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Histórias do Novo Mundo (6)

por José Gomes André, em 15.02.09

Na arquitectura política norte-americana, um dos cargos mais peculiares é o de Vice-Presidente, a quem cabem duas tarefas: substituir o Presidente em caso de morte ou incapacidade do mesmo; e presidir às sessões do Senado (sem direito de voto a menos que exista um empate). Embora em anos recentes, os Vice-Presidentes tenham assumido alguma preponderância na Casa Branca (servindo como conselheiros do Presidente), a verdade é que se trata de um cargo com pouca ou nenhuma relevância concreta.

Ao longo dos tempos, os protagonistas e os estudiosos da história americana não deixaram de sublinhar esta singular inutilidade. John Adams, o primeiro Vice-Presidente, chamou-lhe “o cargo mais insignificante alguma vez engendrado pela imaginação humana”. O historiador Arthur Schlesinger considerou que o Vice-Presidente tinha apenas "um encargo verdadeiramente sério": "esperar que o Presidente morra”. Mas talvez a declaração mais sintomática e divertida seja a de Thomas Marshall (Vice-Presidente de Woodrow Wilson): “Era uma vez dois irmãos. Um fez-se ao mar. O outro foi eleito Vice-Presidente. A partir daí, nunca mais ninguém ouviu falar deles.”

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8 comentários

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De Luis Figueira a 16.02.2009 às 01:36

Na verdade, um cargo completamente irrelevante. Tão irrelevante que, no último mandato, nem as tarefas de substituir o Presidente em caso de morte ou incapacidade do mesmo lhe foram sequer cometidas. Isto, apesar de Bush , além de se encontrar desde há muito "incapaz", também já se encontrar "politicamente morto" há anos!
A declaração de Thomas Marshall é simplesmente deliciosa...
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De José Gomes André a 17.02.2009 às 03:05

Caro Luís, garanto-lhe que com Cheney tínhamos ficado muito, mas mesmo muito pior... Ainda bem que o George se aguentou por lá, apesar disso.

Ainda bem que gostou da frase do Marshall. Eu acho-a de antologia! Um abraço!
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De Luis Reis Figueira a 18.02.2009 às 01:37

Caro José Gomes André: Quando comentei o seu ótpimo post sobre o vice dos EUA, fi-lo com o humor e a ironia com que gosto de encarar este tipo de contacto que mantenho com os outros. Francamente, nem me lembrava já quem tinha sido já o homemzinho, se não fosse V. a lembrar-me que tinha sido o Dick Cheney... E depois, até me lembrei que o pobre coitado teve de ir à posse do Obama numa cadeira de rodas, por ter caído enquanto arrumava as tralhas do gabinete, não foi? Bem se diz que uma desgraça nunca vem só... Teria ele sido pior do que o "W"? Admito que sim e, nesse caso, do mal o menos!...
Um abraço e p.f., continue as suas instrutivas ilustrações sobre a terra do tio Sam.
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De Pedro Correia a 16.02.2009 às 02:07

Houve quase só excepções a essa regra quando os presidentes morreram em funções (e o caso de Roosevelt, ao substituir Wallace por Truman em 1944, num estranho sintoma de premonição da sua própria morte, é talvez o mais notável.). Nixon, Johnson, Ford e Bush pai foram vice-presidentes que se notabilizaram por terem ascendido à presidência, por um ou outro motivo. Entre os que não passaram de vice-presidentes, talvez só mesmo Al Gore mereça um lugar de destaque.
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De J.M. Coutinho Ribeiro a 16.02.2009 às 03:09

Demasiado exigentes, meus caros. Estou naquela fase da vida em que não me importava nada ser vice-presidente dos EUA. Pouco ambicioso, eu sei.
Mas, quem sabe?, com sorte, talvez arranjasse uns negociozinhos no petróleo, por exemplo.
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De José Gomes André a 17.02.2009 às 03:02

É uma lista de horrores, caro Pedro. Alguém se lembra de um tal de Dan Quayle, vice de George H.W. Bush? O Walter Mondale (vice do Jimmy Carter) também foi uma nódoa depois disso. O primeiro vice do Nixon (Spiro Agnew) desapareceu sem deixar rasto. O Humphrey (vice do Johnson) perdeu as eleições em 68 e foi-se de vez... E repare que estou só a falar dos últimos 50 anos. De facto, não é cargo muito auspicioso... A menos que, como o Pedro referiu, tenham a "sorte" de o chefe morrer. Que raio de cargo tão ingrato...

Um abraço!
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De Carlos Santos a 16.02.2009 às 16:00

E desejavelmente, de acordo com todas as indicações, Biden quer devolvê-lo a essa dimensão irrelevante. Reduzindo o entendimento lato que Cheney tinha das funções. Além de uns discursos como em Munique e da presidir a uma task force sobre a classe média, suponho que Biden pouco mais quer ser que um conselheiro para Barack Obama.
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De José Gomes André a 17.02.2009 às 03:03

Espero que seja exactamente isso, caro Carlos. Para intenções autoritárias já tínhamos a Sarah Palin, que dizia que o VP "comandava" o Senado...

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