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Houve festa de estalo no Dizzy's Club Coca-Cola, ali no Columbus Circle em Nova Iorque. Abrilhantavam o cartaz Archie Shepp, Sheila Jordan, os Sexmob com Steven Bernstein, os Trombone Tribe, com Josh Roseman, Ray Anderson, Steve Swell e Bob Stewart, etc.

Tamanho luxo sucedeu no passado dia 15 de Novembro, em celebração do 82º aniversário do trombonista Roswell Rudd e concomitante lançamento do seu último feito, o disco "Embrace" com a cantora Fay Victor, o pianista Lafayette Harris e o contrabaixista Ken Filiano.

Sim, Rudd sempre a experimentar, ele que circum-navegou o planeta do jazz partindo do seu ví­nculo inicial ao estilo dixieland até se tornar num prócere do free, envolvendo-se desta vez num quarteto sem bateria - não é para todos, é para quem pode - para interpretar um repertório de standards: "Something to Live For" de Billy Strayhorn, o compositor de Ellington; "Goodbye Pork Pie Hat", o requiem de Charles Mingus por Lester Young; a balada lírico-agulosa "Pannonica" de Thelonious Monk; "Can't We Be Friends", canção da Broadway.

Rudd rendeu-se? Não - "abraçou, abrangeu, adoptou". Não se espere dele digressões pelas galerias de um museu reverenciando com o remorso dos conversos as peças que antes desdenhara; a prática de Rudd em "Embrace" é a do jazz de sempre: respeitar a integridade das composções, ou seja, desafogar nelas passagens inesperadas e livres, porque o jazz, sabe-o Rudd melhor do que ninguém, é um perpétuo recomeço de conversa. O programa de "Embrace" é simples: provocar a manifestação do sublime com pequenas alegrias.

Posto isto no dia 26 de Dezembro de 2017 Roswell Rudd morreu, finalmente esvaí­do pelo cancro. Dulcí­ssimo passamento de quem em vez de murmurar pelo irrecuperável "rosebud" no leito da morte nos lega a mais bela das mensagens - "Embrace."

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