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Apita o comboio

por José Gomes André, em 20.04.10

Um vulcão islandês entra em erupção e as cinzas bloqueiam o tráfego aéreo. Conclusões a tirar? É preciso apostar no TGV. Isto faz tanto sentido como dizer que é necessário construir mais aeroportos quando cai uma ponte rodoviária ou dois comboios chocam um contra o outro. O TGV pode e deve ser discutido, no âmbito da relação custo-preço, dos modelos de mobilidade futura, das possibilidades de investimento, da pertinência económica e social, da necessidade do mesmo no quadro da política de transportes de um determinado país. Agora, fazer depender uma decisão tão relevante e dispendiosa de uma análise meramente circunstancial (ainda por cima baseada num evento tão raro quanto impossível de determinar) configura um manifesto disparate e soa a oportunismo saloio.

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30 comentários

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De João Carvalho a 20.04.2010 às 09:58

É óbvio que estou inteiramente de acordo contigo, José.
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De Marco Neves a 20.04.2010 às 10:36

José,

Se posso concordar que o timing para dizer que é preciso apostar no TGV é errado, por outro lado, O TGV seria uma alternativa que se poderia utilizar nestas situações.

A nossa sociedade depende em muito da mobilidade e da capacidade de transportar pessoas e mercadorias - desde os alimentos até à electrónica, desde os medicamentos até vestuário, desde ...

E, portanto, se a opção do TGV pode ser ou não a melhor, a verdade é que precisamos de alternativas viáveis aos aviões, sejam elas para ser utilizadas regularmente apenas por uma pequena parte da população, ou para as viagens mais curtas (Lisboa-Madrid e Madrid-Paris, por contra-partida com Lisboa-Berlim), mas que poderemos utilizar quando algum problema de grande escala coloca todos os aviões no chão.

Neste momento, o TGV parece a escolha mais razoável para a Europa, e Portugal precisa de fazer parte da rede, quanto mais não seja com as ligações internacionais (Lisboa-Madrid e, talvez, Porto-Vigo - não me verão defender Lisboa-Porto com paragem em todas as vilas, aldeias e casas isoladas no meio do mato).

A questão, verdadeiramente, é que neste momento, corremos o risco que de que uma parte demasiado importante da economia europeia pare porque um vulcão entrou em erupção.

mpneves
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De João Carvalho a 20.04.2010 às 11:28

Pense no mapa de Portugal e nas respectivas distâncias. Já imaginou quantos minutos de diferença poderá haver entre atravessar o nosso país transversalmente em alta velocidade (mais de 250km/h) ou em média velocidade (como no Alfa-Pendular, a 230km/h)?

Se me permite, sugiro-lhe que clique no 'tag' TGV e que leia o que for encontrando.
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De fernando antolin a 20.04.2010 às 13:13

Porto-Vigo em TGV ? Uma distância daquelas nem dá para o dito acelerar ou será para irmos aos percebes ainda quentinhos ? Sim e Lisboa-Porto parando em Rio Maior (!!!!!),Leiria,Coimbra,Aveiro e talvez Gaia(!!) dá que TGV significará TransporteGeralmenteVagaroso, lembra-me o " pára-em-todas " Cais do Sodré - Oeiras !!
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De José Gomes André a 20.04.2010 às 16:57

Obrigado pelo comentário. Eu não disse que dispensamos os comboios. É claro que os aviões não podem ser o único meio de transporte. Outra coisa é sugerir que precisamos do TGV porque um vulcão pode entrar em erupção...
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De José Gomes André a 20.04.2010 às 16:56

Pelo que tenho lido de ti, já o esperava, meu caro :)
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De Henrique Pontes a 20.04.2010 às 10:04

Já tardava na blogosfera um comentário racional sobre o comboio de alta velocidade, sublinho, se me permite, o que acho importante: "o âmbito da relação custo-preço, dos modelos de mobilidade futura, das possibilidades de investimento, da pertinência económica e social, da necessidade do mesmo no quadro da política de transportes de um determinado país.". Por vezes dá a sensação que modernização é sinónimo de evolução, quando muitas vezes leva ao contrário. Recomendo uma visão mais profunda, para quem estiver interessado: http://caminhosferroaltavelocidade.planetaclix.pt/
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De João Carvalho a 20.04.2010 às 11:31

«Já tardava na blogosfera um comentário racional sobre o comboio de alta velocidade»? Não tardava, meu caro. Também lhe recomendo que clique no 'tag' TGV e verá como não tardava.
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De Henrique Pontes a 20.04.2010 às 13:45

Peço desculpa pelo lapso, sou um leitor recente e você, de facto, já explorou essa via várias vezes. É sempre bom ler opiniões formadas num aprofundamento pois têm menos probabilidades de estar erradas. Continue.
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De João Carvalho a 20.04.2010 às 14:50

Grato. Não sou um especialista, meu caro Henrique, mas tento ser mais um cidadão atento.
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De Joana Lopes a 20.04.2010 às 10:05

Nem mais. Os disparates que têm sido ditos para defender o TGV e a louvar a diminuição na emissão de gases...
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De José Gomes André a 20.04.2010 às 16:58

Obrigado Joana. Sou um leitor atento do seu blogue, gostei de saber que também é fã do Delito :)
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De João Carvalho a 20.04.2010 às 17:17

O Entre as Brumas da Memória está há muito na nossa barra lateral, José, o que significa que há reciprocidade. Também gosto de ler a nossa amiga Joana.
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De Nuno Pereira a 20.04.2010 às 10:30

As grandes decisões não podem ser tomadas mediante contingências que surgem drasticamente.
Porque tanto podem servir para o bem e para o mal!
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De José Gomes André a 20.04.2010 às 16:58

De acordo, companheiro...
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De Carlos Faria a 20.04.2010 às 10:39

Existe muito mundo além da economia.
Quando sou questionado sobre planos de emergência por princípio verifico se existem soluções alternativas para o caso de uma deixar de funcionar.
Claro, pensar o TGV apenas por uma nuvem pode ser uma análise pouco profunda.
Já não o é se pensarmos que a situação não é tão rara assim, nem tão improvável.
A segunda metade do século XX foi calma em termos de vulcanismo e antes foi o período pre-aviação, onde a maioria das nuvens passariam despercebidas (excepto a do sec XVIII que tanta frio trouxe à Europa)
Este continente está cercado de vulcões activos que podem fechar os céus europeus por meses, há pelo menos 5 nos Açores, 2 nas Canárias, 3 na Itália, 1 na Grécia e 3 na Islândia. Devem haver mais são so que conheço.
Diga-se que nem os economistas, nem a Europa tem analisou plenamente este risco em termos de frequência e duração deste fenómenos, se o fizesse a ideia de recusar a alternativa não eram tão simples
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De João Carvalho a 20.04.2010 às 11:32

Pense no mapa de Portugal e nas respectivas distâncias. Já imaginou quantos minutos de diferença poderá haver entre atravessar o nosso país transversalmente em alta velocidade (mais de 250km/h) ou em média velocidade (como no Alfa-Pendular, a 230km/h)?

Sugiro-lhe que clique no 'tag' TGV e que leia o que for encontrando.
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De Carlos Faria a 20.04.2010 às 15:06

@João Carvalho
Primeiro queria esclarecer que o meu comentário não era pró ou contra o TGV, é um assunto que para o qual não tenho uma posição já assente, pretendia apenas introduzir a ideia que este tipo de interrupções podem não ser assim tão circunstanciais e que nas decisões deveria ser mais ponderada a componente de riscos naturais e não apenas as económicas e políticas.
Mas confesso que tive o cuidado de ler a tagTGV até ao fim e o que mais me chocou foi ter ficado com a ideia de que o TGV será só para passageiros. (Só mesmo?)
Quando lancei a ideia de reflexão de alternativa pensei em cargas e passageiros.
Já agora fico com uma outra questão: Se o TGV for alternativa concorrencial ao avião, como se justifica ainda a construção simultânea do TGV e de um novo aeroporto?
É que sobre este tenho uma ideia definida: Sou contra e nunca percebi as vantagens de mais um aeroporto no sul de Portugal (mesmo sendo açoriano)
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De João Carvalho a 20.04.2010 às 16:24

Sobre o aeroporto (estou a morar nos Açores, curiosamente) estamos de acordo, meu caro.

Quanto ao TGV, parece que também partilhamos algumas angústias. Posso garantir-lhe que tudo foi pensado (?) sem mercadorias. Em torno das mercadorias a nossa oficialidade fez sempre um enorme silêncio. Mas isso mesmo confirmou-se quando, ainda há poucos meses, o governo declarou estar a pensar em alterar um dos projectos para incluir o transporte de mercadorias!

Como se vê, Carlos, têm andado todos noutro planeta, o que justifica por si só os resultados frustrantes de cada megaprojecto que é posto em prática. Ou seja: para ponderar é preciso saber pensar, o que não costuma suceder muito entre os decisores que temos.
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De Ricardo B a 21.04.2010 às 08:20

Precisa de ser mais atento, cidadão. ;-)

Oficialmente (preto no branco no site da RAVE, por exemplo) a linha de TGV Lisboa/Madrid foi pensada para mercadorias (não me refiro à 3ª via convencional).

A questão é se aquela linha, pensada para a circulação de comboios a 350 km/h, alguma vez verá comboios de mercadorias.

Igualmente, a linha Porto/Vigo também sempre foi anunciada como sendo também para mercadorias. Infelizmente, nos tempos recentes parece equacionar-se a possibilidade de a reduzir apenas para passageiros.

Só a linha Lisboa/Porto é que foi planeada, à partida, para ser apenas de passageiros.
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De João Carvalho a 20.04.2010 às 16:34

Carlos, aproveito para lhe dizer que o DO retribui com gosto, colocando o seu Mente Livre na nossa barra lateral.

Um abraço.
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De José Gomes André a 20.04.2010 às 16:59

Concordo que são precisas alternativas aos aviões. Elas existem e chamam-se redes viárias e ferroviárias. Agora esta ideia de que só o TGV nos poderia salvar é um nadinha bizarra...
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De Ana Vidal a 20.04.2010 às 10:46

Claro como água.
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De José Gomes André a 20.04.2010 às 17:00

Simpatia tua, Ana :)
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De Luís M. Jorge a 20.04.2010 às 12:16

Ainda bem que o Sérgio não se lembrou de defender uma ponte para Marrocos, ou um túnel a atravessar o Atlântico até Nova Iorque.
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De José Gomes André a 20.04.2010 às 17:02

Tem piada: aquando da loucura argumentativa a favor do TGV (que incluía o já célebre "não podemos ficar parados"), sugeri uma mistura dessa combinação - uma ponte Lisboa-Nova Iorque. Pareceu-me uma ideia "moderna", "estruturante", "a pensar no futuro". E que nos "ligaria às américas". Mas ainda ninguém pegou nisso, para minha pena.
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De João Carvalho a 20.04.2010 às 17:20

Com uma vantagem: podíamos atarrachar vários "espreitadores" pelo túnel fora e dispensávamos a porcaria dos submarinos.
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De Rogerio Pereira a 20.04.2010 às 19:57

Se calhar chego tarde para vos propor uma mudança de paradigma, mas cá vai. Se o vulcãozito de meia tigela serviu para demonstrar as vulnerabilidades dos sistemas de transporte? Serviu! Se os transportes estão sobre a pressão do "pico petrolífero "? Estão! Então porque não pensar aproveitar a lição do vulcão para enfrentar a questão da mobilidade? Com ou sem TGV? Com ou sem novo aeroporto?

Bom, se se repetirem garotices da mãe-natureza , lá teremos todos de ir cavar as próprias batatas...
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De João Carvalho a 21.04.2010 às 01:05

Nunca é tarde para lhe responder, meu caro.

«Se os transportes estão sobre a pressão do "pico petrolífero "» (e não sob essa pressão), então é esse seu "pico petrolífero" que está sob pressão dos transportes. O que significa (sempre do seu ponto de vista) que os transportes ficam e o tal "pico petrolífero" é que vai ter de se haver, Rogério.

Espero ter-me feito entender...

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