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Delito de Opinião

2 centímetros de futebol

jpt, 08.05.22

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Ontem, no decisivo Benfica-Porto, foi anulado um golo por fora-de-jogo de... 2 centímetros. Resmungam os benfiquistas, lamentam-se os sportinguistas - nós, os do "leão", ainda que estivessemos já algo desesperançados, maldizemos a regra em uso. Mas, justiça seja feita, se o bambúrrio nos tivesse bafejado, e o clube tivesse acabado campeão tal teria acontecido através de uma regra anacrónica e injusta (desempate por golos "fora" nos 2 confrontos directos com o competidor imediato [Porto], numa competição de 34 jogos).

Ou seja, não venho resmungar com este golo anulado (e se o quisesse fazer não o faria no Delito de Opinião, pouco dado a futebolices). Mas há mais de três anos que resmungo com este modo de aplicação videográfica (VAR) no fora-de-jogo, que prejudica a indústria de entretenimento futebolístico. E aqui opinei (e no És a Nossa Fé!) sobre o assunto. Repito o que então escrevi, minha forma de assumir a candidura a influencer no International Board:

"O VAR é fundamental, é óbvio que reduz os erros dos árbitros e que é um grande instrumento contra a protecção aos grandes clubes e contra a corrupção - promovida pelos clubes e por essa relativa novidade das apostas desportivas privadas e avulsas. Mas ao quebrar o predomínio da paixão e da festa arrisca a tornar o jogo mais cinzento e, nisso, a ilegitimar-se. Assim as suas imensas capacidades tecnológicas de observação desumanizam o jogo. Ontem foi exemplo disso. Para que o VAR seja protegido dever-se-á pensar a aplicação das regras, refrear a tendência legalista que ele trouxe, uma verdadeira ditadura milimétrica promovida pela tecnologia. Urge regressar, e reforçar, [a] tradições na jurisprudência futebolística, pois humanizadoras, cuja relevância ontem foi demonstrada:

- (...) Há que recuperar o ideal da protecção do avançado em caso de dúvida na aplicação desta lei, de uma (muito) relativa indeterminação. Anda tudo a aplicar ilegalidades ínfimas, se o calcanhar de um está adiante ou não, se o nariz do avançado pencudo está à frente das narinas achatadas do defesa. (...) Que interessa isso para o fluir do jogo? Urge recuperar essa ideia do "em linha", e permitir que o avançado esteja "ligeirissimamente" à frente do defesa: se confluem, relativamente, numa linha horizontal ... siga o jogo. Claro que depois se discutirá se o calcanhar dele estava ou não em linha com a biqueira do defesa. Mas serão muito menos as discussões. E haverá mais golos. E, acima de tudo, menos anulações diferidas. Donde haverá mais festa, mais alegria exultante. É esse o caminho para a defesa da tecnologia. E da paixão. Julgo eu, doutoral aqui no meu sofá."

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