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Alegre, Sócrates e Belém

por Pedro Correia, em 27.05.10

 

Em Janeiro de 2006, sem o apoio do PS e até com a hostilidade do aparelho socialista, quando a popularidade de José Sócrates estava em alta, Manuel Alegre conseguiu mais de um milhão de votos e suplantou a percentagem obtida nas urnas pelo candidato oficial do partido. Agora, que a popularidade do primeiro-ministro atinge os níveis mais baixos de sempre, o poeta parece tolhido, à espera de um apoio que lhe será sempre dado com reservas, condicionalismos e sem a menor sombra de entusiasmo. Como se o partido lhe fizesse um enorme favor. Acontecerá no próximo domingo, dizem. Se não chover.

Confesso não entender por que motivo o autor de Senhora das Tempestades aguarda com infinita paciência o veredicto de um líder político cuja palavra não se traduz em votos. Se fosse esse o caso, Mário Soares teria pelo menos forçado Cavaco Silva a disputar uma segunda volta há quatro anos. Todos sabemos o que aconteceu: Soares, com o apoio expresso de Sócrates, não conseguiu melhor do que um humilhante terceiro lugar, recolhendo apenas 14% dos votos, o que deu imenso jeito a Cavaco.

Sócrates, cada vez mais confinado a um reduto de fiéis, precisa hoje mais de Alegre do que este precisa de Sócrates. Confrontado com as declarações hostis de alguns elementos de terceira linha do PS, que não ganhariam sequer uma eleição para a junta da freguesia onde residem, o autor de Praça da Canção deveria revelar-se agora como se mostrou em 2006: acima dos partidos, com a frontalidade de sempre, falando directamente aos eleitores sem necessidade de qualquer intermediário oriundo das sedes partidárias. Se fizer isso, amplia sem dificuldade a votação de 2006; se aparecer colado a um primeiro-ministro tão desacreditado como o actual, ficará com uma nova derrota antecipadamente garantida a pesar-lhe no currículo.


2 comentários

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De Sílvia a 28.05.2010 às 10:40

Não percebo porque precisa Sócrates de Alegre. Sócrates e seus ministros revelam um desnorte tal na governação ou desgovernação que Alegre será incapaz de atenuar, e a meu ver, até acentua. O único motivo plausível será o facto de o PS se encontrar num beco sem saída pela ausência de figura minimamente credível, capaz e com carisma que possa aventurar-se nas eleições presidenciais. O apoio a Alegre, sem entusiasmo como disse, parece ser a única solução, e também a menos aconselhável do ponto de vista da coerência política (se bem que já a perderam de qualquer modo...). A frontalidade de um homem é apreciada, mas não se sobrepõe à necessária ponderação dos interesses em causa, à oportunidade do momento e às próprias (supostas) convicções políticas e pessoais. Alegre é visto, e bem, como um desalinhado que se "insurgiu" contra o partido que diz ser a sua família, negligenciando à data a busca de consensos. E não deixa de ser curioso o seu actual estado, silencioso. A frontalidade terá sido agora preterida...
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De Luís Reis Figueira a 28.05.2010 às 12:20

Caro Pedro:

Como V. já amplamente aqui comentou, a Sócrates convém muito mais Cavaco em Belém do que Alegre. Ele e o PS têm evitado o assunto o mais que podem e fugido dele como o Diabo da cruz. Tudo o que têm feito até agora é pronunciar uns tímidos “nims”, limitando-se a dar a Alegre uns apoios tíbios e envergonhados que só têm denegrido e fragilizado a imagem deste, coisa que, pelo menos, deveriam ter o cuidado de evitar. Chegou, porém, a hora do aperto e agora há que tomar uma decisão. À boa maneira desta governação, também isto foi sendo adiado até mais não poder ser. A confusão é grande nas hostes socialistas, embora Sócrates já tenha bem deixado bem claro que ele é que é o chefe e será a ele que competirá decidir sobre eventuais apoios. Quanto é que ele não daria para poder dizer, sem mais sofismas, que o seu verdadeiro candidato é Cavaco?! Tudo, estou certo.

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