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Panteras ao ataque

por João Carvalho, em 07.06.10

«Neste momento, a lei da adopção é uma questão fundamental. É incrível como a nível familiar não são reconhecidas as duas mães a uma criança» – diz Sérgio Vitorino, das "Panteras Rosa", e transcreve aqui o Sérgio de Almeida Correia. Não sei quem são as "Panteras Rosa" e o Sérgio Vitorino, mas posso imaginar. E vou fazer uma coisa que não é muito meu hábito, que é ajudar o Pantera Rosa a guardar os disparates na sua privacidade.

A nível familiar – para usar as palavras do Pantera – não são reconhecidas as duas mães porque ninguém tem duas mães. Tal como foi reconhecido o casamento homossexual, até pode ser que venha a ser consagrada institucionalmente a adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Pode ser. Mas é institucionalmente, legalmente; não é «a nível familiar», como o Rosa quer. A nível familiar, uma criança tem sempre um pai e uma mãe, perto ou longe, vivos ou mortos. E tem o supremo direito de saber quem são.

Portanto, se é duvidoso chamar "casamento" à união de duas pessoas do mesmo sexo, é muito mais melindroso educar uma criança, cujos direitos devem merecer protecção especial, no erro impossível de que tem duas mães ou dois pais, deixando-a descobrir mais tarde que andou a ser enganada «a nível familiar».

É imperdoável centrar o assunto deste modo, é inacreditável vir à praça pública declará-lo e é inaceitável manifestar tanto egoísmo, quando o foco de todas as atenções tem de continuar a estar nas crianças. Felizmente, com abordagens como a do Rosa, o debate destas coisas mantém-se longe do fim. Por isso é que eu digo ao Sérgio Vitorino, seja ele quem for:

— Ó Pantera, um passo de cada vez, sim? Até porque pode ser conveniente dar um passo atrás, de vez em quando.

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21 comentários

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De João Campos a 07.06.2010 às 21:18

Concordo, João, mas sabes como é: nos dias que correm, a biologia está muito sobrevalorizada.
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De João Carvalho a 07.06.2010 às 23:49

Deve ser da mudança de paradigma.
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De macarvalho a 07.06.2010 às 21:22

Um artigo de inegável discernimento e bom senso.
Excelente!
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De João Carvalho a 07.06.2010 às 23:49

Sou suspeito para confirmar isso.
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De macarvalho a 08.06.2010 às 23:01

Então, eu repito e confirmo: de inegável discernimento e bom senso.
Sei, pareço o outro do FCP ....
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De João Carvalho a 08.06.2010 às 23:14

Pois pareces. Livra!
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De zeparafuso a 07.06.2010 às 22:53

Bom esclarecimento João! E Deus queira (para bem da família , que assim se mantenha - neste momento e neste País já acredito em tudo - se a memória não me estiver a falhar, acho que li que o Louçã vai levar a AR uma petição (?), para os casais homossexuais adoptarem crianças )
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De João Carvalho a 07.06.2010 às 23:50

O tema está agendado, Zé. Nem o país tem outras coisas para pensar...
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De macarvalho a 08.06.2010 às 23:00

Nada de tão premente assim, parece-me. Creio que esta matéria é fundamental para sairmos da crise.
Percamos tempo e o comboio ....
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De João Carvalho a 08.06.2010 às 23:13

O problema é esse: temos a adopção homoparental e o comboio de alta velocidade para tratar, a fim de sairmos da crise. É uma trabalheira.
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De Pedro Correia a 07.06.2010 às 23:03

Uma das justas lutas travadas durante anos em Portugal foi contra a existência de "filhos de pai incógnito", conceito jurídico e social que funcionou como um estigma de muitas gerações. Felizmente pôs-se cobro a isso. Vejo, com espanto, esse anacrónico conceito ser recuperado inviamente, sob a capa de um falso progressismo e de uma falsa modernidade. Como é óbvio, e bem sublinhas, cada cidadão tem o direito inalienável a conhecer a sua história biológica, que faz parte da sua identidade fundamental.
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De Sérgio de Almeida Correia a 07.06.2010 às 23:36

Pronto, já está!

Ainda bem que o disseste, João.

A contenção é como a indignação e o bom senso: tem limites.

Espero que daqui a uns anos não sejamos todos responsabilizados pelos filhos "homofóbicos" que algumas dessas "uniões" venham a "gerar".

É que o radicalismo costuma acabar em asneira. Da grossa.


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De João Carvalho a 07.06.2010 às 23:52

Realmente, Sérgio, há asneira grossa à vista.
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De João Carvalho a 07.06.2010 às 23:51

É isso mesmo, Pedro.
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De lili a 07.06.2010 às 23:53

Post de grande discernimento, realmente.
mas graça a Deus que nem todos os homossexuais, na sua maioria, não pensam como os panteras. É ridiculo querem forjar assim a realidade e contraproducente.
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De João Carvalho a 07.06.2010 às 23:59

Posso estar a ser injusto, mas de um agrupamento chamado "Panteras Rosa" não parece poder esperar-se grande coisa. O nome faz lembrar mais um grupo infantil num concurso de tv.
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De Luís Reis Figueira a 08.06.2010 às 00:04

Parece que estas rosas, já não contentes com a criação do 'novo casamento', se preparam agora também para exigir que se alterem as leis da própria genética. O que, diga-se em abono da verdade, também não deve ser particularmente difícil para um governo que chamou a isto um «imenso avanço civilizacional».
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De João Carvalho a 08.06.2010 às 01:03

Deve ser a Nova Ordem de Jedi...
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De Luís Reis Figueira a 08.06.2010 às 01:24

É provável, uma vez que já lêem pela cartilha do "Novo Casamento". No tempo do "Antigo Casamento", não era nada disto...
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De João Carvalho a 08.06.2010 às 01:35

Só falta treinar para pensar bem antes de se dizer:
- Pode beijar a noiva.
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De sérgio vitorino a 28.06.2010 às 12:12

Diga isso aos nossos filhos, que é quem as suas posições discriminam. Há muito que a legislação portuguesa reconhece como "pais de facto" as pessoas que geram/cuidam de uma criança, sejam ou não os progenitores biológicos. Excepto no caso das crianças que se desenvolvem em família gays e lésbicas. São estas crianças que estão a ser discriminadas, e o seu contributo para isso fica registado aqui pelA pantera.
Quanto às posições DAS panteras rosa, serão tanto mais públicas quanto cumprirem o objectivo de pôr a nú a homofobia, tal e qual ela se expressa nas posições que este seu post evidencia. Obrigado por provar que o que fazemos é relevante.

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