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Inês posta em desassossego

por Pedro Correia, em 04.05.10

 

Inês de Medeiros tomou uma atitude que merece aplauso: prescinde do pagamento das viagens semanais Lisboa-Paris-Lisboa que o Parlamento, por despacho de Jaime Gama, lhe havia autorizado em termos muito controversos, como aqui critiquei na altura. O despacho foi redigido à contre-coeur pelo presidente da Assembleia da República - a tal ponto que Gama chegou a especificar, no seu próprio articulado, que não constituiria jurisprudência destinada a balizar casos futuros. A deputada independente eleita na lista do PS por Lisboa percebeu bem as entrelinhas deste despacho, que devolve agora ao remetente esclarecendo que pretendeu ver esclarecida a situação mas não necessita de favores. Foi pena que o Parlamento tenha perdido seis meses neste folhetim que desgastou inutilmente Inês de Medeiros e voltou a dar uma péssima imagem dos nossos deputados, incapazes de tomar decisões em tempo útil sobre questões do seu foro exclusivo.

E afinal até já havia doutrina estabelecida sobre o assunto, como José Medeiros Ferreira recorda no seu blogue, Córtex Frontal: "Fui deputado [do PS] pelos Açores durante cerca de dez anos. Como resido em Lisboa, e assim o declarei aos serviços da Assembleia da República, só tinha direito a duas viagens por mês ao meu círculo eleitoral."
Conclui Medeiros Ferreira: "Há muitas maneiras de fazer contas e de tratar de assuntos delicados." Pois há, como os dois casos comprovam. Dentro da própria bancada socialista. Bastaria um pouco mais de memória parlamentar para o mais recente nunca ter chegado a assumir as proporções que assumiu, pondo Inês em tão grande desassossego. Já ensinava Camões, n' Os Lusíadas: " (...) essas honras vãs, esse ouro puro / Verdadeiro valor não dão à gente; / Melhor é merecê-los sem os ter, / Que possuí-los sem os merecer."

Nada mais certo.

 


280 comentários

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De teresinha a 04.05.2010 às 21:53

Raramente comento de forma séria no DO, mas, desta vez, depois de ler todos ou quase todos os comentários impõe-se que o faça.

1- Os eleitores, quando votam, deviam ter a preocupação de conhecer os candidatos e as respectivas listas.
2- Depois, antes de criticarem, deviam saber do que falam e isso implica conhecer a lei.
3- Se conhecessem a lei, sabiam que está lá previsto que os senhores deputados tem direito a ajudas de custo para as deslocações entre a residência e o local onde exercem o cargo para que foram eleitos.
4- Logo, as regras encontram-se definidas antes mesmo de serem eleitos.
5- A decisão de se candidatarem a qualquer função é, presumo eu, uma decisão onde se ponderam as vantagens e desvantagens. Porque, novamente presunção minha, ninguém, ou muito raramente alguém, se candidata para perder ou sair prejudicado.
6- Logo, sendo eu candidata a algo, tendo ponderado a decisão de sê-lo, sabendo que as regras estão previamente definidas e acabando por ser eleita, tenho obviamente direito aos "direitos" previstos na lei.
7- Surgem dúvidas, porque resido no estrangeiro? Tenho direito a vê-las esclarecidas pelas entidades com legitimidade para se pronunciarem sobre elas.
8- Escalrecidas as dúvidas e reconhecidos os meus direitos, tenho todo o direito de renunciar a eles.

Onde está o problema? Não conheciam a lei? A lei está mal feita? Não devia ser candidata?
Pois, revejam, então, o vosso alvo e direccionem as vossas críticas para o que verdadeiramente importa.

Aliás, nas palavras do povo, diria que a atitude da Inês foi uma bofetada de "luva branca" depois de toda a celeuma gerada à volta do caso.
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De Pedro Correia a 04.05.2010 às 23:17

Muito bem (bis)
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De João Carvalho a 05.05.2010 às 00:25

Muito bem (tris),
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De 100anos a 05.05.2010 às 12:13

Cara Teresinha,
É cómodo e simples o seu raciocínio - tudo o que a Deputada IM queria está previsto na lei, pelo que não há que pôr em causa a sua pretensão.
Mas - digo eu - o que "está previsto na lei" é, em si mesmo, um abuso, um exagero, um desmando, uma série de sinecuras absolutamente inadmissíveis.
A lei é, pois, moral e eticamente, inaceitável.
Daí que, ainda que legalmente prevista, a mordomia a que a Deputada se candidatou continue a ser eticamente reprovável.
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De teresinha a 05.05.2010 às 14:52

Caro 100anos,

Para aferirmos da bondade do meu raciocínio, façamos então, nós os dois, um outro:

Determinado deputado recorre ao tribunal para pedir que lhe seja reconhecido, ao brigo do Estatuto dos Eleitos Locais ou do Estatuto Remuneratório dos Titulares de Cargos Públicos ou ao abrigo de outra lei qualquer – tanto importa, o direito a X euros por isto, por aquilo e por mais aquele outro. Pedido que fundamenta de facto e de direito.

Analisada a pretensão, conclui-se que têm razão. Ou seja, que do ponto de vista legal e factual o pedido procede. V. e eu somos, por hipótese, juízes e temos de decidir a situação prática descrita. Quid uris?

Como vê, e sei que me entendeu, o meu raciocínio só é simples porque legal. Ou seja, estamos no domínio do puramente legal, do legalmente admissível. E nesse domínio a atitude da deputada IM é, em minha opinião, irrepreensível caso tenha reclamado – porque, entretanto, li, não sei onde, que não terá reclamado nada – os direitos inerentes ao cargo de deputada eleita.

Há leis imorais? Eticamente inaceitáveis?
Pois, quantas não haverá. O quê dizer, então, das indemnizações pagas às vítimas de acidentes de viação? Ou de acidente de trabalho? Ou de negligências médicas e… por aí fora?

Chegados aqui, conseguimos recentrar novamente a questão: quem deveria ser atacado ou alvo de críticas? A deputada IM ou a lei que permite algo que, aos olhos do cidadão comum, choca e é moral e eticamente inaceitável?

Esta, em minha opinião, deveria ser o cerne da discussão e, lamentavelmente, não foi isso que vi nesta caixa de comentários. Continuámos, portanto, sem saber discutir e resolver os problemas que nos afligem, porque, simplesmente, é mais fácil apontar o dedo censuratório.

Centremo-nos, pois, no essencial e descuremos o superficial.


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De 100anos a 05.05.2010 às 15:36

Cara co-comentadora e ilustre jurista Teresinha,
Se eu lhe digo que à partida a lei é iníqua e V. me responde que isso não é essencial, mas sim superficial, calo-me já.
Por acaso tb. sou jurista e estou habituado a interpretar a lei, fazendo os possíveis para que a sua leitura literal não leve a resultados eticamente inaceitáveis, o que, se bem percebi, parece não colher a sua concordância.
Fico-me, portanto, na minha superficialidade.
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De teresinha a 05.05.2010 às 16:57

Caro 100anos.
Não tresleia, p.f., o que eu escrevi.

Se reparar melhor, nos meus comentários, verá que eu coloco o acento tónico precisamente na lei que permite tais pagamentos ou situações. Consequentemente, a crítica deve ser dirigida ao nosso legislador que aprova (os deputados que votaram favoravelmente) este tipo de ajudas ou na extensão em que estão previstas.

Igual crítica deve ser dirigida aos que, com o seu voto, ajudam a eleger pessoas em circunstâncias que consideram demasiado onerosas para o país ou injustificáveis em termos de mais valia do eleito. As pessoas têm de assumir a sua quota parte de responsabilidade. Foram co-responsáveis na eleição. Não sabiam? Desconheciam a lei? Ohhh, que chatice. Como diria Humberto "falta-nos a matéria prima". Conhece a carta de que falo?

Não posso é concordar que determinada pessoa, seja ela de que quadrante político for, seja atacada, humilhada, vilipendiada publicamnte no seu carácter só porque iria receber uma “mordomia”, como lhe chama, prevista na lei.
Pergunte aos comentadores desta caixa qual é a lei ou a razão de atribuição dessa ajuda de custo. Sabe-lo-ão?

Portanto, e para concluir de forma inequívoca: o que é superficial é meio país agarrar-se à IM, atacando-a, e deixar de discutir as razões porque teria ela direito às viagens. O que está errado é não se discutir o que prevê a lei em causa. Data de quando? Quando foi aprovada? Como alterará-la? Quem se chega à frente com a iniciativa ou proposta de alteração? Para quando uma manifestação pela redução das mordomias da elite dirigente?

Este deveria ser, em minha opinião, o grito de ordem perante este assunto. Mais ainda: todas as leis que atribuem mordomias chocantes como subsídios avultados, reformas astronómicas, pensões principescas, etc, etc, deveriam merecer a nossa indignação, se assim o entendemos.

Ora, tiveram aqui, nesta página pública – que até esteve em destaque, a oportunidade de fazê-lo. E o que vimos? Apedreje-se a IM porque é uma pecaminosa.
Centrar a discussão no que é essencial, que era bom, nada!!
Ora, já não tenho pachorra para estes falsos moralismos. É de acção que precisamos.
Como vê, meu caro, não o chamei de superficial e não vale aqui vitimizar-se, ok?
Eu gosto desta troca de ideias, não tenho é tempo para elas.
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De 100anos a 05.05.2010 às 19:25

Acho que não me expliquei bem, cara Teresinha, só isso explicará que V. não tenha compreendido realmente o sentido do meu comentário.
Eu não me vitimizei – nem sequer conhecia o neologismo, mas se o conhecesse não o usava porque é deselegante – era só o que faltava.
Também não creio que me tenha chamado “de superficial” - era só o que faltava, volto a dizer, é só pena que V. não tenha percebido a ironia, mas cada um é como cada qual.
Se é jurista deve saber que quando uma lei permite várias interpretações deve o intérprete escolher aquela que lhe parecer mais conforme à ética, aos bons costumes, etc., etc.
Como deve também saber, a situação de facto em que a Deputada IM se colocou não tinha previsão legal – nunca ninguém tinha tido a “lata” de, morando em Paris, se candidatar a Deputada pelo círculo de Lisboa.
Não havendo previsão legal para dada situação, deve aplicar-se-lhe o regime jurídico das situações mais próximas; não havendo situações próximas, como não há, deve o intérprete criar uma norma que dentro do espírito do sistema seja a mais adequada à situação que os Profs. costumam apelidar de lacunosa.
E é aqui que reside a minha crítica não só à lei, como à Deputada IM: embora exista um regime legal apodrecido que de alguma forma abre portas a todos os desmandos e a todas as batotas, a sra. Deputada escusava de tentar abrir essa porta.
É que há quem não abra esse tipo de porta.
As bandalheiras legais também podem ser ignoradas – por quem tenha o nível ético e a elevação de espírito bastantes.
Espero que agora tenha compreendido alguma coisa do que eu pretendia dizer.
Gosta desta troca de ideias ?
Eu não – odeio mexer na..., digamos, naquela coisa que não cheira bem e tem um nome sonante que agora não me ocorre e do qual aliás nunca me lembro quando estou a falar com uma senhora.
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De teresinha a 05.05.2010 às 22:17

Olhe, caro 100anos:
Não gosta desta troca de ideias? Pois, é pena.
Mas não fui eu, ou fui?, que inicie esta discussão consigo?
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De 100anos a 05.05.2010 às 23:38

Mais uma vez, não me expliquei bem - mea culpa.
Gosto muito de falar consigo e mesmo que não gostasse, jamais o diria, quanto mais não fosse por uma questão de educação e de elegância.
O que eu realmente não gosto é de reflectir sobre esta podridão de sistema político, que permite as maiores poucas vergonhas a coberto de uma certa legalidade que fede por todos os lados.
Não se zangue; o facto de vivermos rodeados de entulho volta e meia tira-nos o discernimento.
Ofereço-lhe uma flor virtual, em sinal de e de boa vontade e em homenagem à sua paciência.
E calo-me de vez.
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De teresinha a 06.05.2010 às 04:14

100anos
Eu acredito na sua boa intenção, acredito até que tenha enviado uma flor e que esta seja bonita, mas... os meus olhos já não são o que foram, a idade também não perdoa. Enfim, constrangimentos humanos.
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De teresinha a 06.05.2010 às 04:32

Sabe que mais, 100anos?

É uma pena que não possamos continuar, porque eu estou mandatada pela gerência do DO para esticar isto até aos 300.
E estava apostada em fazê-lo... Não é que me paguem muito, não pagam não senhor, mas, sabe?, eu "tava" a fazer-me a umas viagens à capital francesa na companhia da nossa IM.
Sempre ambicionei uma troca de impressões com ela sobre o John Travolta. Olhe, manias de mulheres, é o que é.
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De 100anos a 06.05.2010 às 14:42

O John Travolta ?
Está gordíssimo, cara Teresinha, está um batoque.
Para mim, a Olívia Newton John é o que está a dar - continua uma beldade e canta lindamente.
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De teresinha a 06.05.2010 às 14:50

Não tenho nada contra os obesos.
Eu, por exemplo, fumo. E não dei conta que o tabaco me toldasse a mente ou a inteligência.
Presumo que se passe o mesmo com o John.
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De Jorge Gabriel a 07.05.2010 às 10:03

"Se é jurista deve saber que quando uma lei permite várias interpretações deve o intérprete escolher aquela que lhe parecer mais conforme à ética, aos bons costumes, etc., etc."

Deveria ter dito:
O intérprete escolhe a que mais lhe convém...
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De 100anos a 07.05.2010 às 14:59

Caro Jorge Gabriel,
Parto do princípio de que o intérprete é uma pessoa séria - o que lhe "convém", em última análise, é interpretar correctamente a lei, produzindo com essa interpretação um resultado credível, sério, ético e honesto.
É assim que costumo fazer a interpretação legal.
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De Jorge Gabriel a 07.05.2010 às 15:35

Não querendo generalizar como é óbvio, permita-me discordar e perguntar que interpretação da lei fazem juristas e advogados ao defender clientes que sabem à partida que são corruptos, pedófilos ou assassinos?
Com o devido respeito,não acredito na interpretação da lei por si, sem olhar o espirito da lei, coisa que não tem sido feita.Não há leis perfeitas, mas o pior de tudo é que existem pessoas treinadas em decifrar os erros e tirar proveito disso.
Mais não digo porque não sou jurista, mas sou uma pessoa atenta ao que me rodeia...
Desculpe se o ofendi, mas cada vez acredito menos nas instituições encarregues de interpretar a lei e de a executar.
Bom fim de semana.
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De 100anos a 07.05.2010 às 17:42

Não me ofendeu.
Muitas vezes a interpretação jurídica não é feita a favor ou contra ninguém - todos os dias há milhares de juristas que interpretam a lei apenas com o objectivo de fixar uma solução jurídica razoável para um dado problema proposto, desconsiderando o facto de tal solução favorecer ou desfavorecer alguém.
Claro que também há muitos "trambiqueiros" que tentam "torcer" a lei no sentido que mais lhes convém, mas esses exemplares são um tipo de gente que conheço mal e faço questão de continuar a conhecer mal; não posso por isso falar por eles.
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De mdsol a 05.05.2010 às 19:41

Muito bem, de novo.

:)))
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De Pedro Carvalho a 05.05.2010 às 20:56

Ontem pela 1ª comentei no DO, pois foi a 1º vez que vi este blog, mas até já o adicionei como favorito. E comentei, não pela notícia em si, mas sim pela falta de respeito que notei, nas respostas dadas a determinados comentários, que não achei as mais apropriadas.
Mas a Sra. vai me desculpar, e não vou comentar novamente a notícia em si.
Não sou doutorado, tal como em determinada altura "Pergunte aos comentadores desta caixa qual é a lei ou a razão de atribuição dessa ajuda de custo. Sabe-lo-ão?", e eu lhe respondo não sei, nem tenho obrigação de saber, mas posso dizer, que tenho meios e sei como obter essas informações, porque apesar de não ser doutorado, também andei a estudar alguns anos. Mas também não existe na lei, algo que diz que o Estado tem que prestar cuidados médicos às pessoas? Eu sei que tenho esse direito, mas chego ao Centro de Saúde e pergunto, gostaria de ir a consulta de estomatologia, ou oftalmologia, e a Sra. Muito simpática de trás do balcão responde, tem 6 meses a 1 ano de espera. E responde, mas sabe a lei tal, determina que tenho esse direito. E ela com razão manda-me guisar a lei.
E eu digo para comigo mesmo "porra tenho mesmo de fazer um seguro de Saúde, mas não pode ser só para mim, também tenho que fazer para a minha esposa e filha, de onde vou eu tirar dinheiro do meu orçamento mensal para mais esta despesa?"
É que já é do meu orçamento, do seu(?), e de muitas pessoas que aqui comentam, sai esse dinheiro para essas pessoas.
Eu sei que as leis são feitas por nós próprios, pois somos nós que votamos neles, mas também temos o direito de ficar indignados.
E tudo o que aqui escrevi, não quero faltar ao respeito a V., nem a ninguém, mas deixem desabafar um homem que ainda tem que trabalhar 30 e tal anos para saber se vai ou não ter direito a uma reforma que dê para viver condignamente, sem ter que andar a pedir uma sopa a uma filha que ainda agora começou a aprender a dizer "obrigado" por tudo e por nada.
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De João Carvalho a 05.05.2010 às 22:10

Pedro Carvalho, se está a referir-se a qualquer falta de respeito nas respostas a comentadores por parte de quem assina este blogue, está redondamente enganado (como qualquer um dos nossos muitos comentadores habituais poderá confirmar).

Qualquer resposta menos elegante da nossa parte só encontrará perante algum tipo de insolência. E mais nada.

Continue a aparecer, meu caro, e também o confirmará por si mesmo.
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De Pedro Carvalho a 06.05.2010 às 19:18

Continuarei a aparecer e se possível comentar também, mas sempre de uma forma séria e correcta.
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De Pedro Correia a 07.05.2010 às 01:08

Muito bem. Vá aparecendo, Pedro Carvalho.
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De teresinha a 05.05.2010 às 22:36

Pedro Carvalho:
O que pretendi realçar, entre outras coisas, foi a falta de informação de algumas pessoas que se arrogam no direito de criticar insultuosamente, mas do assunto em concreto percebem muito pouco. isto é, criticam só por criticar.
Sobre a saúde, tenho mesmo sentimento e sinto o mesmo problema. Há dias fui operada ao rosto, mas aguardei por esta pequena cirurgia cerca de ano e meio.
Sobre isso posso dizer-lhe o que um amigo meu - administrador de um hospital público - costuma dizer-me: as pessoas acumulam-se nos corredores das urgências, esperam horas por um tratamento, um exame, sofrem, estão insatisfeitas, falam mal deste e daquele médico e depois vem a inspecção, pede o livro de reclamações e verifica que está imaculado.
Afinal, o que está mal? Nada. O serviço funciona na perfeição porque não há reclamações.
É preciso reclamar, mostrar a insatisfação, escrever, mal ou bem, mas é necessário escrever. Mesmo quando sabemos que nada acontecerá ao visado de quem nos queixámos. mas servirá para outros efeitos, certamente. Só assim melhoramos este país.
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De Antero Ferreira a 06.05.2010 às 01:12

Ó terezinha, és chata comó/CARAAÇAS
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De teresinha a 06.05.2010 às 04:08

É isso, Antero. Eu e o caraças somos amigos e muito parecidos.
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De Pedro Correia a 06.05.2010 às 11:59

Este Antero não é do Quental.
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De teresinha a 04.05.2010 às 22:02

E se discutissemos aqui as ajudas de custo para habitação reconhecidas a outras classes?
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De Pedro Correia a 06.05.2010 às 12:00

Hum. Excelente sugestão.
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De jm a 04.05.2010 às 22:12

A partir de um erro ou do estado em erro de uma situação, surgem problemas que se multiplicam em muitas outras novas situações.
Penso que o caso daquela deputada, mostra o que eu procurei dizer.
A origem do problema não se encontra em pagar ou não pagar as suas deslocações.
A origem está na candidatura de uma pessoa que não pode ou gosta de se afastar da residência e, decerto, apostando nas vantagens futuras, faz o seu investimento em bilhetes de passageiro.
Não haveria outra competência com disponibilidade para ocupar aquele lugar e que não se importasse de morar perto do local de trabalho?
Porque os deputados destacados não fixam a sua residência em Bruxelas e as viagens que entendam fazer sejam as suas custas?
O que recebem não lhes chega?
Porque não está antecipadamente estabelecido o número de viagens pagas pelo Estado?
Porque não resolvem utilizar os modernos meios de comunicação, como a vídeo-conferência para evitar tantas presenças?
O que sucede com os professores e qualquer outro trabalhador que consegue emprega a grande distância de casa?
Penso que terão de decidir manter a habitação ou procurar outra.
Por todas estas facilidades e excepções é que os deputados se afastam dos verdadeiros problemas da população.
Porque estas pessoas não são tratadas como os professores que, por eles próprios, são obrigados a adaptar a vida privada às condições impostas pelo emprego?


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De teresinha a 04.05.2010 às 22:55

jm:

Ora aí está uma abordagem séria e preocupada.
Por que não impedem as pessoas de se candidatarem caso residam fora da locadidade ou cidade onde vão exercer o mandato?

Por que não alargam os impedimentos/incompatibilidades legais aos cargos políticos?
É simples: alteram a lei.
Mais simples ainda: não votem em quem não reside no local.

O Santana Lopes não foi candidato à Figueira da Foz sem residir lá?
Há tantos, mas tantos, exemplos à direita e à esquerda.
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De João Carvalho a 05.05.2010 às 00:26

Muito bem (de novo).
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De Pedro Correia a 06.05.2010 às 12:00

Muito bem (bis).
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De SINGULARIS ALENTEJANUS a 04.05.2010 às 22:38

Com o nível de credibilidade que me é possível ver da parte dos políticos deste país, com p pequeno, nada me faz crer que esse dinheirinho agora "perdido", não venha a ser recompensado por uma qualquer instituição tipo Taguspark, etc.
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De Pedro Correia a 07.05.2010 às 01:08

Taguspark? Isso rima com Figo.
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De eduardojorge a 04.05.2010 às 22:51

Mais um revoltante exemplo das politicas do governo actual: As notícias que dão conta da desumanidade das juntas médicas são manifestamente exageradas. Afinal há quem não se queixe das mesmas. Ontem mesmo, em carta enviada ao Público, Paulo Teixeira Pinto indica que passou 'à situação de reforma em função de relatório de junta médica'. Certamente ainda mal refeito da forma como foi corrido do BCP e da Opus Dei, este banqueiro de 46 anos foi considerado inapto para o trabalho, apesar de já ter arranjado um cargo numa consultora financeira. Teixeira Pinto nega ter recebido 1º milhões de euros de 'indemnização pela rescisão do contrato' com o BCP , garantindo que apenas recebeu a 'remuneração total referente ao exercício de 2007':9.732 milhões de euros em 'compensações' e 'remunerações variáveis'. Estas juntas médicas são as mesmas que recusam reformas a Professores com Cancro. Mas o Governo não sabe disto ?.
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De eduardojorge a 04.05.2010 às 23:01

Desculpem a minha persistência em vos informar sobre autênticos insultos ao Povo Português que trabalha no duro. Aos 50 anos de idade e com 20 anos de descontos como Deputado, Marques Mendes acaba de requerer a Pensão a que tem direito, no valor mensal vitalício de 2.905 euros mensais. Contudo, um trabalhador normal tem de trabalhar até aos 65 anos e ter uma carreira contributiva completa durante 40 anos para obter uma reforma de 80% da remuneração média da sua carreira contributiva.
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De Jorge Gabriel a 05.05.2010 às 09:00

Perguntem ao "Ganda Noia" onde se encontra encostado agora?
Ele a mamar na empresa(Grupo Nut#####) e os empregados a receber tarde e más horas, mas só no fim de reclamar durante 8 dias no minimo...
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De anónimo a 04.05.2010 às 23:47

Dão-me licença? Obrigado! Estou há quase duas horas a ler as interessantes prosas de tão doutos comentadores na esperança de encontrar por aqui o Ameijôa Fresca. Mas não, ainda não foi desta que o vate algarvio - desaparecido por estes dias - deu o seu contributo a este assunto assaz interessante e fulcral para o equilíbrio financeiro, moral e emocional de Portugal.
Cumprimentos

PS: acho que a deputada Inês Medeiros esteve bem. Uns diazitos antes teria sido o ideal, mas, enfim, esteve bem.
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De Pedro Correia a 06.05.2010 às 12:01

Lembra bem. Onde anda o nosso Vate?
(não é esse, é o Amêijoa).
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De Virgínia a 05.05.2010 às 08:36

Li com atenção tudo o que foi escrito até aqui.
O que a pequena realmente queria era passar uns anitos no Parlamento e sair com uma bela reforma para ter uma boa vida em Paris.
Uma emigrante de classe!
É que os subsídios para "as fitas" estão magros e há que fazer pela vida e ter uma boa reforma assegurada.
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De Pedro Correia a 06.05.2010 às 12:02

Bem, essa "fita" agora pertence ao passado. Aliás nunca devia ter existido.
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De giulianavittesantos a 07.05.2010 às 17:55

acho bem que ela pague do bolso!!!
a madame não sabe ir de 2º a???
tinha que ser em primeira classe! pois é,
e é o povinho que paga!!!
bem feito!!!

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