A ver o Mundial (10)
O confronto com Espanha, já amanhã, era o mais temido pela selecção portuguesa, que preferia defrontar o Chile nos oitavos de final. Tanto mais que a equipa de Villa, Torres, Xaví, Iniesta e Ramos, após o susto inicial com a Suíça, voltou a mostrar-se em grande forma contra hondurenhos (2-0) e chilenos (2-1). "Todos menos os espanhóis", chegou a dizer o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, com a argúcia e o sentido de oportunidade que todos lhe reconhecemos. Pois aí vem a fúria espanhola, certamente ainda mais animada após a manifestação pública de temor expressa pelo inamovível Gilberto Madaíl. Por mim, acho óptimo. Será um verdadeiro jogo de tira-teimas. Que permitirá confirmar se a solidez de que a nossa selecção tem dado provas é menos aparente do que real e se persiste entre os portugueses aquele antiquíssimo complexo de inferioridade perante os castelhanos que as palavras de Madaíl parecem confirmar.
Para já, ficam três dados relevantes:
1 - Portugal foi a equipa mais goleadora da primeira fase do Mundial da África do Sul (sete golos, a par da super-favorita Argentina).
2 - O jogo Portugal-Coreia do Norte - que nos ficará para sempre na memória - foi o que registou mais remates às balizas: 41. A par dos ocorridos no desafio EUA-Argélia.
3 - Cristiano Ronaldo é até agora o segundo jogador deste Mundial com melhor relação de remates por minutos jogados: 17, em 270 minutos. melhor que ele só Messi (Argentina), com 20 também em 270 minutos.
É muito? É pouco? Parece-me o suficiente para nos permitir alguma satisfação. E para considerar disparatadas as palavras medrosas do presidente da Federação.


