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Brasil: Um player à procura do seu lugar

por Paulo Gorjão, em 21.05.10

O acordo alcançado pelo Brasil e pela Turquia – players que não jogam no tabuleiro principal da política internacional – com o Irão tem efeitos práticos que não são ainda totalmente claros. O entendimento beneficia os três países envolvidos: o Irão ganha tempo e abre uma frente diplomática que condiciona a margem de manobra dos EUA; o Brasil e a Turquia assumem um papel diplomático que por regra lhes está vedado.

Ao longo dos últimos meses, os EUA seguiram com ambiguidade esta iniciativa diplomática. Se, por um lado, é possível que em teoria a intromissão do Brasil e da Turquia possa ajudar a resolver o puzzle iraniano, por outro, no curto-prazo, é inevitável que a mesma introduza efeitos desestabilizadores e com isso crie atrito adicional.

A iniciativa do Brasil e da Turquia é um desafio ocasional à hegemonia dos membros permanentes no Conselho de Segurança da ONU? Estamos a assistir ao inevitável ajustamento dos equilíbrios de poder no sistema internacional, com a ascensão de novas potências?

De momento é seguro afirmar que esta iniciativa constitui mais uma etapa no processo de afirmação internacional do Brasil. Isto dito, é pouco provável que estejamos a assistir à colocação da primeira pedra de uma nova ordem internacional.

 

(Artigo publicado hoje no Diário Económico.)


4 comentários

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De Pedro Correia a 21.05.2010 às 23:53

Brasil e Turquia seguem percursos paralelos, como potências com influência crescente nas respectivas esferas regionais. Este será um dos fenómenos mais interessantes de observar na próxima década, não tenho a menor dúvida.
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De Paulo Gorjão a 22.05.2010 às 00:07

A ascensão do Brasil parece-me mais sólida e com mais perspectivas de consolidação do que a da Turquia. À Turquia parece-me faltar-lhe músculo económico financeiro para sustentar outras ambições, mas em todo o caso admito que assuma uma preponderância que hoje não tem.
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De Pedro Correia a 22.05.2010 às 00:13

Certo, Paulo. Mas a Turquia tem uma invejável posição geoestratégica, que a torna um país chave naquela zona do mundo, talvez a mais volátil do planeta. E tem também uma grande força demográfica, outro dado fundamental para ganhar influência no século XXI (a Rússia, em declínio populacional acentuado, que o diga).
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De Paulo Gorjão a 22.05.2010 às 00:20

Não estando em desacordo com o que dizes, a nossa divergência, porventura, é que eu não coloco a Turquia no mesmo patamar que o Brasil. Mas, concordo, que a Turquia tem em teoria um futuro promissor, pelos motivos que citas. Falta-lhe músculo económico e ser um produtor energético e não apenas um pivot na cadeia de distribuição.

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