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Delito de Opinião

Um governo em derrapagem

Pedro Correia, 19.05.10

 

1. Luís Amado, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, quer que a revisão constitucional contemple um valor máximo para o défice e para o endividamento. O vice-presidente da bancada parlamentar do PS Sérgio Sousa Pinto - que, obviamente, só fala com autorização expressa de José Sócrates - considera que esta proposta "não faz sentido nenhum", é "ultra-liberalista" e "infeliz".

 

2. O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Sérgio Vasques, afirma num dia que o aumento da carga fiscal deveria ser aplicado a todo o rendimento anual e não apenas a partir de Junho. No dia seguinte, José Sócrates desmente o seu secretário de Estado, garantindo aos portugueses que as sobretaxas do IRS serão cobradas só quando entrar em vigor o plano de combate ao défice, ou seja, no início de Junho.

 

3. As medidas de austeridade recém-decretadas pelo Governo são para vigorar só até 2011, na perspectiva do primeiro-ministro. Mas isto foi há cinco dias. Neste período de tempo, como é sabido, muita coisa muda no mundo. Afinal, garante agora Teixeira dos Santos, essas medidas deverão vigorar pelo menos até 2013. Há muito que não via um chefe do Executivo ser desautorizado de forma tão categórica pelo seu ministro das Finanças.

 

Três episódios que demonstram bem como está o Governo socialista: em contínua derrapagem. À vista de todos, com uma transparência que não deixa lugar a dúvidas.

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