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«Em cima da mesa» do governo

por João Carvalho, em 29.06.10

Portugal tem mais de dois milhões de pobres, como se sabe. Sabe-se agora também que tem mais de três milhões de pessoas que vivem ligeiramente acima da pobreza formal — agregados familiares em que os adultos muitas vezes são licenciados, trabalham precariamente, são mal pagos — e com dificuldades sérias (impossibilidade até) para fazer face às despesas fixas.

Sobre este quadro desolador, a ministra do Trabalho apareceu a explicar dois pontos:

— que esta realidade é um problema a que o governo está atento (o que tanto pode ser estar à janela de olhos arregalados como outra coisa qualquer);

— que o governo tem o problema «em cima da mesa» (o que permite desconfiar de que já não deve sobrar muito espaço no tampo da imensa mesa em que o governo pousa tudo e mais alguma coisa).

Em suma: Portugal tem mais de cinco milhões de pobres declarados e pobres envergonhados, o que corresponde a mais de metade da escassa população. Ora, como o primeiro-ministro anda há cinco anos a afirmar a pés juntos que a pobreza está a diminuir, haja quem tenha paciência para o fazer ver que os portugueses viviam melhor há cinco anos.


23 comentários

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De Pedro Correia a 29.06.2010 às 01:00

Ao contrário do que diz o Governo, o "problema" não está "em cima da mesa" (como se pudesse estar debaixo da dita). Os problemas - no plural - estão por todo o lado. O balanço da governação Sócrates - que contou com uma sólida maioria parlamentar durante quatro anos, convém que não esqueçamos - já pode começar a ser feito. E é desastroso.
O reflexo disto nas sondagens é já óbvio, como demonstra a mais recente. Fim de ciclo político à vista. Só um cego não vê.
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De João Carvalho a 29.06.2010 às 11:05

Mesmo um cego não vê, mas sente.
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De mdsol a 29.06.2010 às 11:16

Isto de ver é complicado. Há quem não veja por motivos oftalmológicas, um cego, um amblíope... Mas há mais quem não veja, questões oftalmológicas à parte. Não vê quem não quer e, assim, se torna cego por vontade própria, como não vê quem, por excesso de luz fica ofuscado. Se é bem verdade que o pior cego é o que não quer ver, também o excesso de luz nos encandeia.

Isto só se refere à frase usada: só um cego não vê.

:)))
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De João Carvalho a 29.06.2010 às 12:58

Utilizando a terminologia da moda para concluir de modo clássico: o pior invisual é aquele que não quer visualizar.
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De Pedro Coimbra a 29.06.2010 às 10:22

O fenómeno da pobreza envorgonhada, João.
Algo que também se vê, cada vez mais, aqui em Macau.
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De João Carvalho a 29.06.2010 às 11:05

Já não chegava o mundo ter mudado em três semanas, agora também anda para trás...
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De Sílvia a 29.06.2010 às 10:24

Eu diria que a mesa de tão pequenina que é nem se vê mais... e a janela é tão prazeirosa que fomenta vistas prolongadas para um delicioso e ilusório mundo de fantasia!
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De João Carvalho a 29.06.2010 às 11:04

Uma janela do conselho de ministros, seguramente.
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De Sílvia a 29.06.2010 às 11:15

Oh João, só pode mesmo. As outras têm vistas sombrias.
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De João Carvalho a 29.06.2010 às 12:56

É onde se praticam os jogos de sombras...
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De Sílvia a 29.06.2010 às 15:59

Jogos de entrada condicionada e de avultadas apostas...
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De EK a 29.06.2010 às 11:22

Os Europeus todos viviam melhor há 5 anos. Haja paciência é para dizer ao Sr Primeiro-Ministro que não precisa de se entreter a mentir-nos mas sim, a governar. Porque, diga-se de passagem, esta é a pior fase para governar um País.
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De João Carvalho a 29.06.2010 às 12:56

Se fosse como propõe, já não seria mau de todo. Mas é tarde.
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De zeparafuso a 29.06.2010 às 13:37

Ai! Como se chama ? Já foi Há uns anos...... Como se chama !? Ai ! O patrão que se aumenta a ele próprio cerca de 10% e aos trabalhadores, que não eram aumentados há 2 anos, 1%. Como se chama ? Raio da memória! Sei que por menos os Melos , os Chapalimaud e outros foram expulsos ou tiveram que fugir, ou foram saneados, não sei como se diz. Mas, o que me atrapalha mesmo é não me lembrar do nome......e fizeram uma revolução e tudo......ai! que raio ! Ah! Exploradores, fascistas e outros nomes assim, que hoje já não existem. Era a razão porque não me lembrava, é por hoje já não existirem. Grande treta.
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De zeparafuso a 29.06.2010 às 21:45

Treta a não existência desses senhores hoje, mais uma vez não era isto que eu queria dizer, mas como não sei apagar, João, fica escrito. O que eu queria dizer é que treta de memória, mas também não é bem memória, é mais país da treta, que raio! hoje não me sai uma certa. Também não é bem isto é para aí treta de PM ( Policia Militar ), o Policia Militar saiu a despropósito, nem sei porquê !? Só sei que tudo isto é uma treta, assim já está melhor.
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De Ana Vidal a 29.06.2010 às 13:53

"Ligeiramente acima da pobreza formal" deve ser "pobreza técnica" para o governo. Nada de preocupante, portanto. É por isso que põem tantas coisas em cima da mesa. Tudo menos pão, que era o que devia lá estar.
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De João Carvalho a 29.06.2010 às 20:23

Disseste tudo.
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De Luís Reis Figueira a 29.06.2010 às 14:08

Os ministros deste governo e toda a restante troupe que os cerca, davam bem para encher uma caderneta de cromos, bem melhor do que aquelas que agora há para o Mundial. Então esta 'André', é verdadeiramente a estrela da companhia. A sua declaração final, é um autêntico fecho com chave de ouro.
Atente-se, então, nesta sua sábia reflexão:
Helena André disse ainda ter a "profunda convicção que o emprego é o melhor veículo de integração social, o melhor veículo de auto-estima e, claramente, o melhor veículo de combate à pobreza". Pois é. Só que é pena que ainda ninguém tenha dito à Srª Ministra que estes «veículos» quase não existem actualmente em Portugal. Na verdade, os únicos «veículos» de que o governo gosta e com os quais está actual e verdadeiramente preocupado, são aqueles que diariamente lhe enchem os bolsos com impostos de toda a ordem, portagens, combustíveis caríssimos e por aí fora. Isto já para não falarmos do recente caso das SCUT's e da já mais que expectável negociata dos chips que, para já, parece ter passado para «baixo da mesa».
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De João Carvalho a 29.06.2010 às 20:25

Cheira-me que ainda não disseram à ministra que a compra de veículos está suspensa...
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De 100anos a 29.06.2010 às 16:34

Ai a situação está "na mesa" ?
Então decerto estão a pensar em mudar o "paradigma".
É fixe, é modernaço, dá nas vistas e enquanto o pau vai e vem folgam as costas, que é como quem diz, como habitualmente, não se faz pevas.
A filosofia socrática na sua vertente mais exuberante - enchem o olho às pessoas e não mexem uma palha, a não ser para agravar a vida e as condições em que o portuguesinho tenta desesperadamente sobreviver.
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De João Carvalho a 29.06.2010 às 20:26

Fartam-se de trabalhar. Parece que estão a preparar um diploma dedicado aos transexuais...

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