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O futebol como metáfora da política

por Pedro Correia, em 29.04.10

 

O futebol pode ser uma metáfora da política. Pensei nisto esta noite, ao ver o jogo das meias finais entre o Barcelona e o Inter, com um Camp Nou cheio de adeptos a incentivar o clube catalão. Durante 90 minutos, o Barça jogou ao ataque, pressionando o último reduto italiano. E chegou a marcar um belíssimo golo, por Piqué. Insuficiente, no entanto, para anular o 3-1 da primeira mão, jogada em casa do Inter.

Sem uma jogada ofensiva, sem um remate à baliza, sem um único avançado, o clube treinado por José Mourinho ganhou o acesso à final com o Bayern de Munique. Só por ter sido eficaz a defender. O espectáculo que deu no estádio foi deprimente. A "justiça" - termo que os nossos comentadores desportivos adoram - do desfecho foi nula. Mas não estamos no reino da estética: como dizia o outro, quem quer espectáculo compra bilhete para a ópera. E também não estamos no domínio da justiça, como se um relvado fosse um tribunal: se estivéssemos, o Barça seria um vencedor obrigatório.

Estamos no domínio dos resultados. Só isso. Mourinho transformou a sua equipa num intransponível muro de betão. Dando mau espectáculo e condenando ao fracasso o futebol de ataque. Mas carimbou o passaporte para a final.

E é por isto que o futebol me parece uma metáfora da política. Não interessa se o espectáculo é feio ou se o desfecho é "injusto".

Só os resultados contam.

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6 comentários

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De zeparafuso a 29.04.2010 às 08:06

Claro que concordo que o Inter jogou à defesa. Com 10 jogadores desde a meia hora de jogo, era de esperar o quê? Que o Inter atacasse? Uma coisa que o Mourinho tem é não ser irresponsável ! Campeões Europeus é sinónimo de dinheiro, os italianos até precisam. Mas podemos ver o futebol, por outro prisma. Em vez de deprimente porque é que não se vê como lição de táctica Porque é que não se olha para o Inter a cumprir com o que José Mourinho programou. Volto a repetir que o resultado até a expulsão do jogador do Inter era 0-0.
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De Anónimo a 29.04.2010 às 16:24

O Mourinho provou em Milão que a sua equipa é superior à do Barcelona, por isso 3 a 1. Na segunda mão a tática seria a que apresentou;quem precisa de ganhar que se esforce.Então assim fizeram os espanhois;esforço sem soluções para ganhar,mostrando impotencia perante um adversário altamente poderoso que só se esforço em metade do campo.Foi a derrota mais bela que já vi. O Mourinho foi
um estratega genial
Artur
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De anónimo a 29.04.2010 às 23:09

O que vimos foi um Inter super-defensivo à espera que a sorte lhe sorrisse. O Barcelona foi um digno vencido, mas mostrou porque é a melhor equipa do mundo. Futebol é isto. Quanto à atitude que teve o Mourinho, não lhe fica bem, embora reconheça que levou o Inter aonde nunca tinha chegado. Soube agora que também o Atlético de Madrid (que eliminou o Sporting mesmo sem lhe ganhar) e passou à final batendo o Liverpool que goleou o Benfica... dá para entender?
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De Pedro Correia a 29.04.2010 às 23:31

Mourinho é um excelente treinador, como ontem ficou provado uma vez mais, mas falta-lhe saber ganhar. A manifestação de arrogância que teve no fim ficou-lhe muito mal.
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De Pedro Coimbra a 30.04.2010 às 03:28

Mais de duzentos comentários?!
Quando o assunto é bola, a paixão incendeia.
Não há dúvidas.
Vai mais um.
Pedro, o Mourinho utiliza, como ninguém, aquela faceta arrogante e irritante.
Faz uso dela para desconcertar os adversários.
E tem tido excelentes resultados com isso.
E é de resultados efectivamente que ele vive e que lhe permitem ser o melhor e o mais bem pago.
O Inter foi totalmente italiano - fez um catenaccio perfeito.
E está na final.
Traduzido em euros, para já, dará o quê?
Uns 30 milhões?
Se ganhar a final, ainda virão mais uns "trocos".
Pragmatismo e negócio, Pedro.
Só isso.
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De Pedro Correia a 30.04.2010 às 20:00

Bem, eu escrevi essencialmente sobre política. O futebol só serviu de pretexto. Mas o pessoal agarrou-se ao pretexto. Assim se vê a força do futebol.

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