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Dune

por João Campos, em 12.07.10

Há tempos, creio que a propósito de uma conversa sobre ficção científica (para variar), conversei um pouco com a Ana Vidal sobre o filme Dune, a adaptação de David Lynch, feita em 1984, ao romance de Frank Herbert. Ainda não revi o filme - talvez no fim-de-semana -, pelo que mantenho ainda a opinião de que o filme, ainda que interessante, é globalmente fraco. Li, porém, o livro - a minha primeira leitura de Verão, após ter encontrado uma edição em paperback na fnac, a um preço muito convidativo (alguém me lembre de ir lá buscar o 2001: A Space Odyssey, que também estava muito em conta). Enfim, a propósito da obra de Herbert, o "mestre" Arthur C. Clarke disse não conhecer nada que se lhe comparasse para além de The Lord of the Rings. Descontada a simpatia, Dune é, de facto, uma obra espantosa, provavelmente um dos mais ambiciosos trabalhos que o género conheceu. Dune, o primeiro volume de uma série de seis livros escritos por Frank Herbert (e mais alguns, escritos pelo seu filho, Brian Herbert e Kevin J. Anderson), narra a história da família aristocrata Atreides, à qual é concedido, pelo Imperador Shaddam IV, o controlo do planeta Akarris, o único lugar onde se encontra mélange, a substância mais valiosa do universo (a famosa spice). O planeta é um presente envenenado, e o Duque Ledo Atreides sabe disso quando o aceita. E a história prossegue com o seu filho, Paul, e a sua aprendizagem da vida no deserto, com as intrigas políticas entre as famílias aristocratas, com o sonho ecologista de Liet-Kynes e dos Fremen, e com a guerra iminente. Durante a leitura, deparamos com algumas cenas memoráveis, como a do primeiro banquete dado pela família Atreides em Akarris - de longe, a que mais me marcou durante a leitura. Mais não conto, para não estragar uma eventual leitura a alguém; mas fica a sugestão: vai valer a pena cada minuto passado a ler Dune.


9 comentários

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De francisco vellozo ferreira a 12.07.2010 às 14:09

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De Afonso Azevedo Neves a 12.07.2010 às 15:17

Muito curioso João, não só concordo com a critica ao filme (desconto que não seria fácil fazer um filme com Dune, as séries feitas são muitissimo fracas também) mas também que a passagem mais extraordinária dos primeiros três volumes é o famoso jantar e toda a tensão que ele envolve. É uma obra fabulosa sobre política, ecologia, religião e ética.
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De João Campos a 13.07.2010 às 01:38

Creio que o erro fundamental de Lynch foi ter adaptado o história - que é, de facto, de difícil adaptação - para apenas um filme. Creio mesmo que a narrativa seria perfeita em duas partes, pois tem dois momentos de clímax muito bons.

E sim, a cena do jantar é extraordinária. Tanto pela enorme intriga como pela forma magistral como está escrita.
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De Afonso Azevedo Neves a 13.07.2010 às 10:44

Concordo parcialmente com essa crítica João. O filme comete erros graves e bastariam dois (são mais) fulcrais: Transforma o Barão numa espécie de monstro físico (as borbulhas) em vez de mostrar que ele é um monstro por ser cruel e substitui o poder da linguagem levada ao extremo por uma arma revolucionária que usa a voz. Um disparate. Se quiseres um terceiro bastaria dizer que a cena do jantar (para mim fundamental no primeiro volume) nem sequer aparece no filme mas aceito que de dificil encenação como as séries de televisão mostraram.
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De João Campos a 13.07.2010 às 11:25

Tenho mesmo de rever o filme. Não me lembrava do pormenor do Barão.

Por acaso, quando li fiquei com a sensação de que a cena do jantar - de facto, fundamental - seria extraordinariamente difícil de filmar. Não só pelos múltiplos de pontos de vista, mas também porque para resultar todas aquelas personagens - e são muitas - teriam de estar suficientemente desenvolvidas. Talvez tenha sido a dificuldade que afastou Lynch.
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De Gi a 12.07.2010 às 16:14

Li a saga há muitos anos e lembro-me que gostei muito dos primeiros volumes e que o filme, como é costume com os filmes feitos a partir de livros de que gostei, me decepcionou.

Ainda assim, quem me dera ver mais adaptações ao cinema de tantos livros interessantes em vez das pepineiras que nos vendem.
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De João Campos a 13.07.2010 às 01:36

Concordo. Sobretudo de fantasia, já que há mesmo muitos poucos filmes realmente bons do género. E houve adaptações péssimas de livros extraordinários. Assim de repente, ocorre-me o filme The Golden Compass, baseado no romance de Philip Pullman - creio ter sido a minha maior desilusão em cinema.
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De Ana Vidal a 12.07.2010 às 17:36

Ao contrário de ti, não li o livro. Esta tua descrição fez-me água na boca, e a opinião de Arthur C. Clarke deixou-me ainda mais curiosa. A tetralogia de Tolkien, que li muito cedo, foi durante anos a leitura que eu referia sempre que me pediam um livro "preferido", pela espantosa imaginação da reinvenção do mundo ao mais ínfimo detalhe e pela mensagem que contém. Os filmes não me decepcionaram (é preciso ver que foram feitos numa época em que a tecnologia do cinema tem recursos muito mais sofisticados), ao contrário do que te aconteceu com Dune. Não vejo o Dune há muitos anos e também fiquei agora com vontade de revê-lo. Lembro-me, sobretudo, da estética impecável que Lynch soube imprimir a uma história de aristocratas do espaço. E a estética deixa-me sempre rendida, John...
Talvez tenha agora uma desilusão, tantos anos depois. E talvez o livro possa redimir essa decepção com o filme, que já prevejo. Depois conto-te.
:-)
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De João Campos a 13.07.2010 às 01:33

Pessoalmente, gosto muito da adaptação de O Senhor dos Anéis. Vou escrever sobre isso em breve.

Dune é um livro fabuloso. Quero ler os restantes, mas tenho uma longa lista de sci-fi para arranjar. Quanto ao filme, vi-o apenas uma vez. Mais do que nunca, estou curioso por revê-lo.

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