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por Luís Naves, em 08.02.20

O líder do PSD, Rui Rio, não acredita que o seu partido seja de direita e quer conquistar o centro. Rio está a ver o que mais ninguém vê ou anda incrivelmente iludido. Na realidade, nos países europeus, o centro implodiu. Os eleitores vivem inquietos, recusam a uberização do trabalho, detestam ser a classe precária, e votam cada vez em maior número contra a estabilidade, que interpretam como estagnação. Em França e Alemanha, dois países traumatizados pelo passado das suas direitas, foi desenvolvido um sistema de cordão sanitário que começou por excluir partidos extremistas que não passavam dos 10 por cento. Só que os descontentamentos somam hoje 30 a 40 por cento e não é possível excluir tanta gente. Os partidos dos extremos crescem com os votos que as formações centristas rejeitaram durante anos, ao não reconhecerem os problemas da antiga classe operária, agora empobrecida e sem futuro. Os extremos ocupam o lugar vago e ganham terreno, apesar da resistência dos sistemas de poder, dos meios de comunicação, das elites académicas e das pressões financeiras. O eleitorado do centro é aquele que quer mais do mesmo e, nos tempos que vamos viver, será a minoria. Por isso, Rio parece ter ficado na guerra anterior, a lutar por um eleitorado que já não existe.


10 comentários

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De Paulo Sousa a 08.02.2020 às 11:41

Provavelmente terá razão, mas existe a probabilidade de que a envangelização de mais 40 anos dos nosso regime que criou uma aversão a tudo que seja de direita impeça que os insatisfeitos, que não são poucos, procurem uma alternativa numa esquerda moderada. O cordão sanitário sempre esteve montado, mas um dia cairá de velho e nesse dia o PSD de Rui Rui estará obsoleto. Acho no entanto que a viragem à direita será lenta suficiente para que ainda possa haver esperança na São Caetano à Lapa. O legado político do Rui Rui dependerá da velocidade com que ocorrerá essa viragem.
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De Justiniano a 10.02.2020 às 16:34

Não é que o cordão sanitário tenha estado sempre montado, apesar das várias tentativas ao longo destes 44 anos de democracia, caro Paulo Sousa. Ele foi, o cordão sanitário, recentemente, por abandono e indigência intelectual do centro direita político português, por conformismo gestionário do centro, pelo equívoco de fé e cobardia moral da Igreja Católica, por tibieza e ignorância da classe média e pela exposição da pornografia moral das elites financeiras, erigido sem oposição relevante!! A única memória que tenho, desde os idos de 70, do emprego da palavra, conceito político, "direita", empregue com o desdém equivalente à lepra, era-o pelo PCP, para designar tudo o que se mexia, tanto à direita como à esquerda! O PCP empregou a "direita" até meados do cavaquismo, depois, como não funcionou, empregou o "neo-liberais", até hoje. Hoje, todos, empregam a "direita" como significação de um opróbrio tingido, equivalente à sarna do fascismo ou nazismo! Rio tem medo da má imprensa!!
Pode dizer-se que funciona, até o PS que não a empregava com tanto vigor hoje a emprega com essa significação!!
A linguagem como triunfo ideológico tem sido o meio empregue pela media de referencia e ao qual todos, mesmo os que se dizem de centro direita, ninguém se diz de direita, obedecem!
Nos idos de 70 e 80, do milénio passado, apesar do PREC, ou por causa, a direita continuou relativamente preguiçosa e intelectualmente deserta, bastavam-lhes uns "comunas prá Sibéria" ou "os comunas comem criancinhas ao pequeno almoço". Hoje é a esquerda, que nos idos de 70 e 80 era mais culta e interessante, apesar de não ter espaço mediático, que se entrega aos lemas mais simplistas e ignorantes. A esquerda é hoje, à semelhança da academia, uma caricatura à inteligência.
Quanto a Rio, e ao PSD, hoje não deposito nessa hipótese grande esperança para uma mudança sensível ao que quer que seja. Deixará em funcionamento tudo o que de fundamental for deixado pelo PS e não passará da cisma gestionária!!
E, sobretudo, está mui acertado, o caro Paulo Sousa " O cordão sanitário sempre esteve montado, mas um dia cairá de velho e nesse dia o PSD de Rui Rui estará obsoleto." Eu também acho que sim, mas nas hostes daquele partido estão habituados a que por cá as coisas sejam o que têm sido, à falta de atacantes jogamos à defesa!!

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De V. a 08.02.2020 às 11:54

Rio é fraco mas Montenegro tem tão pouco carisma, tanta falta de jeito e tanta falta de percepção do sentimento que o PSD de Passos deixou — por exemplo o sentimento de oportunidade perdida por se rodear de retornados espertalhões e gente sem qualidades e ser, de certa forma, um bocado burro — que nem Rio consegue vencer. Essa é que é essa. Passou o tempo do Pi-éss-dê, como lhe chamam na Madeira.
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De jo a 08.02.2020 às 12:05

Para mim, nesta conversa sobre se os partidos A ou B devem conquistar o centro ou a direita para ganhar votos, falta qualquer coisa; A posição ideológica.

Tentar seguir uma política de centro ou de direita não pode ser só marketing eleitoral. Se um partido não tiver ideias definidas sobre a política que quer seguir e a variar conforme o que pensa que o povo quer, então para que serve um partido? Bastava uma empresa de sondagens.

Se calhar está a acontecer com estes partidos do centrão o que acontece com os detergentes para a roupa. Como são todos iguais escolhe-se o que tem a caixa mais engraçada. E os extremistas com aquela indignação falsa e o folclore dão umas embalagens muito mais apelativas.
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De Vento a 08.02.2020 às 13:47

Eu não vejo que o centro tenha implodido na Europa. Vejo antes que ele tornou-se o epicentro dos surtos migratórios para outras realidades que a dita esquerda e a extrema esquerda designam por fascistas e nazistas. Se bem posso interpretar o fenómeno, o centro busca reavivar o senso-comum que rege os princípios sociais, parecendo que o fractura (o senso-comum) através de um discurso vigoroso a que os embalados tradicionais líderes partidários, à esquerda e na extrema esquerda, não estavam habituados, pois entendiam-se como imperadores.

A esquerda e a extrema esquerda - designando eu estes últimos por assimilados, como demonstrou bem o Syriza na Grécia e o BE em Portugal -, sem ideologia formada, pretendem reavivar os aspectos hoje mitológicos do fascismo e nazismo julgando que o discurso permitir-lhes-á consolidar uma base de apoio que garanta sua permanência em lugares decisores. Ambos interpretam mal o fenómeno se não considerarem que foram eles mesmo e suas atitudes fracturantes que o fizeram progredir.

Trump, Bolsonaro, Putin, a Hungria e Turquia, entre outros, vieram demonstrar que era através da catalisação desse eleitorado órfão que seria possível gerar novos equilíbrios e fazer progredir as nações, oferecendo-lhes o que de imediato necessitam: crescimento económico e esperança de estabilidade laboral e contratual que tornem as famílias mais confiantes.

A esquerda e a extrema esquerda, a coberto também de corporações infiltradas em organizações supranacionais, nas últimas 3 décadas nada mais fez que buscar modelos marginais pseudo-intelectuais - em particular as ondas feministas que julgavam representar as mulheres - um suposto novo mercado eleitorado para esses, mas também as artificiais ideologias de género, o lgbtismo e a libertinagem abortista em nome de uma individual barriga que pertence a alguém bem como a Vida que nela carregam, a disrupção educacional, em particular no que diz respeito à formação daqueles do ensino básico -, contrariando princípios antropológicos, e procurando que esses modelos prevalecessem sobre o geral/comum, também procurando cumprir uma agenda que não tinha em conta a natureza que suporta as sociedades, impuseram uma ditadura legal que originou o fenómeno.
Com essa atitude, a esquerda e a extrema esquerda acabou por prejudicar alguns desses grupos que em normal circunstância seriam melhor aceites se os valores que defendem não tivessem sido utilizados para legislar contra o comum, o senso-comum e até mesmo contra a antropologia.

Portanto, Rio está no caminho certo ao interpretar estes anseios e realidades. Resta saber se é capaz de encontrar a forma e o discurso para os levar de volta ao PSD.

Em conclusão, importa realçar que o liberalismo extremista da esquerda, direita e extrema esquerda são parte deste fenómeno.
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De Primo Basílio a 08.02.2020 às 15:46

Neste momento o psp é um ser híbrido. Nem é carne, nem é peixe... é uma cena... é uma cena que ainda não é possível definir.
O psd perdeu identidade, perdeu personalidade política, ao ponto de ser impossível definir o partido ideologicamente.
A fobia, o medo de ser rotulado com os partidos mais à direita, despersonalizaram o partido.
O psd quer agradar a gregos e a troianos e acaba por agradar a cada vez menos gente.
Tudo porque entrou no jogo da moda, de rotular tudo o que não é moderado de extrema.
E nesse jogo passou a ser um peão nas mãos do ps, que só ganha com esta indefinição.
Confesso que gosto de Rui Rio. Gosto do seu estilo frontal e de discurso fácil.
Tenho-o como o mais próximo de um politico idóneo, imune a pressões e o mais próximo do político incorruptível... caso ele exista.
Tem um currículo brilhante na Câmara do Porto.
Lançou o Porto na modernização e tornou-o uma referência no turismo, contra todos os prognósticos e críticas... é só lembrar a polémica com a avenida dos aliados, onde a sua visão progressista colidiu com a tradicional e agora os resultados falam por si.
Ergueu a Câmara financeiramente, deixou-a sem dívidas.
E tem consigo o feito de ter enfrentado o maior clube da cidade e a sua personagem mais influente, e mesmo assim ter ganho.
E acreditem, enfrentar Pinto da Costa no Porto, só para quem tem muita estaleca e certeza daquilo que está a fazer.
Mas enfrentou e ganhou... e ganhou bem... mesmo na perspetiva do portista mais doente.
Mas agora vem trair os seus princípios, os princípios do partido, a troco de uns votos e na esperança que a comunicação social e os seus comentadores abrandem.
Tal como critiquei o bloco e o pcp por se traírem a si próprios e a quem em si votou, critico este psd por fazer exactamente o mesmo.
Mas sobre os outros, até entendi a traição e o seu objetivo... que até deu resultado, já sobre o psd, ainda não percebi o que é que tem ganhar.
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De Isabel Paulos a 08.02.2020 às 16:38

O centro implodiu? Certo. Então, tem que se refazer. A questão certa é como ser capaz de congregar as preocupações de quem não se revê no antigo e degenerado centro. É exactamente aí que a mudança tem de ser feita, em vez da rendição à aparência de radical de direita ou de esquerda, porque os eleitores são muito menos tontos do que se acha.

Faria todo o sentido, em vez das constantes espirais de ridiculização de radicais e populistas – que dão óptimas rábulas humorísticas mas têm efeito nulo em política -, perceber que aspirações satisfazem para atrair eleitorado descontente. E, sendo justas, fazer as devidas concessões sem pudores. Por exemplo, na área do trabalho as injustiças são mais do que muitas e muito há a fazer, sem o preconceito de ir beber ao ideário comunista legítimas reivindicações. Na área da economia só o travão dos liberais ao estrangulamento do mercado pela dependência do Estado ajudaria a amadurecer a iniciativa privada, a deixar de favorecer o Estado como central de emprego e regalias, e à racionalização do papel de redistribuição da riqueza, para por cobro à dependência dos subsídios.

Ao contrário do que se diz, as pessoas que se fartaram do centro e, por isso, votam em radicais, não se indignam contra a liberdade ou respeito pelo Estado de Direito, mas sim contra os interesses instalados, a corrupção, a injustiça e desigualdade no acesso e redistribuição da riqueza. Legitimamente fartaram-se de serem comidas por lorpas. E querem ver mudança. Então, mude-se para melhor o centro, que bem precisa. E esvazie-se o espaço para radicais.

A política está além da sofisticação da análise e dos grandes prognósticos. Às vezes o que está certo e dá resultado no futuro é (simplesmente) o que está certo, contra todos os vaticínios. RR - ou outro que queira vir a ser primeiro-ministro - não tem que sair do centro para agradar à direita, dando aparência apetecível a esse eleitorado. Tem que mudar o centro com ideias e políticas correctas e justas para satisfazer legítimas aspirações dos concidadãos que querem mudança para melhor nas suas vidas.
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De Anónimo a 08.02.2020 às 18:32

Simples e facilmente perceptível...

WW
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De Anónimo a 09.02.2020 às 19:24

O Centro odeia o próprio povo e o próprio país como nação. Hoje o Centro é Extremista.

O grau vai ao extremo de querer acabar com a vida humana. Desde a Comissária Europeia ao Boris Johnson que quer acabar com automóveis em 2035 com motor de combustão. No centrista Financial Times temos "professores- cientistas" a escreverem que o transporte aéreo deve acabar.
No "centrista-esquerdistas" temos artigos a defenderem o fim da vida humana.

O Centro hoje deseja níveis de controlo soviéticos da economia e do pensamento(Merkel por exemplo) e teremos a fome correspondente.

Onde é que os moderado votam nos EUA? obviamente que votaram em Trump que era o moderado em 2016. A Hillary além de racialista era e é alguém quer acabar com a 1º 2º emendas da Constituição. É alguém que odeia ´boa parte do próprio país : deploráveis.

Hoje o Centro é Extremista. Defende muitas coisas extremas.

lucklucky



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De Justiniano a 12.02.2020 às 16:21

Não acrescentaria uma vírgula, caro Luck
Um bem haja,

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