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Delito de Opinião

Freeport: quatro notas

José Gomes André, 29.07.10

1. "A verdade vem sempre ao de cima", diz-nos Sócrates. Certamente... Basta aliás estar atento às notícias da sucessiva incapacidade da justiça para punir criminosos reconhecidos como Valentim Loureiro, Pinto da Costa ou Isaltino Morais, entre outros. Significa isto que Sócrates é culpado de um acto ilícito? Não. Tal como não significa que é inocente de qualquer acto ilícito apenas porque o Ministério Público foi incapaz de apresentar prova ou porque o tribunal assim o determinou.

 

2. Pode então perguntar-se: "Mas pairará sempre sobre Sócrates um manto de suspeição, apenas porque os seus opositores o desejam?". Ao que respondo: da minha parte, seguramente. Não devido ao Caso Freeport, mas pela extraordinária capacidade do primeiro-ministro em cultivar amizades com patifes de toda a espécie e em se meter em todo o tipo de trafulhices (particularmente as de "menor porte") - da Licenciatura às casas da Guarda.

 

3. Sobre o processo em causa, continuam por responder algumas questões de somenos importância: como diabo se constrói um monstro urbanístico daquele género numa área protegida? Quem o autorizou e porquê? E a troco de quê?

 

4. Registe-se a reacção histérica à Esquerda. Os Abrantes foram ao baú resgatar umas capas de jornais supostamente "caluniosas" (como adoram a palavra), suplicando pela imolação dos jornalistas que não obedeceram aos pedidos caridosos de Lopes da Mota & Ca. Tiago Barbosa Ribeiro (não confundir com o excelente autor do "Kontratempos", que emigrou para parte incerta) pede mesmo o julgamento dos jornalistas envolvidos. E João Galamba, citando José Albergaria, exige um pedido de desculpas de uma data de gente, incluindo os bloggers do "Delito de Opinião". Da minha parte, pedirei desculpa com a máxima prontidão, assim que Sócrates também pedir desculpa por ter mentido sobre os números do défice, o não-aumento de impostos e o grau de endividamento nacional. Palavra de honra. 

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