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A esquerda latino-americana comete um erro trágico ao deixar-se atrair por políticos caudilhistas, que fazem do populismo a sua imagem de marca e usam o nacionalismo exacerbado como estribilho seguro para se perpetuarem no poder. Este erro de proporções históricas começou com o apoio dado por amplos sectores de esquerda, nas décadas de 40 e 50, a figuras como Juan Domingo Perón (na Argentina) e Getúlio Vargas (no Brasil), por sinal oriundas da direita mais radical, e prolonga-se na actual onda de entusiasmo em torno do demagogo Hugo Chávez e de vários dos seus epígonos menores, como Evo Morales. Chávez, o mais desbragado populista do nosso tempo, faz lembrar o que H. L. Mencken dizia de Harry Truman: “Se a maioria da população fosse composta por canibais, ele prometeria missionários gratuitos, engordados à custa do contribuinte.” Isto já para não falar em Fidel Castro, que transformou Cuba num imenso beco sem saída. Alfabetizados, os cubanos que nada têm para ler, além do jornal do partido e as enjoativas prédicas do eterno "comandante”? “Os cubanos sabem ler e escrever, mas são praticamente analfabetos digitais. Apenas 2% da população tem acesso (censurado) à internet, contra 25% na Costa Rica”, como revelava recentemente a revista Veja.
A esquerda populista e radical, que congrega a retórica socialista com políticas assistencialistas dependentes de astronómicos fundos estatais, vocifera contra Washington, o que agrada também à extrema-direita. Mas esta retórica não ilude uma questão essencial: a destruição progressiva do frágil tecido empresarial e da massa crítica em países como a Bolívia e a Venezuela augura tempos muito difíceis para o subcontinente americano que fala português e espanhol. Chávez e Morales produziram profundas alterações constitucionais destinadas a centralizar ainda mais o poder destes “homens providenciais” em nome das “conquistas do socialismo”. Daqui à subalternização da democracia e do estrangulamento da sociedade civil vai um curto passo. Em Cuba passou-se o mesmo, com os resultados que se sabem: entre 1989 e 1998 o salário real médio dos cubanos caiu 44%. O número de famílias pobres na Venezuela aumentou 18% desde que Chávez assumiu o poder, há 11 anos.
Há uma lição fundamental que a História contemporânea nos ensina: a democracia política é indissociável do desenvolvimento económico. Mas a democracia ultrapassa o plano meramente instrumental, ligado à criação de riqueza: é um valor político essencial, não devendo ser desgraduada em nome do populismo. A esquerda chilena (com Michelle Bachelet) percebeu isto e segue o seu caminho autónomo, com inegável maturidade. A outra, tão festejada por certos comentadores cá do burgo, prossegue na via do abismo com o cardápio do costume: nacionalização dos principais sectores produtivos, “reforma agrária” destinada a colectivizar a miséria nos campos, asfixia das empresas privadas e criação de uma gigantesca classe de funcionários que parasita o erário público. Em África, cinco décadas de aplicação destas receitas geraram corrupção, fome, doença e penúria: não falta quem lhe chame o “continente perdido”. A América Latina não pode seguir o mesmo trilho. Para tanto, é fundamental que a esquerda saiba distinguir o trigo do joio, não caucinando novas receitas para o desastre.


38 comentários

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De Anónimo a 14.07.2010 às 19:39

Não estando do lado dos senhores que menciona, até porque sou socialista e está bom de ver que esses países não alteraram as relações de produção essencialmente capitalistas (nacionalizaram-se alguns sectores, mas pagou-se para tal!). A única pergunta que tenho para lhe fazer, é se a Venezuela democrática pré-Chávez era assim tão rica ou tinha perspectivas de o ser.
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De Pedro Correia a 14.07.2010 às 21:26

Chávez está no poder há 11 anos. E não se vislumbra a data em que possa sair: pelo contrário, tem feito tudo para se perpetuar na presidência. Prometeu aos venezuelanos melhor nivel de vida. Mas nada disso tem acontecido. O pior, no entanto, ocorre no capítulo das liberdades. Chávez controla o poder judicial, tem o Parlamento totalmente sob o seu mando, suprimiu órgãos de informação incómodos e pôs políticos da oposição, sindicalistas e activistas estudantis na cadeia. A esquerda europeia cometeu o trágico erro, durante décadas, de contemporizar com ditaduras em nome de um pretenso "socialismo" que não passava de propaganda rudimentar. Será bom que esse erro não se repita: é para isso que servem as lições da História. Socialismo e ditadura são conceitos antagónicos. Não lhe parece?
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De Anónimo a 14.07.2010 às 23:18

Vamos por partes:

"Prometeu aos venezuelanos melhor nivel de vida."

Prometeu. Sócrates também mesmo sabendo que não vamos melhorar em breve; é por isso que não voto nele. Porreiro pá!

"E não se vislumbra a data em que possa sair: pelo contrário, tem feito tudo para se perpetuar na presidência."

As eleições são, também lá, de 4 em 4 anos. O que foi referendado e alterado foi o facto de poder permanecer mais que dois mandatos. Com um pormenor: se continuarem a votar nele. (Já agora, também pode acontecer em certos sítios da Europa.)

"suprimiu órgãos de informação incómodos e pôs políticos da oposição"

Quanto a este ponto dou-lhe razão: não renovou a licença de um canal de TV. No entanto, visto do interior da Venezuela, o panorama vai para além da razão e entra nos domínios da emoção, pelo que teve algum apoio popular: aquela TV apoiou o golpe militar de 2003 que queria tirar Chávez do poder e chegou a transmitir (alguma estação de TV montou a fantochada, não sei ao certo se foi aquela) notícias . A TV teve um poder imenso nas mãos, simulando a queda do Governo. Esse poder chama-se controlo de massas e não é desprezável.

"pôs políticos da oposição, sindicalistas e activistas estudantis na cadeia"

Dou-lhe razão, sei pelo menos de sindicalistas e activistas estudantis. Contudo, quanto tempo ficaram presos? É informação que não tenho, realmente; os casos que conheço foram presos em manifestações para serem libertados mais tarde. E ainda hoje vi um vídeo de uma activista estudantil a ser detida numa manifestação pacifista, no Canadá, que não consta ser uma ditadura.

"Socialismo e ditadura são conceitos antagónicos. Não lhe parece?"

Não necessariamente. Se definir socialismo através das relações de produção, unicamente, pode ter uma ditadura socialista. Assim como também existiram ditaduras capitalistas.

Perdoem-me dizer isto, mas o hábito que há neste blog de uns se acudirem aos outros com um "muito bem!", "assino por baixo" faz-vos parecer ridículos.
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De Pedro Correia a 14.07.2010 às 23:32

Fique descansado: aqui não há necessidade nenhuma de ninguém "acudir" a ninguém. Por cá, somos todos crescidinhos e assinamos as nossas opiniões com nome próprio, sem nos refugiarmos no anonimato. Um pouco ridículo, se me permite, é estar a debater com alguém que «assina» Anónimo.
Mas adiante. Há no seu raciocínio algo que não entendo: por um lado diz-se socialista, por outro assegura que o socialismo através das relações de produção só pode ser implantado em ditadura. A que modelo prático, concreto, isso nos conduz? À monarquia comunista da Coreia do Norte? Ao falhado modelo da Europa de Leste, que implodiu estrondosamente em 1989?
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De João Carvalho a 15.07.2010 às 00:11

Muito bem. Assino por baixo.

a) Anónimo
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De Anónimo a 15.07.2010 às 01:28

"Há no seu raciocínio algo que não entendo: por um lado diz-se socialista, por outro assegura que o socialismo através das relações de produção só pode ser implantado em ditadura."

Não assegurei que o socialismo através das relações de produção (ou algo parecido) só podia ser implantado em ditadura. Releia o que escrevi.

E deixe-me acrescentar que estou a "discutir" este post nos vossos termos, isto é, na democracia burguesa: a primazia das eleições parlamentares em vez das de órgãos de democracia directa. A democracia operária, dispensaria a figura central de líder que Chávez ocupa de facto, há demasiado tempo.

Quanto ao seu magnífico parágrafo final:

"A que modelo prático, concreto, isso nos conduz? À monarquia comunista da Coreia do Norte? Ao falhado modelo da Europa de Leste, que implodiu estrondosamente em 1989?"

Faço-o saltar para a luz da ribalta para me dizer a que conduz, na prática, o capitalismo aplicado no mundo periférico, mesmo o melhor caso, aquele que tem as melhores perspectivas (as potências emergentes!): um modelo absolutamente falhado no Brasil, na Índia, na África do Sul, que à cabeça do terceiro mundo ainda têm milhões de pessoas a viver numa pobreza extrema, muitos com fome, outros tantos sem casa, mais ainda sem saneamento?
(Ou, insisto, mesmo numa Venezuela pré-Chávez onde outros caudilhos prometeram melhor nível de vida a uma maioria da população analfabeta que neles votou em troca de pão para a boca em vésperas de eleições?)
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De Pedro Correia a 16.07.2010 às 02:23

O problema dessa sua teoria é o mesmo de sempre: é um problema de modelo. Pergunte às populações do Brasil, da Índia ou da China se preferem viver em sistema capitalista, ainda que incipiente, ou no sistema "socialista". Cuba, no caso do Brasil. A Birmânia, no caso da Índia. A Coreia do Norte, no caso da China. Por mim, não tenho a menor dúvida quanto ao teor da resposta.
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De Anónimo a 16.07.2010 às 17:27

Uma criança sem-abrigo brasileira (que as há, sobretudo longe da vista do hotel onde os turistas passam férias) preferirá, sem dúvidas, viver em Cuba onde o país é, em termos médios, mais pobre que o seu Brasil, mas onde se lutou efectivamente contra a fome e a exclusão social e não encontra crianças abandonadas. Já um empresário preferirá viver no Brasil, sem dúvidas.
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De Pedro Correia a 17.07.2010 às 01:09

Em Cuba não há fome nem exclusão social? Leia os blogues cubanos, dos jornalistas e intelectuais banidos pelo regime, que não têm sequer autorização para abandonar o país, e verá que as coisas não são assim. A menos que só lhe interesse o que a propaganda governamental debita.
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De Anónimo a 17.07.2010 às 13:42

A conversa afastou-se demasiado de onde veio. Por exclusão social considero a falta de acesso ao mundo do trabalho, coisa comum em famílias inteiras que vivem em favelas do Brasil. Com que valores quer que essas crianças cresçam, que aprendizagem social podem elas ter?

Em Cuba, bem sei que há muita pobreza, mas esforce-se por ultrapassar esses preconceitos: por exemplo indo lá e misturando-se com o povo, intelectualmente a léguas de um Brasil que nos incutem como a potência do próximo século há já vários anos.

Quanto ao facto de certos grupos não poderem abandonar o país, é claro que lhe dou toda a razão.
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De Pedro Correia a 17.07.2010 às 13:46

Já fui a Cuba, sem qualquer preconceito. Enquanto lá estive, falei com tanta gente quanto pude. Só depois de lá ter estado me senti à vontade para escrever sobre Cuba, o que por vezes faço. Sem nunca confundir o Governo de Havana com os cubanos. Quanto à exclusão social no Brasil: já ouviu certamente falar no programa Fome Zero, lançado por Lula, e do sucesso alcançado. Isto não lhe diz nada?
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De Anónimo a 17.07.2010 às 21:29

Diz-me que é uma sociedade profundamente desigual que, para conter a revolta popular distribui migalhas por uma camada da sociedade que se situa abaixo do lumpenproletariat.
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De Pedro Correia a 18.07.2010 às 00:28

E, apesar de tudo, o Brasil sob o mandato de Lula registou níveis espectaculares de crescimento económico e uma progressão inegável do rendimento 'per capita'. Nestas coisas convém, de vez em quando, dar uma espreitadela aos números.
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De Tomás Vasques a 14.07.2010 às 22:21

Pedro: assino por baixo. Um abraço.
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De Pedro Correia a 14.07.2010 às 23:07

Aprecio esta sintonia, Tomás. Abraço.
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De toulixado a 15.07.2010 às 01:41

Por cá outro caudilho se perfila para vir a assumir o poder.
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De Pedro Correia a 16.07.2010 às 02:24

Esse caudilho é um tigre de papel.
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De singularis alentjanus a 14.07.2010 às 23:16

Do meu ponto de vista, simplesmente brilhante. Tomo a liberdade de o convidar a fazer o mesmo tipo de análise para o 80, ou seja, o ultra-liberalismo sem regras a que temos vindo a assistir no "nosso" mundo, tendo em conta que analisou o 8.
Cá me parece que quando acertarmos no 40, "isto" vai ser uma maravilha.
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De Pedro Correia a 14.07.2010 às 23:34

Respondo-lhe com uma pergunta: preferia viver no modelo "liberal" da Holanda, da Noruega e da Finlândia ou no modelo "socialista" de Cuba e da Coreia do Norte?
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De O anónimo dos primeiros comentários a 15.07.2010 às 01:33

Está-me a dizer que se subir os impostos sobre os rendimentos das pessoas e empresas de uma Roménia para 60% e conseguir criar (e manter) os serviços públicos que há na Holanda, Noruega ou Finlândia, o investimento se vai direccionar para esse país? Isto, claro, tendo em conta que outros países ali ao lado, também estão sedentos para o receber e a mão-de-obra será invariavelmente mais barata por causa dos impostos...
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De Pedro Correia a 16.07.2010 às 02:25

Com essa réplica, se bem reparar, acaba de prestar uma homenagem aos países que mencionei. Bem me parecia que haveríamos de concordar a partir de certo ponto.
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De Anónimo a 16.07.2010 às 17:35

Pelo contrário, acabei de lhe provar que um país como a Roménia não consegue criar os serviços públicos que há nesses países ainda que o queira, sob pena de perder a capacidade de atrair investimento. Por muito que simpatize com as pegadas políticas dos países nórdicos, tenho a noção da impossibilidade de generalizar o modelo à escala global, ao contrário do Pedro. Aliás, se o Pedro vivesse ou tivesse vivido num país de terceiro mundo teria claramente uma visão diferente, por ser mais provável ser uma vítima do sistema.
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De Pedro Correia a 17.07.2010 às 01:10

Isso acontece devido a uma realidade elementar: para se distribuir riqueza, há que criá-la primeiro. Nenhum estado falido pode ser um verdadeiro "estado social". Este principio é universal, válido para qualquer parcela do globo.
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De Anónimo a 17.07.2010 às 13:44

Estamos de acordo, Pedro. O facto é que a periferia do capitalismo está "falida" desde sempre. Hoje vivemos a maior crise dos últimos 80 anos, daí a construção de um estado social ser uma miragem para esses países. Não vejo, realmente, desacordo entre as nossas posições, excepto a defesa de um modo de produção diferente à escala mundial.
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De Pedro Correia a 18.07.2010 às 00:28

Acho que fez uma excelente síntese. Subscrevo.
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De Pedro Coimbra a 15.07.2010 às 09:42

Há três tipos que me causam borbulhas - Mahmoud Ahmadinejad, Kim Jong-IL e Chávez.
E o problema não está na minha pele.
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De Pedro Correia a 16.07.2010 às 02:20

Também esses me causam urticária, Pedro. Esses e aqueles que os apoiam. Por cá há muitos. Até demais.
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De Luís Lavoura a 15.07.2010 às 11:40

"a democracia política é indissociável do desenvolvimento económico"

Olhe que não, olhe que não... A China tem-se desenvolvido fortemente sem democracia política nenhuma... A Índia, apesar de toda a sua democracia política, que não é pouca, passou décadas sem se desenvolver... Singapura, mesmo hoje que é muito desenvolvida, continua a ter muito pouca (quase nenhuma) democracia política...
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De Pedro Correia a 16.07.2010 às 02:19

Olhe que sim, olhe que sim... Verifique quais são os países do mundo com maior PIB 'per capita' e confira qual a percentagem desses países que têm um sistema democrático.
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De o anónimo lá de cima a 16.07.2010 às 17:31

A China é o país mais populoso do mundo, daí que se tiver em conta não o ranking dos países, mas do número de pessoas que sob eles vive, terá de dar mais razão ao Luís Lavoura.
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De rafael a 16.07.2010 às 18:04

desculpe que lhe pergunte, Pedro, mas os dados que tem sobre a queda do poder de compra dos cubanos em 44% de 89 a 98 e o aumento da pobreza na Venezuela em 18% em 11 anos vêm de que fonte?

é que os dados da revista Veja que aqui transcreve relativamente ao acesso à internet sao tao ridiculos como a reportagem sobre alegadas praticas oficiais de homofobia publicadas há algum tempo pela mesma revista.

Embora, tenha razao quando fala de censura à rede cubana, esquece-se de referir que a censura é feita sob a tutela do departamento de Tesouro dos EUA que é quem controla quantos Mb de upload/download tem a ilha e que devido ao embargo impede que serviços como o google earth ou outro tipo de software ou serviços possam ser acessiveis aos cubanos e quando tentam aceder a estes é-lhes mostrada a mensagem: "usted no puede receber este servicio porque vive en un pais considerado terrorista por los estados unidos". Ah, já agora a velocidade de upload/download de toda a ilha é inferior à velocidade do cyber café da esquina, nao sei se sabia. E o preço da internet? Pois, é por satelite e quem marca esse preço sao os EUA...

se existisse boa vontade do governo norte americano, Cuba teria pleno acesso à internet, bastaria permitir a construçao de um cabo de 15 km que ligaria a um provedor de serviços e permitir uma contratualizaçao em condiçoes normais entre empresas congéneres. Mas como os EUA nao deixam, Cuba vai ter de se ligar à Venezuela (500 km de cabo) com um esforço economico muito maior...

Cuba preparou-se para uma revoluçao tecnológica. Todas as escolas primárias têm laboratórios de computaçao, mesmo as perdidas no monte que apenas têm um aluno. Deu-se formaçao a 2 milhoes de cubanos na àrea informática (Cuba tem 11 milhoes de habitantes). Existiu uma resoluçao governamental de disponibilizar nas estaçoes de correio postos de acesso à internet (nao sei se já concretizada ou nao).

Relativamente à pobreza cubana, já agora, nao sei se sabia que Cuba será um dos primeiros paises a atingir os 8 objectivos do Milenio das Naçoes Unidas, tendo já atingido 5...and so on, and so on...
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De Pedro Correia a 17.07.2010 às 01:13

Rafael: parece-me que você anda muito desligado da realidade. O bloqueio norte-americano justifica muito do atraso de Cuba, é certo. Já devia ter terminado há muito? Certamente: já defendi isso mesmo aqui, em termos inequívocos. Mas os cubanos sofrem um bloqueio muito mais doloroso: o que o anquilosado Governo de partido único impõe ao seu próprio povo.
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De Anónimo a 17.07.2010 às 13:39

Colocar as questões em termos de "partido" é ridículo. Pessoalmente, eu que me considero libertário, teria todo o gosto de ver o poder discentralizado, organizado numa confederação de sindicatos e grupos de moradores, representantes de consumidores e produtores, de estudantes, etc.

Serei ainda mais ditador do que os que defendem partido único, pelo facto de querer banir o parlamento?
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De Pedro Correia a 17.07.2010 às 13:41

Ditador? De forma alguma. As ideias devem ser defendidas de forma tão livre quanto possível. Só seria ditador se tivesse o poder político concentrado nas suas mãos.
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De Anónimo a 17.07.2010 às 18:16

Óptimo. Nesse caso reformulo a pergunta:
Será que defendo uma sociedade ditatorial por ser pela abolição do parlamentarismo? Por defender que a democracia deve ser realizada no dia-a-dia sem o auxílio de partidos, sem os caudilhismos que por cá também acontecem de 4 em 4 anos?
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De Anónimo a 17.07.2010 às 21:35

De qualquer modo, foi um post em que se trocaram ideias de um modo saudável. De um lado, temos o Pedro Correia que aponta o facto de a Venezuela estar a regredir o que, mesmo de acordo com as estatísticas oficiais, é discutível. Por outro, sítios em que não existe caudilhismo e que se afundam no lodo da crise económica também abundam pelo que estamos perante um double-standard muito frequente nas alas liberais e social-democratas. E digo-o sem defender, minimamente, o que se passa na Venezuela.

Por outro lado, é por demais evidente o facto de o ocidente não ser capaz de conceber uma democracia que seja focada em algo mais que o líder: pergunto-me em que molde seriam, hoje, dadas as notícias relativas à guerra civil espanhola, em que o poder foi descentralizado ao máximo.
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De Pedro Correia a 18.07.2010 às 00:31

Eu também gostei de trocar ideias consigo. A conversa, que poderá ser prolongada futuramente noutra caixa de comentários, levar-nos-ia muito longe. Lamento apenas não ter registado o seu nome ou ao menos um pseudónimo à sua escolha. Mas trata-se de um direito seu que não discuto.
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De rafael a 18.07.2010 às 16:50

ando mais ligado do que pensa, Pedro. De si, é que nao esperava a cassete do partido unico. Cuba tem outras formas de participação politica que nao passam pelos partidos e se acha que nao há liberdade de expressao em Cuba veja as cartas ao director publicadas no Granma ou os artigos de opiniao publicados pela UNEAC ou ainda outras tantas publicações como La Jiribilla ou a Juventud Rebelde ou a revista Temas...

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