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Palavras perdidas

por João Carvalho, em 30.07.09

Vivemos num país de palavras perdidas, em que muita gente gasta muito tempo a falar muitas palavras para dizer coisa nenhuma. A política encarrega-se de provar todos os dias aquilo a que me refiro. Com o intuito primário de escamotear a realidade, com o medo básico de perder a face, assistimos permanentemente a declarações pomposas e a afirmações veementes destituídas de quaisquer implicações e, como tal, sem qualquer significado real.

Um dos casos mais caricatos a que tantos têm recorrido (e não só os socialistas, como hoje tem estado a acontecer) está condensado nesta frase simples: «Vamos respeitar a decisão do Tribunal Constitucional.» É mais ou menos como o criminoso grave apanhado em flagrante e mandado para prisão preventiva dizer assim: «Vou respeitar a decisão do juiz.» Ou como alguém que está a almoçar numa esplanada ao sol dizer assim: «Vou aceitar que ainda não é noite.»

Uma vitória clara de Cavaco

por Pedro Correia, em 30.07.09

 

Há sete meses, escrevi aqui o seguinte: o novo estatuto dos Açores, tal como saiu da Assembleia da República, está ferido de inconstitucionalidade. Cavaco tem razão: os poderes do Chefe do Estado não podem ser reduzidos ou condicionados por lei ordinária. Só uma revisão constitucional poderia fazê-lo. Sócrates não comprou apenas uma guerra inútil: comprou uma guerra condenada ao fracasso. Político e jurídico. Hoje o Tribunal Constitucional traduziu esta análise política num acórdão que confirmou oito inconstitucionalidades nos 140 artigos daquele estatuto, dando razão ao Presidente da República. Como sempre me pareceu evidente, José Sócrates comprou uma guerra inútil com Cavaco Silva para agradar ao socialista Carlos César, líder do Executivo açoriano. O bom relacionamento institucional e pessoal com Cavaco, que constituía um dos melhores trunfos do primeiro-ministro, degradou-se irremediavelmente devido a este episódio, que em nada confirma as tão propaladas qualidades políticas de Sócrates.

Sucede que os sociais-democratas não podem retirar qualquer aproveitamento deste lamentável episódio. Tal como também sublinhei aqui, se o PS andou mal, o PSD conseguiu andar pior ao não saber traduzir numa posição parlamentar clara o veto político do Presidente. A abstenção social-democrata na votação final do diploma foi mais do que cobardia política: foi um sinal óbvio de incompetência.

Sete meses volvidos, não consigo encontrar outro adjectivo que melhor defina o comportamento do PSD na Assembleia da República.

Festança

por João Carvalho, em 30.07.09

Hoje deve haver festa rija em Felgueiras. Como Fátima Felgueiras foi absolvida de todos os crimes no processo do futebol lá da terra e como o tribunal apenas lhe criticou a "falta de rigor e exigência" na forma como procedeu, desta vez sobram motivos para celebrar.

Esplanadas e restaurantes de praia (10)

por Ana Vidal, em 30.07.09

 

Kontiki Bar- Praia da Costa Nova

Aposto que a culpa foi outra vez da comunicação social

por José Gomes André, em 30.07.09

2º Encontro da quadrilha

por Ana Vidal, em 30.07.09

 

Ontem foi um dia especial para os delinquentes. Com ordem de soltura para um passeio no pátio* para desentorpecer as pernas, respirar o ar puro e morno de uma bela noite de Verão lisboeta, e também - ou não fosse o delito a opinião - conspirar e delinear estratégias futuras de fuga ou de motim, ou ainda de manobras de diversão para iludir a guarda armada da blogosfera. Chegaram das suas celas da ala esquerda e da ala direita, bem dispostos e compinchas, misturando-se no corredor central com uma animação de velhos amigos, e desceram até ao pátio, onde os esperava um jantar de ração melhorada:

 

Pão, azeite aromatizado, azeitonas curadas  

 

Sopa fria de caramelo de Alho com Tomates Cereja e Mozarelas

 

Lombo de Bacalhau com “Manja” à moda da Maçussa
Carne de porco preto confitado com migas de coentros

 

Bolo “Gazeta”

Tudo isto bem regado a

 

Casal do Além – Bucelas DOC, bco 2007

Grilos – Dão DOC, Tto 2006  

àgua mineral, café  

 

Falaram de tudo com humor e camaradagem - também de política, pois claro! - e sobre a mesa correram as mais escaldantes fofocas da actualidade nacional, o amor aos animais, a paixão das viagens, novidades e velharias, enfim, tudo o que faz as delícias de uma quadrilha de delinquentes. Alguns eram residentes ou chegaram da vizinhança: a Teresa, o Pedro, o Carlos (o anfitrião), a Leonor, eu, a Sofia, o Adolfo, o André e o Paulo. Outros foram transferidos de estabelecimentos mais  longínquos: o Joaquim (do Porto) e o António Manuel (do Alentejo), e para lá voltaram nos respectivos carros celulares.

 

Houve membros da quadrilha que não puderam estar presentes,  em gozo de licença ou ocupados com planos de fuga: a Ana Cláudia, a Ana Margarida, o Jorge, a Marta, a Cristina, o José, o Sérgio. Muito notada foi também a ausência de um ilustre ocupante da solitária (na Terceira): o João.

 

Mas todos eles estiveram lá em espírito e foram incluídos nos brindes.

 

Depois de muita conversa, à uma da manhã lá foram dispensados os delinquentes, mas em liberdade condicional. É que a pena é para cumprir: um jantar de convívio periódico, para manter viva a chama desta perigosa troupe. Porque o crime... compensa.

Até ao próximo!

 

 

* O pátio é o do Clube de Jornalistas, onde o jantar teve lugar.

Benfica de Portugal!

por André Couto, em 30.07.09

Ver o Benfica entrar em campo sem lusa alma, sem um único jogador daqueles que, sendo benfiquistas ou não, cresceram a ver o Benfica jogar e prosperar, foi uma dor de espírito. Depois de detectada esta falha, não fosse ela evidente, ver o prosseguir dos dias, o chegar de mais reforços e contar que em oito continua a não haver um único português, é a meu ver um crime.
Sim, o Benfica está a jogar bem, sim, parece estar no bom caminho. Mas até que ponto isso é tudo o que interessa? Até que ponto é saudável e desejável saber que na maioria desta época estarão menos de dois jogadores portugueses em campo?
A identidade e a cultura de um clube é o que de mais profundo e valioso ele tem, ver o Benfica como uma indústria de comissões e negociatas com empresários e clubes de todo o mundo, desligando-o daquelas que são as suas raízes, é uma forma ruinosa de gerir o clube, é delapidar o seu património, obliterar e deixar perdida no tempo a sua cultura.
Recordo que ainda há poucas décadas o Benfica jogava apenas com portugueses e que foi assim que conquistou o que de mais precioso tem no Museu do Clube. Assim se formaram ao longo de décadas dezenas de históricos que hoje alimentam as ilusões e os sonhos, a alma e a mística. Continuando desta forma em breve restará uma amálgama de nada, um clube com uma história longínqua e identidade desconhecida.
O Benfica é um clube de raízes bairristas, o clube de todos os Bairros de Portugal. O Benfica não é a Sociedade das Nações e não será assim que recuperará o respeito que um dia todos lhe tiveram.

(também no E Pluribus Unum)

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As melhores praias portuguesas (43)

por Pedro Correia, em 30.07.09

 

Figueira da Foz

Isaltino pode dar uma ajuda...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 30.07.09

Maria José Morgado investiga contas de Pinto da Costa na Suíça. As primeiras buscas serão efectuadas em praças de táxis.

Teste cinematográfico 10

por Teresa Ribeiro, em 30.07.09

Como se chama "o filme mais belo de sempre"?

 

Solução do teste anterior: O Casamento de Maria Braun (1979) de Rainer Werner Fassbinder

Um país que mata os seus heróis

por Pedro Correia, em 30.07.09

  

 

As revoluções devoram sempre os seus heróis. A revolução cubana confirmou esta regra como poucas: muitos dos companheiros de Fidel Castro nos anos duros da Sierra Maestra ficaram pelo caminho, desiludidos com a metamorfose da revolução em ditadura ou escorraçados por um regime que, ao contrário do prometido, não tinha lugar para todos. Mas a figura mais trágica dos anos de chumbo do ‘socialismo’ cubano é o general Arnaldo Ochoa Sánchez, que transitou da glória máxima para a humilhação suprema ao ser considerado inimigo do regime castrista na pátria de José Martí, autor de alguns dos mais geniais motes políticos escritos na língua castelhana. “Observar um crime em silêncio é cometê-lo”, dizia.

Arnaldo Ochoa observou certamente alguns crimes em silêncio. Só assim pôde ascender na hierarquia militar do castrismo, que concilia o comunismo puro e duro com o nacionalismo mais exacerbado. Tornou-se um dos oficiais de confiança do ditador, que lhe apontava as missões mais arriscadas – com destaque para o comando da brigada que derrotou os sul-africanos na batalha de Cuito-Cuanavale, no sul de Angola, em 1987. A maior proeza militar cubana de sempre no exterior.
Regressou a Havana entre unânimes aclamações de júbilo. Mas Castro não permitia que ninguém lhe fizesse sombra: decidiu transformar o herói em vilão, ordenando aos seus serviços secretos que forjassem a imagem de um outro Ochoa. Conspirador, trapaceiro, delinquente, traidor. Digno do opróbrio e da morte.
 
“Em Cuba, o real e a ficção, o teatro e a vida, baralham-se de tal modo, como num jogo de espelhos, que mesmo um observador atento muitas vezes tem dificuldade em distingui-los.” Assim escreve Tomás Vasques no romance O general foi-se embora sem ter bebido um trago de Havana Club (Asa, 2001). O general é Ochoa – toda a acção, muito bem construída, gira em torno deste combatente da Sierra Maestra e mártir da revolução cubana, fuzilado ao amanhecer de 13 de Julho de 1989 – fez agora 20 anos – após um julgamento sumaríssimo, iniciado a 25 de Junho no Tribunal de Honra das Forças Armadas Revolucionárias. A sentença estava ditada de antemão: a secreta gravara conversas privadas do general com ditos sarcásticos sobre Fidel e Raúl Castro. Silogismo simples: em Cuba, quem critica os irmãos Castro é contra-revolucionário. E todo o contra-revolucionário merece a morte.
O romance de Tomás Vasques tem desde logo o mérito, raro na literatura portuguesa, de olhar para fora das nossas fronteiras, situando grande parte da acção na bela e decadente Havana. E tem a vantagem acrescida de nos lembrar que alguns dos regimes mais perversos são os que ousam proclamar até à náusea o seu pretenso amor à liberdade.
 
General de divisão, distinguido com o título honorífico de Herói da Revolução, oficialmente considerado “um estímulo para todos os lutadores”, Ochoa tornou-se um anjo caído, vilipendiado em editoriais do Granma, que o apontaram como “implicado no tráfico de drogas”. Dezoito dias após a audiência de julgamento – uma brutal caricatura de justiça – recebia a bala fatal. “Rapazes, cumpram a vossa missão”, disse, de cara descoberta, aos membros do pelotão de fuzilamento, vários dos quais tinham servido sob as suas ordens.
Tomás Vasques fala-nos de tudo isto em páginas impressionantes – inesquecível, por exemplo, o capítulo em que o general e Fidel se encontram. A Ochoa, trágica figura de revolucionário convertido em personagem romanesca, aplicam-se bem os versos de Heberto Padilla, outro cubano que pecou por dissidência: “Muerte, / no te conoszco, / quieren cubrir mi patria / con tu nombre.”
 
Foto: Fidel Castro com Arnaldo Ochoa

Escrito nos astros

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 30.07.09

Segundo este senhor, a explicação da crise está nos astros. Bem me parecia. Disse-me uma joaninha que, depois de ler isto, Maya vai anunciar a sua candidatura às próximas legislativas.
 

Giros e talentosos (7)

por Leonor Barros, em 30.07.09

 

 

Sting

O folhetim do convite

por João Carvalho, em 30.07.09

Primeiro, foi Francisco Louçã a divulgar o "assédio" do PS a Joana Amaral Dias. A bloquista tinha ficado calada.

Depois, foi o porta-voz do PS a desmentir com veemência que José Sócrates a tivesse tentado fosse com o que fosse, o que só serviu para sabermos que Sócrates não o tinha feito pessoalmente, mas sem sabermos se alguém o fizera por conta própria ou em nome do PS ou do secretário-geral socialista. Joana manteve-se em silêncio.

A seguir, pareceu que o convite poderia ter partido dos socialistas de Coimbra. Joana continuou de boca fechada.

Hojeas notícias dizem que a abordagem foi feita pelo secretário de Estado das Obras Públicas, que nega tê-lo feito em nome do PS ou estar mandatado pelo seu secretário-geral e também nega ter oferecido cargos aliciantes, ficando por saber-se que convite teria ele feito se tudo não passou de uma iniciativa pessoal. Joana conserva o caso em segredo.

Assim, resta desejar a Joana Amaral Dias que recupere da grave rouquidão e esperar que não seja gripe A. E não se preocupe que não ficará mal na fotografia, porque o fotógrafo tinha mais que fazer e já se foi embora.

Suficiente

por Jorge Assunção, em 30.07.09

Se o PSD garantir no seu programa eleitoral que, independentemente do contexto, não dará continuidade a isto, tem o meu voto.

Expressões que detesto (28)

por Pedro Correia, em 30.07.09

"BAIRRO PROBLEMÁTICO"

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 30.07.09

Ao Largo das Calhandreiras.

Propaganda em três tempos

por João Carvalho, em 29.07.09

1. As novas instalações judiciais de Lisboa constituem agora palco de propaganda do governo. Nas Varas Criminais, os monitores de última geração promovem as acções do ministro da Justiça, através de uma filmagem em que o protagonista que conduz o espectador é o próprio ministro da Justiça. Alberto Costa contraria a indignação que a insólita iniciativa está a provocar, declarando que se trata apenas de informar de modo objectivo. Informar sobre as vantagens de se ter um ministro como ele, supõe-se.

 

2. A ideia é curiosa. Informar objectivamente sobre o que de bom um ministro faz é um dever, para que se perceba a razão pela qual os portugueses não cabem em si de contentes. Como é suposto todos os ministros acharem bem feito aquilo que fazem, não se vislumbra qualquer motivo para que os restantes ministros não se promovam de modo semelhante. Rodados os filmes e adquirido o equipamento, a única dificuldade parece ser encontrar lugares suficientes para transmitir todos os filmes do governo.

 

3. O caso mais complicado há-de ser a rodagem do filme sobre a actividade do ministro do Ambiente. A menos que seja aceitável uma curta-metragem sobre a sua inactividade. Com vista sobre a costa portuguesa, prolongada com vista sobre a costa espanhola, mais a costa francesa, a costa italiana e a costa grega. E intervalo para café. E uma alegoria inspirada no padre António Vieira, mas com um sermão às árvores. (Peço desculpa por não mencionar o nome dele, mas ninguém soube dizer-mo.  Só me dizem que existe.)

Passado presente (CXXXI)

por Pedro Correia, em 29.07.09

 

Cerveja Clok

As melhores praias portuguesas (42)

por Pedro Correia, em 29.07.09

 

Manta Rota (Vila Real de Santo António)



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