nome do superior interesse americano, passa de perigoso comunista a democrata num ápice.
Há uma coisa que não percebo de todo. Por que razão é que a direita  europeia  tem tanto medo da democracia na América Latina?  O país pode estar  à beira de uma guerra civil, graças à hipocrisia de um grupo de néscios, para quem o mercado é o único bem sagrado. Mas se a guerra eclodir, todos se vão armar em carpideiras. Só me apetece recordar aquela canção do Zeca :


“(…) Os pretos, os comunistas
Os Índios, os turcomanos
Morram todos os hirsutos!
Fiquem só os arianos!"

Legislativas (51)

por Pedro Correia, em 29.09.09

    

LAMENTO TER ACERTADO

 

28 de Maio de 2008, Groucho Marx no PSD: "As primárias no PSD revelam que neste partido cresce exponencialmente a cartilha marxista - tendência Grocho. 'Estes são os meus princípios. Se não gostarem, tenho outros', dizia o genial mestre da comédia norte-americana. Nada define tão bem a campanha em curso no partido laranja rumo a coisa nenhuma. Como o futuro próximo amplamente demonstrará."

 

29 de Maio de 2008, Mais do mesmo: "Se [Manuela Ferreira Leite] for eleita para a presidência dos sociais-democratas, Sócrates tem todos os motivos para ficar satisfeito."

 

31 de Maio de 2008, Rota de solidão: "Manuela Ferreira Leite, com apenas 37,91% dos votos dos militantes e sem assento na Assembleia da República, prepara-se para governar um partido dividido em três. Não lhe gabo a sorte."

 

31 de Maio de 2008, Mau perder: "Há oito meses foi assim: Menezes, que acabara de vencer a eleição por 56%, não teve um momento de trégua interna. O que sucederá agora a Manuela Ferreira Leite, com uma vitória bem mais escassa? Não custa vaticinar."

 

1 de Junho de 2008, As coisas são o que são: "Alguém se lembra de uma só ideia expressa por Manuela Ferreira Leite durante a campanha interna? Eu também não. Haja fé."

 

2 de Junho de 2008, Previsão: "António Preto vai ter um cargo de responsabilidade no 'novo' PSD."

 

22 de Junho de 2008, Treze notas sobre o congresso do PSD: "Manuela Ferreira Leite veio para ficar? É óbvio que não. É uma 'líder' tão precária e tão provisória como os 'líderes' precedentes. Por muito que alguns dos seus gurus pretendam convencer-nos do contrário. O interregno começou. Mais um."

Passado presente (especial)

por João Carvalho, em 29.09.09

File:SculptureOfMafalda.jpg

 

A Mafalda, de Quino (Joaquín Salvador Lavado) faz hoje 45 anos.

A escultura está no local de Buenos Aires onde Quino vivia

e é do escultor argentino Pablo Irrgang.

Rua Direita

por Adolfo Mesquita Nunes, em 29.09.09

Durante algumas semanas fiz parte do blogue que apoiou o CDS nestas últimas eleições, o Rua Direita, que chegou hoje ao fim e que em larga medida motivou a minha ausência do Delito.

Deixo aqui parte da nossa declaração final, porque me parece que ela corresponde aos novos tempos por que atravessará o CDS. Espero que quem por lá tenha passado possa concordar com a nossa declaração final, ainda que possa ter discordado de tudo o que por lá se debateu ou escreveu.

 

Os partidos não devem ser espaços monolíticos onde só cabe uma ideia, nem lugar nenhum onde cabe tudo. Nós, que não somos a voz do CDS, somos o CDS dos eleitores (dos que têm e vêm à net, mas não só). Os eleitores que aqui passaram não são apenas o futuro do CDS. Eles são o presente do CDS e foi por eles e com eles que se testemunhou o crescimento eleitoral do CDS. De resto, esta Rua mostrou como o CDS é muito mais do que aquilo que muitas vezes o fazem parecer. Coisa que os leitores da Rua perceberam e os eleitores também.

Teste cinematográfico (the end)

por Teresa Ribeiro, em 29.09.09

Com a solução do  teste anterior (vencedor: João André) encerro este passatempo de Verão. Agradeço a todos os que me acompanharam neste filme e quanto a eventuais imprecisões na apresentação de perguntas e respostas, só tenho uma coisa a dizer em minha defesa:

Nobody is perfect

 

Para a posteridade ficam, por ordem de entrada em cena, os nomes dos vencedores de cada um dos testes:

 

TragédiaGeek

Ariel

João Galamba

Carlos

Pedro Correia*

Sem-se-ver

Mike

Ana Mestre

Hugo Ramos Alves

Ana Vidal*

Ivone Costa

Ana Lima

L.Rodrigues

João Caetano Dias

Maria

Rodrigo Furtado

Sofia

João André

João Sousa

Miguel Barbosa

David

 

 

*(as autoridades competentes estão a investigar se eles tiveram acesso a informação privilegiada)

 

Resta, caras cinéfilas e caros cinéfilos, divulgar o nome da vencedora deste passatempo. Ganhadora de DOZE testes (12º, 15º, 18º, 20º,  22º, 26º, 27º, 30º, 31º, 32º, 33º e 37º). Peço uma salva de palmas para .... (rufar de tambores em crescendo)

 

IVONE COSTA!!!!!!!!

 

 

Hã?...

por João Carvalho, em 29.09.09

Legislativas (50)

por Pedro Correia, em 29.09.09

  

O ETERNO RETORNO AO PARTIDO BICÉFALO

 

O PPD/PSD, já mergulhado em plena esquizofrenia pós-legislativas, apresenta-se novamente com duas faces. Enquanto ontem à noite, na SIC Notícias, Pacheco Pereira reagia com intransigência à hipótese de os sociais-democratas viabilizarem iniciativas legislativas do Governo socialista na Assembleia da República, um seu companheiro de partido, Pedro Duarte, falava em tom muito mais moderado no Prós & Contras da RTP, sublinhando que "o PSD tem sentido de responsabilidade". E enquanto Pacheco vociferava pela enésima vez contra a 'asfixia democrática', como se ainda se imaginasse na desvairada campanha eleitoral do seu partido, Pedro Duarte suscitava exclamações de espanto ao declarar isto, em tom peremptório, no auditório do Teatro Armando Cortez: "Não somos contra o investimento público, antes pelo contrário." E ainda isto: "O TGV não é um papão que vai trazer mal ao País."

Será interessante assistirmos às cenas dos próximos capítulos deste partido bicéfalo nas suas progressivas manobras de aproximação aos socialistas, dando provas evidentes de "sentido de responsabilidade". Já foi assim durante o consulado de António Guterres, quando a abstenção do PSD viabilizou três orçamentos de Estado apresentados pelo PS. A vida é feita de eternos retornos. E a vida política não é excepção.

Logo à noite há comunicação ao país

por Ana Margarida Craveiro, em 29.09.09

 

O adeus ao rigor

por José Gomes André, em 29.09.09

Certos namoros dão nisto. O Eduardo Pitta, durante anos um dos mais lúcidos comentadores da blogosfera nacional, entusiasmou-se de tal forma com o socratismo que abandonou o rigor em detrimento de wishful thinkings e imprecisões sistemáticas. A ver se nos entendemos:

1. O PSD não elegeu 77 deputados, mas sim 78. E pode chegar aos 80 ou 81, consoante resultados da emigração. Se atendermos ao facto de, em 2005, quatro lugares terem sido oferecidos ao PPM e MPT, no âmbito da coligação forjada por Santana Lopes, o PSD ganha objectivamente mais 9 ou 10 deputados. Foi um mau resultado, mas é um bocadinho diferente dos mais dois de que o Eduardo fala.

2. O PS "deixou o PSD a seis pontos de distância" no concelho de Lisboa. Pois foi. Mas não está esquecido que Santana Lopes concorre numa coligação com CDS, PPM e MPT, pois não? É que se contarmos com isso - e fazendo o paralelo para a corrida contra Costa, como o Eduardo faz - então ficamos com 34,8% (PS) versus 40,9%. Também são seis pontos de diferença, mas é para o lado contrário.

3. "61% dos portugueses que votaram apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo". Onde desencantou estes números? É que a soma de PS+PCP+BE nem chega perto. Ou está a depreender que os votos nulos e brancos são de apoio ao casamento homossexual? É uma leitura original, pelo menos.

 

Adenda: parece que este texto teve alguma utilidade: Eduardo Pitta já alterou os dados referentes ao número de deputados do PSD (sem contar com círculo de emigração) e do putativo número de portugueses que apoia o casamento homossexual. Continuo a achar precipitada a inferência, mas para início de conversa já não é mau.

Ligação directa

por Pedro Correia, em 29.09.09

À Catarse.

Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 28.09.09

Nesta semana não vos sugiro um blogue. Sugiro-vos um condomínio cheio deles. Este de que vos falo foi construído há alguns anos lá pela outra banda atlântica da bloga, e é administrado pela Verbeat, que os fundadores gaúchos Leandro Gejfinbein e Tiago Casagrande descrevem como uma não-organização, não-lucrativa, não-governamental, criada e em criação. Já que entramos num período de particular atenção a desafios locais, nada como ir espairecendo por outros um pouco mais distantes, diferentes. 

 

Tags:

Legislativas (49)

por Pedro Correia, em 28.09.09

  

 

CONTA CORRENTE

 

Há quem prefira fazer "prognósticos" depois do jogo. Eu nestas coisas sou muito antiquado: prefiro fazê-los antes.

Foi assim que fiz. Aqui. E também aqui. E ainda aqui, aqui e aqui.

 

Sobre a nova maioria que se desenha no Parlamento, eis desde já o meu palpite.

 

Too cold

por Teresa Ribeiro, em 28.09.09

Posso ser old fashioned, mas fez-me alguma confusão perceber, através de uma reportagem da TV, que na festa do PS, no Largo do Rato, se tocava Coldplay.

Há razões para festejar?

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 28.09.09

Compreendo bem a euforia de Sócrates. Em termos políticos  e pessoais.
A vitória, sem maioria absoluta, foi folgada e acaba por ser conseguida num contexto que lhe é favorável. Não ficando refém do BE, podendo negociar à direita e à esquerda (obrigando BE e CDU a entenderem-se),  Sócrates terá conseguido uma vitória mais confortável do que pode parecer à primeira vista.  Poderá governar sozinho e só uma aliança entre esquerda e direita o poderá derrubar. Se isso vier a acontecer, não deixará  de capitalizar votos para o PS, como aconteceu com Cavaco em 87.
O reforço do CDS/PP e a derrota clamorosa do PSD também lhe são favoráveis. Um novo líder do PSD terá sempre que se confrontar com um grupo parlamentar que apoia MFL e onde pululam alguns deputados que podem causar instabilidade interna.  A paz do PSD não será conseguida apenas com um novo líder, porque MFL deixou o terreno armadilhado a quem lhe suceder. Demorará por isso, muito tempo, até que o PSD se recomponha deste desastre.
Resta saber se Sócrates é capaz de governar sem a arrogância que lhe é característica e terá capacidade negocial para estabelecer acordos pontuais, levando a legislatura até ao fim. A muito breve prazo terá uma prova de fogo: a escolha do candidato do PS às presidenciais de 2011. Se a sua opção for Jaime Gama, perderá a esquerda e uma significativa franja do eleitorado do PS.
Em termos pessoais, Sócrates tem ainda mais razões para estar satisfeito. Não me lembro de nenhum primeiro-ministro que tenha sido tão atacado na sua dignidade, vilipendiado e acusado de corrupto, ao longo do seu mandato, como Sócrates. Apesar de  ninguém  ter conseguido provar nada, as condenações da opinião pública  sucederam-se. O caso Freeport, a licenciatura e mais recentemente as escutas em Belém teriam sido suficientes para liquidar qualquer líder político. Sócrates resistiu. Mesmo quando alguma  opinião pública confundiu a vítima com o algoz, saindo a defender MMG, num processo  onde o jornalismo esteve ausente e o ajuste de contas sempre presente, o PM resistiu. Como também não se deixou abalar no caso das escutas, urdido entre intrigas palacianas, num conluio entre assessores e jornalistas. Sócrates resistiu ao confronto institucional para onde o quiseram atirar e terá assistido, com algum gozo, à reacção pateta e patética do principal partido da oposição que, ao pretender tirar dividendos da situação, acabou por sair chamuscado.
No plano pessoal os ataques a Sócrates também foram do mais baixo calibre. Começaram por insinuar que Sócrates seria homossexual, depois passaram a explorar a sua relação com uma jornalista. Chegaram à baixeza moral de levar o assunto à Assembleia da República, o que demonstra o nível rasteiro de alcoviteiras de bairro de lata de alguns deputados.  MFL  alinhou sempre com os ataques, produzindo afirmações  indignas de uma líder da oposição. Como foi este caso num encontro com os “jotinhas”.  Ou as repetidas acusações de mentiroso.
Sócrates tem, por isso, razões para estar satisfeito. Os portugueses também porque, dando a possibilidade a  Sócrates de governar sem maioria, disseram que estavam fartos da sua arrogância, mas preferiam dar-lhe uma segunda oportunidade, a entregar o poder a uma pessoa cujo único projecto para o país era o retrocesso .
Sócrates devia agora demonstrar que é  um cavalheiro e  enviar um ramo de flores a MFL. Seria uma forma  simpática de agradecer o forte contributo de MFL para a sua vitória.
Finalmente, quando tomar posse, seria bom que não esquecesse que foi o Partido Socialista que o elegeu. Caso contrário, os socialistas não lhe darão nova oportunidade.



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D