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Ódio à solta em antena aberta

por Pedro Correia, em 02.06.10

Esta manhã, a Antena 1 abriu os seus microfones à voz do "povo" que fervia de indignação contra Israel. Só escutei alguns minutos, mas foi quanto bastou para ouvir as coisas mais espantosas. Coisas como estas:

 

"Hitler só cometeu um erro na II Guerra Mundial: não ter exterminado apenas os judeus."

"Os judeus são por natureza insociáveis."

"É pena que não haja um país que de um momento para o outro perca a cabeça e extermine Israel."

"A comunidade internacional tem de tomar medidas contra o Estado nazi de Israel."

 

Repito: só escutei alguns minutos. Mas foi o bastante para ter ouvido proclamações carregadas de ódio racial, reles exclamações xenófobas, frases negacionistas pretendendo "desculpabilizar" o nazismo e até instigações abertas ao genocídio. Tudo a pretexto das lamentáveis mortes ocorridas a bordo do navio turco ao largo de Gaza, imputáveis ao Governo e às forças armadas de Israel.

Há quem possa chamar a isto serviço público. Eu não.

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28 comentários

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De lili a 02.06.2010 às 20:10

Eles andam por aí, não é Pedro?
Os padres, os Monsenhores, os papas, que os defendem e promulgam, os intelectuais, estes e aqueles, os neo-nazis que negam o Holocausto.

Já tinha lido e comentado no Facebook do Henrique Monteiro, algo idêntico, mas não tão feroz.

Faça-se então serviço público, afinal até pagamos uma taxa de radiodifusão, passem em horário nobre e também na RTP1, documentários e filmes sobre o que foi realmente o Holocausto.

Não consegui ler as acusações todas, saltei ao fim do segundo negrito.

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De lili a 02.06.2010 às 20:15

Desce ao abismo e vê .
como trabalha o ódio,
como o ensinam às crianças,
como é fácil a morte.

- Fernando Pinto do Amaral - in Em Voz Baixa.
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De ariel a 02.06.2010 às 20:40

É absolutamente lamentável e vergonhoso que uma rádio pública dê voz a esse tipo de gente...
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De Daniel João Santos a 02.06.2010 às 21:48

também ouvi e como o Pedro só pouco tempo. Desliguei após as primeiras idiotices.
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De Chloé a 02.06.2010 às 21:53

Mas a TSF há muito que deixou de ser serviço público, com aquela garra e objectividade informativas a que nos habituou durante alguns anos.
Quanto à fúria colectiva contra Israel... é apenas mais um caso de «condicionamento» noticioso, para quem não conhece verdadeiramente o assunto e traga aquilo que lê sem conhecer nem os ingredientes, nem o cozinheiro.
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De Chloé a 02.06.2010 às 22:00

Enganei-me, claro. O Pedro C. falava da Antena 1 e não da TSF. Eu é que li logo assim, porque ultimamente a minha zanga contra esta última cresce diariamente... E o facto é que a TSF, não sendo do Estado, fazia em tempos um jornalismo exemplar, muitas vezes qualificado de "serviço público", por oposição à modorra dos propriamente ditos.
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De Renato a 03.06.2010 às 11:14

Chloe, não leve a mal, mas o que é que a leva a ouvir uma rádio que acha que não presta? Vontade de se zangar? Masoquismo?
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De Chloé a 03.06.2010 às 12:49

Não levo nada a mal, claro. É simplesmente um hábito de longos anos, este de ouvir a TSF logo de manhã e ao fim do dia, no carro. Não tenho paciência para aqueles programas matinais do género "levanta astral", barulhentos e festivaleiros. - Nunca lhe aconteceu persistir num hábito porque não encontra alternativa, e porque no fundo espera que o que lhe começa a desagradar seja passageiro? É o meu caso.
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De PedroS a 09.06.2010 às 11:38

Eu ouço o Rádio Clube de manhã e ao fim da tarde. Não é perfeito, mas acho que está a milhas da TSF
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De rosa a 02.06.2010 às 22:44

E não pode ser serviço publico no sentido de nos dar a ver quem somos como país?Ou como povo? Que isso do "povo de brandos costumes" pode ser 1 ilusão ( e perigosa)?
Já agora,serviço publico também fazem vocês aqui, e do bom! :)
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De João Carvalho a 03.06.2010 às 00:49

Não, Rosa, não é serviço público dar voz às vozes condenáveis, à falta de princípios, ao ódio, à xenofobia e ao racismo. Estamos cheios de saber quem somos e como somos, certo?

Inversamente, é serviço público usar alguma pedagogia para sermos maiores e melhores, para sabermos mais e seguirmos em frente. Divulgar pode confundir-se com promover e é inaceitável dar voz ao assassino que matou a avó na banheira e que explica como o fez, como conseguiu escapar à justiça e como tenciona matar a outra avó na banheira.

Obrigado pelas suas palavras dirigidas ao DO, Rosa.
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De joao severino a 03.06.2010 às 00:56

Eu vou mais longe. Quando é que se extermina a Antena 1?
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De 100anos a 03.06.2010 às 01:53

Caríssimos,
Não se trata da TSF ou da Antena 1 ou de qualquer outra estação de rádio ou TV.
Por exemplo as TVs diariamente abrem as antenas a ouvintes que dizem as maiores barbaridades com a maior naturalidade.
Dizem eles que democracia é dar voz às pessoas, mas não creio que seja isso que façam: eles dão voz a grupos organizados ou a pessoas que se tornaram “habitués” através dos telefonemas para lá.
No fundo essa tal democracia mediática dá voz a um número ridiculamente pequeno de pessoas.
Já ouvi os maiores disparates que me parecem francamente directamente tributários da mais santa ignorância.
Mas já ouvi também uns quantos celerados fazerem afirmações sofisticadas e aparentemente conhecedoras dos temas em debate, que me provocam profunda repugnância.
Esta nova moda de dizer mal dos judeus entronca nessa lógica: um biltre qualquer sabe que não pode deitar cá para fora o seu ódio primário aos judeus sem justificação; a sorte dos pobres palestinianos vem a calhar que nem ginjas para dar largas a esses ódios primários.
Esta “democracia” mediática está profundamente doente, até porque os jornalistas/moderadores frequentemente são quase tão ignorantes como os comentadores encartados, é evidente que não têm qualquer critério e deixam passar todas as enormidades e todas as loucuras – a maioria deles não sabe sequer o que foram os “pogroms”.
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De Ana Vidal a 03.06.2010 às 02:16

Ódio à solta, dizes bem. E basta um qualquer alvo de ocasião, muitas vezes totalmente desconhecido, para se destilar todo o ódio acumulado a outros alvos mais reais e mais próximos. Lamentável é que seja dada cobertura a essas vozes irracionais.
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De Pitucha a 03.06.2010 às 07:24

Fico sempre espantada quando ouço, leio ou vejo coisas assim. Para que servirá o horror da história se não aprendemos nada com ela!
Uma tristeza tudo isto.

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