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Um frete do PCP a Sócrates

por Pedro Correia, em 21.05.10

 

O Parlamento vota hoje a moção de censura apresentada ao Executivo socialista pelo grupo parlamentar do PCP. Para analisar este facto, nada melhor do que partir da resposta à seguinte pergunta: o Governo sairá mais enfraquecido ou mais robustecido da votação que se anuncia? A resposta é óbvia: a moção será derrotada, o que fornece algum fôlego a José Sócrates. Precisamente numa altura em que lhe dá imenso jeito qualquer balão de oxigénio político.

Deixemo-nos portanto de rodeios: a moção comunista redunda num frete ao primeiro-ministro. Apresentada e posta à votação no momento em que decorre ainda uma comissão de inquérito sobre a possível interferência de Sócrates na venda da TVI, o que torna a sua oportunidade totalmente incompreensível, esta iniciativa destina-se apenas a mostrar a uma franja do eleitorado que o PCP é "mais de esquerda" do que o Bloco. Serve para preencher 48 horas de agenda política e causar algum alarido, nada mais. Os próprios comunistas, que vivem apavorados com o crescimento eleitoral do BE, são aliás os últimos interessados em vê-la aprovada: se não fosse assim, não se teriam apressado a declarar que ela se destina a censurar simultaneamente o PS e o PSD por "ataques aos trabalhadores" feitos pelos dois partidos. Muito barulho para nada.

Sócrates, que não se atreve hoje a confrontar o Parlamento com uma moção de confiança, gostaria certamente de ver a oposição brincar periodicamente às moçõezinhas de censura, estridentes mas inócuas. Fez bem o PSD em demarcar-se: o Governo, enredado em sucessivas trapalhadas, pode e deve ser combatido de outra maneira. Qual? "Nunca interrompas um inimigo quando estiver a cometer um erro", recomendava Napoleão.

É isto. Precisamente isto.


13 comentários

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De Luís a 21.05.2010 às 07:26

Pois é. No entanto, a sondagem de hoje dá o PS à frente do PSD. Essa ideia peregrina do Passos de que, havendo elições, ganharia o PSD não é de forma nenhuma líquida. O melhor é o PSD estar quietinho.
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De João Carvalho a 21.05.2010 às 07:40

Pois é. No entanto, o que diz não ser líquido já desliza bem e V. corre o risco de ser um romeiro perdido perante à "ideia peregrina".

Já agora, saiba que a sondagem que dá 36% ao PS e 33% ao PSD tem uma margem de erro de 3%. Há quem chame a isto "empate técnico".
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De Sílvia a 21.05.2010 às 09:33

De qualquer modo, um empate técnico muito frágil. Apesar do "ânimo" e da dinânimca que o PPC trouxe ao PSD não me parece que o PSD surja ainda como alternativa segura. E refiro-me de forma breve a dois aspectos que merecem reflexão: se o seu pedido de desculpas na sequência do acordo com o PS não teve a virtualidade de enganar os menos incautos, a recente proposta votada (e felizmente não aprovada) na Assembleia da República a propósito do tributo solidário teve a virtualidade de transparecer a forma de tratamento dispensada por este PSD aos desempregados (não se pode julgar o todo pela parte...); pois, é que nem a um arguido condenado pode ser aplicada a pena de trabalhos a favor da comunidade sem o seu consentimento, mas no limite os desempregados, para além do desemprego a que são votados, prestarão trabalhos forçados para amenizar a sua angústia e revolta...
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De Pedro Correia a 21.05.2010 às 12:42

O Papa já partiu, mas os fiéis permanecem. Portugal é um país de crentes. Como se vê.
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De Sílvia a 21.05.2010 às 14:24

Diria antes que é um país de descrentes, que precisam de algo mais que uma boa imagem, um discurso fluente e um conjunto de ideias perfeitas mas sem aplicação prática.
(N.B.: Raciocínio que se aplica a um universo geral e abstracto de destinatários, a classe política...)
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De Manuel Rovisco a 21.05.2010 às 14:14

O "empate técnico" deixa a dúvida de quem pode ganhar... E na dúvida, o PSD prefere não arriscar a ir a eleições antecipadas.

Prefere assim que o PS continue a fazer "trapalhadas" (perdão, governar...) e continue a cometer erros, de forma a que em futuras sondagens as probabilidades lhes sejam mais favoráveis e, aí sim, ir a a eleições.

Veremos nessa altura, que País terá o PSD para governar e quanto nos custou a nós, meros cidadãos, essa estratégia.
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De zedeportugal a 21.05.2010 às 10:36

Estou muitas vezes de acordo com as suas opiniões mas penso que desta vez está enganado.
Uma moção de censura vinda da esquerda (parece que os "berloques" também fazem intenção de votar a favor) num momento em que está cada vez mais dependente da direita não pode ser-lhe favorável de maneira nenhuma.
É o fechamento do cerco.
Se Deus tiver a bondade de continuar a manter-nos vivos, cá estaremos para ver qual de nós está a entender melhor a jogada (torre avança até ao fundo e corta a possibilidade de recuar ao reizito que entretanto avançou arrogantemente).
;)
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De Pedro Correia a 22.05.2010 às 00:37

Meu caro, com moções de "censura" destas, condenadas à derrota ainda antes da discussão parlamentar, pode Sócrates muito bem. Até podiam vir logo à meia-dúzia, para ser mais barato.
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De Teresa Ribeiro a 21.05.2010 às 12:00

Tens toda a razão.
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De Pedro Correia a 22.05.2010 às 00:38

Hum. Acho que o Jerónimo não está de acordo.
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De Anónimo a 21.05.2010 às 13:49

"Nunca interrompas um inimigo quando estiver a cometer um erro"...

Esse raciocínio de Napoleão é correcto para situações em que decorrente do erro do inimigo tenhamos algo a ganhar.

Neste caso, nós Portugueses, nada temos nada a ganhar com esses os erros do Governo. Pelo contrário, nós pagamos e bem caro esses erros! Já estamos a pagar e eventualmente iremos pagar ainda mais...

Já ao PSD, pelo contrário, os erros do governo até lhe convêm... é a maneira mais segura de chegar de ir subindo nas intenções de voto... mesmo que para isso o País vá pagando...

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De Pedro Correia a 22.05.2010 às 00:40

Não sei quem tem a ganhar. Sei quem perde: o PS. Quanto mais tarde abandonar o poder, mais tempo estará depois na oposição. Talvez o País acabe por ganhar com isso.
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De lucklucky a 23.05.2010 às 21:19

Vocês do PSD são completamente doidos. Infelizmente não há outra maneira de dizer isto, porque as asneiras repetem-se. Nem capacidade de discriminação têm. Deixares o "inimigo" guiar a tua família e quem tu gostas até ao Fim é não perceber que máxima de Napoleão se aplica quando o inimigo está apenas a causar danos a ele próprio.

Se a aliança com o PS for para deixar os socialistas apodrecerem em vez de ser "para salvar o país" como dizem nesse caso além de loucos, porque não têm a noção do que esta crise é e o que implica cada vez que o buraco fica mais fundo são também obscenos.

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