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Convidado do mês: TOMÁS VASQUES

por Pedro Correia, em 01.06.10

 

Do golpe militar ao golpe palaciano

 

O Pedro Correia teve a amabilidade de me convidar para escrever um post no Delito de Opinião, o que aceitei de imediato e agradeço. Ainda pensei alinhavar as minhas notas de leitura ao recente livro de Carlos Brito, Álvaro Cunhal Sete Fôlegos do Combatente. Ou, pelo menos, a uma parte que considero relevante: se o golpe militar de 25 de Abril de 1974 tivesse fracassado (e podia ter acontecido) seria tratado, por Álvaro Cunhal, como uma aventura «putchista e oportunista» – assim tinha classificado a saída da coluna das Caldas da Rainha, a 16 de Março. Como se tratou de um golpe militar vitorioso, passou a ser o resultado da estratégia definida pelo dirigente comunista, em 1964, no Rumo à Vitória. A história – a interpretação dos factos a posteriori – é feita destes pequenos nadas. Mas achei que, apesar do interesse, este não era um tema actual, um assunto do nosso quotidiano.

 

Por isso, deslizo para outro tema. Mais actual, a saltar de fresquinho: o apoio do PS – decidido na Comissão Nacional, no Domingo – à candidatura presidencial de Manuel Alegre (nesta reunião escapou-me um pormenor: como é que uma votação envolvendo um nome é feita por braço no ar?). Penso que à actual direcção do PS não lhe restava outra alternativa. Os dados estavam lançados há muito tempo e o PS amarrado a Alegre, desde há muito tempo, nas presidenciais. José Sócrates teve o mérito de impedir uma profunda clivagem no interior do partido, ao apoiar o poeta, sem deixar de se distanciar do apoio concedido. A partir de agora, a batata quente passou para as mãos do candidato que tanto se empenhou na «frente popular» entre a extrema-esquerda e o socialismo democrático, uma quimera provavelmente ainda de origem argelina. Durante os próximos seis meses, Manuel Alegre vai andar num rodopio, em bolandas entre os apelos de Louçã contra os «banqueiros e os capitalistas sanguessugas» e as medidas de austeridade do governo a atingirem também os desempregados. Será um autêntico cata-vento, sem coerência, sem estratégia, sem rumo.

 

Mas, nesta novela «presidencial», em que o PS se deixou envolver, o mais relevante é o facto de Manuel Alegre, deputado do PS durante 34 anos, se ter disponibilizado para protagonizar a estratégia política do BE, mil vezes confessada: crescer eleitoralmente à custa de uma derrocada do PS.

 

Neste golpe eu não alinho. Se não aparecer outro candidato, escolho o mal menor: voto Fernando Nobre.

 

Tomás Vasques

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12 comentários

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De Pedro Correia a 01.06.2010 às 15:54

É um prazer receber-te por cá, Tomás. E ver-te com a excelente forma de sempre.
Obrigado. E um abraço.
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De Ana Vidal a 01.06.2010 às 17:33

Seja muito bem-vindo, caro Tomás. Esta cabana é sua.
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De PALAVROSSAVRVS REX a 01.06.2010 às 17:56

Eu também voto em Nobre, Tomás. Sob o seu influxo, espero que a República decrépita portuguesa seja plebiscitada e o sistema político português renovado e depurado.
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De Tomás Vasques a 01.06.2010 às 17:56

Pedro e Ana: o prazer de aqui estar é meu e obrigado pelo convite.
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De lili a 01.06.2010 às 18:42

Votarei em Nobre, embora em 2006 tenha votado em Alegre; a desilusão que ele me provocou foi demasiado grande para sequer poder pensar em renovar o meu voto.

Podia sim, basta pensar na passividade da Marinha. Se ela quisesse ter sido mais activa contra os golpistas, e ainda bem que não o foi, o 25 de Abril podia ter falhado.
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De aviador a 02.06.2010 às 09:57

Pois é.
O que interessa é que Cavaco já ganhou!
É por isso que o Pedro diz que Tomás Vasques está em forma!
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De Pedro Correia a 02.06.2010 às 10:58

Deixe estar, Aviador: havemos de o convidar também a si. Até lá, evite voar baixinho.
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De aviador a 02.06.2010 às 18:53

Muito obrigado Pedro.
De qualquer modo, e parafraseando o outro, não gosto de escrever em blogues que me convidem para tal!
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De João Carvalho a 03.06.2010 às 00:30

Fique tranquilo: acho que o Pedro Correia estava a brincar. E cuidado com as nuvens do vulcão.
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De lili a 02.06.2010 às 15:39

Admiro a sua profissão de fé.
Já agora diga-me quem é o apostador que vai ganhar o próximo Euromilhões, para que lhe copie a chave, por favor.
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De José Teles a 03.06.2010 às 22:51

Tomás, se as coisas fossem assim tão claras, eu tb me recusava a votar Alegre desta vez. Não são. Temos tempo de ver se Alegre está mesmo "a reboque" de Louçã ou se isso não passa de "um boato da reacção". Depois não entendo o que é que Nobre tem de melhor. É/foi apoiante, militante, propagandista do Bloco, com um primarismo que fazia dó. Nas últimas eleições. Quando o Alegre, apesar de tudo, apelava ao voto no PS.
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De Elisiário Figueiredo a 04.06.2010 às 23:11

Olha Vasquez

No Fernando Nobre não votas de certeza porque não vai formalizar a candidatura, agora sei que o "pezinho" salta-te para ires votar no Cavaco.

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