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Venezuela: vitória amarga

por Pedro Correia, em 16.02.09

 

A vitória de Hugo Chávez no referendo de ontem na Venezuela não surpreende pelo 'Sim' dado ao Presidente que procura perpetuar-se no poder: surpreende por ter havido 45% de eleitores a votar 'Não'. Esta campanha, que decorreu com o Parlamento fechado durante um mês, foi tudo menos democrática. Como sublinhou o Tomás Vasques, os eleitores venezuelanos receberam diariamente nos telemóveis mensagens de voz gravadas com Chávez incentivando ao voto 'Sim'. Um brinde da operadora telefónica Movilnet - empresa nacionalizada em 2007, ao serviço do Duce venezuelano em vez de servir o povo. Ontem à noite, segundo noticia o El País, enquanto Chávez não terminou o seu discurso de vitória, que durou quase duas horas, os representantes da oposição não puderam prestar declarações aos jornalistas, pois o Presidente "ordenou que a sua festa fosse transmitida em cadeia nacional por todas as emissoras de televisão". Não admira: um estudo conjunto da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e da Universidade Católica Andrés Bello, de Caracas, revela que durante a campanha a televisão oficial da Venezuela dedicou 93% do espaço informativo ao 'Sim', sem um minuto sequer reservado ao 'Não'.

Algo só imaginável numa ditadura.

Por tudo isto, faço minhas as palavras da Joana Lopes: "Não foi a primeira vez, nem terá sido infelizmente a última, que uma tirania foi democraticamente ratificada - um preço a pagar, mas com sabor amargo, muito amargo."

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16 comentários

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De PDuarte a 16.02.2009 às 22:45

não convém esquecer que Hitler se colou ao poder democraticamente.
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De Timothy a 16.02.2009 às 23:02

O que Chavez fez na Venezuela é o que nos espera nas próximas eleições em Portugal. O jornalismo português entregou-se a Sócrates e o que resta para a oposição no nosso país é o mesmo que tem a oposição venezuelana. Nas nossas televisões, é Sócrates, Sócrates, Sócrates, nas rádios idem e nos jornais é o que se lê. O que diz Sócrates é diferente de Chavez?
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 16.02.2009 às 23:05

Concordo que foi uma vitória amarga, Pedro, mas a verdade é que foi uma vitória alcançada em eleições. Por outro lado, não podemos esquecer que o povo venezuelano, apesar de tudo, melhorou muito as suas condições de vida desde que Chavz subiu ao poder, como documenta muito bem o Carlos Vidal no Cinco Dias.
Outros ditadores sul- americanos ( e não só...) estiveram no poder durante largos anos sem terem sido eleitos e apenas contribuíram para aumentar a miséria das populações.
Goste-se ou não de Chavez ( e eu não aprecio o género), temos de reconhecer que ele governa para melhorar as condições de vida dos venezuelanos. E tem-no conseguido.
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De Pedro Correia a 16.02.2009 às 23:24

Caro Carlos, proponho-te o seguinte teste: relê o primeiro parágrafo do teu comentário substituindo apenas Chávez por Jardim. O que dizes sobre HC pode servir também para AJJ: tem ganho todas as eleições, a vida na Madeira melhorou muito... Nada disso invalida a existência de um 'défice democrático' na Madeira. Na mesma linha, podem e devem ser feitas críticas ao crescente autoritarismo e despotismo de HC, bem patentes na mais recente campanha, onde os adeptos do 'Não' foram impedidos de aceder à TV pública enquanto a empresa nacionalizada de telecomunicações enviava aos utentes mensagens pelo 'Sim': o Estado ao serviço do Presidente, numa claríssima desproporção de meios. Chávez tem a 'desvantagem', em relação a Jardim, de estar no poder há menos anos. Mas as alterações constitucionais abrem-lhe caminho para ficar lá indefinidamente. O princípio da limitação de mandatos, a que agora até AJJ está sujeito por imposição legal, deve ser basilar num sistema democrático. Por cá, caminhámos na direcção correcta; na Venezuela, anda-se na direcção errada.
Claro que é também para debater coisas destas que aqui estamos. De contrário o blogue teria muito menos graça...
Abraço
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 17.02.2009 às 00:27

Leste-me o pensamento, Pedro! Quando escrevi o comentário pensei emAJJ, mas não o escrevi, embora pense que ele é igualmente um ditador em potência. Infelizmente, chamar ditador a AJJ dá direito a processo judicial, por isso, abstenho-me ( apesar de viver numa democracia).
Vale a pena lembrar que Chavez irá continuar a submeter-se a sufrágios eleitorais ( ao contrário do que já li nalguma blogosfera, que o acusa de ter plebiscitado a sua permanência eterna no poder).
Em Portuga, demorámos quase 40 anos a limitar os mandatos, é natural que o sul-americanos ainda estejam numa fase de aprendizagem democrática, depois de terem sofrido com os horrores perpretdos por ditadores sanguinários. Não os podemos ver com os olhos do nosso arremedo de democracia...
Claro que também concordo que o debate é o sal de um blogue colectivo. Se asim não fose, não valia a pena .
Grande abraço

O povo venezuelano decidirá se o quer manter ou não. Ao contrário do povo chileno que aguentou com Pinochet, do povo argentino que levou com sucessivos ditadores sanguinolentos, sempre telecomandados a partir de Washington.
Defendo que cada povo tem direito a escolher o seu destino, não quero ver os americanos a repetir os erros do Iraque, do Vietname, etc.
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De alexandre morgado a 16.02.2009 às 23:23



Pobrezinha da oposição.... Até parece que o Pedro Correia não sabe que na Venezuela continua haver canais privados de televisão que, se tivessem feito na Europa, o que fizeram numa tentativa de golpe falhado contra Chavez tinham sido todas fechadas e os seus responsáveis levados a tribunal.
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De Pedro Correia a 16.02.2009 às 23:28

Você põe no mesmo saco canais privados, só acessíveis por cabo, e o canal estatal de TV, visto por toda a Venezuela e pago pelos contribuintes venezuelanos. É a mesma coisa que comparar a RTP à SIC Notícias: nada tem a ver. Acha bem que a TV oficial não tenha dado qualquer tempo informativo, nos seus telediários, à campanha pelo 'Não'?
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De Ana Cristina Leonardo a 16.02.2009 às 23:33

um tipo que organiza um referendo para ter a possibilidade de se perpetuar ad eternum no poder é, no mínimo, uma utilização perversa da democracia (independentemente do resto)
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De Pedro Correia a 17.02.2009 às 00:00

Desde logo isso, Ana Cristina. Além de que HC tinha perdido há 14 meses um referendo sobre o mesmíssimo tema, tendo na altura declarado que aceitava o resultado do escrutínio e não convocaria mais nenhum sobre a mesma matéria. Poucos meses depois ja tinha rasgado a promessa. Como se opaís não tivesse problemas bem reais. O que lhe interessa, acima de tudo, é perpetuar-se no poder. Não é por acaso que elege Castro como seu modelo: meio século a mandar enquanto todos os outros obedecem.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 17.02.2009 às 00:30

Pedro, desculpa meter a colherada...mas é bom lembrar que a UE também vai "obrigar" à repetição do referendo ao Tratado de Lisboa na Irlanda... Provavelmente, até que digam sim.
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De Pedro Correia a 17.02.2009 às 00:44

Pois, Carlos. Sou absolutamente contra a repetição 'ad eternum' de referendos, como esse que se prepara agora na Irlanda. Como se a vontade popular expressa no anterior (e recente) referendo fosse desprezivel.
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De Luis Melo a 16.02.2009 às 23:46

Mais uma vez, o grande amigo de José Sócrates, de Mário Soares e do PS, Hugo Chávez, prova o que é capaz de fazer para se eternizar no poder.

Um dos eurodeputados espanhóis da comitiva da UE foi expulso do país por ter dito á população para não se deixar influenciar pelas ameaças de um ditador. Talvez também uma vingança do "porqué no te callas?".

Mais grave ainda é a manipulação do voto do povo. Muitas pessoas queixaram-se que várias das máquinas de voto electrónico não imprimiam votos "não". Ao escolher "não" no referendo, o voto imprimido era "sim" ou "nulo".
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De Pedro Correia a 17.02.2009 às 00:02

Há também esse aspecto, que não cheguei a abordar: as queixas do mau funcionamento do voto electrónico multiplicaram-se.
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De jojoratazana a 17.02.2009 às 10:30

Vivam os democratas que governam para as oligarquias.
Abaixo os ditadores que governam para acabar com a pobreza e confrontar as oligarquias.
Viva Pedro Correia e todos os funcionários, das oligarquias
reinantes democraticamente.
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De Pedro Correia a 17.02.2009 às 11:08

Já me chamaram muita coisa, neste e noutros blogues, mas foi a primeira vez que alguém me chamou "funcionário de oligarquia". Não sei se deva agradecer o elogio, sobretudo vindo de quem vem.
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De Bruno - Planetas a 17.02.2009 às 11:08

Venezuela é hoje oficialmente o único país que escolhe livremente viver em Ditatura!

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