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Pouco inteligente

por João Carvalho, em 15.02.09

O casamento entre homossexuais regressou à ordem do dia e Maldonado aproveitou para dizer aqui que foi por causa da actual «proposta do PS», o que não é verdade: não há qualquer proposta; apenas parece que o PS vai apresentar uma moção interna que inclui o relançamento do tema para a próxima legislatura, sem deixar de ser o mesmo PS que recusou recentemente uma proposta idêntica apresentada no Parlamento por outros. Mas vamos ao que interessa.

Maldonado tece várias considerações pouco ou nada fundamentadas, mas vou apenas deter-me na que se segue. «A legalização dos casamentos homossexuais é uma questão de vontade política. Os nossos vizinhos espanhóis legalizaram-nos a arrepio da opinião da Igreja. Se o Estado é laico, então a Igreja deve-se manter fora das questões de política partidária, correndo o risco de ser identificada com os partidos de direita…» A questão é partidária? E eu a pensar que é social...

Na verdade, está tudo ao contrário. Desde logo, se o Estado é laico, é o Estado que deve manter-se fora das questões da Igreja e não o inverso. Se Maldonado pode opinar, se eu posso opinar, se todas as pessoas podem opinar singular e colectivamente, a Igreja tem todos os motivos e mais alguns para opinar também. Tem até o dever de lembrar os seus princípios e, mais ainda, a legitimidade que a sua acção social lhe confere.

Sabemos todos como o Estado se demite de muitas das suas obrigações e como a Igreja se lhe substitui, exercendo-as solidariamente sem olhar às diferenças de cada um — designadamente, de credo. É pouco inteligente, por isso, esperar (e pior ainda desejar) que a Igreja desempenhe um papel social indiscutível enquanto prega a sua doutrina e, ao mesmo tempo, que faça de conta que é cega, surda e muda...

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6 comentários

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De CM a 15.02.2009 às 02:27

"Sabemos todos como o Estado se demite de muitas das suas obrigações e como a Igreja se lhe substitui, exercendo-as solidariamente sem olhar às diferenças de cada um — designadamente, de credo. É pouco inteligente, por isso, esperar (e pior ainda desejar) que a Igreja desempenhe um papel social indiscutível enquanto prega a sua doutrina e, ao mesmo tempo, que faça de conta que é cega, surda e muda..." - Exemplar!

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De Paulo Sousa a 15.02.2009 às 10:52

De facto algo não bate certo.
Falou-se também sobre este assunto no Vila Forte.
Linkei este texto em forma de comentário.
http://vilaforte.blogs.sapo.pt/90832.html
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De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 15.02.2009 às 15:33

Exactamente, João. Mas o que me deixa perplexa é: se a constituição prevê igualdade de direitos e deveres, porque não foi já resolvida essa questão? E porque se tratam estas questões sociais desta forma tão folclórica? E porque insistem em colocar esse contrato no mesmo plano do "casamento"? Com alguma maturidade e sensatez já teriam isto resolvido. Arriscam-se a ir para referendo, o que é absurdo, colocarem-se nas mãos de uma maioria que se organiza de forma diversa. Porque se complica o que devia ser simples?
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De João Carvalho a 15.02.2009 às 18:15

Dá que pensar, Ana.
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De Luis Figueira a 15.02.2009 às 21:25

Muitíssimo bem observado, João.
Primeiro ponto: Como tenho já defendido noutras ocasiões, esta questão do "casamento" entre homossexuais padece, logo à partida, de um erro de nomenclatura
(se eu fosse mais moderno, diria de "casting"). Sem estar a tecer quaisquer juizos de valor sobre as tais uniões, (porque nada tenho, em concreto, contra ou favor delas), a verdade é que o termo "casamento" aplicado ao caso em apreço, me causa alguns engulhos. Então as palavras já não têm um significado no dicionário? Chame-se-lhe outra coisa qualquer que se adapte à situação, crie-se, se preciso fôr, um neologismo, mas "casamento" é que não me parece...
Segundo ponto: é óbvio que a(s) igreja(s) (a católica, a protestante, a judaica, a muçulmana, etc., etc) têm todo o direito, como qualquer um de nós, a emitir a sua opinião acerca deste e de quaisquer outros assuntos, desde que assim o entendam. E nesta questão, santa paciência, não há direitas nem esquerdas...,existe apenas o direito de todos e de cada um de nós, individual ou colectivamente, podermos exprimir livremente a nossa opnião. Partidarizar e segmentar este assunto como de direita ou de esquerda, (como se tratasse de um feudo de qualquer um destes lados) parece-me, precisamente, a melhor maneira de prestar um mau serviço à causa. Estamos, apenas e tão-só, perante uma questão de valores, (morais, sociais, religiosos, etc.) que nada tem a ver com "lateralidades". Não podemos, assim, exigir a ninguém que faça a figura do macaco com as mãos nos olhos, nos ouvidos e na boca. E muito menos da Igreja que, quer goste-se, quer não, tem o peso e o papel que tem na nossa sociedade e, como qualquer um de nós, tem o pleno direito a dizer o que pensa e a ter a sua opinião. Tão respeitável como a nossa ou qualquer outra - nem mais, nem menos.
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De João Carvalho a 15.02.2009 às 22:12

Ora aí está.
Agora, especial para ti: vê lá se continuas a aparecer. Senão... hehehe...

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