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Portugal, país bizarro

por José Gomes André, em 23.04.10

"A PT Prime ganhou o concurso público lançado em Setembro de 2009 para fornecer um sistema de televisão corporativa aos centros de emprego do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), com uma proposta de 700.001,10 euros. Curiosamente, o júri do IEFP excluiu quatro concorrentes [...] que forneciam o mesmo sistema por um valor mais baixo, o mínimo admitido a concurso (700 mil euros).

 

O júri, no relatório preliminar, justifica a exclusão destas propostas por terem um «preço anormalmente baixo». [...] A proposta da PT Prime, colocada 1,10 euros acima, já não foi considerada pelo júri como tendo um «preço anormalmente baixo» e foi admitida a concurso, vencendo também outras propostas admitidas a concurso, que tinham preços mais elevados."

 

A ver se percebi: instituto público abre concurso e estabelece proposta de valor mínimo. Quatro empresas propõem realizar o serviço por esse valor mínimo. São excluídas porque a sua proposta é demasiado barata, embora dentro dos valores estabelecidos pelo próprio Instituto. Outra empresa faz a mesma proposta, mas junta-lhe duas bicas e ganha o concurso. Este país é extraordinário.

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18 comentários

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De João Carvalho a 23.04.2010 às 18:14

Não, José, não acho este país extraordinário. Bem pelo contrário e pelo que aqui trazes, até acho que o país é muito ordinário.
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De José Gomes André a 23.04.2010 às 19:19

Bem observado... É uma coisa impressionante!
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De João Carvalho a 23.04.2010 às 22:45

Sabes dizer-me se o concurso continha obrigações sobre a altura e a cor dos olhos de um administrador, ou de algum assessor especial de corrida? Ou do sucateiro mais próximo?
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De fernando antolin a 24.04.2010 às 10:49

Parece-me que,na falta de robalos,ao valôr em causa juntou-se 1 jaquinzinho...e dos mais pequeninos...numa fatia de pão. Daí o 1,10€ a mais...
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De João Carvalho a 24.04.2010 às 12:59

Aaaahhhh!...
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De Sara a 23.04.2010 às 18:31

Não é possível... perdeu-se a réstia de vergonha na cara que existia...
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De José Gomes André a 23.04.2010 às 19:19

Concordo. Isto já é tudo feito às claras...
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De Ana Vidal a 23.04.2010 às 19:00

Talvez as bicas sejam Nespresso e tragam o Clooney como brinde. E talvez quem decide no IEFP seja uma mulher. Assim de repente, não vejo outra razão...
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De jcd a 23.04.2010 às 19:06

O que ainda é mais extraordinário, é o IEFP achar que é normal gastar 700.001 euros num sistema de televisão corporativa...
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De José Gomes André a 23.04.2010 às 19:20

Como não percebo do assunto, nem quis levantar a questão. Mas lá que impressiona, impressiona...
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De zeparafuso a 23.04.2010 às 20:13

Isto é brincadeira ou sou eu que estou baralhado com as datas e hoje é 1 de Abril?
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De mdsol a 23.04.2010 às 20:19

Já tinha tido conhecimento deste caso. Quanto descaramento.

Mas sabe, vejo neste escancarar de "casos" a possibilidade de as coisas começarem a mudar. Porque, ninguém se iluda, reduzir as culpas à "cultura" deste momento, reduzir as culpas à cultura de quem está, neste momento, no poder, é não ir ao fundo da questão. O mal é profundo e vem de longe. Um mal que se manifesta em todo o lado. De modos dissimulados, ou às claras, nas grandes e nas pequenas coisas. Um mal com que nunca consegui conviver. Aliás, dei-me bem mal por causa disso. Desde a carta de condução há muito tempo. Recusei-me a pagar. Claro que chumbei a primeira vez. Mal me fizeram exame, tal a decepção por eu não ter pago. Não fez mal, passei à segunda. E lembro-me de ter pensado que nunca pagaria, nem que nunca tirasse a carta. E muito mais, em coisas ainda mais graves. Tanto que às vezes nem dá para imaginar... O mal é mesmo muito fundo.
Olhe a notícia de hoje n' O Público e no JN: tese defendida na U Minho, num dia 23 de Dezembro, plagiada por profa do IPPorto. Filha de um ex-director do mesmo. Ora diga-me se (a ser verdade o que vem nos jornais) defender uma tese no dia 23 de Dezembro, quase em segredo, não é como aquele eurozito a mais?
Uma vergonha isto tudo.
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De João Carvalho a 23.04.2010 às 22:43

É o que eu digo: Portugal não se tornou extraordinário, mas sim ordinário.
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De jose-catarino a 23.04.2010 às 20:53

Até parece -- honni soit qui mal y pense -- que o vencedor já estava escolhido e o concurso foi mera formalidade. Não, não posso crer numa possibilidade dessas. Jamais (en Français). Afinal um euro e tal é muito dinheiro. E há, presumo, a qualidade do serviço proposto para a tal televisão corporativa -- que diabo é isso? Até agora, só me venderam o Meo.
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De Filipe Abrantes a 23.04.2010 às 22:14

Cadeia com eles.
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De teresinha a 24.04.2010 às 00:58

Falta saber quem foi o júri e, se não for pedir muito, as ligações destes aos patrões, etc, etc.
Ainda se descobre aqui uma nova tagus.
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De nuno a 26.04.2010 às 10:32

é verdade! quem participa em concursos públicos está habituado a essa perversão da regra de afastar os preços "anormalmente baixos" que, sendo, na essência, correcta, pode criar estas situações.
habitualmente, o preço "anormalmente baixo" tem de ser justificado e tecnicamente fundamentado.

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