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Brincar aos comboios (II)

por João Campos, em 05.05.10

Ainda a propósito deste post, e do bom debate que gerou no Praça da República. É natural que a discussão sobre os comboios no Alentejo não se esgote na carruagem bar - sim, é verdade que nos comboios que ainda dispõem do serviço os preços são francamente caros (o que até compreendo), mas isso de haver ou não haver bar é apenas um detalhe. Podemos ver a questão por onde creio ser mais importante: no Alentejo (e estou a falar da realidade que conheço, e que me afecta), o serviço de comboios tem vindo a piorar, até chegar a um ponto em que serve praticamente ninguém.

 

Vejamos: o Alfa Pendular não faz uma única paragem no Alentejo - quando sai do Pinhal Novo só volta a parar... em Tunes, no Algarve. Os serviços de Intercidades vão sendo cada vez mais raros nas ligações a Beja e a Évora, e só ainda não levaram uma pancada maior na rota Sul porque o destino final é... o Algarve (no caso, Faro). Ainda assim, não existe uma única paragem no concelho de Odemira, quando existem duas estações disponíveis (Amoreiras-Gare e Santa Clara - Sabóia) e dois apeadeiros. Para esta região em particular, existe o serviço Regional, a versão moderna do antigo Inter-Regional, que ainda há sete anos fazia a ligação Barreiro - Vila Real de Santo António - entretanto, passou a fazer a ligação Pinhal Novo - Faro e agora, tanto quanto sei, o serviço tem apenas o percurso Setúbal - Tunes (estou à espera do dia em que termine definitivamente). Para mim, ou para qualquer habitante do concelho a estudar em Lisboa, já não é opção. O transbordo no Alentejo, para a ligação Funcheira - Beja, tem tempos de espera absurdos. E o transbordo com os transportes rodoviários locais é uma anedota, numa época em que só se fala de conceitos como "sinergias", "transportes intermodais" e diabo a quatro. Voltando a Odemira: se um dos leitores quiser visitar o maior concelho do país, terá de optar pela Rede Expressos (três horas ou mais entre Lisboa e Odemira), ou por uma série de transbordos mal preparados para uma das estações disponíveis - mas uma vez lá, não tem forma de chegar à vila, pois não existe qualquer interligação com os transportes rodoviários (cujos horários são feitos apenas e só em função dos horários dos alunos das várias escolas do concelho). Ou, claro, chama um táxi (se conhecer alguém que lhe saiba dizer o número particular de um taxista), e paga um bom dinheirinho.

 

No interior alentejano, dizem-me, o panorama é ainda mais desolador, com o encerramento de algumas linhas, mas confesso que não conheço a situação (se alguém quiser deixar o testemunho, agradeço). No entanto, não deixa de me fazer confusão que um território tão grande esteja a ser progressivamente abandonado. E, creio, ainda só não o foi de todo porque, goste-se ou não, é necessário passar pelo Alentejo para chegar ao Algarve. Como não deixa de me fazer confusão que se tenha gasto tanto dinheiro num aeroporto pelos vistos inútil, em Beja, cujo projecto irá certamente contribuir para o anedotário local, quando se poderia ter poupado esse dinheiro... ou, caso a ideia não fosse poupar (nunca é), poder-se-ia ter investido esse dinheiro na modernização dos caminhos-de-ferro do Alentejo. Enfim, prioridades...


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