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Sci-Fi: os meus filmes (14)

por João Campos, em 22.04.10

 

2. Blade Runner (Ridley Scott, 1982)

Quando estreou, em 1982, Blade Runner causou perplexidade no público, com o seu visual arrojado e a sua banda sonora misteriosa (da autoria de Vangelis), e gerou críticas particularmente ácidas. Se há filmes que estão destinados a estarem à frente do seu tempo, Blade Runner é um deles: de filme falhado a filme de culto, inaugurou o sub-género ciberpunk no cinema, e foi (é, ainda) uma autêntica lição de adaptação de livro para filme - no caso, o livro que lhe serviu de base foi Do Androids Dream of Electric Sheep?, de Philip K. Dick (leitura que aproveito para recomendar). Scott baseou-se na obra de Dick, sim, mas retirou-lhe os elementos de natureza religiosa e filosófica (os "mood organs", o Mercerism, a obsessão com animais vivos numa Terra devastada) e favoreceu a história "crua": um grupo de Replicants (andróides) evadiu-se na Terra e Rick Deckard (Harrison Ford em grande forma), um blade runner (caçador de andróides), assume a missão de os "retirar", eufemismo para "destruí-los". Mas quando o seu teste de reconhecimento de Replicants falha ao analisar Rachael, uma andróide praticamente perfeita desenvolvida pela Tyrell Corporation, Deckard começa a questionar a sua missão; e os andróides evadidos procuram por todos os meios sobreviver...

Hoje, é impossível falar de ficção científica no cinema sem mencionar Blade Runner, que brilha por si só e pela influência que teve em vários filmes subsequentes (dos quais Ghost in the Shell e Matrix serão bons exemplos, e porventura os mais óbvios - o primeiro, aliás, "transpira" Blade Runner), tanto em temática como em estética. Tal como acontece com Alien, vê-se hoje o filme e percebe-se que, quase trinta anos passados, não ganhou uma única ruga. Num período de quatro anos, Ridley Scott criou duas obras essenciais, não só da ficção científica, mas do cinema em geral. Não é para todos.


Enfim, falta o meu primeiro classificado. Escrever esta série tem sido bem mais gratificante do que imaginei quando lhe dei início, graças à participação de alguns leitores (a quem agradeço desde já). Como é bom de ver, pois falta apenas um filme, muitos daqueles que os leitores foram mencionando ao longo da série não vão aparecer na lista (a maioria, arrisco, porque nunca os vi; caso contrário, certamente o top15 seria um top30). O exercício é sempre subjectivo. Mas todas as sugestões foram cuidadosamente anotadas e - resolução tardia de 2010 - até ao final do ano vê-los-ei a todos.


30 comentários

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De Rxc a 22.04.2010 às 12:38

Aplaudo vivamente a escolha! Absolutamente essencial na lista de qualquer cinéfilo que goste de sci-fi (a par de Alien(s)...).
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De João Campos a 22.04.2010 às 13:08

E só vi o filme quando estreou, há três anos, a Final Cut. Saí da sala a pensar que aquela obra, mais velha do que eu, era melhor do que a esmagadora maioria dos filmes que já tinha visto.
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De João André a 23.04.2010 às 09:02

Confesso que a Director's Cut, sem a voz off, fica malzinho. Também a falta da sequência final, com os campos relvados, longe da cidade, me dá uma sensação estranha. Talvez seja uma consequência de ter visto a versão original duas ou três vezes antes de ver a Director's Cut, mas é como o sinto.
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De l.rodrigues a 22.04.2010 às 12:51

Philip K. Dick é um autor extraordinário e não é por acaso que alguns dos mais sólidos filmes de FC, sejam grandes produções ou low budgets, têm como origem a sua escrita:

Basta ver nesta lista, Blade Runner e Minority Report, e também A scanner´s darkly, Screamers e Total Recall (que pelos vistos vai ter um remake?).

Estou curioso sobre o primeiro da lista. E não sei se foi recomendado por outros, mas acrescentaria Gattaca aos bons filmes de Sci-fi feitos com pouco dinheiro e muitas ideias, e também bons actores.
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De João Campos a 22.04.2010 às 13:51

Não é o primeiro a falar-me do Gattaca. Mas ainda não vi (já está na lista). O velhinho Total Recall é um bom filme - nada de extraordinário, mas um bom filme. Tenho algum receio do que possa acontecer no remake... O A Scanner Darkly é um filme invulgar, mas gostei bastante dele quando o vi. Aquela animação torna-o diferente.

Sobre Philip K. Dick, bom, não fica muito por acrescentar ao que disse. O livro que inspirou Blade Runner é fabuloso.
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De xtremis a 22.04.2010 às 19:48

Em relação ao Gattaca, é um excelente filme! É um exemplo de como fazer um bom filme de ficção científica, sem gastar o orçamento todo em CGI ou em cenas de acção ;) E mais não digo ehehehe
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De José Gomes André a 23.04.2010 às 00:00

Por acaso acho que fui eu que te falei do Gattaca. É muito interessante, de facto. Já sei qual é o primeiro da lista, mas não vou revelar para manter o suspense. Estes exercícios são sempre curiosos, mas já se sabe que acabam por ser quase "impossíveis".

Gostei de ver que os clássicos Alien, Terminator, Blade Runner e Star Wars estão nas tuas preferências. Depois disto, fico com a certeza de que não podes ser má pessoa, João! :) Abraço e parabéns pela série...
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De João Campos a 23.04.2010 às 00:25

Sim, creio que sim, em comentário a outro post. Filme a ver, sem dúvida.

Qual é então o seu palpite? :)

(Sobre eu não sei má pessoa, bom, eu espero que de facto não seja! mas agradeço-lhe a consideração. Abralço e obrigado)
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De José Gomes André a 23.04.2010 às 00:28

Aqui no Delito tratamo-nos por tu, João :) Hummm, o meu palpite são dois (isto parece à jogador de futebol): Star Wars 6 ou o Alien 3. Eu preferiria que fosse o Alien 3, um filme brutal...
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De José Gomes André a 23.04.2010 às 02:32

:) Hehe... Grande falhanço deixares o Alien 3 de fora! Não te perdoo esta...

P.S. Mais outro noctívago para o grupo. O próximo jantar tem de ser à meia-noite ou assim...
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De João Campos a 23.04.2010 às 03:26

O Alien 3 foi mencionado nos comentários do Aliens, creio. Sobretudo por comparação com os dois primeiros filmes, acho-o pobre. Falta a constante tensão, faltam as personagens carismáticas (Ripley está mais apagada, e Dillon não salva). E falta alguma lógica para a morte da Newt e do Marine. Certo, foi uma escolha do realizador. A mim, não me pareceu a mais acertada.

Noctívago, eu? De momento, estou de férias. Mas a verdade é outra: quem me dera a mim poder trabalhar de noite e dormir de dia. Funcionava muito melhor.

O próximo jantar, nesse caso, seria uma ceia. Grande ideia!
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De João André a 23.04.2010 às 09:06

A morte de Newt e de Hicks (o marine) foi simplesmente devida ao facto de não terem querido participar no filme, especialmente a jovem que fazia de Newt. Seja como for, considerando o período de tempo que passou, aquela menina já seria muito mais velha e a história teria de ter uma mudançazinha.

Mas estou do lado do meu "primo", gosto bastante de Alien 3, embora o veja numa luz diferente da de Sci-Fi, prefiro vê-lo como um estudo de iconografia, algo normal quando o realizador tinha acabado de chegar do mundo dos videoclips e de trabalhar frequentemente com Madonna.
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De João Campos a 23.04.2010 às 13:23

Sim, bem sei. Aliás, há pouco tempo li um artigo muito interessante (gostava de me lembrar onde) sobre a actriz que fez de Newt em Aliens, pois após aquele grande papel, a rapariga desapareceu do mapa.

De qualquer maneira, e apesar de gostar do filme (até gosto do Alien Ressurrection, sobretudo de uma cena em particular), considero-o uns furos abaixo quando comparado com os dois primeiros. E outros furos abaixo na obra de Fincher, quando comparado com Se7en e, sobretudo, com Fight Club.
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De João André a 23.04.2010 às 15:39

A cena em que Ripley "nasce"?
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De Pedro Correia a 22.04.2010 às 16:04

Este é um clássico. Imprescindível.
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De João Campos a 23.04.2010 às 00:32

Já acertou um, Pedro.
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De João Carvalho a 22.04.2010 às 16:42

Finalmente, posso usar a palavra proibida: incontornável!
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De João Campos a 23.04.2010 às 00:31

Eu sabia que até ao final ainda acertava!
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De xtremis a 22.04.2010 às 19:44

Ora cá está!

Um filme simplesmente soberbo, a todos os níveis. Um marco na história do cinema, um filme que é praticamente perfeito em tudo. E digo isto sem qualquer espécie de exagero.

Deste a adaptação do livro, aos actores, aos cenários, tudo, tudo! Até, imagine-se, à forma como o filme foi "melhorado" para o "final cut". Por exemplo, a cena em que a primeira replicant é morta, e onde no original se via a cara da "dupla", foi corrigida para mostrar a cara da actriz. Nada de coisas espatafúrdias, como certos realizadores *cof* Lucas *cof*.

A banda sonora é sublime. A história de amor, que normalmente é a parte em que um bom filme pode "descarrilar" está magnificamente bem conseguida, todo o estilo cyberpunk e "retro-tecno" é magnifico: o aparelho onde Deckard analisa as fotos, por exemplo, é fantástico. Os anuncios da pan-am são uma preciosidade, os veículos são crediveis, mas futuristas.

É um filme "gritty" e "sujo", realista, não é "estéril" ou demasiado "limpinho", fruto da ausência praticamente total de CGIs e ecrãs verdes (mesmo na final cut).

Eu tenho o pack com todas as edições em DVD. Vi os extras todos (especialmente as entrevistas aos actores e a Ridley Scott) com um ar fascinado e apaixonado. Vi a Final Cut no cinema também, e quando tiver todo o "setup" necessário, vai ser uma compra obrigatória em blue-ray (ou o que quer que seja que exista na altura eheheh).

Uma curiosidade para quem não viu os extras. Nas cenas filmadas na "rua", com todos os transeuntes, normalmente a chover e tudo mais, foram utilizadas colunas no cimo dos edifícios (o cenário é um "quarteirão", algures nas traseiras de um estúdio da Warner Bros). Das colunas, tocava justamente a música de Vangelis, para transmitir a todas as pessoas (extras, actores, pessoal técnico, etc.) o "espírito" do filme, o "ambiente" que se pretendia cria. É um pormenor soberbo.

Outra coisa que adoro nesse filme. A última frase de Roy Batty (o líder dos replicants). É um monólogo final fantástico, que foi, em parte, "improvisado" pelo actor (Rutger Hauer).

Resumindo, não é por acaso que este filme está no "top 250" do IMDB. É verdadeiramente um filme magnífico, em todos os aspectos, uma autentica pérola, nascida numa época em que um filme era ainda um trabalho de carinho, dedicação, inspiração, arrojo. Hoje em dia, infelizmente, a sétima arte tornou-se numa "fábrica de salsichas". Não quer dizer que não existam bons filmes "contemporâneos" (ou seja, com menos de 20 anos). Mas a percepção que tenho é que o ratio de bons filmes para filmes mediocres tem vindo a diminuir bastante.

João, parabéns. Podes não ter visto algumas obras (com licença) incontornáveis, mas viste uma das obras primas do cinema. É um "bónus" tratar-se de um filme de ficção científica ;)
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De João Campos a 23.04.2010 às 00:31

Não conhecia esses pormenores - agradeço-lhe desde já tê-los divulgado aqui. Tenho de deitar a mão a uma dessas edições.

Também concordo com o que diz sobre os filmes da actualidade. Ainda se fazem muitos filmes muito bons - felizmente -, mas falta qualquer coisa. Lembrando uma série antiga (e muito boa) do Pedro Correia, não se fazem filmes como nos anos 50, é o que é. Nem vou falar dos constantes equívocos com os prémios, mas a verdade é que se faz muito filme "de sábado à tarde", para usar uma bela expressão de um amigo. Do calibre deste, é raríssimo.

Enfim, falta um para terminar a série. Vou sentir falta destes diálogos, está visto!
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De João André a 23.04.2010 às 09:08

Vale a pena ler a parte de Trivia na página do IMDb e as notas sobre a produção que costumam acompanhar as entradas na Wikipedia. Muitos dos pormenores são altamente interessantes.
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De xtremis a 23.04.2010 às 11:15

Ehehe Já vi que temos várias afinidades :)

Os diálogos podem continuar, por esta ou por outras vias :)

Em relação ao primeiro lugar, estou curioso, e assim de repente, não sei qual possa ser :) Um filme que esteja acima do Blade Runner? hummmm :)
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De Pedro Coimbra a 23.04.2010 às 03:18

Para ver brevemente no meu blogue também.
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De João André a 23.04.2010 às 10:01

Apesar de gostar do filme, não o escolheria tão alto na minha lista. Incontornável pela influência que teve, se nada mais fosse (e ainda tem muito), mas há algo (que não consigo apontar) de que não gosto no filme. Penso que gostaria de ver o filme mais a apontar para os pormenores que Scott retirou do filme. Isto não quer dizer que eu gostasse de os ver também no filme, antes que teria preferido um filme que removesse algumas facetas que teve e optasse antes por aquelas (a parte filosófica sobre o ser, por exemplo). Por outra, preferia que fosse mais "Do androids dream of electric sheep?" do que "Blade Runner". Mas isso são escolhas pessoais.

Seja como for, o filme é visualmente inatacável. Não envelhece precisamente porque não recorre a CGI (que não existiam na altura) e porque tem o aspecto "sujo" que evita que se "veja" a tecnologia. Os melhores filmes de ficção científica são aqueles cuja tecnologia é mais depurada, tal como os Alien, Gattaca, Blade Runner, etc. Matrix (o primeiro) segue esta lógica e envelhece muito bem. Os restantes, a apoiarem-se daquela forma nos efeitos gráficos, acabam por estragar o efeito (o Matrix Revolutions está a envelhecer muito mal, há jogos de computador actuais com melhores efeitos gráficos).

Em termos de história, lá está, existe em mim a tal sensação de algo que não me agrada mas que não consigo apontar o que seja. Talvez seja o simples incómodo que o filme pretende causar. Há um aspecto que me agrada, no entanto: a fragilidade de Decker. Não é um super-homem, um tipo capaz de coisas incríveis. Leva porrada até dizer chega. Isso ajuda a compreender a dimensão humana do filme.

Repito, não o colocaria em primeiro lugar da minha lista, mas faz parte da história da ficção científica e do cinema em geral.
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De João Campos a 23.04.2010 às 13:38

Eu gosto muito bem dessa outra vertente que encontro no livro, mas considero que Scott fez muito bem em retirá-la. Da mesma forma que, para dar outro exemplo do que acho ser uma óptima adaptação cinematográfica, considero que Peter Jackson, na realização de The Lord of the Rings, fez muito bem em retirar duas passagens marcantes: o capítulo de Tom Bombadil e a Batalha do Shire. Isto deixou os fãs mais acérrimos à beira da apoplexia, mas valeu a pena. Nem tudo o que resulta no livro resultaria em cinema, e quando se adapta há que fazer escolhas. Se Scott tivesse seguido esse caminho, ou o filme teria de ser bastante mais longo, ou bastante mais disperso - e em ambos os casos ficaria a perder.

Há algum tempo que não vejo Revolutions, mas acredito no que me diz. Até porque os videojogos estão a evoluir a uma velocidade a todos os níveis impressionante.
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De João André a 23.04.2010 às 15:43

Vi-o recentemente porque (a triologia) passou na televisão e a minha mulher ainda a não tinha visto, pelo que revi tudo.

Quanto às escolhas nas adaptações, tens toda a razão (tratemo-nos por tu, já que me parece que sou pouco mais velho e, sendo-o, posso propôr o tratamento informal que me agrada mais :)). Uma adaptação de um livro só pode ser boa quando o autor (realizador e/ou argumentista) decide começar a cortar e concentrar-se nos aspectos que lhe interessam (que podem nem ser os mais importantes). Apenas digo que, apesar de achar que Scott fez uma escolha muito criteriosa, para mim (por uma questão de gosto) preferia outra faceta da história no filme.
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De david a 23.04.2010 às 11:57

Não sei ainda qual será, mas este, João Campos, deveria estar no topo da lista. Mas, e já agora, em que versão? Na que foi inicialmente distribuída? Ou a do director's cut, com um final mais ambíguo e não tão "redentor" como a anterior? E seria o blade runner, ele próprio, um "replicant"? Já agora, e desculpe, mas o filme não se baseia num livro de Dick, mas sim num conto. De qualquer forma, tem feito um excelente trabalho. Cumprimentos
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De João Campos a 23.04.2010 às 13:33

Não faço distinção entre as versões, apesar de elas apresentarem entre si diferenças consideráveis - qualquer uma delas colocaria o filme nesta posição.

Se Deckard é ele mesmo um replicant? Pode ficar essa dúvida. Pessoalmente, acho que não.

Só tenho de discordar num ponto: Do Androids Dream of Electric Sheep? não é um conto. É mesmo um livro, um romance - bom, em inglês há uma palavra mais apropriada: novel.
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De Teresa Ribeiro a 24.04.2010 às 19:26

Não tenho tido tempo para deixar comentários, tenho só visto o blog a correr, mas aqui tive de voltar só para dizer que apesar de não gostar de ficção científica considero este filme uma obra-prima. Acima deste só o 2001, de facto.

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