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Delito de Opinião

O PS e a pescada fresca

João Carvalho, 21.04.10

É muito interessante verificar, no final de cada audiência da comissão parlamentar de inquérito sobre o caso PT/TVI, o modo como o porta-voz ad-hoc de cada partido dá conta aos repórteres do respectivo resultado. Fazem-me lembrar um taxista que costumava dizer-me que só há duas marcas de carros: os Mercedes e os outros.

A verdade é que o PS sai invariavelmente esclarecido e fresco de cada audiência, sem indiciar a necessidade de ir além por um qualquer caminho. Já os restantes partidos, esclarecidos ou não, dão conta das dúvidas suscitadas e manifestam sempre que os dados obtidos apontam para que se prossiga no apuramento dos factos por esta ou por aquela via.

Como um Parlamento, uma comissão parlamentar de inquérito e os parlamentares só podem ser sérios, é evidente que jamais passaria pela cabeça dos deputados socialistas dificultar um inquérito parlamentar desconfortável para o primeiro-ministro. O que acontece é que o próprio primeiro-ministro, diga-se dele o que se disser, é um político cheio de sorte, por ser também secretário-geral do partido mais esclarecido de todos — tão esclarecido que nem precisa de esclarecimentos. O PS é como a pescada, que "antes de o ser já o era".

A não ser que o PS seja como aquele soldado que marchava numa parada e que era o único que ia com o passo certo, quando todos os outros marchavam com o passo trocado. Nesse caso, nós é que ficamos esclarecidos. Que é como quem diz: já pescámos a coisa. E o peixe é do graúdo.

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