Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Uma lição de vida

por Pedro Correia, em 29.06.10

Por vezes, no mais inesperado dos lugares despertam inimagináveis vocações. Aconteceu com José Saramago, o que é um - entre tantos outros - aspecto memorável da sua biografia. Impossibilitado de prosseguir os estudos para além do curso profissional de serralharia mecânica na escola industrial Afonso Domngues o jovem Saramago passava os tempos livres recolhido na biblioteca municipal de Lisboa, no Palácio Galveias, ao Campo Pequeno. Enquanto os seus parceiros de geração optavam por folguedos, bailaricos e comezainas, ele cultivava-se com esmero, persistência e determinação naquelas salas austeras que lhe propiciaram o equivalente à formação universitária que formalmente nunca chegou a ter.

O Nobel de 1998 recorda esse período da sua vida num admirável prefácio escrito para o livro De Volcanas Llena: Biblioteca y Compromiso Social (Gijón, Trea, 2007). "Era um lugar em que o tempo parecia ter parado, com estantes que cobriam as paredes do chão até quase ao tecto, as mesas à espera dos leitores, que nunca eram muitos (...). Não posso recordar com exactidão quanto durou esta aventura, mas o que sei, sem sombra de dúvida, é que se não fosse aquela biblioteca antiga, escura, quase triste, eu não seria o escritor que sou. Ali começaram a escrever-se os meus livros", escreveu Saramago, lembrando os dias, meses e anos ali passados.

Uma lição de vida.


11 comentários

Sem imagem de perfil

De Alberto Matos a 29.06.2010 às 09:40

Foi certamente nessas longas horas de leitura que aprendeu a sanear colegas que não pensavam como ele e a apagar dos seus livros a memória de quem lhe deu a mão quando ainda era tipógrafo da Estúdios Cor.
Uma lição de vida, realmente...
Imagem de perfil

De João Carvalho a 29.06.2010 às 10:57

Então e os seus três novos 'shows'? Andam a correr bem?
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 29.06.2010 às 13:39

Há cobardes vitalícios. Como o deste «Alberto Matos», que até para bater num morto se esconde no anonimato. Um nojo.
Sem imagem de perfil

De António P. Castro a 29.06.2010 às 15:37

E anonimato quer automaticamente significar inverdade, é?
Ou o que Alberto Matos diz é mentira? Se é, merece contestação com base em factos e não insultos. Venham aqueles, portanto.
Para o autor do post, pelos vistos, os mortos são sagrados. Estou que rezará todas as noites aos santos Adolfo (vulgo Hitler) e José (vulgo Estaline), que certamente não lhe faltarão com as graças a que faz jus...

Em tempo: Anonimato é agora o termo aplicável a quem não tem blogue no Sapo? O resto do mundo perdeu direito ao nome próprio, tendo deixado pura e simplesmente de existir, foi?
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 29.06.2010 às 16:06

«Alberto Matos» é o seu «nom de plume»? E também se dedica a «shows»?
Sem imagem de perfil

De António P. Castro a 29.06.2010 às 17:13

"Resposta" própria de quem perdeu e não tem resposta. Logo vi. Passe bem!
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 29.06.2010 às 17:31

Agradeço e retribuo os amáveis votos.
Sem imagem de perfil

De Sílvia a 29.06.2010 às 09:48

Uma verdadeira lição de vida feita de amizade e amor às letras, palavras, livros, e à sua casa original, a biblioteca. Tive a oportunidade de estudar, mas também tive a oportunidade de me acompanhar da leitura dos mais variados livros desde muito nova. Onde vivia não havia biblioteca e recordo-me com alegre saudosismo de esperar o dia da chegada da biblioteca itinerante da Calouste Gulbenkian (uma vez de quinze em quinze dias, se não me engano) para poder requisitar novos livros e entregar os requisitados. Lamento mesmo que o livro tenha deixado de ser glorificado e que as crianças não consigam com ele criar uma outra ligação.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 29.06.2010 às 13:28

O amor aos livros pode dar grandes lições de vida. É o caso.
Sem imagem de perfil

De Luís Reis Figueira a 29.06.2010 às 14:20

Também me lembro de, na minha meninice, frequentar essas bibliotecas itinerantes que apareciam lá pela terra de tempos a tempos. Infelizmente a 'sociedade da informação' e as novas tecnologias desvalorizaram quase por completo a leitura e os livros, fazendo acreditar às gerações mais novas que eles são dispensáveis.
Sem imagem de perfil

De Sílvia a 29.06.2010 às 15:42

Colocam-se sérios problemas de compatibilização entre as novas tecnologias de informação e o cultivo do gosto pela leitura, pelo que, o encontro ou a convivência entre essas duas realidades deveria ser visto como um desafio a ser assumido de forma determinada e corajosa por parte dos educadores, pais e numa primeira linha professores do ensino primário (básico, 1º ciclo, penso ser essa a designação actual). Há que semear referências na vida das crianças e essas referências partem de nós.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D