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Ainda a propósito do post aqui de baixo, vejo agora em reportagem televisiva que os partidos que aprovaram a nova lei de financiamento partidário - isto é, todos - alegaram que para o PCP, que tem todos os anos a Festa do Avante para organizar e um eleitorado envelhecido (eventualmente avesso a cartões de crédito e cheques), esta alteração é conveniente. Foi bonito ver este gesto de solidariedade para com os camaradas da assembleia!
Fica o exemplo. Em tempo de crise. Depois, não se esqueçam de ficar admirados com a abstenção. Tirando esta chamada de atenção, sou incapaz de comentar a aprovação parlamentar de hoje relativa ao financiamento partidário. Porque correria o risco de escrever alguns palavrões.
Talvez tenha sido o melhor atleta português de todos os tempos:
Joaquim Agostinho morreu, faz hoje 25 anos
António Lobo Antunes, Livro de Crónicas
A Feira do Livro de Lisboa já está no Parque.
Acho uma certa piada aos demagogos do desemprego, aqueles que acham que Portugal é imune à conjuntura económica que o rodeia e, plenos política barata, disparatam constantemente sobre o tema.
Compreendo que a história por vezes é cruel e muito difícil de digerir, afinal, em 2005, quando o desemprego descia em todo o lado, aumentava em Portugal. Não era?
Mas porque já estamos em 2009 e 2005 é um pesadelo passado, tomei a liberdade de "roubar" ao Jorge Assunção esta tabela, para partilhar a convosco minha reflexão.
Analisando a evolução 2007-2010 das taxas de desemprego, vemos que a Irlanda, exemplo de comparação tão querido do CDS/PP, vê a sua galopar 8,5%. Espanha, nossa vizinha embora isso nada releve para alguns, vê a sua disparar 11%, sendo que em 2007 era apenas três décimas superior à de Portugal.
Cá no Burgo, e segundo previsão do insuspeito Fundo Monetário Internacional, a taxa de desemprego cresce "apenas" 3%...
Se é o cenário desejável? Não, não é. Mas se em 2005, quando tudo estava internacionalmente saudável, o desemprego crescia em Portugal, imagino velocidade de crescimento superior à da luz hoje em dia, caso o PSD fosse governo.
É, também, no respeito que os governantes têm por aqueles que governam que se encontra a grandeza do país em causa. E os jornalistas são, além de vigilantes para com os abusos do poder, os melhores intermediários que um povo pode ter na sua relação com quem exerce o poder.
A foto foi roubada daqui e uma óptima entrevista com o recém eleito presidente Obama pode ser encontrada aqui.


Os Panhard (França) pós-Guerra:
Dyna X (1948/54), Dyna Z (1954/59),
PL 17 (1959/65) e CT 24 (1964/67).

As galinhas de Fafe numa manifestação espontânea, após a visita do inspector à Escola Secundária. Noutro cartaz podia ler-se: "Isto não é Aveiro, aqui os ovos não são moles". E num outro, ainda: "Fora com os trouxas de ovos".
(* Título roubado à Leonor)
TRAPALHADAS SOCIALISTAS
1. O cartaz é do PS. O lapso era grosseiro: estava errada a data de adesão de Portugal à CEE. Culpa do partido? Nada disso: a culpa foi da gráfica.
2. O tempo de antena é do PS. Com base numa iniciativa inqualificável: filmar crianças numa escola pública do ensino básico fazendo-as elogiar o Magalhães para as utilizar sem pré-aviso na propaganda eleitoral. Culpa do partido? Nada disso: a culpa foi da produtora.
É o título de um artigo que tive a oportunidade de escrever para o "Público", a propósito dos primeiros "cem dias" de Obama. Para os interessados, e para quem não pôde ler (o acesso online é restrito a assinantes), fica aqui a peça (longa, desde já previno).
"A referência aos primeiros cem dias de governação como um importante barómetro político nasceu com a Presidência de Franklin Roosevelt, cujo início foi caracterizado justamente por uma crucial e frenética acção governativa, determinante para salvar os Estados Unidos de uma crise sem precedentes. O momento era especialmente grave: o desemprego atingira em 1932 os 24%; a economia conhecera uma contracção de 13,4% e o sistema bancário estava à beira do colapso. Impulsionado por uma vitória retumbante, Roosevelt avançou porém com um vasto programa político capaz de combater aquele cenário negro, fazendo jus ao lema que havia enunciado no seu discurso inaugural: «A única coisa de que devemos ter medo é o próprio medo».
A Norte andam a passar-se fenómenos estranhos. Primeiro foi o caso Charrua, magistralmente resolvido pela Moreira excelentíssima. Agora mais a Norte surge outro fenómeno curioso. Na sequência da chuva de ovos com que a Ministra da Educação foi recebida em Novembro último, a diligente Inspecção-Geral da Educação pôs pés ao caminho para averiguar do feito. Até aqui tudo normal. Contudo, nem tudo correu bem e o alerta foi dado pelos pais dos alunos da Escola Secundária de Fafe. A fazer fé na notícia, o Inspector lembrou-se de questionar os alunos sobre o possível envolvimento de professores na chuvada de ovos,estimulando a delacão. Além dos menores não poderem ser ouvidos sem a presença dos pais ou quem os represente e não o tendo sido, como parece ser o caso, foi cometida uma ilegalidade, não se entende o teor destas inquirições. Prefiro acreditar que foi trabalho do Bruxo de Fafe a admitir que este país vai de mal a pior e que se perdeu por completo o pudor.

... este foi o primeiro automóvel a chegar ao País do Sol Nascente? Pois é que foi mesmo. Trata-se de um Panhard & Levassor, fabricante francês, e foi importado pelo Japão em 1898.
Eles voltaram, após ano e meio de ausência. E voltaram em forma. Aí está, de novo, o Dolo Eventual. É o nosso blogue da semana.
A Joana atribuiu ao DELITO DE OPINIÃO o prémio Este blogue é tão bom que até arrepia. E desafia-me a mencionar outros blogues que mereçam esta distinção.
Para validar a escolha, há que dar os seguintes passos:
Agradeço a distinção, em nome de toda a tribo 'delituosa'. Falta acrescentar um agradecimento à Eugénia de Vasconcellos e ao José Simões, que também nos distinguiram. E sublinhar que Entre as Brumas da Memória, da própria Joana Lopes, também deve, por mérito próprio, ser incluída nesta galeria de blogues que admiro.

Lâmpada de Aladino em bronze*
(símbolo da Enfermagem)
* — Pedidos na caixa de comentários.
CINCO CANDIDATOS NA SIC NOTÍCIAS
O debate entre os cabeças de lista às europeias desta noite, na SIC Notícias, foi mais substantivo e - pareceu-me - também mais esclarecedor do que o da RTP. Com Nuno Melo e Miguel Portas a marcar pontos, Vital Moreira coladíssimo ao Governo, Paulo Rangel estranhamente apagado e Ilda Figueiredo igual a si própria.
Detalhemos um pouco.
ILDA FIGUEIREDO
O melhor. A sua reiterada preocupação com a "perda de soberania" de Portugal na União Europeia, o que faz dela, aparentemente, a mais patriótica dos cabeças de lista.
O pior. A contradição em que cai com frequência ao reclamar contra o "directório das grandes potências europeias" enquanto reclama mais dinheiro dessas mesmas potências.
A frase. "É necessária uma ruptura com estas políticas do capitalismo, do neoliberalismo."
MIGUEL PORTAS
O melhor. Procurou sempre centrar a discussão nas questões europeias. Reclamou um referendo europeu, negado pelo PS e pelo PSD, e mais poderes efectivos para o Parlamento Europeu.
O pior. Diz-se "europeísta", mas é fácil confundi-lo com um eurocéptico.
A frase. "Não sou europorreirista, como Vital Moreira e Paulo Rangel."
NUNO MELO
O melhor. Foi o mais eficaz nas críticas a Vital Moreira, lembrando que no anterior debate o candidato socialista chegou a elogiar José Sócrates por ter reduzido os impostos, proeza que mais ninguém vislumbrou.
O pior. Passou uma esponja no passado eurocéptico do CDS, como se isso nunca tivesse existido.
A frase. "Não somos eurocépticos nem eurocalmos. Somos europeístas convictos."
PAULO RANGEL
O melhor. Esteve sereno e calmo. Introduziu no debate um dos temas mais importantes - a baixíssima aplicação dos fundos europeus em Portugal, no âmbito do actual QREN (quadro de referência estratégico nacional).
O pior. Esteve sereno demais.
A frase. "A concorrência ajuda não apenas as pequenas e médias empresas mas os pequenos e médios estados."
VITAL MOREIRA
O melhor. Rebateu com alguma eficácia as posições eurocépticas dos partidos à sua esquerda.
O pior. Demasiado colado a Sócrates, elogiou o Governo por ter conseguido desbloquear verbas europeias sem assinalar que essa verbas só têm vindo a ser residualmente aplicadas.
A frase. "Não quero ganhar o campeonato da algazarra, da vozearia e da mistificação."
«Em política, quem passa a vida a ter de esclarecer, corrigir, especificar, desmentir, clarificar, o que disse é porque não acerta. Está nos livros», diz o Jorge Ferreira, no Tomar Partido. E tem razão - é mais ou menos como um actor cómico que se vê obrigado a explicar a piada, perante o sorriso amarelo da assistência.